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Massacre não é legítima defesa!

‚ÄúCachorros assassinos, g√°s lacrimog√™neo…

quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio!

O ser humano é descartável no Brasil.

Como modess usado ou bombril.

Cadeia? Claro que o sistema n√£o quis.

Esconde o que a novela n√£o diz.‚ÄĚ

¬† ¬† ¬† ¬† ¬†(“Di√°rio de um Detento” trecho do rap do grupo Racionais MC’s, escrita pelo ex-detento Jocenir.).

 

N√≥s do Kilombagem, manifestamos nossa indigna√ß√£o, diante da decis√£o do Tribunal de Justi√ßa que anula o veredicto dos 5 j√ļris que condenaram 74 PMs pelo massacre do Carandiru. Um dos epis√≥dios mais cru√©is e desumanos da hist√≥ria do sistema prisional mundial que aconteceu na Casa de Deten√ß√£o do Carandiru em S√£o Paulo, em 03 de outubro de¬†¬†1992.

Leg√≠tima defesa 24 anos depois do massacre nos parece mais uma demonstra√ß√£o de poder daqueles intitulados os guardi√Ķes das leis da justi√ßa burguesa. A ¬†anula√ß√£o do julgamento nesta conjuntura, ¬†onde o crescente ¬†aumento da pobreza ter√° como desdobramento direto o aumento de viol√™ncia, nos faz pensar que dentro da hist√≥ria do Brasil o projeto pol√≠tico eug√™nico de cria√ß√£o e ca√ßa ao inimigo interno, ainda vigora na vida real de pobres e pretas/os.

A letalidade da polícia contra pobres e pretas/os representa cerca de 60% do total de homicídios cometidos pela corporação. Neste contexto a população carcerária não é uma exceção, ela está na engrenagem do modus operandi do Estado favor do genocídio da população negra.

O Estado genocida utiliza diversas alega√ß√Ķes para assassinar pessoas pobres, negras e encarceradas e continuar impune, desta vez sob a alega√ß√£o de “leg√≠tima defesa”,¬†¬†o que equivale a dizer que n√£o houve crime cometido pelos agentes do massacre,¬†¬†abrindo o precedente legal para que o Estado e seu bra√ßo de seguran√ßa, a Pol√≠cia Militar, promovam execu√ß√Ķes sum√°rias e depois se absolva, incentivando a barb√°rie, o que para n√≥s √© inadmiss√≠vel.

√Č preciso pensar numa nova sociedade, com a quebra desse paradigma em que a seguran√ßa √© entendida como viol√™ncia, repress√£o e morte aos mais vulner√°veis, pois o Estado, por meio de sua justi√ßa, continua legitimando a viol√™ncia contra seu alvo preferencial.

Pensar sobre o significado de uma a√ß√£o como essa nos remete a uma hist√≥ria de escravid√£o onde a coisifica√ß√£o o corpo preta/o significou prazeres e riquezas para o senhores e um mote de mazelas embrulhadas em hist√≥rias de¬† lamentos, de can√ß√Ķes, de dores, de trajet√≥rias e de vidas.

Quando uma juíza se utiliza de sua condição de classe para posicionar seu racismo, ela torna nossa existência ainda mais frágil.

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O escracho p√ļblico dos nossos e a fragmenta√ß√£o ideol√≥gica s√≥ s√£o bons para a burguesia

N√≥s do Kilombagem, viemos expressar que n√£o somos adeptos ao linchamento p√ļblico pol√≠tico, pois ¬†n√£o dialoga e n√£o soma na luta.

Acreditamos que a luta contra o machismo deva ser uma tarefa de homens e mulheres. Sabemos que o patriarcado que ainda rege nossas rela√ß√Ķes √© respons√°vel pelos privil√©gios sociais masculinos, cotidianamente praticados, seja na viol√™ncia dom√©stica e psicol√≥gica, seja nas rela√ß√Ķes de fam√≠lia.

Vivemos em momento da história onde a barbárie se coloca como um rolo compressor de nós mesmos, e retroalimentar as ideias da classe dominante, no enfrentamento ao machismo, é ceder ideologicamente às ideias da classe dominante.

Não acreditamos que o combate ao machismo e suas violência correlatas se dará pela separação total e imediata entre homens e mulheres, para nós do kilombagem os homens precisam entender que o machismo é um problema da humanidade, sendo assim, é um problema dos homens também.

Acreditamos que uma poss√≠vel sociedade emancipada deva comportar homens e mulheres. Acreditamos tamb√©m que para uma poss√≠vel mudan√ßa nas rela√ß√Ķes sociais entre homens e mulheres, ser√° necess√°rio que os homens apreendam o significado e o peso do machismo no cotidiano de vida das mulheres, e se coloquem em luta para transforma√ß√£o dessas rela√ß√Ķes. Por isso √© importante nos atermos para forma constante da interpreta√ß√£o dos fen√īmenos virar uma an√°lise final de fatos, e serem reiterados na utiliza√ß√£o interpretativa sem que haja media√ß√£o com as particularidades da realidade.

A n√≥s, pretas e preto, pobres, da classe trabalhadora mais explorada, mais encarcerada, mais morta pela policia, pelo SUS, pela previd√™ncia, nos resta criar mecanismos de luta e unifica√ß√£o, mesmo diante de todos o limites colocados pela hist√≥ria. Precisaremos criar mecanismos de luta e resist√™ncia n√£o segregacionistas, pois, a fragmenta√ß√£o ideol√≥gica s√≥ √© boa para burguesia, essa elite senhorial e branca brasileira. Precisaremos criar mecanismos de di√°logos entre os nossos, dessa forma, compreendemos que o escracho p√ļblico dos nossos n√£o √© dialogo √© apenas escracho, e escracho √© humilha√ß√£o. Fica a pergunta √© por meio de escracho p√ļblico individual que vamos combater o machismo e suas viol√™ncias?

N√≥s do kilombagem acreditamos que o feminismo deva seguir uma perspectiva da emancipa√ß√£o humana. N√£o acreditamos em um feminismo que desconsidera o racismo e a luta de classes e, portanto, n√£o vemos como lutas insepar√°veis.”

Organização Negra de Esquerda Kilombagem РRaça Classe e Gênero.

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Document√°rio “Mucamas” tem m√ļsica de Ba Kimbuta, “Marias”

Estou fazendo um curso sobre cinema brasileiro, voltado pra educadores, ministrado pela professora doutora Claudia Mogadouro, embasado na lei que institui a obrigatoriedade da exibição de cinema brasileiro nas escolas. Hoje o tema do encontro foi documentários. Além de aprendermos sobre a imensidão de documentários produzidos no Brasil, compreendi o quanto é necessário problematizar os documentários, uma vez que eles não têm uma visão neutra sobre o recorte que fazem da realidade.

O document√°rio exibido foi “Mucamas“, de 2015, produzido pelo coletivo “N√≥s, Madalenas“, que entrevista mulheres que contam suas experi√™ncias no trabalho em casas de fam√≠lia. As mulheres entrevistadas s√£o m√£es das meninas¬†do coletivo de audiovisual , o que o torna mais profundo. Os cr√©ditos finais, com as imagens de m√£es e filhas s√£o regados pela m√ļsica “Marias” do Mc Ba Kimbuta (direto dos pr√©dinhos de Mau√°!).

Ap√≥s a exibi√ß√£o, tra√ßamos um paralelo de “Mucamas” com o filme “Que horas ela volta” (2015), de Anna Muylaert, que teve grande repercuss√£o e debate sobre as diferen√ßas sociais no Brasil, o que √© retratado tamb√©m no pol√™mico clipe do Emicida, “Boa Esperan√ßa” (2015).

O trabalho dom√©stico da forma como ainda √© no Brasil, nos evidencia uma sociedade que n√£o se envergonha de recorrer a servid√£o em pelo s√©culo XXI. Heran√ßa de uma aristocracia escravocrata que nunca quis a aboli√ß√£o, e por isso, “aboliu” a escravid√£o e nunca permitiu direitos √† essas mulheres, na sua ampla maioria, negras, que continuam cuidando de suas casas e de seus filhos. A PEC das Dom√©sticas, neste sentido, foi um pequeno avan√ßo, com a garantia de direitos b√°sicos √° essas trabalhadoras, e sofreu muita resist√™ncia por parte dos patr√Ķes.

Mucamas
M√£es e filhas protagonizam o document√°rio na frente e por tr√°s das lentes.

“Mucamas” mostra os sonhos, as vontades e as conquistas dessas mulheres, e me deixa otimista, que o suor do rosto de Dona Terezinha, minha av√≥, que foi diarista toda a sua vida, e tinha o sonho da casa pr√≥pria, conquistado antes de morrer, n√£o foi em v√£o.

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O eterno Déjà vu do suspeito padrão

“Vou te dizer uma coisa Algumas pessoas t√™m tudo Algumas pessoas t√™m nada Algumas pessoas t√™m esperan√ßas e sonhos Algumas pessoas t√™m modos e meios

N√≥s somos sobreviventes, sim,a sobreviv√™ncia negra.” (Bob Marley – Survival)

¬†Nota de rep√ļdio em resposta √†s justificativas publicadas pela ger√™ncia do Tupinikim Pizza Bar a respeito da revista na sa√≠da da casa de show na noite de quinta-feira, 21 de abril de 2106.

Na noite da √ļltima quinta-feira, 21/04, fomos alvo do “suspeito padr√£o” no Tupinikim Pizza Bar em Santo Andr√©, no Grande ABC Paulista, em noite de tributo a Bob Marley, em que havia poucos pretos e pretas, √©ramos praticamente as √ļnicas com blacks e turbantes. Na sa√≠da da casa tivemos¬†NOSSAS BOLSAS REVISTADAS por uma funcion√°ria,¬† ap√≥s pagarmos nossas comandas. Sem muitas explica√ß√Ķes sobre os crit√©rios, estranhamos o procedimento, questionando se¬† TODOS ESTAVAM SENDO REVISTADOS. A resposta da funcion√°ria foi vaga. N√£o hav√≠amos visualizado aviso algum nas paredes ou mesmo no caixa sobre¬†uma revista na sa√≠da, que √© totalmente incomum na noite Paulista, em que muitos bares e casas de shows revistam na entrada.

Pois bem, hoje pela manh√£, fui √† p√°gina do bar e questionei a a√ß√£o, o questionamento foi publicado tamb√©m no meu perfil pessoal (no facebook) e logo compartilhado por v√°rios camaradas indignados, gerando pol√™mica e debate, inclusive nos acusando de linchamento p√ļblico sem ouvir as justificativas do bar. Quero explicitar que n√≥s do Kilombagem¬†n√£o somos adeptos dos escrachos e linchamentos p√ļblicos,¬†e¬† procuramos analisar os fatos de forma objetiva, pra n√£o cometer injusti√ßas, ainda que n√≥s sejamos alvo das mesmas todos os dias. Ent√£o partirei da resposta dada pelo bar (publicada na √≠ntegra ao final dessa nota), em que destaco o seguinte trecho:

“Ontem, 21/04, durante o evento, nossas paredes foram pichadas. Ent√£o, nossa equipe de seguran√ßa, realizou vistorias com os clientes que sa√≠am da casa, na tentativa de localizar o autor da picha√ß√£o e suas latas de spray. Al√©m de voc√™, v√°rios clientes tamb√©m foram revistados, sem o objetivo de constranger, ou discriminar algu√©m. Repito: o √ļnico objetivo da vistoria foi de identificar o autor da picha√ß√£o, independente da sua cor da pele, ou qualquer outro atributo. O ATO N√ÉO FOI RACISTA!”

A mensagem afirma que “Al√©m de (n√≥s) voc√™, v√°rios clientes tamb√©m foram revistados“, deixando objetivamente expl√≠cito que¬†N√ÉO FORAM TODOS OS CLIENTES, V√ĀRIOS e TODOS s√£o OBJETIVAMENTE DIFERENTES. Ent√£o quais foram os crit√©rios adotados pela casa? A cor da pele? A apar√™ncia? O comportamento? Outra, se a “tentativa (era) de localizar o autor da picha√ß√£o e suas latas de spray“, por que revistar bolsas que mal cabiam celulares, qui√ß√° uma lata de spray? E ainda podemos dizer que a afirma√ß√£o de que ¬†“O ATO N√ÉO FOI RACISTA!”, parte da premissa do senso comum da Democracia Racial no Brasil de reconhecer que o racismo existe, mas n√£o reconhecer que se pratica racismo, por√©m, H√Ā RACISMO SEM RACISTAS? As d√ļvidas permanecem.

Isto posto, retomo √āngela Davis em uma entrevista recente para TV Brasil (dispon√≠vel no Youtube), quando ela exp√Ķe que devemos canalizar nossa energia ao combate do racismo institucional, esse que nos mata atrav√©s da PM, que nos exclui das universidades, dos empregos e, que sistematicamente nos mant√©m √† margem da sociedade capitalista, sem ignorar o racismo individual e cotidiano que nos adoece, nos intimida, constrange e acaba com nossa auto estima.

Logo, o que poderia ter sido um rol√™ da hora entre amigas numa noite linda de outono,¬† se torna quase sempre um caso de racismo, com debates, den√ļncias, manifestos. √Č vergonhoso esse tipo de atitude num bar cujo palco j√° recebeu bandas como¬†UAFRO, Conde Favela, Ba-Boom, Mcs como Katiara Oliveira e Ba Kimbuta, que s√£o nossas refer√™ncias de resist√™ncia e luta.

Encerro dizendo que pedir desculpas n√£o √© o suficiente, quando o¬†RACISMO MATA, √© preciso provid√™ncias que¬†eliminem esse tipo de a√ß√£o, porque¬†NUNCA MAIS VAMOS NOS CALAR.¬†O suspeito padr√£o est√° culturalmente naturalizado, e uma de nossas tarefas enquanto Kilombagem √© combater e desconstruir essa ideologia, difundindo e divulgando ideias revolucion√°rias Dessa forma¬†N√ÉO BANALIZAR OU MINIMIZAR SITUA√á√ēES COMO ESSA √Č NOSSO DEVER ENQUANTO MILITANTES NEGRAS PANAFRICANISTAS DE ESQUERDA.

RACISTAS NÃO PASSARÃO!

CONTRA O GENOC√ćDIO DO POVO NEGRO F√ćSICA E MENTALMENTE!

Janaína Monteiro РProfessora e militante do Kilombagem

Na íntegra a mensagem que enviei na página do Bar:

“Fui poucas vezes ao bar, mas ontem foi a gota d’√°gua, FOMOS REVISTADASNA SA√ćDA DO BAR,ap√≥s pagar nossas comandas devidamente, o que nunca vi em nenhuma balada, mesmo nas mais caras de Sampa. Um tributo a Bob Marley mas tinham poucos pretos e pretas, √©ramos as poucas com blacks e turbantes.¬†J√° estive em shows no bar onde a quebrada estava em peso e n√£o passamos por isso. Est√£o assumindo sua conduta RACISTA? Ou n√£o t√™m se dado conta disso? Queremos esclarecimentos: TODAS AS PESSOAS FORAM REVISTADAS¬†NA SA√ćDA?”

Na íntegra a resposta do Tupinikim :

Ol√° Janaina, boa tarde!
Primeiramente, vale ressaltar que o Tupinikim é um espaço voltado para a cultura afro descendente, pois 80% da nossa programação é direcionada para esta cultura.
Todas as Quartas temos samba de raiz na casa, as Quintas-feiras s√£o para o p√ļblico do reggae (voltado para a cultura jamaicana) e nas sextas, temos a noite Marakasi, que √© para o p√ļblico do Hip Hop.
Com esta grade de programa√ß√£o, evidencia que n√£o temos qualquer tipo de preconceito ou discrimina√ß√£o com quem quer que seja. Nossas portas est√£o abertas para todos os p√ļblicos, sem distin√ß√£o de qualquer natureza.
Aqui, pregamos a paz, lutamos pela arte e pela diversidade cultural.
Ontem, 21/04, durante o evento, nossas paredes foram pichadas. Ent√£o, nossa equipe de seguran√ßa, realizou vistorias com os clientes que sa√≠am da casa, na tentativa de localizar o autor da picha√ß√£o e suas latas de spray. Al√©m de voc√™, v√°rios clientes tamb√©m foram revistados, sem o objetivo de constranger, ou discriminar algu√©m. Repito: o √ļnico objetivo da vistoria foi de identificar o autor da picha√ß√£o, independente da sua cor da pele, ou qualquer outro atributo. O ATO N√ÉO FOI RACISTA!
De qualquer forma, pedimos desculpas se a atitude da nossa equipe de seguran√ßa te causou algum constrangimento, pois de fato, n√£o √© e nunca ser√° nossa inten√ß√£o. Nossa equipe √© constantemente treinada e recebe orienta√ß√Ķes quanto √† forma de atender nossos clientes, que s√£o muito especiais para n√≥s. N√£o compactuamos com atitudes, palavras ou gestos racistas e discriminat√≥rios, dentro ou fora de nosso espa√ßo.
Nossas portas permanecem abertas para você e seus amigos voltarem para curtir nossa programação e caso queira bater um papo pessoalmente, estamos aqui, disponíveis para atendê-la.
Atenciosamente,
Diretoria Tupinikim Pizza Bar e Lounge

(Link: https://www.facebook.com/profjanaina.mont/activity/1083538968371621?comment_id=1083604211698430&reply_comment_id=1083684371690414&notif_t=open_graph_action_comment&notif_id=1461344371345903)

 

 

 

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DIA INTERNACIONAL DA MULHER: Divergências justificam AGREDIR MULHERES?

Essa cr√īnica n√£o √© uma an√°lise da conjuntura pol√≠tica, j√° tem muito text√£o sobre isso, e alguns muito bons. Essa cr√īnica √© sobre o 8 de mar√ßo, √© sobre escolhas e, se divide em dois momentos: um de desabafo e outro de desaforo.

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O desabafo é que vou ao ato do 8 de Março há uns vinte anos, não fui em todos, é verdade, porque sempre caem em dia de trabalho, e sabe como é, temos que fazer escolhas que nem sempre são as melhores.


Que as v√°rias organiza√ß√Ķes que constroem o ato sempre tiveram suas diverg√™ncias pol√≠ticas, (afinal a esquerda nunca foi un√Ęnime ao longo de sua hist√≥ria), j√° sabemos, faz parte, porque a humanidade √© din√Ęmica, e provida de contradi√ß√Ķes. Mas, apesar dos pesares sempre foi poss√≠vel construir uma pauta √ļnica para o ato, afinal h√° sempre quest√Ķes que atingem todas as mulheres, h√° quest√Ķes comuns: a viol√™ncia, por exemplo.

Assim, mesmo sabendo que os grupos são divergentes, entendemos que nos momentos de unidade é preciso colocar o bloco na rua, juntos. Então consegui sair num horário favorável que me permitiu pegar o ato ainda no Masp.

Ao chegar no Masp por volta das 17h40, o clima estava bem estranho, percebemos pelo menos dois atos diferente de lados opostos da Av. Paulista. Logo pensei: o ato rachou.

Enquanto tent√°vamos nos inteirar dos acontecimentos, me deparei com uma bandeira vermelha, gigante, que pensei ser em homenagem a uma mulher, as muitas que s√£o lembradas no ato do 8 de Mar√ßo. Para minha surpresa por√©m, a bandeira era em homenagem a um homem, a bandeira era em homenagem ao Lula, se referia aos √ļltimos acontecimentos da semana passada.

Compreendi lendo o contexto, que as organiza√ß√Ķes ligadas ao PT, escolheram transformar o ato do 8 de mar√ßo, em um ato em defesa da presidenta Dilma e contra o golpe que acreditam que o governo poder√° ser submetido (h√° controv√©rsias). Bom, a escolha da milit√Ęncia do PT n√£o surpreende. Mas o pior estava por vir.

Companheiras de luta relataram que outro grupo, agora ligado ao PSTU, ao ter o seu direito de fala garantido, fizeram sua cr√≠tica √† escolha do PT em usar o ato do 8 de mar√ßo pra defender o governo, e assim, escolheram se retirar do ato e defender o “Fora Dilma”, “Fora Lula”, “Fora Todos”. A escolha do PSTU tamb√©m n√£o surpreende. O que surpreendeu a todos foi o fato da camarada do PSTU ter sido hostilizada ainda no caminh√£o, e ter sido agredida, quase linchada por militantes mais exaltados do PT, incluindo homens, o que iniciou um tumulto com outras militantes agredidas tamb√©m.

Neste momento a escolha n√£o poderia ser diferente: cada um foi para um lado. os movimentos ligados ao PT e PCdoB foram para o centro; do lado oposto da avenida foram outros grupos que repudiaram as agress√Ķes, como o MRT, o PCB, o PSTU. Al√©m disso outros grupos se mantiveram no v√£o Livre do Masp, como o Movimento de Mulheres Olga Ben√°rio.

Escolhemos ir embora, éramos minoria no meio da multidão. Mas a sensação de mal estar não se foi, ela me acompanhou noite a dentro. O que sempre foi comum nos atos do dia 8 de março é nos reconhecermos, porque somos poucos. Mas ontem não me reconheci naquele ato, naquelas atitudes. Muitas perguntas, algumas respostas, poucas perspectivas. Vivemos um momento crítico, e escolho me posicionar CONTRA QUALQUER TIPO DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES!

Hoje, v√°rios sites publicaram sobre o ocorrido de ontem, mas o site oficial do PT escolheu se omitir, como t√™m feito com muitas coisas, ali√°s. N√£o √© preciso lembrar que se o Cunha est√° l√°, na presid√™ncia da C√Ęmara, se deve ao fato do PMDB ser aliado do PT. O PMDB comp√Ķe a base governista, Temer √© o vice presidente, dessa maneira, criticar a√ß√Ķes do governo Dilma, n√£o √© dar asas ao inimigo, ele n√£o precisa de asas quando o pr√≥prio PT j√° lhe deu cargos.

O desaforo √© a p√°gina do PT no facebook ter centenas de compartilhamentos de cartaz dizendo que se deve ter vergonha de estar no ato se voc√™ chama a presidenta Dilma de vagabunda, mas n√£o ter uma √ļnica publica√ß√£o sobre a VERGONHA de alguns de seus militantes AGREDIREM mulheres no ato do 8 de mar√ßo.

DIVERGÊNCIAS NÃO JUSTIFICAM AGREDIR MULHERES!

BASTA DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER!

Janaína Monteiro РProfessora e militante do Kilombagem

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Um dever cumprindo, mas a luta continua …

Salve!! Suavidade pessoas!!

Enceramos no dia 23 o Curso Movimentos de Liberta√ß√Ķes na √Āfrica, com o ensaio do Bloco Pega o Len√ßo e Vai (quem num foi perdeu ūüôā ) fechando a semana de muito aprendizado e reflex√Ķes trazidas pelos palestrantes, Marcio Farias, Devison Nkosi Faustino, Weber Lopes, Salloma Salom√£o e Milton Barbosa, com as contribui√ß√Ķes dos participantes que fez um esfor√ßo pra estar a semana toda, numa din√Ęmica que foi cansativa e muito puxada. Gratid√£o a todas e todos que colaram ¬†:lol ¬†.

Agradecer ao CCDL pela possibilidade de somar com a constru√ß√£o desse espa√ßo, pela troca e pela certeza da constru√ß√£o para a vida de um mundo mais do nosso jeito, s√≥ agradece mesmo!!! ūüôā

No mais enquanto o próximo encontro não vem, ficamos com o registro fotográfico do Felipe Choco,  que para além da caminhada na luta, chegou chegando no registro fotográfico, agigantando nossa memoria coletiva através do digital.

Pedimos a todas e todos que fa√ßam a avalia√ß√£o do curso, de forma que novas ideias sejam agregadas nesse processo que √© coletivo e a constru√ß√£o tamb√©m ūüėõ

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N√£o esque√ßa de fazer a avalia√ß√£o do Curso!!! ūüôā

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Adolescentes mostram o quanto s√£o perigosos II – Por dentro das ocupa√ß√Ķes nas escolas: E.E. Maria Elena Col√īnia (Mau√°)

A trucul√™ncia do Governo Alckmin n√£o est√° intimidando essa mo√ßada, que cada dia mais sabe o que quer. Desde quinta-feira, 19/11, quando ¬†o governo anunciou que n√£o v√£o suspender a reorganiza√ß√£o, sentiram o efeito colateral, com mais ocupa√ß√Ķes surgindo a cada dia.

Tive a oportunidade de participar do almo√ßo comunit√°rio na E.E. Maria Elena Col√īnia, no Parque das¬† Am√©ricas em Mau√° neste domingo, 22/11. Conversei com m√£es, pais, professores, mas meu foco era ouvir os estudantes que iniciaram a ocupa√ß√£o. Segue um pouco dessa aula pr√°tica.

Me contaram que a iniciativa foi de 5 alunos do 1¬ļ ano do Ensino M√©dio, na sexta-feira, 13/11, ¬†por√©m os estudantes foram pressionados pela dire√ß√£o da escola a desistir da ocupa√ß√£o, a diretora chamou a pol√≠cia militar, inclusive. Esse fato fortaleceu os estudantes, que passaram a se conhecer e se articular decidindo “secretamente” ocupar a escola no hor√°rio do intervalo noturno na segunda, 16/11. A dire√ß√£o tentou novamente coagir a mudarem de ideia, mas n√£o conseguiram e, a escola completa uma semana amanh√£ de ocupa√ß√£o, est√£o agendadas aulas p√ļblicas e atividades culturais.

Outro estudante do 2¬ļ ano, um dos respons√°veis pela organiza√ß√£o da ocupa√ß√£o contatou o MTST¬† (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) para ajudarem na ocupa√ß√£o com assessoria jur√≠dica e organiza√ß√£o da cozinha e limpeza. Ele enfatiza que o MTST est√° apenas no apoio e n√£o a frente da ocupa√ß√£o, ¬†e contam ainda com o auxilio de estudantes universit√°rios, vizinhos, m√£es, pais e professores.

A escola é uma das que será afetada pela chamada reorganização do governo estadual, hoje tem Ensino Fundamental II e Médio, e passará a ter apenas o Ensino Fundamental II, e os estudantes do Médio terão que estudar numa escola mais longe de suas casas, e temem pelo fim do ensino noturno, que consideram imprescindível para os estudantes trabalhadores.

Ouvindo estudantes, m√£es e pais, o que pude lhes dizer √© que est√£o fazendo hist√≥ria, e que ainda n√£o fazem ideia do tamanho disso. Uma estudante compara as gera√ß√Ķes, chamando a gera√ß√£o de seus pais de acomodada. Um outro pai pergunta: como vai ser depois da vit√≥ria ou da derrota? A educa√ß√£o nas escolas ser√° a mesma? O comportamento dos estudantes em sala de aula ser√° o mesmo? ¬†Outro estudante universit√°rio, que est√° no apoio da ocupa√ß√£o, problematiza o que considera grave: h√° uma gera√ß√£o de professores ainda muito conservadores na sala de aula, e completa dizendo que √© preciso ter mais di√°logo entre estudantes e professores. Comentamos ainda da import√Ęncia do retorno dos gr√™mios estudantis.

Vou ouvindo tudo e anotando o que posso, fazendo alguns registros em v√≠deo e foto, enfatizo a import√Ęncia de manterem os canais de comunica√ß√£o, de articularem as propostas e me coloco a disposi√ß√£o pras aulas p√ļblicas, assim como a rede de professores que conhecemos.

A bandeira desta semana é o boicote ao SARESP, o exame estadual, que na opinião desses estudantes não serve pra nada, não é algo pra melhorar a educação, serve apenas para dividir a classe de professores.

Os estudantes reclamam da postura de alguns professores e funcion√°rios, que est√£o dizendo e divulgando que o grupo n√£o passa de v√Ęndalos. Mas eles fazem quest√£o de mostrar como est√£o cuidando da escola, inclusive chamando mutir√Ķes. Embora estejam enfrentado certa resist√™ncia da comunidade que quer o retorno das aulas, os estudantes t√™m feito corpo a corpo com panfletagem na feira, e para eles as aulas j√° poderiam ter sido retomadas, por√©m a dire√ß√£o da escola, diz que s√≥ autorizar√° ap√≥s o fim da ocupa√ß√£o, que n√£o tem previs√£o enquanto suas reivindica√ß√Ķes n√£o ¬†forem atendida: suspens√£o imediata da reorganiza√ß√£o ¬†por um ano e abertura de consulta p√ļblica. Otimistas, os estudantes acreditam que mais ocupa√ß√Ķes surgir√£o essa semana e que o governo ser√° obrigado ao di√°logo.

Me despedi por hora, levando comigo muitas aprendizagens, n√£o sou a mesma, eles n√£o os mesmos, e quem sabe consigamos que a ESCOLA tamb√©m n√£o seja mais a mesma, como canta Milton Nascimento: “Nada ser√° como antes amanh√£”!

Jana√≠na Monteiro – Professora da rede p√ļblica e particular. Integrante do Kilombagem.

 

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Adolescentes mostram o quanto s√£o perigosos: ocupa√ß√Ķes nas escolas! Junho n√£o acabou!!

 

H√°¬†duas semanas¬†o governo anunciou oficialmente o que j√° vinha sendo denunciado pelos professores e sindicato,¬†o fechamento de 94 escolas, fato que ocasionar√° uma maior¬†precariza√ß√£o na educa√ß√£o estadual: maior n√ļmero de estudantes por turma; ¬†alunos matriculados em escolas longe de casa; fechamento de salas noturnas. Al√©m disso, a rede j√° conta com um d√©ficit no seu quadro docente, que realizou a mais longa¬†greve de sua hist√≥ria este ano, com a dura√ß√£o de 3 meses, que foi tratada como fato isolado por Geraldo Alckmin.

Semana passada em uma conversa com minha prima, ¬†preocupada com a situa√ß√£o das escolas que ser√£o fechadas, me questionava os motivos que fizeram as mobiliza√ß√Ķes contra o fechamento das escolas terem esfriado, eu comento sobre o desgaste da categoria em decorr√™ncia da longa greve e a truculenta pol√≠tica do PSDB.Nem bem encerramos o di√°logo¬†somos surpreendidas¬†com a not√≠cia da ocupa√ß√£o da E.E Diadema, em Diadema no ABC Paulista. Mais surpreendente ainda √© ter a informa√ß√£o de que o movimento partiu dos estudantes, √© aut√īnomo e horizontal.

A m√≠dia como sempre n√£o deu muita import√Ęncia para o caso, que foi novamente tratado como fato isolado e,¬†a PM, bra√ßo direito do governador, logo foi acionada.¬†Os ¬†estudantes responderam com outra ocupa√ß√£o, na¬†E.E Fern√£o Dias, agora no bairro nobre de Pinheiros. E assim, uma sequ√™ncia de escolas foram sendo ocupadas, pra desespero do governo autorit√°rio do PSDB.

Sem grande cobertura da imprensa televisiva, os estudantes fazem sua pr√≥pria m√≠dia, a exemplo do que ocorreu em Junho de 2013: p√°ginas s√£o criadas, imagens e v√≠deos s√£o compartilhados com a velocidade da luz. Organizaram comiss√Ķes, fazem assembleias e tudo √© decidido de forma democr√°tica dentro das ocupa√ß√Ķes.¬†Os pais acompanham tudo de perto, e apoiam o movimento. Al√©m dos professores e da vizinhan√ßa que est√° abastecendo com alimenta√ß√£o e √°gua. Al√©m disso, em algumas escolas ocupadas, os estudantes organizaram almo√ßo comunit√°rio e eventos culturais, como divulgados nas p√°ginas¬†N√£o Feche Minha Escola,¬†O Mal Educado¬†e outras.

No s√°bado, 14, o juiz revogou o pedido de reintegra√ß√£o de posse, e mais ocupa√ß√Ķes surgem por todo o estado, por√©m, ¬†a PM aproveita do fim de semana pra fazer pris√Ķes e reintegra√ß√Ķes arbitr√°rias, denunciadas amplamente pelas redes sociais e portais da esquerda.

Ironicamente, Alckmin, que foi o precursor da lei que¬†prop√Ķe a redu√ß√£o da maioridade penal, agora se v√™ diante dos “perigosos adolescentes”¬†que escancaram a insatisfa√ß√£o da popula√ß√£o com o desmonte da educa√ß√£o p√ļblica em S√£o Paulo perpetrada pelo governo pelo PSDB, h√° mais de 20 anos no poder.

Ao contrário das falas pessimistas sobre essa geração, meninos e meninas, entre 11 e 17 anos de idade estão aprendendo na prática a lutar por seus direitos: educação universal e de qualidade.

Nas palavras de uma estudante de 15 anos: a grande reivindicação é que a comunidade escolar seja consultada e possa decidir sobre toda e qualquer mudança que lhes digam respeito (Assista o vídeo no canal da  TVT no Youtube)

Apoio incondicional aos estudantes que nos d√£o uma aula de organiza√ß√£o e resist√™ncia,¬†que souberam canalizar sua rebeldia pra uma reivindica√ß√£o coletiva, e que sim, s√£o muito perigosos, pois como diz Malala: “Uma crian√ßa, uma professora e uma caneta podem mudar o mundo”.

Por Jana√≠na Monteiro –¬†http://alinguadasmariposas.blogspot.com.br/