Publicado em Deixe um coment√°rio

Mobili√°rio Urbano

Com  participação  de membras/os do kilombagem e demais companheiras/os,  a proposta do   doc foi de trazer  um debate acerca da  Gentrificação,   Higienização,  Segregação, Racismo e Violência  em   São Paulo.

Renato Pereira Correa (Dr√£o) na Deriva Nossa Senhora do Ros√°rio dos Homens Pretos
embranquecimento da cidade/religi√Ķes/cultura, pobre s√≥ se fode, bolsa de valores no lugar da igreja, rios soterrados, marginalizar, hebanarios-benzedeiros-curandeiros = ilegais, territ√≥rios prevalecem, intoler√Ęncia religiosa, ind√≠genas, imigrantes, filhos de santo, ax√©, todos juntos sempre!

Bergman de Paula na Deriva no Monumento às Bandeiras Ciência positivista, código de condutas, governador no colégio/palácio (dos bandeirantes) e preto descalço governado na fundação casa, Milícia é Borba Gato, pobres morrendo no parto, falobelisco branco reprodutor colonizador, política sistêmica de extermínio, colonização moderna, paulista.

Assistam!

Fica aqui nosso agradecimento a equipe pelo convite, pelo trabalho e pela participação!

 

Mobili√°rio Urbano

 

O webdoc Mobili√°rio Urbano est√° no ar!

>>> https://moburb.org <<<

“Mobili√°rio Urbano

Webdocument√°rio experimental

Cada acesso faz uma nova ordem do caos

114 vestígios fílmicos > 1 filme
moburb.org/videos > moburb.org
> 2,6981959186483482*1032 filmes possíveis

 

Publicado em Deixe um coment√°rio

O samba continua sendo uma arma de resistência e luta em Mauá

Avante mocidade pega o lenço e vai a luta. Trechodo samba Cenário Original de Rafael Loré

 

√Č muito dif√≠cil falar do Projeto Samba de Terreiro de Mau√° e do Bloco de Samba ‚ÄúPega o Len√ßo e Vai‚ÄĚ em poucas linhas pois, cada detalhe da hist√≥ria desses projetos √© muito importante e deve ser registrado, n√£o pode cair no esquecimento; tentarei sintetizar essa hist√≥ria sem reduzir sua grandiosidade.

O Projeto Samba de Terreiro de Mau√°, √© um coletivo de trabalhadores(as) que desde de 23 de dezembro de 2002 decidiram se organizar para pesquisar e difundir os sambas de outrora. Esses trabalhadores(as) se preocupavam com a possibilidade do esquecimento desse formato de samba: cuidadoso com a melodia e harmonia dos sambas, com os m√ļsicos tocando e cantando no formato de roda para que todos participassem e a import√Ęncia das mulheres na roda que s√£o chamadas de pastoras, termo que vem dos ranchos carnavalescos, anteriores as escolas de samba ‚Äď d√©cada de 1880, o sambista apresentava sua composi√ß√£o para as pastoras, se elas cantassem bem o samba, este estava aprovado.

Esse resgate mostra a fun√ß√£o social que o samba tem em sua ess√™ncia, mostra que ele n√£o √© somente entretenimento, ele √© tamb√©m resist√™ncia, pois, a repress√£o policial nas periferias que hoje denominamos como genoc√≠dio da popula√ß√£o negra, tamb√©m era pesada naquele per√≠odo, havia proibi√ß√£o e os sambistas para escapar dessa repress√£o foram para os terreiros de candombl√© fazer as rodas de samba; eram locais seguros, a repress√£o aos terreiros era menor no per√≠odo, assim surgem as escolas de samba do Rio de Janeiro misturadas com as religi√Ķes de matriz africana pois, em um primeiro momento se organizaram nos terreiros, sempre resistindo; esses sambistas colocaram em suas letras seu duro cotidiano de uma forma rica em poesia, melodia e harmonia.

O resgate da hist√≥ria do samba feito por esses trabalhadores(as) √© transformador, o Samba de Terreiro de Mau√° √© uma escola p√ļblica de verdade, pesquisam por amor n√£o cobram pela socializa√ß√£o que fazem de suas pesquisas e cada vez mais agregam pessoas, de toda parte do pa√≠s, fortalecendo a luta para que a ess√™ncia do samba n√£o se perca totalmente.
Quem assiste um desfile de escola de samba do Rio de Janeiro hoje, n√£o faz ideia que a origem dessas escolas teve a fun√ß√£o social de organizar trabalhadores(as) que queriam produzir sua arte e n√£o podiam, que lutaram muito para conseguir; hoje o luxo das escolas de samba permite a participa√ß√£o da popula√ß√£o das periferias quase sempre apenas nos seus barrac√Ķes, produzindo as fantasias que n√£o tem dinheiro para comprar e construindo os luxuosos carros aleg√≥ricos onde sobe quem pagar mais. O capitalismo cumpriu seu papel nas escolas de samba, tirou sua ess√™ncia de luta e resist√™ncia e a transformou em: O Maior Espet√°culo da Terra, onde quem produz o espet√°culo geralmente n√£o tem acesso.

Ao reconhecer a transforma√ß√£o do carnaval oficial, o coletivo manifesta sua inquieta√ß√£o com a forma√ß√£o de um bloco de samba no formato tradicional, que saia para a rua um s√°bado antes do carnaval oficial e que a batucada remetesse ao ritmo de outrora, privilegiando a melodia e pegando as tr√™s fases do carnaval brasileiro: a primeira fase se inicia nos anos 1920, onde o samba era de improviso, tinha somente a primeira parte que era curta e os sambistas faziam versos de improviso em cima dela; a segunda fase era o samba completo, tinha primeira e segunda parte com temas livres; e a terceira fase, que √© a do samba enredo, foi na d√©cada de 1940, per√≠odo que as escolas come√ßaram fazer samba com temas hist√≥ricos. O bloco sai com cinco sambas que s√£o composi√ß√Ķes de v√°rios(as) parceiros(as): o samba tema, que conta a hist√≥ria da luta ou do(a) protagonista da luta homenageado(a) no ano, um de improviso e os outros com primeira e segunda parte e com temas livres, instrumentos de sopro junto com a batucada, e sem a obrigatoriedade de se fantasiar, tendo somente o len√ßo no pesco√ßo que √© o s√≠mbolo do Bloco Pega o Len√ßo e Vai. A idealiza√ß√£o do bloco est√° ligada tamb√©m a preocupa√ß√£o com o cumprimento da lei 10.639/03 que foi inclu√≠da na LDB ‚Äď Lei de Diretrizes e Bases da Educa√ß√£o Nacional ‚Äď, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de Hist√≥ria Africana e da Cultura Afro-brasileira nas escolas p√ļblicas municipais, estaduais e particulares. A lei foi uma conquista necess√°ria mas, infelizmente √© negligenciada at√© nas universidades que tamb√©m nega as lutas e as contribui√ß√Ķes do negro em nosso pa√≠s. O Bloco foi formado em 2010, teve e tem apoio de muitos companheiros[as] daqui de S√£o Paulo, do Rio de Janeiro, de Porto Alegre, de Florian√≥polis, Minas Gerais e do Paran√° que abra√ßaram esse projeto com muito amor e alegria. O bloco saiu para a rua em 2011 e o primeiro a ser lembrado foi Jo√£o C√Ęndido ‚Äď O Almirante Negro ‚Äď, l√≠der da Revolta da Chibata que em 2010 comemorou seu centen√°rio. O s√≠mbolo do bloco se deu por conta de perceberem que nas fotos de Jo√£o C√Ęndido e de seus companheiros de revolta sempre tinham um len√ßo no pesco√ßo, pois, na marinha antiga os marinheiros usavam um len√ßo na cabe√ßa amarrado na testa quando estavam em combate, pois ele servia como prote√ß√£o dos olhos para n√£o cair p√≥lvora ou graxa; quando n√£o estavam em combate giravam o len√ßo escorregando da testa para o pesco√ßo, tornando-se parte da vestimenta; por esta raz√£o foi decidido utilizar o len√ßo como s√≠mbolo de manifesta√ß√£o da revolta, e ent√£o, em meio √† discuss√£o sobre qual seria o nome do bloco, Ocimar, um dos integrantes do bloco e tamb√©m do Projeto Samba de Terreiro de Mau√°, fez uma fala mais ou menos assim: Mas o len√ßo n√£o ser√° o s√≠mbolo do bloco? Ent√£o pega o len√ßo e vai‚Ķ, o que fez o pr√≥prio Ocimar e os demais integrantes do bloco lembrarem de um samba da Velha Guarda da Portela que o coletivo gosta muito, que √© o samba do Alcides Malandro Hist√≥rico da Portela e do Monarco.

Todos os temas do bloco foram escolhidos por Danilo Ramos Silva, um dos idealizadores do bloco e curador do Centro Cultural Dona Leonor, um espa√ßo de luta da cidade de Mau√° que ele junto com sua irm√£ Daniela e seu irm√£o Daniel organizam e disponibilizam para diversas atividades. Al√©m do Projeto Samba de Terreiro Mau√° e do Bloco Pega o Len√ßo e Vai, Danilo tem a preocupa√ß√£o de que todas as atividades realizadas no CCDL sejam voltadas para forma√ß√£o e sempre com a perspectiva da emancipa√ß√£o humana: grupo de estudo, lan√ßamento de livros e revistas, oficinas, saraus e cursos; a concentra√ß√£o, a sa√≠da do bloco e as forma√ß√Ķes sobre os temas s√£o feitas nesse espa√ßo, ele convida professores e militantes para falar sobre o tema e a partir da√≠ os compositores come√ßam a pensar na constru√ß√£o do samba tema. No primeiro ano a forma√ß√£o sobre Jo√£o C√Ęndido ‚Äď Almirante Negro ‚Äď, foi feita pelo professor e parceiro do bloco Weber Lopes; no segundo ano sobre Luiza Mahin ‚Äď A Revolta dos Males ‚Äď, a forma√ß√£o foi feita por Honer√™ Al-Amim Oadq, integrante da Posse Haussa, de Diadema; no terceiro sobre Luiz Gama ‚Äď O Trovador da Liberdade ‚Äď, o professor e parceiro Felipe Choco, integrante do F√≥rum de Hip-Hop de S√£o Bernardo do Campo; no quarto sobre a Conjura√ß√£o Baiana ‚Äď Revolta dos B√ļzios ‚Äď, o professor Weber Lopes; no quinto ano sobre A Revolta dos Balaios, o professor e integrante do Coletivo de Esquerda For√ßa Ativa da Cidade Tiradentes Djalma Lopes ‚Äď Nando Comunista; e esse ano sobre O Quilombo dos Palmares, novamente, o professor Weber Lopes. Essas forma√ß√Ķes s√£o fundamentais para a organiza√ß√£o do bloco, √© o pontap√© inicial para a constru√ß√£o do samba tema e in√≠cio dos ensaios pois, infelizmente a maioria dos trabalhadores(as) n√£o viram esses temas na escola, por isso o cuidado e aten√ß√£o para que a Lei 10.639/03 seja devidamente cumprida. O Centro Cultural Dona Leonor √© um quilombo urbano, isto √©, um espa√ßo de resist√™ncia e luta fundamental para os as trabalhadores(as). √Č grande a alegria de fazer parte desta hist√≥ria, e essas palavras s√£o express√£o de minha gratid√£o pelo amor que recebo de cada uma dessas pessoas, amor que me faz acreditar cada vez mais na possibilidade de uma outra sociedade pois, o v√≠nculo afetivo que constru√≠mos √© real.

O Centro Cultural Dona Leonor fica na rua San Juan, 121 ‚Äď Parque das Am√©ricas ‚Äď Mau√°

O cortejo do Bloco Pega o Lenço e Vai será dia 30 de janeiro de 2016, das 14:00 às 22:00 horas.

Todos as est√£o convidados (as)

Confira um pouquinho sobre o Bloco Pega o Lenço e Vai

AVANTE MOCIDADE PEGA O LENÇO E VAI A LUTA trecho do samba Cenário Original de Rafael Loré

 

Hosana Meira da Silva

Integrante do Samba de Terreiro de Mauá, do bloco Pega o Lenço e Vai e do coletivo Kilombagem.

Publicado em Deixe um coment√°rio

Nota de Agradecimento Ao apoio do CRP ‚Äď SP

Nota de Agradecimento Ao apoio do Conselho Regional de Psicologia de SP (CRP ‚Äď SP)

Todas as vezes em que um homem fizer triunfar a dignidade do espírito, todas as vezes em que um homem disser não a qualquer tentativa de opressão do seu semelhante, sinto me solidário com seu ato.

Frantz Fanon (1925-1961)

O Kilombagem vem atrav√©s dessa nota expressar publicamente o nosso agradecimento ao apoio do Conselho Regional de Psicologia de S√£o Paulo ‚Äď CRP ‚Äď SP, por viabilizar a nossa participa√ß√£o no I Encontro Internacional de Forma√ß√£o e Organiza√ß√£o Pan-africanista e na III Marcha Internacional Contra o Genoc√≠dio do Povo Negro, realizado entre os dias 22 √† 24 de agosto de 2015, na cidade de Salvador, BA.
Agradecemos por acreditar em nossa luta, sendo esta uma categoria realmente comprometida em compreender a necessidade de barrarmos o genocídio do povo negro em SP e demonstrou apoio concreto ao viabilizar nossa participação nesse encontro Panafricanista. Que sirva de inspiração pra demais categorias profissionais afim de não reproduzirem o racismo institucionalizado e ao mesmo tempo, apoiar a luta negra, das mais variadas formas, em nome da emancipação do povo negro brasileiro.

 

Delega√ß√£o de SP beneficiada com o apoio: Katiara e Rafaela ‚Äď representantes da organiza√ß√£o Kilombagem e Tha√≠s Rosa ‚Äď Representante da organiza√ß√£o Posse Haussa.

Agradecimento póstumo à Jonathas Salathiel (CRP SP), que estará sempre presente em nossa luta!

Contra o Genocídio do Povo Negro! Nenhum Passo Atrás!

Link do Caderno de Subsídios Técnicos e Teóricos de Enfrentamento ao Genocídio do Povo Negro para Psicólogos:

http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/cadernos_tematicos/14/frames/fr_indice.aspx

11143320_10152866510677077_5555459787765081981_n