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Introdu√ß√£o ao estudo das civiliza√ß√Ķes africanas

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(O Slide acima não tem pretenção de esgotar o tema, muito menos falar por sí só. Mas pode ser apropriado para fins pedagogicos)

O estudo sobre a √Āfrica exige estarmos atentos √†s diversas distor√ß√Ķes colonialistas que a historiografia ocidental reservou ao continente.

Contrariando as diversas distor√ß√Ķes racistas criadas ao longo dos √ļltimos s√©culos, o estudo aprofundado sobre a¬† VERDADEIRA √ĀFRICA desmente este olhar distorcido e revela a hist√≥ria dos verdadeiros ancestrais da humanidade, contribuintes ativos do desenvolvimento humano universal.

O Estudo da √Āfrica n√£o se limita a revis√Ķes referentes √† hist√≥ria do africano e seus descendentes espalhados pelo mundo moderno, mas, sobretudo exige uma revis√£o de toda a hist√≥ria da humanidade.¬† Se por um lado n√£o poder√≠amos entender a nossa sociedade sem conceber o legado grego para a edifica√ß√£o da civiliza√ß√£o ocidental, por outro lado n√£o √© poss√≠vel entender a Gr√©cia sem considerarmos a ativa influ√™ncia eg√≠pcia nesta sociedade.

Ao contrário do que afirma(va) as ideologias racistas, os africanos contribuíram para o desenvolvimento humano universal, desenvolvendo inclusive técnicas e conhecimentos essenciais para aperfeiçoarmos a nossas forças produtivas.

Trazer este debate para o ensino p√ļblico exige, sobretudo, n√£o nos resumirmos a montar uma roda de capoeira no dia 20 de novembro, mas pelo contr√°rio¬† reconhecer a participa√ß√£o ativa dos africanos no desenvolvimento humano universal. A pr√≥pria capoeira cont√©m em si conhecimentos e signos profundamente ancorado na sabedoria ancestral (bantu) africana, conhecimentos estes que transcendem a dimens√£o l√ļdica de uma apresenta√ß√£o cultural pontual.

O desafio é imenso, ma existem ferramentas abundantes para oferecermos subsídios para um debate frutífero.

O v√≠deo abaixo (indicado por Vilma Neres)¬† revela evid√™ncias de como a HIST√ďRIA do continente Africano foi distorcida para dar sustenta√ß√£o ideol√≥gica ao colonialismo. Ao mesmo tempo, o document√°rio desmente a id√©ia de que a CIVILIZA√á√ÉO¬† foi trazida ao continente pelos Europeus, mostrando diversos exemplos de riqueza social¬† e desenvolvimento civilizat√≥rio no continente.

Mas n√£o devemos cair em armadilhas saudosistas… A ideologia SANKOFA nos ensina a olhar o passado n√£o para repeti-lo, mas para aprender com os erros e acertos de nossos ancestrais, desenvolvendo a nossa hist√≥ria ao ‚Äútirar poesia do futuro‚ÄĚ!!!

√Č movido por problemas do presente que (re)visitamos a hist√≥ria dos africanos e de seus descendentes, buscando ‚Äúrecuperar‚ÄĚ nossa humanidade ‚Äúsubtra√≠da‚ÄĚ pelos s√©culos de escravismo e racismo. O Racismo permanece vivo e atualizado pelo desenvolvimento das rela√ß√Ķes de produ√ß√£o capitalistas contempor√Ęneas exigindo novamente que pensemos a hist√≥ria dos africanos e de seus descendentes articulada aos conflitos da humanidade como um todo.

Aprendem-se na Capoeira de Angola que somos n√≥s os respons√°veis por nossa hist√≥ria e que, portanto, frente √†s ofensivas da vida cabe a n√≥s mesmos buscar a emancipa√ß√£o. Talvez seja esta a principal mensagem que a Lei 10.639/03 (ou 11.645/08) deve enfatizar ao olhar para o passado de gl√≥ria das civiliza√ß√Ķes africanas: o fato de que este legado nos oferece subs√≠dios para lutar no presente em busca de um futuro melhor.

Deivison Nkosi – Professor de Hist√≥ria da √Āfrica