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A Tirania das Organiza√ß√Ķes Sem Estrutura

Artigo de Jo Freeman, 1970

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Durante os anos em que o movimento feminista se formava, dava-se grande ênfase ao que se chamava de grupos sem estrutura, sem liderança, como a forma principal do movimento. Essa idéia tinha origem numa reação natural contra a sociedade superestruturada na qual a maioria de nós se encontrava, no controle inevitável que isso dava a outros sobre nossas vidas e no elitismo persistente da esquerda e de grupos similares entre aqueles que supostamente combatiam essa superestruturação.

A id√©ia da “aus√™ncia de estrutura”, no entanto, passou de uma oposi√ß√£o saud√°vel a essas tend√™ncias a um dogma. A id√©ia √© t√£o pouco examinada quanto o termo √© utilizado, mas tornou-se uma parte intr√≠nseca e inquestionada da ideologia feminista. Para o desenvolvimento inicial do movimento, isso n√£o importava muito. Ele definiu inicialmente seu m√©todo principal como a conscientiza√ß√£o e o “grupo de discuss√£o sem estrutura” era um meio excelente para esse fim. Sua flexibilidade e informalidade encorajavam a participa√ß√£o na discuss√£o e o ambiente freq√ľentemente receptivo promovia a compreens√£o pessoal. Se nada de mais concreto que a compreens√£o pessoal resultasse desses grupos, isso n√£o importava muito, porque seu prop√≥sito, na verdade, n√£o ia al√©m disso.

Os problemas b√°sicos n√£o apareceram at√© que grupos de discuss√£o individuais exauriram as potencialidades da conscientiza√ß√£o e decidiram que queriam fazer algo mais espec√≠fico. Neste ponto, eles normalmente se atrapalhavam porque a maioria dos grupos n√£o estava disposta a mudar sua estrutura na medida em que mudava sua tarefa. As mulheres tinham comprado totalmente a id√©ia de “aus√™ncia de estrutura” sem perceber as limita√ß√Ķes de seus usos. As pessoas tentavam usar o grupo “sem estrutura” e a reuni√£o informal para fins para os quais n√£o eram apropriados, acreditando cegamente que quaisquer outros meios seriam simplesmente opressivos.

Se o movimento quiser avan√ßar al√©m desses est√°gios elementares de desenvolvimento, ele dever√° livrar-se de alguns de seus preconceitos sobre organiza√ß√£o e estrutura. Nenhum dos dois tem nada de intrinsecamente ruim. Eles podem e freq√ľentemente s√£o mau usados, mas rejeit√°-los de antem√£o porque s√£o mau usados √© nos negar as ferramentas necess√°rias ao nosso desenvolvimento ulterior. Precisamos entender porque a “aus√™ncia de estrutura” n√£o funciona.

Estruturas formais e informais

Ao contr√°rio do que gostar√≠amos de acreditar, n√£o existe algo como um grupo “sem estrutura”. Qualquer grupo de pessoas de qualquer natureza, reunindo-se por qualquer per√≠odo de tempo, para qualquer prop√≥sito, inevitavelmente estruturar-se-√° de algum modo. A estrutura pode ser flex√≠vel, pode variar com o tempo, pode distribuir entre os membros do grupo as tarefas, o poder e os recursos de forma igual ou desigual. Mas ela ser√° formada a despeito das habilidades, personalidades e inten√ß√Ķes das pessoas envolvidas. O simples fato de que somos indiv√≠duos com aptid√Ķes, predisposi√ß√Ķes e experi√™ncias diferentes torna isso inevit√°vel. Apenas se nos recusamos a nos relacionar ou interagir em qualquer base poderemos nos aproximar da “aus√™ncia de estrutura” e essa n√£o √© a natureza de um grupo humano.

Isso significa que lutar por um grupo “sem estrutura” √© t√£o √ļtil e t√£o ilus√≥rio quanto almejar uma reportagem “objetiva”, uma ci√™ncia social “desprovida de valores” ou uma economia “livre”. Um grupo de “laissez-faire” √© quase t√£o realista quanto uma sociedade de “laissez-faire”; a id√©ia se torna uma dissimula√ß√£o para que o forte ou o afortunado estabele√ßa uma hegemonia inquestionada sobre os outros. Essa hegemonia pode facilmente ser estabelecida porque a id√©ia da “aus√™ncia de estrutura” n√£o impede a forma√ß√£o de estruturas informais, apenas de formais. Da mesma forma, a filosofia do “laissez-faire” n√£o impedia os economicamente poderosos de estabelecer controle sobre os sal√°rios, pre√ßos e a distribui√ß√£o dos bens; ela apenas impedia o governo de faz√™-lo. Assim, a “aus√™ncia de estrutura” torna-se uma forma de mascarar o poder e no movimento feminista √© normalmente defendida com mais vigor pelos mais poderosos (estejam eles conscientes de seu poder ou n√£o). As regras sobre como as decis√Ķes s√£o tomadas s√£o conhecidas apenas por poucos e na medida em que a estrutura do grupo permanece informal, a consci√™ncia do poder √© impedida por aqueles que conhecem as regras. Quem n√£o conhece as regras e n√£o √© escolhido para inicia√ß√£o deve permanecer confuso ou sofrer de desilus√Ķes paran√≥icas de que algo que n√£o sabe bem o que √© est√° acontecendo.

Para que todas as pessoas tenham a oportunidade de se envolver num dado grupo e participar de suas atividades, √© preciso que a estrutura seja expl√≠cita e n√£o impl√≠cita. As regras de delibera√ß√£o devem ser abertas e dispon√≠veis a todos e isso s√≥ pode acontecer se elas forem formalizadas. Isto n√£o significa que a normaliza√ß√£o de uma estrutura de grupo ir√° destruir a estrutura informal. Ela normalmente n√£o destr√≥i. Mas impede a estrutura informal de ter o controle predominante e torna dispon√≠vel alguns meios de atac√°-la. A “aus√™ncia de estrutura” √© organizacionalmente imposs√≠vel. N√≥s n√£o podemos decidir se teremos um grupo estruturado ou sem estrutura, apenas se teremos ou n√£o um grupo formalmente estruturado. Assim, a express√£o “sem estrutura” n√£o ser√° mais usada, a n√£o ser para referir-se √† id√©ia que representa. O termo inestruturado referir-se-√° √†queles grupos que n√£o foram deliberadamente estruturados de uma forma particular. O termo estruturado referir-se-√° √†queles que o foram. Um grupo estruturado tem sempre uma estrutura formal e pode tamb√©m ter uma estrutura informal. Um grupo inestruturado tem sempre uma estrutura informal ou disfar√ßada. √Č esta estrutura informal, particularmente em grupos inestruturados, que fornece o fundamento para as elites.

A natureza do elitismo

“Elitista” √©, provavelmente, a palavra mais abusada no movimento de libera√ß√£o das mulheres. √Č usada com freq√ľ√™ncia, mas nunca de forma correta. No movimento, ela normalmente se refere a indiv√≠duos, ainda que suas atividades e caracter√≠sticas pessoais divirjam enormemente. Um indiv√≠duo, enquanto indiv√≠duo, nunca pode ser uma “elite” porque o termo “elite” s√≥ se aplica adequadamente a grupos. Nenhum indiv√≠duo, independente de qu√£o not√≥rio seja, pode ser uma elite.

De uma forma mais apropriada, uma elite refere-se a um pequeno grupo de pessoas que tem poder sobre um grupo maior do qual faz parte, normalmente sem responsabilidade direta sobre ele e, freq√ľentemente, sem seu conhecimento ou consentimento. Uma pessoa torna-se elitista por tomar parte ou defender o dom√≠nio deste pequeno grupo, seja esta pessoa bem conhecida ou totalmente desconhecida. Notoriedade n√£o √© uma defini√ß√£o de elitista. As elites mais trai√ßoeiras s√£o normalmente comandadas por pessoas totalmente desconhecidas do grande p√ļblico. Elitistas inteligentes s√£o, em geral, espertos o suficiente para n√£o se deixarem tornar muito conhecidos. Quando eles s√£o conhecidos eles s√£o vigiados e a m√°scara que esconde seu poder n√£o fica mais firmemente presa.

O fato das elites serem informais n√£o significa que sejam invis√≠veis. Num encontro de qualquer grupo pequeno, qualquer um com um olhar agu√ßado e um ouvido atento sabe dizer quem est√° influenciando quem. Os membros de um grupo de amigos confiar√£o mais nas pessoas do seu grupo do que nas outras. Eles ouvem mais atentamente e interrompem menos. Eles repetem os argumentos dos outros membros e cedem amigavelmente. Os “de fora”, eles tendem a ignorar ou enfrentar. A aprova√ß√£o dos “de fora” n√£o √© necess√°ria para se chegar a uma decis√£o; no entanto, √© necess√°rio para os “de fora” manter uma boa rela√ß√£o com os “de dentro”. √Č claro que as linhas n√£o s√£o t√£o bem definidas quanto as que eu tracei. Elas tem nuances de intera√ß√£o, n√£o s√£o roteiros pr√©-concebidos. Mas elas s√£o discern√≠veis e t√™m o seu efeito. Quando se sabe quem √© importante consultar antes da decis√£o ser tomada e a aprova√ß√£o de quem √© garantia de aceita√ß√£o, ent√£o se sabe quem est√° mandando.

As elites n√£o s√£o conspira√ß√Ķes. Dificilmente um pequeno grupo de pessoas se re√ļne e tenta tomar o grupo maior para seus pr√≥prios fins. As elites s√£o, nada mais, nada menos, que um grupo de amigos que coincidem em participar das mesmas atividades pol√≠ticas. Eles provavelmente manteriam sua amizade, participassem ou n√£o dessas atividades pol√≠ticas; e participariam das atividades, mantivessem ou n√£o sua amizade. √Č a coincid√™ncia destes dois fen√īmenos que cria elites em qualquer grupo e as torna t√£o dif√≠ceis de serem destru√≠das.

Esses grupos de amigos funcionam como redes de comunica√ß√£o √† parte de quaisquer canais regulares para comunica√ß√£o que possam ter sido estabelecidos pelo grupo. Se nenhum canal foi estabelecido, eles funcionam como as √ļnicas redes de comunica√ß√£o. Porque s√£o amigas, normalmente partilhando os mesmos valores e posi√ß√Ķes, porque conversam socialmente entre si e se consultam quando as decis√Ķes comuns t√™m de ser tomadas, as pessoas que participam dessas redes t√™m mais poder no grupo que aquelas que n√£o participam. E s√£o raros os grupos que n√£o estabelecem redes de comunica√ß√£o informal por meio dos amigos que fazem neles.

Rizomas

Alguns grupos, dependendo de seu tamanho, podem ter mais do que uma dessas redes informais de comunica√ß√£o. As redes podem at√© sobrepor-se. Quando apenas uma rede dessas existe, ela √© a elite de um grupo que seria de outra forma inestruturado ‚ÄĒ queiram os seus participantes ser elitistas ou n√£o. Se ela √© a √ļnica dessas redes num grupo estruturado, ela pode ser ou n√£o uma elite, dependendo da sua composi√ß√£o e da natureza da estrutura formal. Se existem duas ou mais dessas redes de amigos, elas podem competir pelo poder dentro do grupo, formando assim fac√ß√Ķes, ou uma delas pode deliberadamente abandonar a competi√ß√£o deixando a outra como elite. Num grupo estruturado, duas ou mais dessas redes de amizades normalmente competem entre si pelo poder formal. Essa √©, em geral, a situa√ß√£o mais saud√°vel. Os outros membros est√£o na posi√ß√£o de arbitrar entre os dois competidores pelo poder e s√£o assim capazes de colocar exig√™ncias do grupo √†queles a quem deram uma confian√ßa tempor√°ria.

Muitos crit√©rios diferentes foram usados pelo pa√≠s, uma vez que os grupos do movimento n√£o decidiram concretamente quem deve exercer o poder dentro deles,. Com o passar do tempo, √† medida que o movimento mudou, o casamento tornou-se um crit√©rio menos universal para a participa√ß√£o efetiva, embora todas as elites informais ainda estabele√ßam padr√Ķes pelos quais apenas as mulheres que possuem certas caracter√≠sticas materiais ou pessoais podem participar. Os padr√Ķes freq√ľentemente incluem: origem de classe m√©dia (apesar de toda ret√≥rica sobre a rela√ß√£o com a classe oper√°ria), ser casada, n√£o ser casada, mas viver com algu√©m, ser ou fingir ser l√©sbica, ter entre 20 e 30 anos, ter forma√ß√£o universit√°ria ou, pelo menos, alguma passagem pela universidade, ser “descolada”; n√£o ser muito “descolada”, seguir uma certa linha pol√≠tica ou se identificar como “radical”, possuir certos tra√ßos de personalidade “femininos”, como ser “gentil”, vestir-se adequadamente (seja no estilo tradicional, seja no anti-tradicional), etc. Existem tamb√©m algumas caracter√≠sticas que quase sempre estigmatizariam a mulher como “desviante”, uma pessoa com a qual n√£o se deve relacionar. Elas incluem: ser velha demais, trabalhar per√≠odo integral (principalmente se est√° ativamente dedicada √† “carreira professional”), n√£o ser “gentil” e ser declaradamente solteira (ou seja, nem heterossexual, nem homossexual).

Outros crit√©rios poderiam ser inclu√≠dos, mas eles t√™m todos temas comuns. O pr√©-requisito caracter√≠stico para participar das elites informais do movimento e, portanto, para exercer o poder, diz respeito √† origem, √† personalidade e √† disponibilidade de tempo. Eles n√£o incluem a compet√™ncia , a dedica√ß√£o ao feminismo, a posse de talentos ou a contribui√ß√£o potencial ao movimento. Os primeiros, s√£o crit√©rios que normalmente se usa para escolher os amigos. Os √ļltimos, s√£o crit√©rios que qualquer movimento ou organiza√ß√£o tem de usar se pretende ser politicamente eficaz.

Embora essa disseca√ß√£o do processo de forma√ß√£o de elites em grupos pequenos tenha sido cr√≠tico em suas perspectivas, ele n√£o foi feito com a cren√ßa de que essas estruturas informais s√£o inevitavelmente ruins, apenas que s√£o inevit√°veis. Todos os grupos criam estruturas informais como resultado dos padr√Ķes de intera√ß√£o entre os membros. Essas estruturas informais podem fazer coisas √ļteis. Mas apenas grupos inestruturados s√£o totalmente governados por elas. Quando elites informais est√£o juntas com o mito da “aus√™ncia de estrutura”, n√£o h√° meios de p√īr limites ao uso de poder. Ele se torna caprichoso.

Isto tem duas conseq√ľ√™ncias potencialmente negativas das quais dever√≠amos estar conscientes. A primeira √© que a estrutura informal de delibera√ß√£o ser√° como uma “irmandade” , na qual se escuta as pessoas porque se gosta delas e n√£o porque dizem algo significativo. Enquanto o movimento n√£o faz coisas significativas, isso n√£o importa muito. Mas para que seu desenvolvimento n√£o pare numa etapa preliminar, ele deve alterar essa tend√™ncia. A segunda conseq√ľ√™ncia √© que as estruturas informais n√£o t√™m obriga√ß√£o de ser respons√°veis pelo grupo como um todo. Seu poder n√£o lhes foi dado; n√£o pode ser tirado. Sua influ√™ncia n√£o se baseia no que fazem pelo grupo; portanto elas n√£o podem ser diretamente influenciadas pelo grupo. Isso n√£o torna necessariamente as estruturas informais irrespons√°veis. Aqueles que se interessam em manter sua influ√™ncia normalmente tentar√£o ser respons√°veis. O grupo apenas n√£o pode obrigar essa responsabilidade; ele depende dos interesses da elite.

As “estrelas”

A “id√©ia” da “aus√™ncia de estrutura” causou o aparecimento de “estrelas”. Vivemos numa sociedade que espera que grupos pol√≠ticos tomem decis√Ķes e escolham pessoas que articulem essas decis√Ķes para o p√ļblico em geral. A imprensa e o p√ļblico n√£o sabem como escutar seriamente as mulheres enquanto indiv√≠duos; eles querem saber como o grupo se sente. Apenas tr√™s t√©cnicas foram desenvolvidas para estabelecer a opini√£o de grandes grupos: o voto ou o referendo, o question√°rio de pesquisa de opini√£o p√ļblica e a sele√ß√£o, num encontro apropriado, de porta-vozes do grupo. O movimento de libera√ß√£o das mulheres n√£o tem usado nenhuma dessas t√©cnicas para se comunicar com o p√ļblico. Nem o movimento como um todo, nem a maioria dos grandes grupos dentro dele estabeleceram meios de explicar suas posi√ß√Ķes sobre os v√°rios assuntos. Mas o p√ļblico est√° condicionado a procurar porta-vozes.

Apesar de n√£o ter conscientemente escolhido porta-vozes, o movimento lan√ßou muitas mulheres que chamaram a aten√ß√£o do p√ļblico por diversas raz√Ķes. Essas mulheres n√£o representam um grupo particular ou uma opini√£o estabelecida; elas sabem disso e normalmente o dizem. Mas porque n√£o h√° porta-vozes oficiais nem qualquer corpo deliberativo que a imprensa possa entrevistar, quando ela quer saber a posi√ß√£o do movimento sobre um dado assunto, essas mulheres s√£o tomadas como porta-vozes. Assim, queiram ou n√£o, goste o movimento ou n√£o, por omiss√£o, as mulheres com distin√ß√£o p√ļblica s√£o colocadas no papel de porta-vozes.

Essa √© uma das origens do que normalmente se sente das mulheres consideradas “estrelas”. J√° que elas n√£o foram escolhidas pelas mulheres do movimento para representar as posi√ß√Ķes do movimento, elas se ofendem quando a imprensa pressup√Ķe que elas falam pelo movimento‚Ķ Assim, o combate √†s “estrelas”, na verdade, encoraja precisamente o tipo de irresponsabilidade individual que o movimento condena. Ao expulsar uma companheira sob a pecha de “estrela”, o movimento perde qualquer controle que possa ter tido sobre a pessoa, que se torna livre para cometer todo tipo de pecado individualista de que foi acusada.

Impotência política

Grupos inestruturados podem ser muito eficazes para fazer as mulheres falarem sobre suas vidas, mas eles n√£o s√£o muito bons para fazer as coisas acontecerem. A n√£o ser que o modo de opera√ß√£o mude, os grupos trope√ßam quando chega o momento em que as pessoas se cansam de “apenas conversar” e querem fazer algo mais. Uma vez que o movimento como um todo, na maioria das cidades, √© t√£o inestruturado quanto os grupos de discuss√£o individuais, ele n√£o √© muito mais eficaz em tarefas espec√≠ficas do que os grupos separados. A estrutura informal est√° raramente suficientemente junta ou suficientemente em contato com as pessoas para ser capaz de operar eficazmente. Assim, o movimento gera muita emo√ß√£o e poucos resultados. Infelizmente, as consequ√™ncias de toda essa emo√ß√£o n√£o s√£o t√£o in√≥cuas quanto os resultados e a v√≠tima √© o pr√≥prio movimento.

Alguns grupos que n√£o envolvem muitas pessoas e trabalham em pequena escala, tornaram-se projetos de a√ß√£o local. Mas essa forma restringe a atividade do movimento ao n√≠vel local. Al√©m disso, para funcionarem bem, os grupos precisam normalmente se reduzir √†queles grupos informais de amigos que tocavam as coisas. Isto impede muitas mulheres de participarem. Enquanto a √ļnica forma de participa√ß√£o no movimento for a filia√ß√£o a um pequeno grupo, aquelas mulheres que n√£o aderem est√£o em evidente desvantagem. Enquanto os grupos de amizade forem o principal meio de atividade organizacional, o elitismo se torna institucionalizado.

Para aqueles grupos que não conseguem encontrar um projeto local ao qual se dedicar, o mero ato de estar junto torna-se a razão de estar junto. Quando um grupo não tem uma tarefa específica (e a conscientização é uma tarefa), as pessoas voltam suas energias para o controle de outras pessoas do grupo. Isto não é feito tanto por um desejo maligno de manipular os outros (embora às vezes o seja) quanto pela falta de alguma coisa melhor para fazer com seus talentos. Pessoas hábeis com tempo disponível e uma necessidade de justificar seus encontros se empenham no controle pessoal e gastam seu tempo criticando as personalidades dos outros membros do grupo. Disputas internas e jogos de poder pessoais tomam conta do dia. Quando um grupo está envolvido numa tarefa, as pessoas aprendem a conviver com os outros como são e a desprezar antipatias em benefício de objetivos maiores. Há limites colocados à compulsão de moldar cada pessoa à concepção que se tem do que deve ser.

O fim da conscientiza√ß√£o deixa as pessoas sem dire√ß√£o e a falta de estrutura as deixa sem meios de chegar l√°. As mulheres do movimento ou se voltam para si mesmas e suas companheiras ou buscam outras alternativas de a√ß√£o. E h√° poucas alternativas dispon√≠veis. Algumas mulheres simplesmente “fazem suas pr√≥prias coisas”. Isso pode levar a um grande grau de criatividade individual que pode, em grande parte, ser √ļtil ao movimento, mas n√£o √© uma alternativa vi√°vel para a maioria das mulheres e certamente n√£o promove um esp√≠rito de esfor√ßo cooperativo de grupo. Outras mulheres abandonam inteiramente o movimento porque n√£o querem desenvolver um projeto pessoal e n√£o encontraram meios de descobrir, associar-se ou come√ßar projetos de grupo que as interessem.

Muitas se voltam para outras organiza√ß√Ķes pol√≠ticas para dar-lhes o tipo de atividade estruturada e eficaz que elas n√£o conseguiram encontrar no movimento das mulheres. Dessa forma, essas organiza√ß√Ķes pol√≠ticas que v√™m a libera√ß√£o das mulheres como apenas uma quest√£o entre outras, consideram o movimento de libera√ß√£o um vasto manancial para o recrutamento de novos membros. Essas organiza√ß√Ķes n√£o precisam se “infiltrar” (embora isso n√£o exclua que o fa√ßam). O desejo de uma atividade pol√≠tica significativa gerado pelas mulheres ao se tornarem parte do movimento de libera√ß√£o √© suficiente para torn√°-las ansiosas de entrarem em outras organiza√ß√Ķes. O pr√≥prio movimento n√£o permite nenhum tipo de vaz√£o para suas novas id√©ias e energias.

Aquelas mulheres que entram em outras organiza√ß√Ķes pol√≠ticas e permanecem no movimento de libera√ß√£o das mulheres ou que entram no movimento de libera√ß√£o e permanecem em outras organiza√ß√Ķes pol√≠ticas, tornam-se, por sua vez, pontos de apoio para novas estruturas informais. Essas redes de amizade se baseiam mais nas suas pol√≠ticas comuns n√£o-feministas que nas caracter√≠sticas discutidas anteriormente; no entanto, a rede opera praticamente da mesma forma. J√° que essas mulheres partilham valores, id√©ias e orienta√ß√Ķes pol√≠ticas comuns, elas tamb√©m se tornam elites irrespons√°veis, n√£o escolhidas, n√£o planejadas e informais ‚ÄĒ pretendam s√™-las ou n√£o.

Essas novas elites informais s√£o freq√ľentemente sentidas como amea√ßas pelas velhas elites informais estruturadas anteriormente a partir de outros movimentos. Trata-se de um sentimento justificado. Essas redes politicamente orientadas dificilmente est√£o dispostas a ser meras “irmandades” como eram muitas das antigas e querem fazer proselitismo de suas id√©ias pol√≠ticas e feministas. Isso √© natural, mas as implica√ß√Ķes disso para o movimento de libera√ß√£o das mulheres nunca foram adequadamente discutidas. As velhas elites dificilmente est√£o dispostas a discutir abertamente essas diferen√ßas de opini√£o porque isso implicaria em expor a natureza da estrutura informal do grupo. Muitas dessas elites informais tem se escondido sob a bandeira do “anti-elitismo” e da “aus√™ncia de estrutura”. Para combater efetivamente a competi√ß√£o de outra estrutura informal, elas teriam que tornar-se “p√ļblicas” e essa possibilidade √© temida por suas in√ļmeras implica√ß√Ķes perigosas. Assim, para manter seu pr√≥prio poder, torna-se mais f√°cil racionalizar a exclus√£o dos membros da outra estrutura informal por meios como o “combate aos vermelhos”, o “combate √†s l√©sbicas” ou o “combate √†s heteros”. A √ļnica outra alternativa √© estruturar o grupo formalmente de tal maneira que o poder original seja institucionalizado. Isso nem sempre √© poss√≠vel. Se as elites informais forem bem estruturadas e tiverem exercido uma boa quantidade de poder no passado, tal tarefa √© vi√°vel. Esses grupos t√™m uma hist√≥ria de atividade pol√≠tica relativamentente eficaz na qual a firmeza da estrutura informal se mostrou um substituto adequado √† estrutura formal. A sua estrutura√ß√£o n√£o altera muito sua opera√ß√£o, embora a institucionaliza√ß√£o da estrutura de poder abra espa√ßo para a contesta√ß√£o formal. Normalmente, s√£o os grupos que mais necessitam de estrutura, os menos capazes de cri√°-la. Suas estruturas informais n√£o foram bem formadas e a ades√£o √† ideologia da “aus√™ncia de estrutura” as faz relutantes em mudar de estrat√©gia. Quanto mais inestruturado um grupo √©, tanto mais carece de estruturas formais; quanto mais adere a uma ideologia de “aus√™ncia de estrutura”, mais vulner√°vel est√° a ser tomado por um grupo de companheiras oriundas de organiza√ß√Ķes pol√≠ticas.

Uma vez que o movimento como um todo √© t√£o inestruturado quanto a maioria dos grupos que o constitui, ele √© igualmente suscet√≠vel √† influ√™ncia indireta de outras organiza√ß√Ķes. Mas o fen√īmeno manifesta-se diferentemente. Num n√≠vel local, a maior parte dos grupos consegue operar autonomamente mas apenas os grupos que conseguem organizar uma atividade no n√≠vel nacional podem ser considerados grupos nacionalmente organizados. Assim, s√£o as organiza√ß√Ķes feministas estruturadas que em geral fornecem as dire√ß√Ķes nacionais para as atividades feministas e essas dire√ß√Ķes s√£o determinadas pelas prioridades dessas organiza√ß√Ķes. Grupos como a “Organiza√ß√£o Nacional das Mulheres” e a “Liga de A√ß√£o pela Igualdade das Mulheres” e algumas conven√ß√Ķes feministas de esquerda s√£o as √ļnicas organiza√ß√Ķes capazes de montar uma campanha nacional. Os in√ļmeros grupos inestruturados de libera√ß√£o das mulheres podem escolher se v√£o apoiar ou n√£o as campanhas nacionais, mas s√£o incapazes de organizar uma campanha elas pr√≥prias. Dessa forma, seus membros se tornam as tropas sob a lideran√ßa das organiza√ß√Ķes estruturadas. Eles n√£o t√™m sequer os meios de decidir quais devem ser as prioridades.

Quanto mais inestruturado um movimento √©, menos controle ele tem sobre as dire√ß√Ķes na qual se desenvolve e sobre as a√ß√Ķes pol√≠ticas na qual se engaja. Isso n√£o significa que suas id√©ias n√£o v√£o se espalhar. Dado um certo grau de interesse dos meios de comunica√ß√£o e condi√ß√Ķes sociais favor√°veis, as id√©ias poder√£o ser difundidas amplamente. Mas o fato das id√©ias serem difundidas n√£o implica que ser√£o implementadas; significa apenas que ser√£o discutidas. Na medida em que podem ser aplicadas individualmente, elas podem ser realizadas, mas na medida em que requerem poder pol√≠tico coordenado para ser implementadas, elas n√£o o ser√£o.

Enquanto o movimento de liberação das mulheres permanece dedicado a uma forma de organização que enfatiza os pequenos e inativos grupos de discussão entre amigas, os piores problemas da inestruturação não se farão sentir. Mas esse estilo de organização tem seus limites; é politicamente ineficiente, excludente e discriminatório quanto às mulheres que não estão ou não podem estar ligadas a redes de amigas. Aquelas que não se enquadram no esquema existente por motivo de classe, raça, profissão, casamento, maternidade ou personalidade serão inevitavelmente desencorajadas de tentar participar. Aquelas que se encaixam desenvolverão interesses dissimulados de manter as coisas como estão.

Os interesses dissimulados dos grupos informais serão mantidos pelas estruturas informais que existem e o movimento não terá meios de determinar quem deve exercer o poder nele. Se o movimento continua, deliberadamente, a não escolher quem deve exercer o poder, ele termina por não abolir o poder. Tudo que faz é abdicar o direito de exigir daquele que exerce o poder e a influência que tenha responsabilidade por esse poder e essa influência. Se o movimento continua a manter o poder tão difuso quanto possível porque sabe que não pode exigir responsabilidade daquele que o tem, ele impede qualquer grupo ou pessoa de dominá-lo totalmente. Mas, simultaneamente, ele se condena a ser tão ineficaz quanto possível. Um meio-termo entre a dominação e a ineficácia pode e deve ser encontrado.

Esses problemas est√£o surgindo agora porque a natureza do movimento est√° mudando necessariamente. A conscientiza√ß√£o, como fun√ß√£o principal do movimento de libera√ß√£o das mulheres, est√° se tornando obsoleta. Devido √† intensa publicidade da imprensa nos √ļltimos dois anos e aos in√ļmeros livros e artigos que circulam agora nos meios estabelecidos, a libera√ß√£o das mulheres se tornou uma express√£o assimilada. Seus temas s√£o debatidos e os grupos de discuss√£o informais s√£o formados por pessoas que n√£o t√™m conex√£o expl√≠cita com nenhum movimento. O trabalho puramente educacional n√£o √© mais uma necessidade imperativa. O movimento deve continuar com outras tarefas. Ele precisa agora estabelecer suas prioridades, determinar suas finalidades e perseguir seus objetivos de maneira coordenada. Para faz√™-lo ele deve organizar-se localmente, regionalmente e nacionalmente.

Princípios da estruturação democrática

A partir do momento em que o movimento n√£o se prende mais tenazmente √† ideologia da “aus√™ncia de estrutura” ele estar√° livre para desenvolver aquelas formas de organiza√ß√£o que melhor se adequam ao seu funcionamento saud√°vel. Isto n√£o significa que devemos ir ao outro extremo e cegamente imitar as formas tradicionais de organiza√ß√£o. Mas n√≥s tamb√©m n√£o devemos cegamente rejeit√°-las. Algumas t√©cnicas tradicionais mostrar-se-√£o √ļteis, ainda que imperfeitas; outras nos dar√£o id√©ias sobre o que devemos fazer para obter certos fins com custos m√≠nimos para as pessoas no movimento. Na maior parte dos casos, n√≥s teremos que experimentar com formas diferentes de estrutura√ß√£o e desenvolver uma variedade de t√©cnicas para usar em situa√ß√Ķes variadas. O “sistema de sorteio” √© uma dessas id√©ias que emergiram do movimento. Ele n√£o √© aplic√°vel a todas situa√ß√Ķes mas √© √ļtil em algumas. Outras id√©ias para a estrutura√ß√£o s√£o necess√°rias. Mas antes que procedamos na experimenta√ß√£o inteligente, devemos aceitar a id√©ia de que n√£o h√° nada de inerentemente ruim na estrutura em si mesma ‚ÄĒ apenas no seu uso excessivo.

Enquanto entramos nesse processo de tentativa e erro, existem alguns princípios que podemos ter em mente que são essenciais para a estruturação democrática e que são também politicamente eficazes:

1. Delegação, por meios democráticos, de autoridade específica a indivíduos específicos para tarefas específicas. Deixar pessoas assumirem trabalhos ou tarefas por omissão ou negligência significa apenas que eles não serão feitos de forma segura. Se as pessoas são escolhidas para uma tarefa, preferencialmente após manifestarem um interesse ou vontade de fazê-la, elas assumem um compromisso que não pode ser facilmente ignorado.

2. Exig√™ncia de que aqueles a quem a autoridade foi delegada sejam respons√°veis frente aqueles que os escolheram. Essa √© a forma pela qual o grupo tem controle sobre as pessoas em posi√ß√Ķes de autoridade. Indiv√≠duos podem exercer o poder, mas √© o grupo quem tem a √ļltima palavra sobre a forma como o poder √© exercido.

3. Distribui√ß√£o da autoridade entre tantas pessoas quanto possa ser razoavelmente poss√≠vel. Isso impede o monop√≥lio do poder e exige daqueles em posi√ß√Ķes de autoridade que consultem muitas outras pessoas no exerc√≠cio de seu poder. Tamb√©m oferece a muitas pessoas a oportunidade de ter responsabilidade por tarefas espec√≠ficas e dessa forma aprender habilidades espec√≠ficas.

4. Rota√ß√£o de tarefas entre as pessoas. Responsabilidades que s√£o mantidas durante muito tempo por uma mesma pessoa, formalmente ou informalmente, passam a ser vistas como sua “propriedade” e n√£o s√£o facilmente substitu√≠das ou controladas pelo grupo. Inversamente, se a rotatividade das tarefas √© muito freq√ľente, as pessoas n√£o t√™m tempo para aprender seu trabalho direito e adquirir o sentimento do trabalho bem feito.

5. Aloca√ß√£o de tarefas segundo crit√©rios racionais. Escolher pessoas para uma posi√ß√£o porque elas s√£o queridas pelo grupo ou lhes dar um trabalho pesado porque n√£o s√£o queridas, prejudica, a longo prazo, o grupo e a pessoa. Habilidade, interesse e responsabilidade t√™m de ser as principais preocupa√ß√Ķes nessa sele√ß√£o. As pessoas devem ter a oportunidade de aprender habilidades que n√£o possuem, mas isso √© melhor implementado por uma esp√©cie de programa de “aprendizes” do que pelo m√©todo do “ou nada ou afoga”. Ter uma responsabilidade maior do que se ag√ľenta pode ser desmoralizante. Inversamente, ser rejeitado naquilo que se faz bem n√£o encoraja ningu√©m a desenvolver habilidades. As mulheres t√™m sido punidas por serem competentes por toda hist√≥ria humana. O movimento n√£o precisa repetir esse processo.

6. Difus√£o de informa√ß√£o a todos com a maior freq√ľ√™ncia poss√≠vel. Informa√ß√£o √© poder. O acesso √† informa√ß√£o aumenta o poder. Quando uma rede informal dissemina novas id√©ias e informa√ß√Ķes entre si, sem passar pelo grupo, ela est√° envolvida num processo de forma√ß√£o de opini√£o sem a participa√ß√£o do grupo. Quanto mais se sabe como as coisas funcionam, mais politicamente eficaz se √©.

7. Acesso igualit√°rio aos recursos necess√°rios ao grupo. Isto nem sempre √© poss√≠vel, mas deve se lutar para consegui-lo. Um membro que mantenha um monop√≥lio sobre um recurso necess√°rio (por exemplo, uma gr√°fica ou um laborat√≥rio de revela√ß√£o do marido) pode influenciar indevidamente o uso daquele recurso. Habilidades e informa√ß√£o tamb√©m s√£o recursos. E as habilidades e informa√ß√Ķes dos membros s√≥ estar√£o igualmente distribu√≠dos quando os membros quiserem ensinar o que sabem para os outros.

Quando esses princ√≠pios s√£o aplicados, eles asseguram que quaisquer estruturas que sejam desenvolvidas ser√£o controladas pelo grupo e assumir√£o responsabilidades frente a ele. O grupo de pessoas em posi√ß√£o de autoridade ser√° difuso, flex√≠vel, aberto e tempor√°rio. Eles n√£o estar√£o numa posi√ß√£o que facilita a institucionaliza√ß√£o do seu poder, porque as decis√Ķes definitivas ser√£o feitas pelo grupo como um todo. O grupo ter√° assim o poder de determinar quem deve exercer a autoridade dentro dele.

[su_box title=”Sobre Jo Freeman” box_color=”#fff317″ title_color=”#000000″]

Jo Freeman (nascida em 26 de agosto de 1945) √© feminista, cientista pol√≠tico, escritora e advogada americana. Como estudante na Universidade da Calif√≥rnia, Berkeley na d√©cada de 1960, ela se tornou ativa em organiza√ß√Ķes que trabalham para liberdades civis e o movimento de direitos civis. Ela passou a fazer registro de eleitores e organiza√ß√£o comunit√°ria no Alabama e no Mississippi e foi um dos primeiros organizadores do movimento de liberta√ß√£o das mulheres. Ela escreveu v√°rios artigos feministas cl√°ssicos, bem como documentos importantes sobre movimentos sociais e partidos pol√≠ticos. Ela tamb√©m escreveu extensivamente sobre mulheres, particularmente sobre direito e pol√≠ticas p√ļblicas para mulheres e mulheres na pol√≠tica geral.

 

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A Consciência Negra e a Busca de uma Verdadeira Humanidade РBantu Stephen Biko

Bantu Stephen Biko. A consci√™ncia negra e a busca de uma verdadeira humanidade. In: Escrevo o que eu quero: uma Sele√ß√£o dos principais textos do l√≠der negro Esteve Biko. Trad. Grupo S√£o Domingos. S√£o Paulo: √Ātica, 1990. 184pgs

Steve Biko

Talvez seja conveniente come√ßar examinando por que √© preciso pensarmos coletivamente sobre um problema que nunca criamos. Ao fazer isso, n√£o quero me ocupar desnecessariamente com as pessoas brancas da √Āfrica do Sul, mas para conseguir as respostas certas precisamos fazer as perguntas certas; temos de descobrir o que deu errado – onde e quando; e precisamos verificar se nossa situa√ß√£o √© uma cria√ß√£o deliberada de Deus ou uma inven√ß√£o artificial da verdade por indiv√≠duos √°vidos pelo poder, cuja motiva√ß√£o √© a autoridade, a seguran√ßa, a riqueza e o conforto. Em outras palavras, a abordagem da Consci√™ncia Negra seria irrelevante numa sociedade igualit√°ria, sem distin√ß√£o de cor e sem explora√ß√£o…

Acesse aqui o texto na íntegra:

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O Racismo como arma de dominação РClóvis Moura

Ao longo da hist√≥ria, o racismo foi a justifica√ß√£o dos privil√©gios das elites e dos infort√ļnios das classes subalternas. Agora ele se renova como instrumento de domina√ß√£o

Sobre o racismo um dos temas mais pol√™micos, instigantes e inesgot√°veis do mundo moderno, concentram-se opini√Ķes contradit√≥rias, que discutem em v√°rios n√≠veis, as consequ√™ncias de sua pr√°tica. A discuss√£o sobre as diversas formas de sua atua√ß√£o, significado e fun√ß√£o vem sempre acompanhada de uma carga emocional, o que demonstra como a pol√™mica que se monta em torno de seu significado transcende em muito as quest√Ķes acad√™micas, para atingir um significado mais abrangente, da ideologia de domina√ß√£o. Somente admitindo o papel social, ideol√≥gico e pol√≠tico do racismo poderemos compreender sua for√ßa permanente e seu significado polim√≥rfico e ambivalente…

veja o texto na íntegra:

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