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KARIBU MWALIMU RODNEY : UMA INTRODUÇÃO À VIDA E OBRA DE WALTER RODNEY, HISTORIADOR E MILITANTE PAN-AFRICANISTA

Por Kwesi Ta Fari (F. Gomes)

Walter Rodney foi um dos mais importantes historiadores do século XX, com um legado de inquestionável pertinência para o mundo africano.

Entre as d√©cadas de 1960 e 1970, as interven√ß√Ķes de Walter Rodney foram conhecidas nas Am√©ricas, √Āfrica, √Āsia e Europa, abrangendo uma audi√™ncia de investigadores, artistas, professores e temas envolvendo historiografia, pol√≠tica, hist√≥ria, cultura, economia e movimentos sociais. Por raz√Ķes pol√≠ticas, o historiador foi assassinado no ano de 1980, em sua terra natal, a Rep√ļblica Cooperativa da Guiana (ex-Guiana Inglesa ).

Neste artigo, apresentamos um panorama geral da trajet√≥ria de Walter Rodney, comentamos aspectos do seu livro Como a Europa Subdesenvolveu a √Āfrica e destacamos exemplos de men√ß√Ķes feitas a Walter Rodney em artigos e livros publicados no Brasil.

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Dr. Kwame Nkrumah: O Panafricanismo e a luta contra o Imperialismo, por um mundo melhor

XVIII Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes.

Organização: Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD)

Quito, Equador, de 14 à 18 de dezembro de 2013.

Tradu√ß√£o: Leila Maria de Oliveira ‚Äď Grupo KILOMBAGEM

 Autor: B.F.Bankie

bankiebf@gmail.com

1. Dr Kwame Nkrumah. ANTECEDENTES:

Kwame Nkrumah nasceu provavelmente em 21 de setembro de 1909, no povoado Gan√™s de Nkroful, Costa do Ouro.¬† Ele foi batizado com o nome de Francis pela Igreja Cat√≥lica Apost√≥lica Romana. Ele era ¬†filho √ļnico por parte de m√£e.¬† Estudou durante oito anos na escola cat√≥lica romana em Half-Assini, onde seu pai trabalhava como ourives. J√° naquela √©poca, o jovem Nkrumah era promessa, e por este motivo, foi recomendado para frequentar um curso de forma√ß√£o para professores na escola de forma√ß√£o de governo em Accra. Acredita-se que foi em 1927, quando Dr. Nkrumah chegou ao¬†Achimota College. Nesse mesmo ano, Kwegyr Aggrey, tamb√©m conhecido como “Aparecida da √Āfrica”, pelo ent√£o Director-adjunto asistentente, foi para os Estados Unidos para completar seu doutorado. Para Nkrumah, Aparecida foi modelo a imitar, e foi tamb√©m quem o convenceu a ir para a Am√©rica.

Nkrumah estudou na Achimota College durante quatro anos, o que equivaleria ao atual ensino médio. Em 1930 foi nomeado Professor na escola primária católica romana de Elmina. E no ano seguinte, foi nomeado diretor da escola primária católica romana de Axim. Dois anos mais tarde, mudou-se para o recém-inaugurado Seminário em Amessano, perto de Elmina. Durante sua estadia no Seminário considerou a possibilidade de se tornar um padre.

De acordo com Marika Sherwood, durante este período os mentores de Nkrumah foram o líder sindical S. R. Wood e Kobina Sekyi, Nacionalista Africana e homem de letras. Ele provavelmente leu os editoriais de Nnamdi Azikiwe no Post Manhã Africana, em Gold Coast, onde Azikiwe foi editor-chefe, antes que Dr. Nkrumah partisse em direção aos Estados Unidos em dezembro de 1934. Mas tarde, Azikiwe foi o Presidente da Nigéria, mas nunca alcançou qualquer realização de objectivos Pan-africanistas durante a sua Presidência.

O historiador Sherwood em seu livro,¬†¬†‚ÄúKwame Nkrumah: no exterior de seus anos, 1935-1947‚ÄĚ, ¬†apresenta os estudos e investiga√ß√Ķes com profundidade, realizadas sobre as temporadas que o Dr. Nkumah passou nos EUA e no Reino Unido. O autor relata que, em ambos os pa√≠ses, Nkrumah recebeu aten√ß√£o especial dos servi√ßos secretos americanos e brit√Ęnicos e que mantinham contato, retornando √† sua terra. O fato de que eventualmente levou √† derrubada de seu governo em 1966, com o apoio da Ag√™ncia Central de intelig√™ncia dos Estados Unidos. Sherwood (1996, p. 3) exp√Ķe:

Nkrumah n√£o foi apenas um produto de influ√™ncias da di√°spora, mas tamb√©m um filho da √Āfrica, especificamente a Costa do Ouro. Durante seus anos de juventude, como professor, herdou certas pol√≠ticas de tradi√ß√Ķes de rela√ß√Ķes estabelecidas em Cape Coast, por ent√£o, centro pol√≠tico e intelectual no pa√≠s. Muitas dessas pessoas que o influenciaram, reapareceram em sua vida doze anos mais tarde.

Nkrumah chegou aos Estados Unidos em 1935 e partiu dez anos mais tarde, em 1945. Todos aqueles que estavam lá, testemunharam como a experiência Afro Рamericana o ajudou a aguçar sua visão da vida.

Um destaque sobre a estadia de Dr. Nkrumah na Am√©rica do Norte foi que submergiu com imparcialidade na situa√ß√£o dos africanos e afro descendentes que conheceu por l√°.¬† Muitos atravessaram o Atl√Ęntico para estudar e ao chegar, foram for√ßados a permanecer em pequenas comunidades da mesma etnia e pa√≠s de origem. Quando Nkrumah deixou a Am√©rica j√° tinha completado os primeiros cursos de seus estudos de doutoramento.

Em maio de 1945, ao inv√©s de retornar para a Costa do Ouro, Dr. Nkrumah partiu para o Reino Unido, onde chegou com cartas de apresenta√ß√£o para liderar os Pan – africanistas, com a inten√ß√£o de qualificar a pr√°tica como um advogado (por exemplo: ser admitido no col√©gio dos advogados brit√Ęnicos). Dedicado aos estudos jur√≠dicos, e em maior medida ao ativismo estudantil. No Reino Unido, ele trabalhou com George Padmore, C.L.R. James, Ras Makonnen e outros que mais tarde iriam ajud√°-lo a moldar a pol√≠tica africana.

Após a sua estadia na Inglaterra e sua participação ativa no V Congresso Pan-africanista de 1945, juntamente com Jomo Kenyatta, Du Bois e outros, Nkrumah retorna à Costa do Ouro em 1947 e imediatamente se envolveu nos assuntos do país.

Naquela √©poca, latino-americanos e asi√°ticos nacionalista eram nomeados como comunistas. J√° que estamos na guerra fria, ap√≥s a segunda guerra mundial, quando o equil√≠brio de poder nas rela√ß√Ķes internacionais girava em torno de duas for√ßas: o capitalismo e o comunismo. Em retrospectiva, observou-se que os Estados alinhados com o capitalismo receberam abundante investimentos, e os n√£o-alinhados, n√£o. A t√≠tulo de exemplo, o n√≠vel de desenvolvimento, ap√≥s 1945, de pa√≠ses como a Coreia do Sul e Taiwan estava por tr√°s do plano Marshall. Nenhum dos pa√≠ses independentes emergentes em √Āfrica recebeu tantas ajudas.

Estudos que comparam o desenvolvimento da √Āfrica √† √Āsia t√™m estado em moda, mas s√£o compara√ß√Ķes baseadas na psicologia ocidental onde est√° subjacente que os africanos s√£o incapazes de desenvolver-se devido a sua pregui√ßa ou incapacidade de or√ßamento. A experi√™ncia do partido Conven√ß√£o Popular Party (CPP) que Nkrumah fazia parte, partia dessa perspectiva e seu lugar em estudos de desenvolvimento, conforme analisado na m√≠dia ocidental.

O sul asi√°tico Ho Chi Minh foi √† mesma escola ideol√≥gica Dr. Nkrumah. Para ele a √Āsia estava √† frente de √Āfrica em seu caminho para o desenvolvimento, devido √†s prefer√™ncias geogr√°ficas e geoestrat√©gica dos colonialistas. A independ√™ncia do Gana sob o CPP em 1957 marcou o processo de descoloniza√ß√£o africana.

Dr. Nkrumah foi socialista e nacionalista africano. Sua definição de nação africana foi continental, provavelmente devido a sua afinidade com o socialismo e o internacionalismo proletário. A maioria de seus conselheiros tinham uma orientação política de centro-esquerda. Todos compartilhavam a ideia de uma União afro-arabe europeia. Na verdade, o termo continentalismo foi definido após o V Congresso Pan-africanista de 1945, o qual Nkrumah tinha certas responsabilidades como secretário. Antes de 1945, já era conhecida a interpretação da União Africana de Cheikh Anta Diop  que foi forjada desde que surgiu na América do norte o movimento Panafricanista nas mãos de descendentes de escravos africanos.

Se olharmos para o interior da pol√≠tica de Dr. Nkrumah podemos tirar conclus√Ķes quanto √† sua orienta√ß√£o ideol√≥gica. A partir destas constata√ß√Ķes, poderemos avaliar melhor o seu plano de pol√≠tica externa. H√° uma cren√ßa de que a pol√≠tica externa de Pan-africanista do CPP substitu√≠a considera√ß√Ķes internos, principalmente no que diz respeito a rentabilidade.

Com base no que precede, a experi√™ncia do desenvolvimento de Gana sob o CPP n√£o era √ļnica na √Āfrica. Na verdade, Gana liderou o caminho e muitos tomaram como refer√™ncia em muitos aspectos. Por exemplo, todos estavam interessados na industrializa√ß√£o em vez de importa√ß√£o. Dr. Nkrumah foi guiado por aquilo que ele acreditava que foram os melhores interesses do Gana. Enquanto a √Āsia foi o centro da disputa entre Oriente e Ocidente, √Āfrica teve um papel relevante. Desde ent√£o, apenas a √Āfrica tinha √°reas estrat√©gicas como a cidade sul-africana de Simonstown, o Canal de Suez e mar vermelho. Era de se esperar que pa√≠ses como o Gana mantivessem suas economias de monocultura, que pa√≠ses desenvolvidos poderiam ser refor√ßados com a explora√ß√£o de minerais.

Metade do s√©culo mais tarde, pouco progresso para desenvolvimento econ√īmico auto -suficiente de Gana. Entendemos que o pa√≠s precisa trabalhar no √Ęmbito da Uni√£o Africana, para ser capaz de progredir em sua tentativa de liberar-se do sistema neo-colonial e a luta pela integra√ß√£o econ√īmica auto – suficiente e unidade panafricana.

2. Dr. Kwame Nkrumah: Política externa Pan РAfricana.

“A independ√™ncia de Gana n√£o tem sentido sem a liberta√ß√£o total de √Āfrica” (Nkrumah (1967) p. 4)

No ano passado um dos “Top Four” da Nam√≠bia foi ouvido dizendo que Nkrumah n√£o sabia nada sobre a √Āfrica at√© chegar nos EUA. √Č improv√°vel que tenha sido diferente. A influ√™ncia de Pan-africanistas norteamericanos como John Hendrik Clarke sobre os africanos e os de ascend√™ncia Africano n√£o √© bem conhecida ou compreendida internacionalmente.

Esta inicia√ß√£o ao mundo americano foi experimentada na Am√©rica do Norte por estrangeiros de todo o continente africano como Duse Mohamed Ali do Sud√£o/Egito, Sul-Africano Pixley Seme ou Kwame Nkrumah. Cada um deles retornou √† √Āfrica, com uma vis√£o do que seria a Uni√£o Africana e autonomia. Dr Nkrumah foi diferente neste aspecto, j√° que, como chefe de Estado mais tarde em √Āfrica tinha uma boa posi√ß√£o para materializar a id√©ia do pan-africanismo e a fez com dedica√ß√£o exemplar. Muitos lideres africanos sucessores cuidadosamente evitaram o exemplo de Nkrumah.

O compromisso do Dr. Nkrumah para a liberta√ß√£o de √Āfrica era inabal√°vel. Na verdade, alguns ganeses vieram queixar-se, uma vez que considerou que as despesas do CPP durante o seu mandato foi excessiva tanto em assuntos internacionais como nacionais. Todos os nacionalistas africanos que podiam, tomaram parte na Confer√™ncia de Povos Africanos e na primeira confer√™ncia para a independ√™ncia dos pa√≠ses africanos, que teve lugar em Accra, logo ap√≥s sua independ√™ncia. Ambas as confer√™ncias reafirmaram o nacionalismo Africano e a descoloniza√ß√£o em √Āfrica. Nesses dias era esperado que, pelo menos na √Āfrica anglo-sax√£, o n√ļmero de pa√≠ses independentes, equivalente √†queles que ainda estavam sujeitos a governantes de soberania.

Nkrumah preferiu dizer que a “independ√™ncia” n√£o foi nada mais do que um passo no sentido de neo-colonialismo, o √ļltimo degrau do imperialismo, no caminho para a unidade Pan-Africano. No momento em que Gana conseguiu o governo no √Ęmbito do partido CPP em 1957, n√£o seria nenhum exagero dizer que o Dr. Kwame Nkrumah foi esclarecido um Pan-africanista. Sua estadia na costa nordeste dos Estados Unidos e mais tarde em Londres, permitiu que ele absorva o nacionalismo Africano nas m√£os de uma gera√ß√£o de brit√Ęnico Africano-americanos, Caribe e Pan-africanistas muito especial. Que posteriormente, apareceu como Julius Nyerere n√£o tiveram tanta sorte. Porque foi essa exposi√ß√£o, que mais tarde, levou-o em sua abordagem para o movimento de unidade.

Nkrumah n√£o s√≥ se voltou para ensino, durante seus dias de estudante, mas tamb√©m destacou voltar √† sua terra, convidando outros professores, como Du Bois, Parker e Makonnen, que se juntaram a ele, para se estabelecerem em Gana e juntos permitir o melhor uso de suas sabedorias. Esta era sua estrat√©gia para o estudo e formula√ß√£o de uma pol√≠tica externa, que nenhum dos seus colegas seguiu, nem mesmo o Azikiwe nigeriano. Demora um tempo explicando a posi√ß√£o √ļnica de Nkrumah na pol√≠tica africana contempor√Ęnea.¬† Tudo indica que a rela√ß√£o de Nkrumah com seus assessores em pol√≠tica externa africana baseou-se em uma profunda humildade e respeito m√ļtuo.

Durante sua estadia na Europa e América do Norte, o Dr.Nkrumah estudou em profundidade a situação global africana. Contou com a ajuda de outros estudiosos da área. Na abertura da biblioteca em memória George Padmore ocorrida em Acra, em 30 de junho de 1961, o Dr. Nkrumah desenvolveu a visão do nacionalismo Africano. Padmore subiu para os mais altos patamares na formulação da política externa no sistema soviético, para se tornar um membro da Internacional Comunista em Moscou durante vários anos. Na medida em que o Dr. Nkrumah é saudado nos dias de hoje como um Pan-africanista, pode ser que no futuro ele será lembrado principalmente como essencialmente um Nacionalista Africano, que teve uma compreensão inicial do significado do nacionalismo Africano na mobilização coletiva da comunidade Africano global.

Em seu discurso e homenagem a Padmore Dr. Nkruma disse: “Camarada Padmore dedicou toda a sua vida para o desenvolvimento do nacionalismo Africano”.

Kwame Nkrumah, pai do pan-africanismo de Estado, discursa no Harlem (Nova Iorque, 1960

Dr. Nkrumah declarou que ele tinha uma rela√ß√£o de “verdadeira lealdade espiritual e intelectual” com o caribenho Padmore. A biblioteca continua a ser hoje um centro de pesquisa e um santu√°rio de cultura e sabedoria. Dr. Nkrumah nunca deixou de promover o poder da “leitura inteligente”, desde que, segundo ele, o progresso depende da leitura.

Personalidades de destaque da política estrangeira em Gana, como Hackman Owusu-Arantes, Victor James Gbeho e K.B.Asante, têm argumentado que a política externa de Gana não sofreu qualquer alteração do que foi estabelecido pelo CPP em 1957.

O embaixador Debrah confirma que o Dr. Nkrumah levou a cabo uma política externa ativa e agressiva:

–¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Ele liderou a luta contra o colonialismo para a liberta√ß√£o total da √Āfrica.

–¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† -Sensibilizo os Estados africanos e os combatentes pela liberdade da necessidade de uma √Āfrica livre, atrav√©s de palestras em toda a √Āfrica.

–¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† ¬†Deu o exemplo da integra√ß√£o nacional, unindo, Gana, Guin√© e Mali. Ele tamb√©m criou o projeto do Volta, que foi a base para a industrializa√ß√£o de Gana.

De acordo com Lemelle (1992) a import√Ęncia hist√≥rica do Dr. Nkrumah dentro do Movimento Panafricanista √©:

Ele √© a ponte entre o V Congresso Pan-africanista, Secretaria Nacional de √Āfrica Ocidental, com sede em Londres e o Movimento de Independ√™ncia da √Āfrica. Conectou a sua experi√™ncia de Pan-africanista com suas atividades internacionais subsequentes como primeiro presidente de Gana. Para Nkrumah, o seu objetivo Pan-africanista ultrapassava barreiras geogr√°ficas e culturais nacionais impostas pelo colonialismo. (p.136)

Em 1958 o l√≠der da Tanz√Ęnia, Julius Nyerere formou o movimento Pan – africanista para leste e √Āfrica Central (PAFMECA), atrav√©s do Comit√© de liberta√ß√£o da organiza√ß√£o para a Uni√£o Africana, durante a descoloniza√ß√£o da √Āfrica do Sul. No VI Congresso Pan-africanista (Dar es Salaam, 1974), Mwalimu Nyerere, apesar de suas diferen√ßas iniciais com Nkrumah sobre a interpreta√ß√£o do Pan-africanismo, em seu discurso de abertura homenageou Nkrumah e Kenyatta por suas contribui√ß√Ķes no V Congresso Pan africanista, igual a Garvey, Makonnen e outros √† sua contribui√ß√£o para o movimento Pan-africanista.

A lideran√ßa de Dr. Nkrumah de Gana, para a constru√ß√£o de uma significativa Uni√£o Africana, atrav√©s da Organiza√ß√£o para a Unidade Africana (OUA) e a aceita√ß√£o de que estes esfor√ßos se trope√ßaram, foi uma li√ß√£o de determina√ß√£o, coragem e for√ßa. Apesar da hostilidade e da resist√™ncia de algumas comunidades que sua iniciativa foi encontrada, como a comunidade franc√≥fona (excluindo a Guin√© e Mali), que poderia ter levado ao des√Ęnimo e cinismo, desde o momento que atacaram a sua pessoa e questionaram sua integridade, Nkrumah recusou-se a render-se e continuou a trabalhar para unir a √Āfrica e os africanos.

Atualmente na √Āfrica se ouve pouco sobre este projeto. Diz-se que o mais l√≥gico em termos de rela√ß√Ķes entre os Estados em √Āfrica hoje √© o Pan-africanismo. Neste momento est√° a celebrar o 50¬ļ anivers√°rio da OUA sob o t√≠tulo: “Pan ‚Äď africanismo / o renascimento africano”. A ideologia do movimento sindical tem sido estudada por P. Olisanwuche Esedebe (1994), que afirma que “podemos dizer que o Pan-africanismo √© um fen√īmeno pol√≠tico e cultural que v√™ a √Āfrica, os africanos e afro descendentes no exterior como uma unidade. Busca regenerar e unificar a √Āfrica e promete um sentimento de identidade dos povos africanos”. (p. 5)

Nas reuni√Ķes de Pan-africanistas, continental ou regional, n√£o ouvimos a voz de pan-africanismo e suas autoridades como Rodney, Cabral e Glausk. Mas ouvimos os clich√™s e palavras da burocracia. Isto n√£o √© um bom sinal para a nossa mem√≥ria coletiva nem para¬† efetivar a cabo a ideologia.

Enquanto Nkrumah viajava na √Āsia, a fim de mediar o Guerra do Vietnam, seu governo sob a governan√ßa do CPP foi derrubado pela Ag√™ncia Central de Intelig√™ncia Americana (CIA). Quando o avi√£o pousou em Pequim, na China, foi relatado que as for√ßas armadas e pol√≠cia tinha feito com o poder em Gana. Ele foi exilado na Guin√©, na √Āfrica Ocidental, desde que o l√≠der deles, Sekou Ture nomeado co-presidente honor√°rio, um t√≠tulo que ele manteve at√© sua morte em 1972. Seu ex√≠lio consolidou sua experi√™ncia de vida e durante esse tempo dedicou a escrever retrospectivamente a partir de sua experi√™ncia pol√≠tica.

3. Pan – africanismo

Homens e mulheres migraram para fora da √Āfrica Oriental, especialmente do grande Vale do Rift, para povoar √Āfrica e o mundo. Ao longo do tempo os negros africanos mudaram sua pigmenta√ß√£o devido a condi√ß√Ķes meteorol√≥gicas que sofreram.¬† Hoje n√≥s podemos ainda encontrar pessoas negras em partes da √Āsia e no sul da √Āsia, ou ainda se lembrar de sua presen√ßa.

No Caribe h√° uns 40 milh√Ķes de descendentes de africanos, cerca de 50 milh√Ķes na Uni√£o Europeia, estima-se cerca de 40 milh√Ķes nos EUA e Canad√° e entre 130 milh√Ķes de descendentes de africanos vivem na Am√©rica Latina. Eles s√£o descendentes de africanos, que vivem na di√°spora de √Āfrica Oriental, cujas origens remontam √†s migra√ß√Ķes for√ßadas devido √† escravid√£o. As causas das recentes migra√ß√Ķes de africanos para os Estados Unidos e o Canad√° s√£o na maior parte por raz√Ķes econ√īmicas.

Em rela√ß√£o √† di√°spora Africana Oriental no Oriente M√©dio, Palestina, os Estados do Golfo e pontos mais a leste, bem como norte da √Āfrica, algumas delas s√£o as mem√≥rias daqueles que povoaram o norte da √Āfrica, antes dos √°rabes cruzarem o Sinai e entrarem em √Āfrica entre 630 e 640 a. C. Estes s√£o cidad√£os africanos, que s√≥ agora est√£o conscientes do africanismo, como j√° vimos em Darfur, no Sud√£o.¬† Eles s√£o como uma onda de consci√™ncia da civiliza√ß√£o do mundo, depois de ter sido despojado de suas ra√≠zes africanas. Em geral o √Ārabe n√£o suporta admitir suas ra√≠zes africanas, uma vez que diz que sempre foi do Egito.

A migra√ß√£o for√ßada de africanos fora da √Āfrica veio a leste da √Āsia. S√≥ depois, a migra√ß√£o se desviou parcialmente em dire√ß√£o a oeste, Caribe e nas Am√©ricas, enquanto continuava seu ritmo tamb√©m no sentido do Oriente M√©dio e Egito. Aqueles que foram para o leste foram islamizados e arabizados. As longas e intermin√°veis guerras no Sud√£o, que os meios de comunica√ß√£o ocidentais tentaram cobrir, representam a resist√™ncia hist√≥rica dos africanos a arabiza√ß√£o. Os acontecimentos recentes na Rep√ļblica Africana Central ensinam-nos que estas lutas continuar√£o e que a hegemonia √°rabe vai avan√ßar ao sul perto do Equador, devido √† passividade africana.

A Uni√£o Africana, resultado estatal/burocr√°tico do trabalho pioneiro de Nkrumah, durante as comemora√ß√Ķes do seu 50¬ļ anivers√°rio, esta refletindo sobre como ser√° a √Āfrica de 2063. Ainda com dificuldades, se reconhece a di√°spora ocidental como a sexta regi√£o do continente. Afro-descendentes do M√©dio Oriente e a Am√©rica Latina ainda devem ser identificados como parte desta regi√£o sexta. Tamb√©m faz parte do debate de retorno √† √Āfrica, atrav√©s de transfer√™ncias da di√°spora, aproveitando o ideal libertador do pan-africanismo em sentido material, como uma constru√ß√£o da Uni√£o Africana, desta forma.

Esta abordagem √© articulada por Mbungeni Ngulube do ‘Global Native’ em Leeds, Reino Unido. Esta abordagem implica que a di√°spora pode ser respons√°vel pelos custos de implementa√ß√£o do pan-africanismo. Diz-se que, em 2012, uns 50 bilh√Ķes de d√≥lares foram enviados por transfer√™ncia banc√°ria pela di√°spora africana para a √Āfrica. Gana nos anos 90 incentivou o direito de regresso atrav√©s da gera√ß√£o de renda atrav√©s do turismo.

A rela√ß√£o de √Āfrica com a sua di√°spora, com base em estudos hist√≥ricos, foi uma rela√ß√£o de m√ļtua complementaridade. √Č importante ter isto em mente. A abordagem da Sexta regi√£o n√£o reconhece esta regra. Na verdade, ap√≥s a cria√ß√£o da Organiza√ß√£o para a Uni√£o Africana, entre 1963 e 1964, ag√™ncias controladas pelo Estado, que n√£o representava a ideologia dos √ļltimos anos de Nkrumah, perdeu contato com sua di√°spora ocidental e implantou o projeto continental, tamb√©m conhecido como Continentalismo.

O com√©rcio de escravo com o Hemisf√©rio Ocidental teve o pan-africanismo como resposta, esta rea√ß√£o pol√≠tica e filos√≥fica de √Āfrica contra o imperialismo e o mundo exterior. Isto deu origem ao movimento de repara√ß√£o, especialmente em √°reas, como Nam√≠bia, onde o exterm√≠nio foi usado como uma pol√≠tica de coloniza√ß√£o. Para os povos que foram demitidos de sua pr√≥pria hist√≥ria por estrangeiros, as compensa√ß√Ķes s√£o uma forma atraente de reconhecimento. Os danos psicol√≥gicos causados pela escravid√£o eram t√£o ruins que a maioria dos africanos e seus descendentes automaticamente escolheram o lado do mestre que do servo.

Estas s√£o as li√ß√Ķes que devem ser ensinadas na luta contra o imperialismo.¬† A di√°spora Latina ainda devem ser sensibilizada sobre o pan-africanismo. A OUA n√£o atingiu toda a comunidade africana, temerosa do triste status-quo. Enfim, a di√°spora Latino tamb√©m tem responsabilidades, o processo n√£o √© linear, mas circular. E no entanto, o livro do escritor Ivan Sertima foi intitulado ‚ÄúEles chegaram antes que Colombo‚ÄĚ.¬†A Comiss√£o da Uni√£o Africana obt√©m 42% de seu sal√°rio anual de coopera√ß√£o internacional.

O¬†Darfuriano (nascido em Dafur)¬†que cresceu ao longo do mar vermelho, postula que somente quando a √Āfrica for um parceiro igualmente em toda a Comunidade ( descendentes de africanos vivendo na Ar√°bia) iriam recorrer ao pan-africanismo em n√ļmeros significativos. Atualmente vivem na marginaliza√ß√£o, na periferia da comunidade africana. Apesar de serem os benefici√°rios do pan-africanismo, desde que alguns africanos mudaram e ajustaram suas rela√ß√Ķes com a Ar√°bia. Nestas √°reas, as pr√°ticas culturais africanas tais como m√ļsica, dan√ßa e linguagem s√£o os √ļnicos la√ßos de Uni√£o com a √Āfrica.

O Pan-africanismo deve ser levado a s√©rio pelas elites africanas, especialmente nas esferas pol√≠ticas. Walter Rodney j√° previa isso. Pan-africanismo √© a express√£o pol√≠tico-africana de pensamento, englobando a materializa√ß√£o da integridade da na√ß√£o africana, unindo todos os descendentes de africanos com ou sem a √Āfrica. √Č o bra√ßo da pol√≠tica diplom√°tica e estrangeiro do nacionalismo Africano. O Pan-africanismo assume esse papel por causa de sua flexibilidade, criatividade e sua capacidade de transformar e tomar novos rumos, dependendo das exig√™ncias e das circunst√Ęncias. √Č uma tese din√Ęmica, pronta e capaz de incorporar novos eleitores e levar a uma nova forma de pensar.

Referencias bibliogr√°ficas

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· Lemelle, Sidney (1992) Pan-Africanism for beginners, Nueva York:  Writers and Readers Publishing Inc.

¬∑ Ngulube, Mbongeni (2013)¬†Diaspora as dilemma ‚Äď ‚ÄėDevelopmentalising‚Äô The African Union‚Äôs Sixth Region?,¬†Reino Unido:¬†Pambazuka News 639 17/ 07/2013.

www.pambazuka.org/en/category/features/88292.

¬∑ Nkrumah, Kamwe (1967)¬†Axioms of Kwame Nkrumah ‚Äď Freedom Fighters Edition, Londres: PANAF Books Ltd.

¬∑ Rodney, Walter (1976) ‚ÄúTowards the Sixth Pan-African Congress : aspects of the international class¬†¬†¬†¬† struggle in Africa, the Caribbean and America‚ÄĚ,¬†¬†Resolutions and¬†selected speeches from the Sixth Pan-African Congress, Dar es Salaam: Tanzania Publishing House.

¬∑ Sherwood, Marika (1996)¬†Kwame Nkrumah ‚Äď The years abroad 1935-1947, Legon, Ghana: Freedom Publications.

¬∑ Smertin, Yuri (1987)¬†Kwame Nkrumah, Mosc√ļ: Progress Publishers.