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Nonagésimo aniversário de Fanon РPele Negra

Por Deivison Nkosi

No dia 20 de julho Frantz Fanon completaria 90 anos. Em rever√™ncia √† sua trajet√≥ria, mas tamb√©m, interessados/as em discutir a atualidade da sua obra para o entendimento do racismo na sociedade contempor√Ęnea, o Grupo Kilombagem divulgar√°, at√© o dia que seria o seu anivers√°rio, uma s√©rie de¬†links com textos do (ou sobre) o autor.

O texto de hoje é Pele negra, máscaras brancas, publicado pela primeira vez em 1952, na França, quando Fanon tinha 27 anos.

Como se sabe, o texto foi escrito dois anos antes, como o nome “Ensaios sobre a aliena√ß√£o do negro”, para ser apresentado √† banca de avalia√ß√£o do curso de medicina psiqui√°trica, em Lyon. Mas o seu orientador n√£o aprovou manuscrito por destoar da abordagem¬†positivista ent√£o vigente. Na √©poca, eles¬†exigiam¬†uma psiquiatria que buscasse nas dimens√Ķes¬† f√≠sico-biol√≥gicas a explica√ß√£o para os fen√īmenos ps√≠quicos.

Em resposta, como ainda é comum nas universidades em todo o mundo (colonizado), Fanon escreveu (empoças semanas)  outra dissertação, agora intitulada Transtornos mentias e síndrome psiquiátricas em degeneração spino-cerebral-hereditária: Um caso de doença de Friedeirich com delírio de possessão (Lion, 1951). Apesar do título e do enquadramento do trabalho, Fanon seguiu defendendo a necessidade de conhecer o contexto social e a cultura dos pacientes, como forma de facilitar o tratamento.

Em Pele negra, máscaras brancas, (primeiro texto a ser abordado em nosso Curso, na casa Tainã, a partir do dia 20), encontramos um conjunto complexo de temas preocupados em entender a colonização, os seus impactos culturais e psíquicos sobre o colonizado (e também o colonizador), e os apontamentos esboçados pelo o autor para fazer face à esses problemas.

Quem ousar se entregar à leitura, se deparará com várias vozes em diálogo e conflito em busca incessante por pensar a si e o outro no mundo colonizado (como o nosso), pois, para ele, a solução só poderá ser encontrada se estivermos dispostos a descer aos verdadeiros infernos da existência humana, questionando inclusive, os limites, armadilhas (mas também possibilidades) implícitos à luta.

Por isso finaliza o livro dizendo:

Ao fim desse trabalho, gostaríamos que as pessoas sintam, como nós, a dimensão aberta da consciência.

Minha √ļltima prece:

√Ē meu corpo, fa√ßa sempre de mim um homem que questiona!

 

Baixe aqui o livro completo!!!

Boa leitura!!!