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A Revolu√ß√£o Russa, a √Āfrica e a Di√°spora

Desde a Grande Revolu√ß√£o de Outubro de 1917, os africanos e os descendentes de africanos em todo o mundo gravitaram em dire√ß√£o aos acontecimentos revolucion√°rios na R√ļssia e no comunismo, vendo neles um caminho para sua pr√≥pria liberta√ß√£o. Talvez n√£o surpreendentemente, ent√£o, muitas das principais figuras pol√≠ticas negras do s√©culo XX, na √Āfrica e em outros lugares, foram comunistas, ou pelo menos inspiradas e influenciadas pelo movimento comunista internacional. Estes incluem figuras t√£o diversas como Andr√© Aliker, Aim√© C√©saire, Angela Davis, Shakur Assata, WEB Du Bois, Elma Fran√ßois, Hubert Harrison, Claudia Jones, Alex La Guma, Audley Moore , Josie Mpama, Kwame Nkrumah, George Padmore,Paul Robeson, Jacques Romain, Thomas Sankara, Ousmane Semb√®ne e Lamine Senghor.

Os afro-americanos e os da di√°spora africana ficaram impressionados com a perspectiva de que a Revolu√ß√£o pudesse se espalhar globalmente e sinalizar o fim do sistema centrado no capital e tudo o que o acompanhava, incluindo a opress√£o racista. O poeta Jamaican e escritor Claude McKay , portanto, a que se refere a Revolu√ß√£o de Outubro como ‚Äúo maior evento na hist√≥ria da humanidade‚ÄĚ, e bolchevismo como ‚Äúo maior e mais cient√≠fica ideia no mundo de hoje.‚ÄĚ i Outra jamaicana, Wilfred Domingo perguntou ‚Äú, O bolchevismo realizar√° a plena liberdade da √Āfrica, col√īnias nas quais os negros s√£o a maioria e promover√° a toler√Ęncia e a felicidade humanas nos Estados Unidos? ‚ÄĚii Havia, assim, uma admira√ß√£o inicial pela Revolu√ß√£o, na perspectiva de que ela anunciava a possibilidade de uma alternativa ao sistema centrado no capital, que seria em benef√≠cio daqueles que eram oprimidos nos Estados Unidos e no Caribe, assim como na √Āfrica. Essas foram as perspectivas dessas organiza√ß√Ķes do in√≠cio do s√©culo XX, inspiradas na Revolu√ß√£o de Outubro, como a African Brotherhood Brotherhood, nos Estados Unidos, que incluiu v√°rios comunistas negros como Otto Huiswoud, Cyril Biggs, Harry Haywood e Grace Campbell.

O cantor e ator Paul Robeson durante sua turnê em Moscou em agosto de 1958. Crédito: Anatoliy Garanin / Sputnik, via Associated Press

Uma vez que a nova Uni√£o Sovi√©tica estava mais firmemente estabelecida na d√©cada de 1920, v√°rias figuras proeminentes viajaram para ver em primeira m√£o a constru√ß√£o do socialismo e comentaram sobre a aus√™ncia de racismo e opress√£o nacional. Na verdade, esse era um tema comum nos relatos de testemunhas oculares de visitantes como WEB Du Bois , Langston Hughes e Paul Robeson. J√° em 1926, em seu retorno da Uni√£o Sovi√©tica, o proeminente acad√™mico-ativista afro-americano Du Bois reconheceu publicamenteEu fico perplexo com a revela√ß√£o da R√ļssia que veio a mim … Se o que tenho visto com os meus olhos e ouvido com os meus ouvidos √© bolchevique, eu sou bolchevique. At√© mesmo o famoso pan-africanista George Padmore, um O ex-comunista de Trinidad, que havia se separado do movimento comunista, escreveu um livro importante em 1945, “Como a R√ļssia transformou seu imp√©rio colonial”, mais de uma d√©cada depois de sua expuls√£o. Padmore ainda se sentiu compelido a publicar o que era, na verdade, uma celebra√ß√£o da transforma√ß√£o revolucion√°ria de 1917 e a elimina√ß√£o da opress√£o nacional que, na opini√£o do autor, era uma conseq√ľ√™ncia disso.

O significado da Revolu√ß√£o de Outubro n√£o foi apenas no evento em si, mas o fato de que ela deu origem √† constru√ß√£o de um novo sistema pol√≠tico e econ√īmico na Uni√£o Sovi√©tica e a um novo movimento comunista internacional organizado a partir de 1919 na Terceira Internacional (Comunista), ou Comintern. O objetivo do Comintern era criar as condi√ß√Ķes para a transforma√ß√£o revolucion√°ria fora da Uni√£o Sovi√©tica e, desde o seu in√≠cio, interessou-se muito pela √Āfrica e outras col√īnias, bem como pelo que veio a ser chamado de “Quest√£o Negra” – a quest√£o de como os africanos e os da heran√ßa africana poderiam libertar-se e p√īr fim a todas as formas de opress√£o racista. Na verdade, n√£o havia outra organiza√ß√£o internacional que tomasse essa posi√ß√£o, que se opunha abertamente a ambos colonialismo e racismo e tentou organizar todas as pessoas de ascend√™ncia africana para sua pr√≥pria liberta√ß√£o.

O fato de que o Comintern lutou contra a “Quest√£o Negra”, incluiu em suas fileiras comunistas de todas as nacionalidades e tomou uma posi√ß√£o firme em oposi√ß√£o ao colonialismo e ao racismo, para muitos na √Āfrica e al√©m, mesmo quando havia alguma insatisfa√ß√£o com o comunismo. partidos brit√Ęnicos, franceses, norte-americanos e sul-africanos. Para alguns, esses partidos pareciam estar se arrastando sobre a importante Quest√£o Negra. Havia uma vis√£o generalizada de que o Comintern era mais revolucion√°rio, o guardi√£o do legado da Revolu√ß√£o de Outubro e, portanto, mais preocupado com tais quest√Ķes do que alguns de seus partidos constituintes. Este certamente parecia ser o caso quando o Comintern exigiu que o Partido Comunista na √Āfrica do Sul fosse um partido das massas do povo daquele pa√≠s, liderado por africanos, e que deveria primeiro defender o governo da maioria no que era considerado uma col√īnia de um tipo especial, mesmo se muitos dos l√≠deres daquele partido tivessem uma opini√£o contr√°ria. As decis√Ķes do Comintern foram igualmente firmes e controversas em rela√ß√£o √† orienta√ß√£o a ser adotada para a luta afro-americana pela autodetermina√ß√£o no chamado ‘Black Belt’ nos Estados Unidos. O que quer que se diga da pol√≠tica do Comintern, indubitavelmente elevou o perfil, o significado e a centralidade dessa luta e, como os relatos hist√≥ricos recentes mostraram, estabeleceram muitos dos fundamentos para as lutas posteriores pelos direitos civis e pelo poder negro. Al√©m disso, a posi√ß√£o do Comintern teve um impacto fora dos Estados Unidos, influenciando os partidos comunistas em¬†Cuba e outros pa√≠ses da Am√©rica Latina. Por fim, os comunistas negros assumiram a lideran√ßa exigindo a cria√ß√£o de uma organiza√ß√£o especializada – o Comit√™ Sindical Internacional dos Trabalhadores Negros (ITUCNW).

A import√Ęncia da ITUCNW, seu √≥rg√£o Negro Worker, assim como outras publica√ß√Ķes, foi que a pol√≠tica revolucion√°ria e o impacto da Revolu√ß√£o de Outubro e do Comintern se espalharam pelo mundo – particularmente na √Āfrica e no Caribe, assim como na Europa. no final dos anos 1920 e 1930. Como parte do trabalho dos trabalhadores da ITUCNW e outros foram recrutados das col√īnias brit√Ęnicas na √Āfrica Ocidental, bem como da √Āfrica do Sul e com o tempo, estudantes foram enviados de muitas partes da √Āfrica para a Uni√£o Sovi√©tica. Outros viajaram para ver as consequ√™ncias da Revolu√ß√£o de Outubro do Caribe e dos Estados Unidos. No per√≠odo entre as guerras, centenas fizeram esta jornada incluindo figuras anti-coloniais como Isaac Wallace-Johnson da Serra Leoa, Jomo Kenyatta, futuro primeiro-ministro do Qu√™nia, e Albert Nzula, o primeiro secret√°rio geral negro do Comunismo Sul-Africano. Party (SACP).

Comunistas negros na União Soviética na década de 1930

Talvez o legado mais importante da Revolu√ß√£o de Outubro tenha sido a teoria que emergiu dele e a experi√™ncia de construir um novo sistema social enquanto rodeado por um mundo centrado no capital. O que foi demonstrado foi que outro mundo era poss√≠vel e que aqueles que eram os produtores de valor poderiam ser seus pr√≥prios libertadores e poderiam construir eles pr√≥prios esse novo mundo. Esta alternativa e a perspectiva de liberta√ß√£o continuaram a inspirar indiv√≠duos e organiza√ß√Ķes na √Āfrica e na di√°spora durante o per√≠odo entre guerras e particularmente durante a Segunda Guerra Mundial – quando a Uni√£o Sovi√©tica liderou a derrota do fascismo e criou a possibilidade de liberta√ß√£o nacional e a restaura√ß√£o da soberania naqueles pa√≠ses que se enfraqueceram sob o dom√≠nio colonial.

Para alguns, essa teoria foi incorporada na personalidade e no trabalho de Lenin, que continuou a inspirar muitos. Em 1970, durante uma visita ao Cazaquist√£o, Amilcar Cabral – o famoso l√≠der da luta de liberta√ß√£o nacional no que era ent√£o a Guin√© Portuguesa – teria dito ‚ÄúComo √© que n√≥s, um povo privado de tudo, vivendo em apuros, conseguimos travar nossa luta e obter sucesso? Nossa resposta √©: isto porque Lenin existiu, porque ele cumpriu seu dever como homem, revolucion√°rio e patriota. Lenin foi e continua sendo o maior defensor da liberta√ß√£o nacional dos povos ‚ÄĚ. Cabral estava longe de ser o √ļnico a manifestar sua admira√ß√£o pelo trabalho e contribui√ß√£o de Lenin. Thomas Sankara, o l√≠der revolucion√°rio de Burkina Faso, n√£o apenas expressou sua admira√ß√£o pelos escritos de Lenin, que ele dizia ter lido em sua totalidade, mas foi mais espec√≠fico em seu elogio √† “grande revolu√ß√£o de outubro de 1917 que transformou a mundo, trouxe a vit√≥ria ao proletariado, abalou as bases do capitalismo e possibilitou os sonhos de justi√ßa da Comuna de Paris‚ÄĚ.iii Em 1984, concluiu ele, ‚Äúa revolu√ß√£o de 1917 nos ensina muitas coisas‚ÄĚ.iv

O mundo mudou consideravelmente desde 1917. A Uni√£o Sovi√©tica e a constru√ß√£o do socialismo em alguns outros pa√≠ses foram encerradas. Comunismo – a doutrina das condi√ß√Ķes para a liberta√ß√£o dos produtores de riqueza n√£o foi e n√£o pode ser terminada, embora claramente exista a necessidade de um comunismo moderno que ofere√ßa solu√ß√Ķes para os problemas modernos. A Revolu√ß√£o de Outubro demonstrou que um outro mundo √© poss√≠vel, que essa alternativa n√£o √© uma utopia e que todos podemos ser agentes de mudan√ßa e criadores da hist√≥ria.

i Hakim Adi, pan-africanismo e comunismo: a Internacional Comunista, a √Āfrica e a Di√°spora, 1919-1939 (Trenton: Africa World Press, 2013), 12.

iiIbid., 13.

iiiThomas Sankara Fala: A Revolução de Burkina Faso, 1983-1987 (Londres: Pathfinder, 2015), 165.

ivIbid., 135.

Hakim Adi √© Professor da Hist√≥ria da √Āfrica e da Di√°spora Africana na Universidade de Chichester. Em janeiro de 2018, ele lan√ßou o primeiro programa online de Mestrado em Pesquisa sobre a Hist√≥ria da √Āfrica e a Di√°spora Africana e √© o fundador e consultor historiador do Projeto Jovens Historiadores.¬†√Č o autor dos africanos ocidentais na Gr√£-Bretanha 1900-1960: nacionalismo, pan-africanismo e comunismo (Lawrence e Wishart, 1998); (com M. Sherwood) O Congresso Pan-Africano de Manchester de 1945 Revisitado (New Beacon, 1995) e a Hist√≥ria Pan-Africana: Figuras Pol√≠ticas da √Āfrica e da Di√°spora desde 1787 (Routledge, 2003). Seus livros mais recentes s√£o Pan-africanismo e comunismo: A Internacional Comunista, √Āfrica e a Di√°spora, 1919-1939 (√Āfrica World Press, 2013) e Pan-africanismo: uma hist√≥ria (Bloomsbury Press, 2018)

[su_note note_color=”#fbff3b” text_color=”#000000″ radius=”1″]Originalmente publicado¬†no site¬†Black Perspectives [/su_note]

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KARIBU MWALIMU RODNEY : UMA INTRODUÇÃO À VIDA E OBRA DE WALTER RODNEY, HISTORIADOR E MILITANTE PAN-AFRICANISTA

Por Kwesi Ta Fari (F. Gomes)

Walter Rodney foi um dos mais importantes historiadores do século XX, com um legado de inquestionável pertinência para o mundo africano.

Entre as d√©cadas de 1960 e 1970, as interven√ß√Ķes de Walter Rodney foram conhecidas nas Am√©ricas, √Āfrica, √Āsia e Europa, abrangendo uma audi√™ncia de investigadores, artistas, professores e temas envolvendo historiografia, pol√≠tica, hist√≥ria, cultura, economia e movimentos sociais. Por raz√Ķes pol√≠ticas, o historiador foi assassinado no ano de 1980, em sua terra natal, a Rep√ļblica Cooperativa da Guiana (ex-Guiana Inglesa ).

Neste artigo, apresentamos um panorama geral da trajet√≥ria de Walter Rodney, comentamos aspectos do seu livro Como a Europa Subdesenvolveu a √Āfrica e destacamos exemplos de men√ß√Ķes feitas a Walter Rodney em artigos e livros publicados no Brasil.

Acesse o artigo completo aqui

 

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Mem√≥rias de Az√Ęnia! (√Āfrica do Sul e Nam√≠bia)

Celebração Kwanzaa, Data: 26 de Dezembro de 2015 Local: Johannesburgo.
Celebração Kwanzaa, data: 26 de dezembro de 2015, local: Johannesburgo.

Eu realmente gostaria de ter escrito muitos textos quando estava em Az√Ęnia, mas infelizmente nem sempre as coisas s√£o como planejamos, l√° eu n√£o tinha tempo de parar e escrever, e como estava com dificuldade de conex√£o com a internet, dificultou um pouco mais. Acredito que seja importante relatar este momento, pois de onde eu falo ainda somos muito poucos que tiveram e tem a oportunidade de fazer um interc√Ęmbio cultural desse tipo. Fiquei 4 meses na √Āfrica do Sul (nome denominado pelo colonizador), na cidade de Johanesburgo (entre 7 de setembro de 2015 a 1 de janeiro de 2016). A realiza√ß√£o desta incr√≠vel viagem foi atrav√©s de longos anos em um trampo (foi preciso 10 anos em um emprego para fazer um interc√Ęmbio), e atrav√©s tamb√©m do apoio do coletivo Kilombagem, do qual fa√ßo parte. Ir para o Continente Africano foi muito mais do que apenas um interc√Ęmbio: representou a volta de uma filha a terra origin√°ria, representou todos do coletivo Kilombagem, representou todos os afrodescendentes fora do continente africano, representou a for√ßa de todas as fam√≠lias africanas na di√°spora que lutam todos os dias para garantir o m√≠nimo de sobreviv√™ncia para os seus, como minha m√£e, mulher preta, guerreira, faxineira, que sonhava em ser psic√≥loga, mas devido a dureza que o sistema escravocrata e capitalista proporcionou para n√≥s, afrodescendentes, foi obrigada a trocar a sala de aula pelo trabalho na planta√ß√£o de caf√© com apenas 7 anos de idade.

Chegando em Johanesburgo uma organiza√ß√£o chamada Ebukhosini Solutions me recebeu com muito cuidado e alegria. Como eu tive a oportunidade de ficar hospeda nesta institui√ß√£o, hoje eu entendo que √© muito mais do que uma empresa empreendedora social, √© uma fam√≠lia pan-africanista, kemetism e vegana. O l√≠der, respons√°vel e diretor executivo da organiza√ß√£o √© um pan-africanista chamado Baba Buntu, nascido em uma ilha na Am√©rica Central, mas j√° vive h√° mais de 10 anos na √Āfrica do Sul. Esta organiza√ß√£o oferece consultas e servi√ßos relacionados como desenvolvimento da comunidade, capacita√ß√£o de jovens, treinamento de lideran√ßa, transforma√ß√£o social, eventos culturais, produ√ß√£o e educa√ß√£o centrada africana. Algumas atividades desenvolvidas s√£o: semin√°rios, palestras, Kemetic Yoga (√© uma forma eg√≠pcia africana de respira√ß√£o, movimento e medita√ß√£o) e o Kwanzaa. Eu aprendi muito nesta organiza√ß√£o, desde a sonhada disciplina revolucion√°ria que muitos coletivos se esfor√ßam e lutam para conseguir implantar, at√© um novo olhar para a quest√£o da alimenta√ß√£o, pois como a fam√≠lia √© vegana, eles n√£o v√™em a alimenta√ß√£o como algo √† parte da revolu√ß√£o, √© como se fosse uma coisa s√≥. Confesso que antes da viagem o m√°ximo que conseguia fazer era um ovo frito, hoje consigo cozinhar v√°rios saborosos legumes e lembro como se fosse hoje a fala da Mama T (esposa do Baba Buntu): ‚ÄúVoc√™ precisa aprender cozinhar, n√£o para fazer para algu√©m, mas sim para voc√™ mesma‚ÄĚ.

Ao chegar na √Āfrica do Sul passei pelo normal processo de adapta√ß√£o. Mesmo correndo o risco de ser mal interpretada querendo ou n√£o, meu contato com a cultura sul-africana foi atrav√©s de um olhar de uma afrodescendente na di√°spora, nascida em terras brasileiras, no continente sul americano, colonizado por portugueses, descendente de escravizados, de fam√≠lia da classe trabalhadora e humilde. Todos estes aspectos n√£o s√£o irrelevantes, pelo contr√°rio, influenciaram a forma que eu me deparei com a cultura sul-africana. Por mais que o povo negro compartilhe com muitas coisas similares em qualquer parte desse planeta, a coloniza√ß√£o deixou rastro em todas as partes que ela tenha se instalado. N√£o d√° para negar a influ√™ncia inglesa em alguns pratos, na forma de se vestir, na l√≠ngua falada comercialmente, na arquitetura das casas, escolas e pr√©dios (lembrava muito os filmes estadunidenses com aquelas escadas do lado de fora dos pr√©dios). Mas isto n√£o significa que aspectos tradicionais da cultura sul africana tenham se perdido ou n√£o existam mais, pelo contr√°rio, o contraste entre a cultura inglesa, europeia, indiana e a cultura sul africana √© muito presente e vis√≠vel de diferenciar. Outra coisa que n√£o d√° para negar (talvez muitos torcer√£o o nariz) √© que o continente africano n√£o √© mais o mesmo que 500 anos atr√°s, n√£o √© mais o mesmo quando nossos ancestrais foram sequestrados, n√£o √© mais o mesmo ap√≥s a invas√£o e a coloniza√ß√£o europeia, sem falar do processo de globaliza√ß√£o que n√£o poupou nenhum pa√≠s intitulado como democr√°tico.

Na √Āfrica do Sul h√° 11 l√≠nguas oficiais (zulu, ndebele, sesotho do sul, sesotho do norte, swazi, tswana, tsonga, venda, xhosa, afric√Ęner e ingl√™s). Nas ruas de Johanesburgo e Pretoria a maioria da popula√ß√£o sul africana negra fala zulu, j√° os sul africanos brancos falam afric√Ęner. Os sul africanos falam mais de 3 l√≠nguas na m√©dia, √© algo muito comum para eles. O ingl√™s √© reconhecido como l√≠ngua do com√©rcio e da ci√™ncia, mas n√£o necessariamente √© a l√≠ngua mais falada. Eu lembro que a primeira vez que eu peguei √īnibus em Johanesburgo, eu saudei um ‚ÄúBom dia‚ÄĚ para um motorista negro em ingl√™s, ele n√£o respondeu. Depois entendi como a quest√£o da l√≠ngua tradicional √© importante no continente africano, e o ingl√™s √© a l√≠ngua do colonizador. Se Crummell fosse do nosso tempo ela jamais defenderia a ado√ß√£o da l√≠ngua inglesa como a l√≠ngua a ser implantada na constru√ß√£o de um estado negro africano. J√° para n√≥s descendentes de africanos escravizados e colonizados a l√≠ngua que n√≥s falamos que √© a l√≠ngua do colonizador √© apenas uma l√≠ngua. Fiquei pensando em que momento e de qual forma a l√≠ngua tradicional falada pelos africanos escravizados se perdeu, pois se tivesse se mantido, talvez n√≥s saber√≠amos de quais reinos nossos ascendentes eram origin√°rios.

Na minha percep√ß√£o a l√≠ngua pode se tornar um dos fatores determinantes de separa√ß√£o e impedimento de unidade de um povo. Muitas vezes me sentia isolada dos interessantes debates que eles travavam pelo fato de n√£o dominar o ingl√™s ou o zulu. Ao que me parece, o Brasil tamb√©m est√° isolado do mundo, como se estivesse em uma ilhazinha bem distante, como se apenas pa√≠ses ‚Äď que, ali√°s, muito poucos – que falam portugu√™s conhecessem um pouco do tal pa√≠s chamado Brasil. Geograficamente, o Brasil est√° mais perto da √Āfrica do Sul do que os Estados Unidos, mas na pr√°tica est√° muito mais longe da √Āfrica do Sul do que os EUA, e n√£o √© s√≥ porque os Estados Unidos √© o imp√©rio dominante no mundo, a l√≠ngua √© um fator determinante tamb√©m de aproxima√ß√£o. Muitos sul africanos sabem da viol√™ncia policial contra a popula√ß√£o negra nos Estados Unidos, j√° ouviram falar do Movimento ‚ÄúBlack Lives Matter‚ÄĚ, mas n√£o sabem da viol√™ncia policial contra a popula√ß√£o negra no Brasil e nunca ouviram falar da ‚ÄúCampanha Reaja Ou Ser√° Morto, Reaja Ou Ser√° Morta!

Em Johanesburgo, no bairro de Braamfontein, estudei em uma escola de ingl√™s chamada ABC International e l√° tive grande a oportunidade de ter contato com jovens estudantes de outros pa√≠ses, como Angola, Mo√ßambique, Rep√ļblica Democr√°tica do Congo, Rep√ļblica do Congo, L√≠bia, Burkina Faso, Som√°lia, Gab√£o, Burundi e Turquia. A grande maioria destes estudantes era muito jovem, de classe m√©dia, que estava estudando primeiro ingl√™s l√° para depois ingressar em uma faculdade na √Āfrica do Sul. Tirando os estudantes da Turquia que eram a minoria, a maior parte dos estudantes era de negros. Conversando com muitos estudantes africanos, eles diziam que as universidades de seus pa√≠ses n√£o eram boas e reconhecidas em todo Continente Africano como as universidades da √Āfrica do Sul. Um dado importante √© que as universidades na √Āfrica do Sul s√£o todas pagas, seja p√ļblica ou privada, os estudantes pagam e os pre√ßos n√£o s√£o acess√≠veis. Em 21 de outubro de 2015, estudantes protestaram contra o aumento do pre√ßo das matr√≠culas universit√°rias[i], como a pol√≠cia √© igual em qualquer parte deste planeta, recebeu os estudantes com bala de borracha e bombas de g√°s lacrimog√™neo. Gostaria de ter acompanhado esta manifesta√ß√£o, e outras tamb√©m, pois os sul africanos s√£o muito ativos na luta por melhores condi√ß√Ķes, pois quase toda semana havia um protesto, mas em todas as vezes que estava acontecendo uma manifesta√ß√£o, eu estava tendo aula.

Na escola, teve v√°rios momentos que eu jamais esquecerei, um desses foi quando eu perguntei para uma senhora da L√≠bia o que ela achava do ex-presidente Gaddafi (como ela fala √°rabe, a nossa comunica√ß√£o era em ingl√™s, na verdade tentava me comunicar em ingl√™s, pois n√£o era algo f√°cil). Ela come√ßou a chorar, disse que o Gaddafi era louco, mas antes da derrubada dele, a L√≠bia tinha escolas, boa educa√ß√£o, n√£o tinha roubo, sequestro e as pessoas deixavam as portas abertas da casa e ningu√©m entrava para roubar, e hoje est√° tudo destru√≠do, n√£o d√° mais para viver l√°. Eu quase chorei junto com ela, e lembrei da esperan√ßa que muitos depositaram com a entrada do primeiro presidente negro nos Estados Unidos, at√© Nobel da Paz ele ganhou em 2009, e √© o mesmo presidente que autorizou a interven√ß√£o na L√≠bia. Independente das contradi√ß√Ķes que era o Gaddafi, a L√≠bia tinha o maior IDH ‚Äď √ćndice de Desenvolvimento Humano – de todo o Continente Africano.

A maioria dos professores na escola era brancos, desta forma o meu √ļnico contato com os brancos foi atrav√©s da escola. A rela√ß√£o entre professores e alunos era muito boa, saud√°vel, respeitosa e tranquila. Um exemplo que ilustra bem esta rela√ß√£o foi quando eu me despedi de uma atenciosa professora de origem europeia e ela me passou seu WhatsApp e me pediu o meu contato, e disse que se eu precisasse de alguma ajuda ou tivesse d√ļvida com o ingl√™s era para contat√°-la. Mas como nem tudo s√£o flores, a rela√ß√£o entre os sul africanos brancos de origem europeia com os sul africanos negros era bem diferente e isso se refletia dentro da sala de aula. O conflito e a divis√£o que o apartheid proporcionou √© bem vis√≠vel e muito presente ainda hoje. A mesma professora prestativa que se colocou √† disposi√ß√£o para me ajudar √© a mesma que em v√°rios momentos fez coment√°rios problem√°ticos e muitos entenderiam como racistas em rela√ß√£o aos sul africanos negros, na atual conjuntura, se fosse em alguns espa√ßos aqui no Brasil, j√° teria dado processo e nota de rep√ļdio. Mas entre os professores brancos o que mais me surpreendeu foi a rela√ß√£o que eles t√™m com a sua identidade europeia. Exceto um professor ingl√™s, todos os demais professores brancos que eu tive contato nasceram na √Āfrica do Sul e apenas seus av√≥s ou bisav√≥s n√£o tinham nascidos no continente africano, mas todos remetiam sua identidade europeia como se estivesse apenas de passagem no pa√≠s africano, como se fossem verdadeiros turistas que em uma determinada data regressariam para seus pa√≠ses de origem.

Algo tamb√©m muito presente dentro da sala de aula era a explicita desaprova√ß√£o que os professores brancos tinham em rela√ß√£o ao atual Presidente Jacob Zuma. (Zuma √© de origem Zulu e faz parte do mesmo partido do Nelson Mandela, ANC: Congresso Nacional Africano). Na escola tinha um professor branco, nascido na √Āfrica do Sul, mas de origem europeia, muito simp√°tico, n√£o tinha ideias reacion√°rias, era contra o Estado, contra o atual sistema e ateu, vivia se queixando da atual pol√≠tica do presidente Zuma que favorecia apenas a popula√ß√£o negra. Ele dizia que se voc√™ fosse negro voc√™ teria um emprego garantido, agora se voc√™ fosse branco n√£o seria f√°cil conseguir um emprego. Era un√Ęnime a ideia entre os professores brancos de que o Presidente Zuma era burro e sem compet√™ncia para administrar o pa√≠s. J√° o ex-presidente Nelson Mandela era bem visto, em nenhum momento eu presenciei algum coment√°rio negativo ou alguma cr√≠tica dos professores brancos ao Mandela.

Confesso que no in√≠cio estranhei bastante a vis√≠vel separa√ß√£o entre brancos e negros presente na √Āfrica do Sul, h√° bairros de brancos, negros e de indianos. N√£o que essa separa√ß√£o no Brasil n√£o esteja presente, mas voc√™ apenas consegue visualizar essa separa√ß√£o em espa√ßos elitizados. Para os brasileiros que n√£o tem a consci√™ncia de classe, ra√ßa e g√™nero, ou para os estrangeiros ou turistas que visitam o Brasil, realmente acreditam que o Brasil √© um para√≠so racial, o mito da democracia racial √© algo muito presente. Na √Āfrica do Sul o apartheid acabou oficialmente em 1994, mas ainda √© algo muito recente, minha gera√ß√£o vivenciou este desumano sistema, √© como se fosse uma mancha que paira no pa√≠s, que afeta todos, n√£o deixando ningu√©m imune. Na minha percep√ß√£o, √© algo que n√£o foi superado e resolvido. Para ilustrar como este tema √© muito complexo, um jovem estudante do Gab√£o chamado Axel, uma vez disse na sala de aula para uma professora que, para ele, o apartheid n√£o tinha acabado, s√≥ tinha mudado de forma, ela respondeu que n√£o era bem assim, pois hoje as pessoas est√£o juntas no supermercado.

O racismo est√° presente na √Āfrica do Sul e √© muito forte. Comparando o racismo no Brasil e o racismo na √Āfrica do Sul, entendo que √© algo que n√£o d√° para mensurar qual √© o pior ou qual √© o menos pior, pois o racismo √© racismo e √© ruim em qualquer lugar desta gal√°xia. Mas avalio que o racismo que existe na √Āfrica do Sul √© t√£o complexo quanto o racismo que existe no Brasil, √© claro que a forma como o racismo se articula e atua nos dois pa√≠ses √© bem diferente. Na √Āfrica do Sul h√° uma enorme quantidade de representatividade negra atuando em v√°rios espa√ßos, na televis√£o, na pol√≠tica, h√° uma classe m√©dia negra consider√°vel e mesmo correndo o risco de estar errada, entendo que h√° uma burguesia negra consolidada ou em processo de consolida√ß√£o. Nas ruas, v√°rias BMW dirigidas por negros, nos Shopping Center estilo JK Iguatemi e Cidade Jardim h√° v√°rios negros e n√£o trabalhando, e sim comprando e passeando, h√° bairros nobres e elitizados de negros… A representatividade est√° presente, mas o racismo tamb√©m est√°, h√° uma enorme desigualdade social e racial, muito negros e brancos pobres, mas √≥bvio que a pobreza se concentra em maior medida na popula√ß√£o negra, mas isso n√£o significa que n√£o tenha brancos pobres. H√° muitos moradores de rua, alto √≠ndice de criminalidade, muitos negros est√£o fora das universidades e desempregados. No Brasil os debates de empoderamento e representatividade para o povo negro est√£o muito presentes, e entendo que estes dois temas s√£o importantes, mas acredito que √© um erro focarmos apenas nestes dois temas para supera√ß√£o do racismo, pois j√° se mostraram insuficientes.

A √Āfrica do Sul √© considerada um pa√≠s em desenvolvimento, tem o 2¬ļ maior PIB do Continente Africano, s√≥ perdendo para a Nig√©ria e faz parte do BRICS. H√° casas, ruas, lojas, escolas, shopping, museus, hospitais, igrejas (a Igreja Universal tamb√©m est√° presente na √Āfrica do Sul) e casas noturnas de alt√≠ssimo padr√£o, como tamb√©m h√° bols√Ķes de pobreza, alto √≠ndice de criminalidade e desigualdade social. H√° uma enorme quantidade de estrangeiros africanos de outras partes do continente. H√° muitos estrangeiros que v√£o para estudar, ou em busca de melhores condi√ß√Ķes de vida e trabalho. Como a taxa de desemprego n√£o √© baixa, a procura por emprego entre sul africanos e estrangeiros acaba caminhando para uma disputa que se transforma em xenofobia. A mais recente onda de xenofobia ocorreu em mar√ßo de 2015, deixando 7 mortos e 307 presos[ii]. A divis√£o entre sul africanos negros e estrangeiros negros est√° presente na √Āfrica do Sul. Na escola, todas as vezes que eu perguntava para os estudantes estrangeiros o que eles achavam dos sul africanos as respostas eram sempre as mesmas coisas. Na vis√£o dos estudantes, os sul africanos n√£o s√£o pessoas do bem e muito racistas devido a onda de viol√™ncia contra estrangeiros negros. Eu perguntava se a onda de viol√™ncia contra os estrangeiros negros n√£o era uma quest√£o de xenofobia e n√£o racismo, muitos concordavam com minha reflex√£o, mas teve um jovem angolano que questionou argumentando a seguinte quest√£o: se √© apenas xenofobia, como voc√™ explica a onda de viol√™ncia apenas contra estrangeiros negros e n√£o com estrangeiros brancos? Analisando hoje essa quest√£o, entendo que ser apenas preto n√£o subentende que estaremos unidos enquanto povo em lugar algum, pois a escravid√£o e a coloniza√ß√£o nos dividiram e a luta de classes ainda nos divide.

Como em Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné Bissau falam o português, muitos sul africanos achavam que eu era de algum desses países e o tratamento que eles me davam era de um jeito, quando eu dizia que era brasileira, claramente o tratamento mudava. Vários africanos falavam que nunca tinham visto uma brasileira, de fato não há muitos brasileiros como angolanos ou moçambicanos, mas na verdade quando eles diziam que nunca tinham visto uma brasileira, eles estavam se referindo a brasileiros negros, pois mais de uma pessoa chegou a comentar que pensava que não existiam negros no Brasil. Essa questão nos fazem pensar qual a imagem que a elite brasileira passa de sua população lá fora, haja vista que o Brasil é o segundo país em população negra do mundo, só perdendo para a Nigéria. Outra questão para refletirmos é: quem são na sua grande maioria os brasileiros que viajam para fora do Brasil?

A quest√£o racial tamb√©m √© complexa na √Āfrica do Sul. No Brasil, os afrodescendentes que mais se aproximam do branco conseguem circular em alguns espa√ßos mais do que os afrodescendentes mais retintos como j√° bem estudado pelo Cl√≥vis Moura. J√° na √Āfrica do Sul, os miscigenados chamados de ‚Äúcolored‚ÄĚ tinham alguns privil√©gios na √©poca do apartheid, logo a separa√ß√£o entre miscigenado e sul africanos est√° presente no pa√≠s. N√£o s√£o todos os africanos que t√™m consci√™ncia racial, nem todos s√£o pan-africanista ou conhecem pouco sobre esta ideologia, logo deixando de lado o romantismo, n√£o s√£o todos os africanos que consideram os afrodescendentes na di√°spora como origin√°rios de um povo s√≥, e sim apenas americanos, latinos, brasileiros ou at√© mesmo ‚Äúcolored‚ÄĚ.

Eu tive a grande oportunidade de ter contato com africanos de outras nacionalidades dentro da organiza√ß√£o Ebukhosini Solutions. Fiquei muita pr√≥xima de dois talentosos m√ļsicos irm√£os ganenses chamados Ofoe e Tetteh. A intelig√™ncia, gentileza e sensibilidade deles eram incr√≠veis, n√≥s fal√°vamos sobre v√°rios temas complexos como machismo, feminismo, estupro, capitalismo, religi√£o, sexualidade…. A conex√£o com eles dois era t√£o especial que talvez meus ancestrais sejam da regi√£o que hoje √© denominada Gana, apesar de que algumas pessoas disseram para mim que meus tra√ßos s√£o parecidos com os africanos da regi√£o da Eti√≥pia. Fiquei muita pr√≥xima tamb√©m de uma linda e guerreira ruandesa chamada Ukwezi (Ukwezi significa lua em Kinyarwanda) e de sua irm√£ mais nova chamada Pamela. Fiquei muito amiga delas, a Ukwezi tem uma linda filhinha chamada Izaro. Sempre que poss√≠vel eu tinha aula de ingl√™s com a Ukwezi, na verdade era muito mais do que aulas de ingl√™s, eram aulas para a vida, ela era muito inteligente, n√≥s fal√°vamos de racismo, feminismo, movimento rastaf√°ri, l√≠deres revolucion√°rios, revolu√ß√£o e capitalismo. Ao contr√°rio de alguns grupos, organiza√ß√Ķes e coletivos negros aqui no Brasil que negam ou se recusam a falar sobre o estrago do capitalismo para o povo negro, em todas as conversas sobre capitalismo que eu tive com os africanos (sul africanos, ganenses e ruand√™s) esse tema est√° muito √≥bvio, eles entendem e visualizam nitidamente o problema que o sistema capitalista gerou para o continente africano.

Os jovens sul africanos usam roupas bem parecidas com o estilo estadunidense, mas as roupas tradicionais africanas est√£o presentes nas ruas, nas lojas e nos eventos que eu tive a oportunidade de participar. Achei muito bacana o estilo das sul africanas, elas usam aqueles chap√©us chiques que aqui no Brasil s√≥ vimos nos filmes estadunidenses. O estilo de cabelo varia bastante: cabelos com tran√ßas, cabelos raspados, cabelos alisados, cabelos naturais e cabelos colocados (brazilian hair √© o nome denominado pelas sul africanas, faz o maior sucesso no continente africano). H√° muitos sal√Ķes de beleza em Johanesburgo (eu vi bastante) e o interessante √© que a foto da modelo estampada na maioria dos sal√Ķes de beleza √© da Rihanna. Diferente do Brasil, a diva na √Āfrica do Sul √© a Rihanna, e n√£o a Beyonc√©. Para todas as meninas que eu perguntava, preferiam a Rihanna a Beyonc√©. Acredito que alguns dos motivos da prefer√™ncia pela Rihanna s√£o: primeiro, como elas falam tamb√©m ingl√™s, conseguem entender a mensagem que a Beyonc√© e a Rihanna passam; segundo, a Rihanna representa a ideia de supera√ß√£o e possibilidade, pois nasceu em uma pequena e desconhecida ilha chamada Barbados e hoje faz sucesso no mundo inteiro.

A √Āfrica do Sul tem uma vasta e rica cultura, al√©m das culturas tradicionais, h√° muitos estrangeiros de outros pa√≠ses do continente africano. Em Johanesburgo tem um importante e interessante bairro pan-africanista chamado Yeoville, neste bairro h√° muito afrodescendentes da di√°spora e africanos de outros pa√≠ses do continente africano como Nig√©ria, Gana, Congo, Angola, Mo√ßambique…. pelo que eu entendi √© considerado um bairro perif√©rico tamb√©m. Neste bairro tem uma livraria com v√°rios livros com pre√ßos acess√≠veis de autores pan-africanistas. √Č neste bairro que eu fazia Kemetic Yoga, essa atividade √© oferecida gratuitamente todos os s√°bados pela organiza√ß√£o Ebukhosini Solutions. Em cada encontro era um volunt√°rio que se dedicava a passar seus conhecimentos, eu tive alegria de fazer aulas com a Mama T, Siyabonga, Pitsira, Ursula e Ted Niacky (com ele eu fiz uma interessante aula de Kemetic Boxing). Nesse bairro tem muitos rastas tamb√©m, com muitas cores do reagge e do pan-africanismo, h√° imagens do Bob Marley e Fela Kuti.

Na primeira semana que eu cheguei na √Āfrica do Sul eu fui para um maravilhoso show de jazz em Johanesburgo. O jazz e soul est√£o muito presentes no pa√≠s, eu lembro que uma vez entrei em um √īnibus ao som de Billy Paul ‚Äď can√ß√£o Me and Mrs. Jones. √Č √≥bvio que o hip hop e os estilos musicais tradicionais africanos tamb√©m est√£o presentes no pa√≠s. Mas o estilo musical que os jovens escutam bastante √© o house music, na verdade n√£o conheci ningu√©m que n√£o gostasse de house music. Eu lembro que no dia do meu anivers√°rio eu fui para uma festa chamada ‚ÄúObrigado‚ÄĚ, nesta festa supostamente tocaria m√ļsicas brasileiras e latinas, os DJs tocaram algumas MPB e sambas, mas tudo no estilo eletr√īnico, eu n√£o sei como, mas sambei at√© n√£o aguentar mais, mesmo na batida eletr√īnica. No show da virada do ano em Johanesburgo o estilo musical mais tocado e dominante era o eletr√īnico, o house music √© uma verdadeira febre para os jovens. J√° dentro da organiza√ß√£o, os estilos que eles mais escutavam eram reggae, jazz e soul, mas a can√ß√£o que eu tive a felicidade de conhecer e que mais me marcou foi do ‚ÄúWambali ‚Äď Ndimba Ku Ndimba‚ÄĚ. [iii]

Na √Āfrica do Sul o transporte mais comum e usado pela popula√ß√£o negra s√£o os chamados t√°xis (s√£o parecido com lota√ß√Ķes para n√≥s), estas lota√ß√Ķes s√£o privadas, o custo n√£o √© muito caro e voc√™ vai sentado, (diferente do transporte p√ļblico aqui em S√£o Paulo, que voc√™ paga caro e com muita sorte, luta, briga e discuss√£o consegue um lugarzinho sentado). As lota√ß√Ķes geralmente n√£o est√£o em situa√ß√Ķes boas e, infelizmente, h√° muito acidentes. H√° √īnibus e trens tamb√©m, mais o que mais me chamou aten√ß√£o foi o trem bala chamado Gautrain que liga Sandton ao aeroporto, e liga tamb√©m Johanesburgo a Pret√≥ria. Foi a primeira vez que andei em um trem bala, o trem √© muito moderno, bonito e r√°pido, o problema que √© n√£o √© um transporte acess√≠vel √† popula√ß√£o local, h√° muitos turistas e brancos, voc√™ encontra negros tamb√©m, mas da classe m√©dia e alta.

Tive a oportunidade de visitar a Nam√≠bia atrav√©s de uma organiza√ß√£o chamada Namibian Brazil Friendship Association (NBFA). Esta organiza√ß√£o me convidou a fazer v√°rias apresenta√ß√Ķes sobre a situa√ß√£o da popula√ß√£o negra no Brasil (viol√™ncia policial, racismo e homic√≠dios do povo negro) em v√°rias universidades e organiza√ß√Ķes. Fiquei 4 dias na capital em Windhoek (entre os dias 19 a 23 de outubro de 2015), em uma pousada que tinha, na sua grande maioria, angolanos. A Angola faz fronteira com a Nam√≠bia, logo, h√° muitos angolanos estudando e morando na Nam√≠bia. Nas apresenta√ß√Ķes que eu fiz nas universidades, os estudantes eram muito poucos e conheciam praticamente nada sobre o Brasil. A apresenta√ß√£o que teve maior n√ļmero de jovens foi em uma organiza√ß√£o fora da universidade chamada Young Achievers Empowerment Project. O encontro foi na sede da organiza√ß√£o, foi a apresenta√ß√£o mais interativa, os jovens fizeram muitas perguntas. Entre v√°rias perguntas, uma que mais me chamou a aten√ß√£o foi a pergunta de uma linda jovem namibiana, ela perguntou se eu me considerava negra. Respondi que sim e perguntei porque n√£o me consideraria negra, ela respondeu que o motivo da pergunta era porque meu cabelo era diferente e agradeceu por eu me considerar negra.

A Rep√ļblica da Nam√≠bia tem uma linda hist√≥ria de luta e resist√™ncia, conseguiu sua independ√™ncia da √Āfrica do Sul atrav√©s de muita luta na d√©cada de 90. A l√≠ngua oficial √© o ingl√™s, mas muitos namibianos falam oshiwambo como sua primeira l√≠ngua, outras l√≠nguas faladas tamb√©m s√£o nama/damara, kavango,herer√≥, afric√Ęner e o alem√£o (estas duas √ļltimas falada pelos brancos). Eu vi muitas lojas e escolas com informa√ß√Ķes em alem√£o, h√° muitos alem√£es ou pessoas de origem alem√£ na Nam√≠bia. A arquitetura dos pr√©dios e o povo namibiano lembram muito os sul africanos, as ruas em Windhoek s√£o extremamente limpas, lembra a cidade de Pret√≥ria na √Āfrica do Sul. A forma comum de se locomover na capital da Nam√≠bia √© atrav√©s de t√°xi, diferente do Brasil, o t√°xi √© barato. √Č uma forma de transporte privado, mas a forma de utiliza√ß√£o lembra o transporte p√ļblico porque os taxistas n√£o atendem um passageiro apenas, em uma viagem eles geralmente atendem 4 passageiros ao mesmo tempo. H√° √īnibus, mas ainda s√£o muito poucos, o governo ainda est√° no processo de implanta√ß√£o de transporte p√ļblico que atenda a demanda da popula√ß√£o.

A incr√≠vel oportunidade de ter ficado com uma fam√≠lia pan-africanista foi uma das experi√™ncias mais significativas que eu tive em Azania. O caloroso acolhimento de toda a fam√≠lia, que morava e frequentava a eBukhosin, √© algo imposs√≠vel de descrever com apenas palavras. O cuidado que todos me receberam foram verdadeiros gestos de uma fam√≠lia que estava recebendo o regresso da filha mais nova, uma filha que estava de f√©rias em algum pa√≠s um pouco distante, mas que nunca deixou de ser esquecida e com prazo de retorno estabelecido. A cumplicidade e a viv√™ncia na casa ajudaram tamb√©m para o fortalecimento desse sentimento de filha, tendo como pais Baba Bantu e Mama T, tendo como irm√£os e irm√£s (correndo o risco de faltar algu√©m) Ofoe, Siyabonga Moringe, Tetteh, PitsiRa, Thabiso, Patrick, Siyabonga Lembede, Phumulani, Mabule, Thabo, Ukwezi, Disebo, Mbaliyethu, Pamela, Nonhlanhla… As atividades que eu tive a grande oportunidade de participar como semin√°rios, palestras, Afrikan Lunch, Yoga, eventos, Kwanzaa, debates e encontros com outros jovens l√≠deres foram fundamentais para refor√ßar o esp√≠rito e atos de unidade, solidariedade, disciplina, pr√°ticas revolucion√°rias e um org√Ęnico e ativo pan-africanismo como algo poss√≠vel e vi√°vel. Hoje visualizo que o conjunto de todas essas atividades foi para al√©m da aprendizagem, se tornou uma verdadeira transforma√ß√£o espiritual e mental. √Č algo que est√° e sempre estar√° presente em cada dire√ß√£o, passo e posicionamento na minha vida em diante. Sou grata a fam√≠lia eBukhosini e a todas que diretamente e indiretamente fizeram parte dessa maravilhosa oportunidade, experi√™ncia e aprendizado.

A experi√™ncia e aprendizado que eu tive na √Āfrica do Sul e na Namibia foram incr√≠veis, algo que levarei para vida toda. Uma das coisas que eu tive a oportunidade de vivenciar e participar foi do Kwanzaa (√© uma celebra√ß√£o comemorada entre os dias 26 de Dezembro a 1 de Janeiro por milhares de africanos e afrodescendentes ao redor do mundo). Desde 2002, a Ebukhosini Solutions junto com outras organiza√ß√Ķes realizam a celebra√ß√£o do Kwanzaa, entre v√°rias atividades tem m√ļsica, poesia e boa comida. Eu j√° tinha ouvido falar dessa celebra√ß√£o, mas confesso que conhecia muito pouco, n√£o entendia o real objetivo e nunca tinha participado. Hoje eu entendo a import√Ęncia dessa celebra√ß√£o, e entre os princ√≠pios do Kwanzaa (Umoja: uni√£o; Kujichagulia: auto-determina√ß√£o; Ujima: trabalho coletivo e responsabilidade; Ujamaa: economia cooperativa; Nia: prop√≥sito; Kuumba: criatividade; Imani: f√©), a uni√£o √© o que mais me chamou a aten√ß√£o. Na celebra√ß√£o havia muitos africanos de outras nacionalidades e de v√°rias religi√Ķes. A celebra√ß√£o do Kwanzaa no Brasil e em outras partes desse planeta pode ser o caminho ou uma das possibilidades para constru√ß√£o da sonhada unidade para o povo africano dentro e fora do continente africano.

Veja as fotos aqui: https://flic.kr/s/aHskuZ31C7

[i]http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2015/10/21/estudantes-enfrentam-policia-em-frente-ao-parlamento-na-africa-do-sul.htm

[ii]http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/04/1618597-ataques-xenofobos-na-africa-do-sul-deixam-7-mortos-e-307-presos.shtml

[iii] Wambali – Ndimba Ku Ndimba: https://www.youtube.com/watch?v=uFiWZceyRI4&feature=youtu.be

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CURSO NEGRO: MOVIMENTOS DE LIBERTA√á√ÉO NA √ĀFRICA

De segunda-feira a sexta-feira  (18 a 22 de janeiro de 2016) Hor√°rio: 19h30 √†s 22h00.

Coordena√ß√£o e organiza√ß√£o: Danilo Ramos ‚Äď Curador do Espa√ßo Cultural Dona Leonor (CCDL) e Deivison Nkosi (Grupo Kilombagem).

Nossos passos vem de Longe!

O curso tem a finalidade de apresentar os debates te√≥ricos e pol√≠ticos presentes nas lutas de liberta√ß√£o dos pa√≠ses africanos a partir da segunda metade do s√©culo XX e, sobretudo, refletir sobre  a validade desse debate para o entendimento do racismo contempor√Ęneo.  No curso ser√£o apresentadas as biografias de algumas das principais lideran√ßas e correntes que disputaram o interior do movimento pan-africanista, tais como o marxismo, o nacionalismo ‚Äúafricano‚ÄĚ, a negritude cultural e cient√≠fica, entre outros.

Ser√£o problematizados ainda os dilemas e escolhas tomadas diante da chamada Guerra Fria, em especial as barganhas e interven√ß√Ķes dos pa√≠ses imperialistas como a Inglaterra e os Estados Unidos da Am√©rica na contrarrevolu√ß√£o e para o desmantelamento dos movimentos de liberta√ß√£o africanos, bem como as t√°ticas efetivadas para manter o dom√≠nio do continente africano subordinado ao capital monopolista.

Por fim, o curso ainda se prop√Ķe a abordar o impacto dos movimentos negros no Brasil, principalmente no per√≠odo das d√©cadas de 1960 e 1970.

PanAfrican

 

Cronograma 

Dia 18/01/2016 – Como a Europa subdesenvolveu a √Āfrica

Objetivo: Compreender quais foram √†s pr√°ticas que os pa√≠ses de forma√ß√£o de capitalismo cl√°ssico fizeram para poder monopolizar a riqueza social explorando o continente africano; o Congresso de Berlim, convocado pelo Chanceler Otto von Bismarck, de 1878 que reuniu os principais representantes das pot√™ncias europeias que partilharam o continente africano; nesse m√≥dulo ter√° como refer√™ncia os estudos de Walter Rodney ‚Äď Como a Europa subdesenvolveu a √Āfrica ‚Äď e, Kwame N‚ÄôKrumah ‚Äď Neocolonialismo: √ļltimo est√°gio do Imperialismo. Ainda, ser√° tematizado as quest√Ķes em torno do imperialismo e seu impacto nos pa√≠ses do continente africano.

Expositor: Marcio Farias ‚Äď Possui gradua√ß√£o em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2011), mestrado em Psicologia Social na PUC-SP (2015), coordenador do N√ļcleo de Estudos Afro Americanos (Nepafro). Atua como Auxiliar de Coordena√ß√£o para acessibilidade no MuseuAfroBrasil.

Indica√ß√£o de leitura:     GOMES, F. F. Mwalimu Rodney. Uma introdu√ß√£o a vida e obra de Walter Rodney.

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Dia 19/01/2016 – Em defesa da revolu√ß√£o africana e o Pan-africanismo

Objetivo: a partir dos movimentos de liberta√ß√£o na √Āfrica o encontro apresentar√° as correntes no interior do movimento pan-africanista, os projetos que estavam em voga no momento das lutas de liberta√ß√£o; ainda, priorizar√° as lutas existentes na Arg√©lia, Burkina Faso e Angola.

Expositor: Deivison Faustino ‚Äď Formado em Ci√™ncias Sociais pelo Centro Universit√°rio Funda√ß√£o Santo Andr√© (CUFSA), mestrado em Ci√™ncias da Sa√ļde pela FMABC e doutorado em Sociologia pela Universidade Federal de S√£o Carlos (UFSCAR); Integrante do Kilombagem

Indicação de Leitura: FANNON, F. Racismo e Cultura.

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20/01/2016 – Pol√≠tica, Cultura e Emancipa√ß√£o Humana: o caso de Cabo Verde e Guin√©-Bissau e Mo√ßambique.

Objetivo: A partir das lutas sociais em Cabo Verde e Guiné-Bissau e em Moçambique, será considerado os processos de lutas travadas contra o imperialismo; a luta dos Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO); a partir dos escritos de Amílcar Cabral e Samora Machel, qual a relação entre cultura e política, visto que a articulação entre essas duas esferas foram fundamentais, não somente nos referidos países, mas nos demais territórios que se opuseram contra o neocolonialismo.

Expositor: Weber Lopes G√≥es ‚Äď Bacharel em Hist√≥ria e Especialista em Ci√™ncias sociais pelo Centro Universit√°rio Funda√ß√£o Santo Andr√© (CUFSA) e mestrado em Ci√™ncias Sociais (UNESP/Mar√≠lia).

Indicação de leitura: CHASIN, José. Sobre Moçambique.

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 FREIRE, Paulo. Am√≠lcar Cabral: o pedagogo da revolu√ß√£o.

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21/01/2016 – A Seneg√Ęmbia no contexto da luta anticolonial

Objetivo: considerando as lutas de libertação africana, quais foram as estratégias de combates ao imperialismo efetivados em Senegal e, ao mesmo tempo, as influências do movimento negritude e do marxismo enquanto ferramentas de libertação no referido país.

Expositor: Sallomão Jovino da Silva РPossui mestrado e doutorado em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com estágio no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Atualmente professor do Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA) e é Consultor da Secretaria de Educação do Município de São Paulo.

Indica√ß√£o de leitura: DOMINGUES, Petr√īnio. Movimento da negritude: uma breve reconstru√ß√£o hist√≥rica.

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22/01/2016 – Discurso sobre o colonialismo: o movimento negritude e seu impacto no movimento negro brasileiro nos anos de 1970.

Objetivos: ser√° abordado quais as cr√≠ticas contra o neocolonialismo na √Āfrica a partir do fundador do movimento negritude Aim√© C√©sare; ainda, a partir das lutas do movimento negro brasileiro qual a influ√™ncia das lutas de liberta√ß√£o na √Āfrica no movimento negro do Brasil.

Expositor: Milton Barbosa ‚Äď Fundador do Movimento Negro Unificado (MNU).

Indica√ß√£o de leitura: C√ČSARE, Aim√©. Discurso sobre o colonialismo.

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Pacote Zipado com todos os textos

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Informa√ß√Ķes gerais 

P√ļblico Alvo: Estudantes de Ci√™ncias Sociais, Geografia, Pedagogia, Servi√ßo Social, Hist√≥ria e √°reas afins; educadores sociais, profissionais da √°rea da educa√ß√£o, educador comunit√°rio e interessado nas tem√°ticas.

Crit√©rios de participa√ß√£o: Os interessados devem se comprometer a ler os textos indicados para cada encontro.

Estrutura do Curso: A dura√ß√£o do curso ser√° de 15 horas dividido em cinco m√≥dulos, sendo que cada um ter√° a dura√ß√£o de 3 horas.

Metodologia: Leitura de textos, exposi√ß√£o e discuss√£o junto aos participantes.

Ser√° emitido certificado para os participantes, uma vez que tenham frequentado ao menos 75% do curso.

Informa√ß√Ķes: cursoformacao@kilombagem.net.br

Local

Espa√ßo Cultural DONA LEONOR 

Rua San Juan, 121, Parque das Américas (Mauá/SP). Cinco minutos da Estação de Trem Guaquituba da CPTM, linha Turquesa.


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Nonagésimo aniversário de Fanon РOS CONDENADOS DA TERRA

CURSO KILOMBAGEM ‚Äď FANON VIDA E OBRA

Reflex√Ķes retiradas¬†do artigo: FAUSTINO, D. M. . Colonialismo, racismo e luta de classes: a atualidade de Frantz Fanon. In: V Simp√≥sio Internacional Lutas Sociais na Am√©rica Latina, 2013. Anais do V Simp√≥sio Internacional Lutas Sociais na Am√©rica Latina, 2013. p. 216-232. (n√£o deixe de citar suas fontes quando compartilhar!!!)

O Texto de hoje √© o mais famoso do que lido¬†Os Condenados da Terra, escrito por Fanon em 1961. O livro, cercado de curiosidades e pol√™micas, √© comentado por diversos pensadores em todo o mundo. O t√≠tulo original do livro, Les damn√©s de la terre, ¬†foi inspirado na primeira estrofe de¬†L’INTERNATIONALE,¬†hino ¬†do movimento comunista internacional:

Debout! l’√Ęme du prol√©taire

(De pé! ó alma do proletário)

Travailleurs, groupons-nous enfin.

(Trabalhadores, agrupemo-nos finalmente)

Debout! les damnés de la terre!

(Levante-se! os miser√°veis da terra!)

Debout! les forçats de la faim!

(Levante-se! condenados de fome!)

Pour vaincre la mis√®re et l’ombre

(Para superar a pobreza e a sombra)

Foule esclave, debout ! debout!

(Multidão de escravos, de pé! de pé!)

C’est nous le droit, c’est nous le nombre:

(Este √© o nosso direito, o nosso n√ļmero)

Nous qui n’√©tions rien, soyons tout

(Nós, que não eram nada, sejamos tudo)

Mas para ele, diferentemente do que propunha o movimento comunista franc√™s, a aposta para a supera√ß√£o radical da situa√ß√£o colonial n√£o estaria no proletariado (industrial) – quase ausente nas col√īnias, e quando presente, na maioria das vezes, ¬† comprometido com a manuten√ß√£o da ordem colonial. Os Damn√©s, de que ele fala e apostou todas as cartas – estes que na sociedade colonial n√£o eram nada –¬†deveriam ser encontrados entre √†queles que realmente n√£o tinham nada a perder – “a n√£o ser os seus grilh√Ķes”.

De pé ó vítimas da fome
De pé ó vítimas da fome

Fanon sempre foi um ser humano intenso: com 25 anos já havia escrito Pele negra, máscaras brancas e com 29 havia se tornado chefe do hospital psiquiatra em Blida, Argélia. Agora, aos 36, já se encontrava entre os principais articuladores do pan-africanismo internacional junto à Frente de Libertação da Argélia.

Em dezembro de 1960, depois de circular por v√°rias partes do continente africano fomentando a necessidade de expandir as Guerras de Liberta√ß√£o, Fanon inicia a escrita de um livro que problematizaria a rela√ß√£o entre¬†revolu√ß√£o argelina e¬†outros povos do Continente. No entanto, para a sua surpresa e no auge de sua atua√ß√£o pol√≠tica, √© diagnosticado √© com leucemia ‚Äď uma doen√ßa maligna nos gl√≥bulos brancos – , e constata, mediante aos est√°gios da medicina na √©poca, que lhe restava pouco tempo de vida.

Diante do fato de que seu corpo definhava, optou por alterar o curso da escrita que empreendia, direcionando-a para o que, sabidamente, seria o seu √ļltimo texto. √Č neste contexto, lutando contra o pr√≥prio rel√≥gio biol√≥gico. que ele escrever√° em quest√£o de meses o famoso Os Condenados da terra. Enquanto escrevia o livro e revisava os trechos, chegou a voar para It√°lia a fim de encontrar Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, para encomendar a Sartre o Pref√°cio do seu livro.

Tr√°gico √© que at√© hoje, se considerarmos a presen√ßa incontest√°vel do racismo na sociedade contempor√Ęnea, que o Pref√°cio de Sartre – embora tenha contribu√≠do para popularizar o texto no contexto internacional ‚Äď tenha se tornado mais famoso que o pr√≥prio livro. No pref√°cio, Sartre, inteligentemente, destaca a viol√™ncia, objetivando, chamar a aten√ß√£o dos europeus para a sua hipocrisia e culpa diante de todo sofrimento vivido fora da Europa.

Entretanto, lamentavelmente, muitos críticos importantes das Ciências Sociais destilaram duras críticas à Fanon, sem ter, contudo, avançado na leitura para além das páginas escritas por Sartre. Ocorre que o livro é muito mais complexo do que o Prefácio pretendeu ser, e a leitura que não o tome por completo está fadada à uma apreensão pobre e até distorcida.

O livro trata, entre outros assuntos, dos conflitos impl√≠citos ao colonialismo e √† luta anticolonial. Alerta que a viol√™ncia √© parte fundante da sociedade colonial, estando presente em todas as suas express√Ķes materiais e simb√≥licas. Constata ainda que a supera√ß√£o da l√≥gica colonial s√≥ seria vi√°vel naquelas situa√ß√Ķes em que os colonizados empreendessem for√ßa material proporcionalmente capaz de abalas as for√ßas sociais a ponto de fazer surgir um homem novo:

A descoloniza√ß√£o se prop√Ķe a mudar a ordem do mundo, √©, como se v√™, um programa de desordem abosoluta(…)√© um processo hist√≥rico: isto √©, ela s√≥ pode ser compreendida, s√≥ tem inteligibilidade, s√≥ se torna transl√ļcida para si mesma na exata medida em que discerne o movimento historicizante que lhe d√° forma e conte√ļdo. A descoloniza√ß√£o √© o encontro de duas for√ßas congenitamente antag√īnicas, que t√™m precisamente a sua origem nessa esp√©cie de substancializa√ß√£o que a situa√ß√£o colonial excreta e alimenta. (…) a descoloniza√ß√£o √© verdadeiramente a cria√ß√£o de homens novos. Mas essa cria√ß√£o n√£o recebe a sua legitimidade de nenhuma pot√™ncia sobrenatural: a ‚Äúcoisa‚ÄĚ colonizada se torna homem no processo mesmo pelo qual ela se liberta. (Fanon)

Em um di√°logo constante com os movimentos internacionais ligados ao panafricanismo e ao terceiro-mundismo, Frantz Fanon alerta que mesmo na √Āfrica, o processo de revolu√ß√£o nacional n√£o podem ignorar as especificidades de entifica√ß√£o da capitalismo, a composi√ß√£o das diferentes de classes sociais e seus interesses. Os pa√≠ses coloniais seriam economicamente atrasados e subdesenvolvidos a partir da rela√ß√£o hist√≥rica com suas metr√≥poles sanguessugas.

Esta realidade relegaria √†s col√īnias uma produ√ß√£o de bens prim√°rios voltados √† exporta√ß√£o; uma classe oper√°ria insipiente; um campesinato pauperizado e analfabeto e uma burguesia local subordinada √† interesses externos. Estas burguesias, forjadas no processo colonial, mesmo quando apoiem a independ√™ncia, tendem a trair sua ‚Äúvoca√ß√£o‚ÄĚ de classe ‚Äď como se assistiu nos s√©culos anteriores na Europa ‚Äď e n√£o assumirem a frente do processo produtivo de forma a acumular o excedente de produ√ß√£o no pr√≥prio pa√≠s. Abrindo brecha, assim, ao neocolonialismo.

No cap√≠tulo III “Desventuras da consci√™ncia nacional” Fanon antecipa que a supera√ß√£o do colonialismo n√£o depende apenas da elei√ß√£o de lideres africanos, mas sim, da reorganiza√ß√£o das rela√ß√Ķes de produ√ß√£o, orientada para e com o povo. Do contr√°rio, todo o esfor√ßo dos movimentos de liberta√ß√£o se veriam afogados no neocolonialismo:

Essa burguesia que se afasta cada vez mais do povo em geral nem consegue arrancar do Ocidente concess√Ķes espetaculares: investimentos interessantes para a economia do pa√≠s, instala√ß√Ķes de certas ind√ļstrias. Em contrapartida, as f√°bricas de montagem se multiplicam, consagrando assim o tipo neocolonialista no qual se debate a economia nacional. Assim, n√£o se deve dizer que a burguesia nacional retarda a evolu√ß√£o do pa√≠s, que lhe faz perder tempo ou que ele pode conduzir a na√ß√£o para caminhos sem sa√≠da. Efetivamente, a fase burguesa na hist√≥ria dos pa√≠ses subdesenvolvidos √© uma fase in√ļtil. Quando essa casta for suprimida, devorada por suas pr√≥prias contradi√ß√Ķes, n√≥s percebemos que nada aconteceu depois da independ√™ncia, que √© preciso retomar tudo, partir outra vez do zero. A reconvers√£o n√£o ser√° operada no n√≠vel das estruturas instaladas pela burguesia durante o seu reino, pois essa casta n√£o fez outra coisa sen√£o tomar, sem mudan√ßa, a heran√ßa da economia, de pensamento e das institui√ß√Ķes coloniais .(FANON).

Em seu di√°logo com o Movimento de¬†Negritude, afirma que essa perspectiva √© ‚Äúa ant√≠tese afetiva, sen√£o l√≥gica, desse insulto que o homem branco fazia √° humanidade‚ÄĚ. E completa: ‚ÄúEssa negritude lan√ßada contra o desprezo do branco se revelou, em certos setores, como o √ļnico fator capaz de derrubar interdi√ß√Ķes e maldi√ß√Ķes‚ÄĚ. No entanto, essa contraposi√ß√£o, historicamente necess√°ria, levou o movimento a um impasse: ‚Äú √† afirma√ß√£o incondicional da cultura europeia sucedeu a afirma√ß√£o incondicional da cultura africana‚ÄĚ .

Entretanto, se¬†o colonialismo definiu como essencialmente negro a emo√ß√£o, o corpo, a virilidade, ludicidade, mas, sobretudo, classificou hierarquicamente estes elementos como inferiores, frente √† n√£o menos fetichizada (e ilus√≥ria) imagem criada para o Europeu ‚Äď Raz√£o, civiliza√ß√£o, cultura, universalidade -, o movimento de negritude, sem romper com estes fetichismos, apenas inverteu os polos da hierarquia, passando a considerar como positivo √†quilo que o colonialismo classificou como inferior.

Assim a inoc√™ncia, musicalidade, o ritmo ‚Äúnato‚ÄĚ do africano, passam a ser afirmados pelos movimentos anti-racistas como elementos essencialmente africanos, mas agora, vistos como superiores e desej√°veis frente √† frieza tecnicista ocidental (SENGHOR, 1939). As ‚Äúalmas da gente negra‚ÄĚpassam a ser classificadas como ess√™ncias metaf√≠sicas, ou no m√≠nimo hist√≥ricas, que precisariam ser resgatas e afirmadas para que o negro se reencontre consigo pr√≥prio.

Para Fanon, est√° a√≠ uma armadilha que o movimento de negritude ‚Äď e talvez o conjunto do movimento negro contempor√Ęneo – corria o risco de ficar preso. Esta ‚Äúess√™ncia negra‚ÄĚ que se busca “restaurar” ou “libertar”, √©, para ele, uma inven√ß√£o do racismo colonial a servi√ßo da desumaniza√ß√£o do africano e aceit√°-la, portanto,¬†implicaria na n√£o rejei√ß√£o dos pressupostos que sustentam o colonialismo.

Para ele, os seres humanos s√£o o que fazem e como fazem, e por isso, a prioridade¬†na preserva√ß√£o ¬†ou resgate cultural corre o risco de¬†inverter a ordem de prioridade do mundo, tomando o secund√°rio como prim√°rio, ¬†na medida em que valoriza o produto em detrimento do produtor. Esta postura antropologicizadora, inicialmente leg√≠tima, poderia segundo Fanon levar os movimentos anti-racistas a alguns impasses perigosos, tais como: “meter todos os negros no mesmo saco”; buscar por um passado glorioso em detrimento de uma realidade objetivamente desumanizadora; valorizar acriticamente e de forma¬†apaixonada¬†a‚Äútudo que for africano‚ÄĚ (ou aquilo que se convencionou nomear como africano) e ao mesmo tempo,, negar¬†de forma quase religiosa a¬†tudo que for ‚Äúocidental‚ÄĚ; aceitar o¬†pressuposto racista de que a cultura negra √© est√°tica e fechada, portanto morta.

Para Fanon seria necess√°rio ir al√©m da ‚Äď e n√£o se limitar √† – afirma√ß√£o das especificidades culturais (historicamente negadas). Para ele, n√£o √© a cultura ¬†que deve resistir mas sim as pessoas que a produzem, a partir de seus referenciais simb√≥licos sempre em transforma√ß√£o. √Č certo que o colonialismo nega ao colonizado a possibilidade de entifica√ß√£o de uma cultura aut√™ntica, e por isto, a emancipa√ß√£o cultural, passaria pela emancipa√ß√£o das pessoas que produzem e se produzem a partir dela. √Č o colonialismo em seu ato negador e reificador que atribui uma aus√™ncia de movimento hist√≥rico √† cultura colonizada, engessando-a em cat√°logos antropol√≥gicos, vendo-as e tratando-as como elementos mortos…

Agir pelo resgate de uma pretensa cultura passada, originalmente negada √© secundarizar a emancipa√ß√£o dos indiv√≠duos produtores da cultura. √Č o combate pelo fim mim material, cultural e epist√™mico do colonialismo ‚Äď e Fanon n√£o nega a import√Ęncia da afirma√ß√£o cultural neste processo ‚Äď que pode promover o surgimento de uma cultura aut√™ntica. Ao inv√©s de se lan√ßar apaixonadamente sobre uma cultura engessada pelo colonialismo, ‚Äúo dito combatente, o colonizado, depois de tentar perder-se no povo, com o povo, vai, ao contr√°rio, sacudir o povo. Ao inv√©s de privilegiar a letargia do povo, ele se transforma em despertador do povo‚ÄĚ (FANON, 2010:256).

REAJA
Imagem: Militantes da Campanha Reaja ou ser√° morto, Reaja ou ser√° morta – Bahia – Br

O livro – que tr√°s ainda uma an√°lise sobre os impactos subjetivos da tortura e uma an√°lise cr√≠tica a respeito dos limites do √≥dio para a luta pol√≠tica ‚Äď foi recebido com amor e √≥dio em todas as partes do mundo. Dos movimentos terceiro-mundistas e a esquerda revolucion√°ria nos pa√≠ses da Am√©rica Latina aos intelectuais articuladores do IRA, ETA e a Revolu√ß√£o Aiatol√° no Iran; das propostas de Amilcar Cabral e Sankara √†s reflex√Ķes e a√ß√Ķes pr√°ticas de √āngela Davis e o movimento Black Power, oserva-se a influ√™ncia expl√≠cita de Os condenados da Terra.

*

Desiludido, e abalado com o definhamento do pr√≥prio corpo, Fanon cede √† insist√™ncia de amigos e familiares para tentar um tratamento nos EUA. Ele j√° havia recusado essa possibilidade anteriormente, afirmando que n√£o iria para um pa√≠s de linchadores, mas agora, j√° debilitado, permite-se √† uma √ļlitma tentatica. Ao sexto dia de dezembro de 1961, ainda com 36 anos – e algumas semans depois de ter recebido os primeiros exemplares de Os condenados da terra -, Frantz Omar Fanon morre em um quarto de hospital em Washington.

H√° rumores n√£o partilhados pela fam√≠lia de que a CIA ‚Äď que se envolveu no traslado de Fanon aos Estados Unidos – teria contribu√≠do para sua morte, mas essa desconfian√ßa nunca foi comprovada. O fato √© que, dal√≠ em diante, o nome de Fanon seguiria vivo, alimentando a experan√ßa no futuro, em qualquer lugar que haja injusti√ßa.

 

Frantz Fanon

Para quem tiver coragem: Boa leitura!!!!

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II Curso: Pan Africanismo e a esquerda diante da luta de classes

O Grupo KILOMBAGEM ¬†e o N√ļcleo de Consci√™ncia Negra da USP t√™m a honra de convidar-te para o II Curso : Pan Africanismo e a esqueda duante da luta de classes.

O Curso tem o objetivo de oferecer subs√≠dios hist√≥ricos e sociol√≥gicos para o entendimento das rela√ß√Ķes entre o racismo e o capitalismo, ¬†bem como as tens√Ķes, antagonismos e ¬†converg√™ncias entre ¬†a chamada esquerda e o internacionalismo negro.

 

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Alteração de ordem na Programação (19hs às 22hs): 

22/01 – O Racismo e a Luta de Classes – Weber Lopes Goes

Textos de apoio:
Origens, modalidades e formas de racismo РMartiniano José da Silva

O racismo como arma de dominação РClóvis Moura

23/01 A Esquerda: Brasil¬† e Mundo no P√≥s-Guerra ‚Äď ¬†Teresinha Ferrari

Textos de apoio:

 

24/01 Os movimentos de liberta√ß√£o na √Āfrica e suas influ√™ncias no Movimento Negro brasileiro – Deivison Mendes Faustino (Deivison Nkosi)

textos de apoio:

A consci√™ncia negra e a busca da verdadeira humanidade –¬†Bantu Stephen Biko

O Pan-africanismo e a forma√ß√£o da OUA – √Črica Reis de Almeida

 

 

Local: 

N√ļcleo de Consci√™ncia Negra na USP

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