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Morre Nehanda Abiodun, ela viveu em Cuba muitos anos como exilada pol√≠tica dos Estados Unidos( √© seu termo; o FBI prefere a express√£o ‚Äúfugitiva da justi√ßa dos EUA‚ÄĚ).

Nehanda Isoke Abiodun, refugiada em Cuba há mais de 30 anos, morreu em Havana no dia 30 de janeiro, confirmou a Organização do Novo Povo Afrikan(NAPO).

Nehanda Isoke Abiodun

Abiodun – Cheri Laverne Dalton antes de adotar o nome africano – era uma veterana da Rep√ļblica da Nova √Āfrica, uma organiza√ß√£o que procurava criar uma na√ß√£o negra independente no sul dos Estados Unidos.

Ela era suspeita de conspirar com membros do Weather Underground e do Ex√©rcito de Liberta√ß√£o Negra, autoproclamados revolucion√°rios que cometeram uma s√©rie de atentados e seq√ľestros dom√©sticos nas d√©cadas de 1960 e 1970, no que chamaram de resist√™ncia ao governo dos EUA.

Os radicais desses grupos foram acusados ‚Äč‚Äčde atacar alvos do governo e ajudar outra ativista, ¬†Assata Shakur (conhecida como Joanne Chesimard), a fugir em 1979 de uma pris√£o estadual de Nova York. Shakur foi condenada pelo assassinato de um policial estadual de Nova Jersey em um tiroteio em 1973. Os grupos apoiaram suas atividades com assaltos √† m√£o armada.

Abiodun foi acusada em 1982 de conspira√ß√£o, extors√£o e outras acusa√ß√Ķes no roubo de um ve√≠culo blindado em 1981, no qual dois policiais e um guarda de seguran√ßa foram mortos. Ela foi para o subterr√Ęneo antes de ser processada e nunca foi capturada.

Ela nunca admitiu ter participado dos crimes, mas defendeu os perpetradores. E admitiu que tampouco tinha simpatia pelos policiais que morreram no roubo.

“Eles estavam defendendo as pol√≠ticas genocidas e opressivas dos Estados Unidos”, disse ela. “Eles eram soldados que estavam em guerra com a gente.”

Mas se eu ajudei ou n√£o a soltar Assata, direi que estou orgulhosa de ser acusada disso.¬†‚ÄĒNehanda Abiodun

site https://www.mxgm.org

Abiodun viveu na clandestinidade durante a maior parte da década de 1980 e se mudou para Cuba em 1990, onde recebeu asilo político. Lá ela se juntou a dezenas de exilados e refugiados americanos, incluindo Assata Shakur. Também participou da fundação da New Afrikan People’s Organization (NAPO) and an Organizer for the Malcolm X Grassroots Movement (MXGM)( Organização do Novo Povo Afrikan (NAPO) e organizadora do Movimento Malcolm X Grassroots (MXGM).

 

Declaração sobre a transição de Nehanda Isoke Abiodun

site https://www.mxgm.org

O Novo Movimento de Independência Afrikan e o movimento antiimperialista mundial perderam uma poderosa guerreira, companheira e irmã. Nossa companheira, Nehanda Isoke Abiodun, membro fundador da Organização do Novo Povo Afrikan (NAPO) e organizadora do Movimento Malcolm X Grassroots (MXGM), morreu no início da manhã de 30 de janeiro de 2019. Ela estava vivendo no exílio em Havana. Cuba onde residiu por mais de 30 anos representando nossa luta para o povo cubano e a comunidade internacional.

Nehanda vivia entre as pessoas de base em sua pequena comunidade de Havana, organizando, educando e orientando a juventude cubana, bem como dezenas de jovens afro-americanos (afro-americanos) que viajavam a Cuba para fins educacionais; ganhar educação médica; ou simplesmente aprender mais sobre a Revolução Cubana.

Nehanda tornou-se conhecida como a “madrinha” do hip hop cubano por causa de sua influ√™ncia e incentivo a jovens rappers cubanos e artistas de hip-hop que criavam uma cultura exclusivamente hip-cubana de hip-hop. Ela conectou jovens artistas locais, com o apoio do Cap√≠tulo de Nova York do MXGM, a jovens artistas emergentes do Novo Afrikan dos EUA – como Jay Z, Dead Prez, Common, Zayd Malik e Mos Def. Eles foram apresentados √† revolu√ß√£o cubana atrav√©s das Confer√™ncias MXGM Black August Hip-Hop.

No espírito de Frantz Fanon e Che Guevara, Nehanda era um verdadeiro antiimperialista e internacionalista que apoiou firmemente seu lar adotivo em Cuba, enquanto defendia de todo coração a luta de libertação nacional de sua própria nação, Nova Afrika, contra o Império colonial dos EUA.  

Mama Nehanda tamb√©m era uma Nova Afrikan Womanist. Ela foi co-fundadora da Organiza√ß√£o das Mulheres de Nova Afrikan, que precedeu a For√ßa Tarefa de Nova Afrikan para Mulheres da NAPO antes do ex√≠lio. Em Cuba, organizou tr√™s confer√™ncias internacionais de mulheres co-patrocinadas pela Federa√ß√£o de Mulheres Cubanas (FMC) e a For√ßa-Tarefa de Mulheres Nova Afrikan (NAWTF). Isso permitiu que as mulheres nacionalistas revolucion√°rias do Novo Afrikan trocassem id√©ias e discutissem o apoio m√ļtuo para as lutas das mulheres novas Afrikan e das mulheres cubanas. Ela facilitou o convite da For√ßa-Tarefa das Novas Mulheres Afrikan para ser palestrante em duas confer√™ncias internacionais de mulheres em Cuba para representar o movimento de independ√™ncia de Nova Afrikan e as mulheres de Nova Afrikan. ¬†¬†

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Nehanda introduziu a nova cultura revolucion√°ria Afrikan na comunidade internacional de jovens que constantemente flu√≠am para Cuba. Ela iniciou um jantar anual de agradecimento ‚Äúanti-imperialista‚ÄĚ, convidando expatriados, exilados e pessoas da comunidade. Ela realizou viagens e ensinou aulas de educa√ß√£o pol√≠tica, o que encorajou muitos jovens a apoiar o Novo Movimento de Independ√™ncia Afrikan e as lutas internacionalistas revolucion√°rias. Ela tamb√©m organizou uma celebra√ß√£o anual do Kwanzaa para a comunidade e engajou continuamente representantes internacionais, jornalistas e acad√™micos que visitaram Cuba. ¬†

Mesmo antes de seu ex√≠lio, e antes de se tornar um quadro da NAPO e organizadora da MXGM, Mama Nehanda era funcion√°ria do governo do Governo Provis√≥rio da Rep√ļblica da Nova Afrika (PGRNA) e foi editora do jornal The New Afrikan . A camarada-irm√£ Nehanda tamb√©m foi funcion√°ria da Coaliz√£o Nacional dos Direitos Humanos Negros, uma pr√©-forma√ß√£o para a NAPO e ajudou a organizar a mobiliza√ß√£o da NBHRC de 5.000 pessoas √†s Na√ß√Ķes Unidas em novembro de 1979 tr√™s dias depois que o Ex√©rcito de Liberta√ß√£o Negra libertou a irm√£ Assata Shakur da pris√£o.

Nehanda foi for√ßada ao ex√≠lio de sua casa depois de ser acusada junto com sua amiga e camarada Dr. Mutulu Shakur por seu suposto envolvimento na liberta√ß√£o de Assata Shakur em 1979, bem como pela expropria√ß√£o de 1981 de um caminh√£o Brinks em Nyack, Nova York. O governo dos EUA alega que isso foi feito em apoio √†s escolas de liberdade, organiza√ß√£o pol√≠tica e desenvolvimento de institui√ß√Ķes revolucion√°rias. Apesar de ser for√ßada √† clandestinidade, ela continuou seu trabalho revolucion√°rio e compromisso com o povo novo Afrikan.

Apesar de estar isolada de sua fam√≠lia, ela continuou seu trabalho revolucion√°rio e compromisso com o povo Afrikan. Ela √© o melhor exemplo do que Baba Chokwe Lumumba, o falecido presidente do NAPO, ensinou. Ela tinha um grande amor pelo povo porque entendia, como Chokwe disse: “Se voc√™ n√£o ama as pessoas, mais cedo voc√™ vai trair as pessoas”. Nehanda Isoke Abiodun amava o povo novo Afrikan e serviu a Nova Na√ß√£o Afrikan para a sua morte.

Viva o espírito revolucionário de Nehanda!

Ainda em pé!

Asè!

[su_highlight]Originalmente publicado no site Declaração sobre a transição de Nehanda Isoke Abiodun [/su_highlight]