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Conflito no Mali

O que levou a França a intervir no conflito do Mali? Quais os interesses em jogo?

Por Rafaela Ara√ļjo Santana ‚Äď Graduada em Rela√ß√Ķes Internacionais e integrante do Grupo KILOMBAGEM.

Introdução

Este breve artigo tem como objetivo relatar o conflito e explicar por qual motivo decorre a atual guerra no Mali. A pesquisa menciona os principais protagonistas no conflito do pa√≠s e no cen√°rio internacional. O artigo buscar√° explicar as raz√Ķes que levaram a Fran√ßa intervir no conflito. Como este conflito √© um acontecimento recente e ainda est√° em andamento, o texto usou como fonte as principais not√≠cias divulgadas pelos meios de comunica√ß√£o virtual e artigos j√° publicados sobre o conflito.¬†

O Mali √© um pa√≠s africano sem sa√≠da para o mar na √Āfrica Ocidental, o nome oficial √© Rep√ļblica do Mali, e sua capital √© Bamako. √Č o s√©timo maior pa√≠s do continente africano, e faz fronteira com sete pa√≠ses, no norte pela Arg√©lia, a leste pelo N√≠ger, a oeste Maurit√Ęnia e Senegal e ao Sul pela Costa do Marfim, Guin√© e Burquina Fasso. Com uma popula√ß√£o em torno de 16 milh√Ķes de habitantes, a l√≠ngua oficial √© o franc√™s, mas h√° diversas l√≠nguas utilizadas por v√°rios grupos √©tnicos, cerca de 80% da popula√ß√£o pode se comunicar em Bambara, que √© a principal l√≠ngua vincular no Mali. A popula√ß√£o √© predominante rural, e entre 5% a 10% s√£o n√īmades. Mais de 90% da popula√ß√£o vive no sul, especialmente no Bamako, que tem mais de um milh√£o de habitantes.

Entre os recursos naturais do pa√≠s est√£o: o ouro, o ur√Ęnio, o fosfato, o sal e o calc√°rio, e como veremos mais abaixo, a disputa internacional pelo acesso destes bens ajuda a entender a maioria dos conflitos nesta regi√£o. Os principais parceiros econ√īmicos no Mali s√£o a Costa do Marfim, a Fran√ßa, a Rep√ļblica Popular da China e a B√©lgica. Aproximadamente 90% da popula√ß√£o s√£o mu√ßulmanos, e 5% s√£o crist√£os, os demais correspondem √† religi√Ķes tradicionais. As mulheres participam da vida pol√≠tica e geralmente n√£o usam v√©us. De acordo com a Constitui√ß√£o, o Estado √© laico e fornece a liberdade religiosa. ¬†O IDH (√ćndice de desenvolvimento humano) do pa√≠s √© muito baixo (0,344), quase a metade da popula√ß√£o vive abaixo da linha da pobreza.

 

Antecedência do conflito            

A coloniza√ß√£o francesa na regi√£o do Mali iniciou em 1880, tornando-se oficial em 1890. A regi√£o foi recortada administrativamente por diversas vezes, passando a receber nomes como: Sud√£o Frances, Alto Senegal e N√≠ger, at√© 1945. As fronteiras geogr√°ficas impostas pela Europa desconsiderava as organiza√ß√Ķes pol√≠ticas-territoriais preexistentes √† coloniza√ß√£o, dividindo alguns povos e aglutinando arbitrariamente na√ß√Ķes distinta sob o mesmo Estado. Ap√≥s a Segunda Guerra Mundial, iniciou o processo de descoloniza√ß√£o do continente africano. Em 1960, a regi√£o se tornou oficialmente independente, e o territ√≥rio passou a ser chamado de Federa√ß√£o do Mali. Nesta regi√£o, faziam parte Senegal, Dahomey (atual Benin) e Alto Volta (atual Burkina Faso), mas desconfian√ßas militares os separam, e o Mali passou a adotar o nome, bandeira e o territ√≥rio atual.

Ap√≥s a independ√™ncia, o pa√≠s teve oito anos de governo socialista, com partido √ļnico e la√ßos fortes com a Uni√£o Sovi√©tica, sob o comando de Modibo Keita. As tentativas de reforma agr√°ria do governo socialista geraram revoltas nas tribos tuaregues no Norte. Esta pol√≠tica era vista pelos tuaregues como uma nova forma de coloniza√ß√£o. Esta tribo n√£o aceitava ceder suas terras, porque alegavam n√£o terem sido convidados a fazer parte deste governo. O sonho dos tuaregues de alcan√ßar a independ√™ncia t√£o esperada, o desejo de constituir um estado aut√īnomo, chamado de Azawad, e com a marginaliza√ß√£o e discrimina√ß√£o que eles viviam, propiciou em 1962, a primeira rebeli√£o. Ap√≥s sangrentas repress√Ķes, em 1964 os tuaregues acabaram derrotados.

Ap√≥s um golpe militar liderado por Moussa Traor√© em 1968, o governo de Modibo Keita foi derrubado. Ap√≥s o golpe, este per√≠odo foi marcado por instabilidade pol√≠tica, opress√£o, v√°rias tentativas de golpe de Estado, revoltas estudantis em todo pa√≠s e crescente insatisfa√ß√£o na regi√£o norte. Na d√©cada de 70 e 80 foram marcados por uma forte seca, que atingiu as regi√Ķes tuaregues, resultando no aumento da marginaliza√ß√£o dessa popula√ß√£o. Neste per√≠odo, o fluxo de tuaregues migrando para pa√≠ses vizinhos e para √°rea urbanas em busca de trabalho aumentou consideravelmente.

Em junho de 1990 em virtude de descontentamento com o governo, ocorreu a segunda rebeli√£o. Os tuaregues alegaram que os recursos que o Mali havia ganhado atrav√©s da ajuda humanit√°ria internacional, em virtude do problema ambiental, n√£o chegaram ao norte. Eles questionavam que a utiliza√ß√£o do recurso foi usada em constru√ß√Ķes privadas na capital Bamako. Est√° rebeli√£o contou com ajuda de tuaregues no norte do Mali, na Arg√©lia e na L√≠bia. Ap√≥s v√°rios meses de confronto, o governo assinou um acordo de paz, mediado pela Arg√©lia. ¬†Em virtude desse conflito, ocorreu mais um golpe de estado, seguindo de um governo de transi√ß√£o e a realiza√ß√£o de uma nova constitui√ß√£o.

Em 1992, Alpha Oumar Konar√© venceu a elei√ß√£o presidencial democr√°tica. Na √ļltima d√©cada do s√©culo XX, o Mali passou por um processo de abertura pol√≠tica. Ap√≥s sua reelei√ß√£o em 1997, o presidente Konar√© estimulou reformas pol√≠ticas e econ√īmicas, e buscou combater a corrup√ß√£o. Em 2002, foi substitu√≠do pelo general Amadou Toumani Tour√©, que liderou outro golpe de estado contra os militares e imp√īs a democracia. Entre 2006 a 2008, foi marcado por novos levantes, caracterizando a terceira rebeli√£o. Com a rebeli√£o, foi interrompida a produ√ß√£o de ouro nas montanhas do N√≠ger, e o conflito acabou ap√≥s um tratado de paz, mediado novamente pela Arg√©lia.

O conflito no Mali desde a segunda rebeli√£o contou com atores externos. Ap√≥s a primeira rebeli√£o, muitos tuaregues migraram para pa√≠ses vizinhos, principalmente para L√≠bia, em busca de trabalho na ind√ļstria do petr√≥leo, e partir da d√©cada de 70, buscando fazer parte das for√ßas militares de Muammar Kadafi. O l√≠der da L√≠bia recrutou muitos tuaregues nas for√ßas armadas, e muitos deles voltaram ao Mali treinados e experientes no final da d√©cada de 80, e se engajaram na segunda rebeli√£o.¬† O governo da L√≠bia chegou a ser acusado de ajudar os tuaregues durante o levante, fornecendo informa√ß√Ķes, treinamentos e armas. A quarta rebeli√£o que ainda est√° em andamento,

Conflito atual

Em Dezembro de 2011, foi criado o Movimento Nacional pela liberta√ß√£o de Azawad (MNLA), e o objetivo principal do grupo seria a liberta√ß√£o da popula√ß√£o tuaregues da ocupa√ß√£o do territ√≥rio pelo Mali. Em Janeiro de 2012, o MNLA come√ßou a atacar √† regi√£o do norte do pa√≠s, dando in√≠cio a quarta rebeli√£o. O grupo acusava o governo de n√£o cumprir com as promessas em rela√ß√£o √† popula√ß√£o tuaregue. Entre Janeiro a Abril de 2012, o MNLA atacou as bases militares no norte do Mali, nas principais regi√Ķes de Gao, Kidal e Timbuctu. No m√™s de Mar√ßo, os insurgentes ganharam muito terreno, conquistando cidades sem enfrentar a oposi√ß√£o do governo.

Com uma grande crise pol√≠tica e instabilidade, o governo de Moussa Traor√© sofre um golpe militar no dia 22 de Mar√ßo, e √© desposto pelo capit√£o Amadou Haya Sanogo. Um m√™s depois do golpe, o MNLA j√° havia tomado o controle da regi√£o norte do pa√≠s, declarando a independ√™ncia do Azawad. O golpe foi condenado pela Uni√£o Africana, CEDEAO (Comunidade Econ√īmica dos Estados da √Āfrica Ocidental) e pelo Conselho de Seguran√ßa da ONU. Ap√≥s negocia√ß√Ķes com os pa√≠ses vizinhos, em 6 de Abril, foi acordado que o pa√≠s seria governado por Diounconda Traor√© interinamente. Neste per√≠odo, o MNLA visando garantir a independ√™ncia, aliou-se ao grupo isl√Ęmico Ansair Dine (Defensores da F√©), ao MUJ√ÉO (Movimento pela Unidade e Jihad na √Āfrica Ocidental) e ao QIM (sigla em ingl√™s da Al Qaeda no Magreb isl√Ęmico).

O Ansar Dine (Defensores da F√©) surgiu no primeiro semestre de 2012 e sua principal lideran√ßa foi um membro do MNLA, o Iyad Ag Ghaly. Este grupo ganhou destaque internacional em Abril de 2012, quando tomou a cidade de Timbuktu e anunciou o Jihad contra os oponentes do Shariah. Basicamente o Jihad √© um conceito da religi√£o isl√Ęmica e significa ‚Äúempenho‚ÄĚ, ‚Äúesfor√ßo‚ÄĚ, √© uma luta pessoal em busca da f√© perfeita. J√° o Shariah √© a lei isl√Ęmica, um c√≥digo de leis que rege a vida das pessoas dentro do Islam. O objetivo principal desse grupo, √© aplicar o Shariah no Mali e expulsar a influ√™ncia Ocidental sobre o pa√≠s.

O MUJAO surgiu em Dezembro de 2011, e o seu principal objetivo √© lan√ßar a Jihad em toda √† √Āfrica Continental, este movimento n√£o restringe apenas no Mali, este √© um dos aspectos que o diferencia do Ansar Dine. O grupo conta com apoio internacional, e al√©m do Mali, o movimento MUJAO possuem militantes na Arg√©lia, Costa do Marfim, G√Ęmbia, Gana, Guin√©, Maurit√Ęnia, Arg√©lia, N√≠ger, Senegal e Som√°lia.

Intervenção francesa

Ap√≥s insurgentes amea√ßaram tomar a capital, em janeiro de 2013, o governo do Mali pediu ajuda √† Fran√ßa, que concordou em intervir no conflito. Fran√ßa tratou de assegurar a legitimidade da interven√ß√£o no conflito atrav√©s do Conselho de Seguran√ßa da ONU. ¬†Buscou apoio pol√≠tico dos Estados Unidos, e de seus parceiros europeus. Ap√≥s as ofensivas militar, os franceses desencadearam iniciativas diplom√°ticas para que os pa√≠ses africanos, principalmente os vinculados √† Comunidade Econ√īmica dos Estados da √Āfrica Ocidental (ECOWAS) comprometessem efetivamente enviando tropas, para Paris esta medida √© considerada de grande import√Ęncia, haja visto que maquia os verdadeiros interesses pol√≠ticos e econ√īmicos da ex-metropole no territ√≥rio africano.

A Fran√ßa conseguiu apoio log√≠stico para interven√ß√£o de v√°rios pa√≠ses europeus, foram disponibilizados avi√Ķes e outros tipos de suportes. O mais importante foi apoio pol√≠tico na interven√ß√£o, haja visto que a Fran√ßa n√£o precisa de ajuda para intervir no Mali. Os franceses disp√Ķem de bases militares equipadas para este tipo de opera√ß√£o, e possuem veteranos experientes na √Āfrica, e est√£o acostumados a entrar em opera√ß√£o em pa√≠ses africanos, logo as tropas francesas n√£o tiveram dificuldade na mobiliza√ß√£o no territ√≥rio.

A Fran√ßa como ex-pot√™ncia colonial, ap√≥s o processo de descoloniza√ß√£o continuou mantendo a maior parte das suas ex-col√īnias como zonas de influ√™ncia. Os franceses mantiveram sua pol√≠tica ativa para maior parte das ex-col√īnias, mantendo industrias de explora√ß√£o mineral e bases militares em diversos pa√≠ses e interferindo nos assuntos internos desses pa√≠ses. A explora√ß√£o dos recursos naturais em algumas das antigas col√īnias permaneceram sendo atividades quase exclusivas de empresas francesas, tais como a minera√ß√£o de ur√Ęnio e outros recursos minerais estrat√©gicos. As interven√ß√Ķes e perman√™ncia de base militar na √Āfrica, s√£o vistas como certa naturalidade para a sociedade francesa, mesmo sendo o √ļnico pa√≠s europeu ainda se comportar dessa maneira. Sucessivos governos tanto da direita como da esquerda, mantiveram essa tradicional pol√≠tica no continente africano.

No dia 14 de Janeiro de 2013, tropas francesas realizaram bombardeiros na regi√£o de Tombuctu, est√° regi√£o tomada pelos rebeldes, possuem 26 bibliotecas com 700 mil manuscritos dos s√©culos 13 a 20 em l√≠nguas √°rabes e africanas. Os manuscritos s√£o muito importantes para a reflex√£o sobre as tradi√ß√Ķes escritas na √Āfrica. Os manuscritos versam sobre temas como matem√°tica, qu√≠mica, f√≠sica, √≥tica, astronomia, medicina, hist√≥ria, geografia, ci√™ncia isl√Ęmica, leis, e tratados, jurisprud√™ncia e entre outros. O conflito na regi√£o levou a UNESCO a fazer um apelo para que todas as for√ßas militares no Mali fa√ßam esfor√ßos para proteger o patrim√īnio cultural. Uma carta assinada pelo diretor geral da entidade, Irina Bokova, foi enviada √†s autoridades francesas e malineses, invocando a Conven√ß√£o de Haia, de 1954: “O patrim√īnio cultural do Mali √© uma joia cuja prote√ß√£o √© importante para toda a humanidade. Ele carrega a identidade e os valores de um povo. A atual interven√ß√£o militar deve proteger as pessoas e assegurar este patrim√īnio‚ÄĚ, defendeu.

No sexto dia da interven√ß√£o, as tropas francesas, em conjunto com o ex√©rcito do Mali, iniciaram as opera√ß√Ķes e os combates terrestres. Os combatentes contam com tanques e equipamentos com caracter√≠sticas de combate de guerra. No in√≠cio da interven√ß√£o, as tropas terrestres se concentraram em cidades controladas pelo governo e pr√≥ximas aos postos dos rebeldes. A ofensiva obteve progresso significante em uma semana. Ap√≥s dias de batalhas, em 18 de janeiro de 2013, foi confirmada a retomada das cidades Konna e Diabali pelo ex√©rcito franc√™s. Um dia antes, um grupo de 60 pessoas em Londres protestou contra a interven√ß√£o francesa no Mali, os manifestantes exigia a retirada das tropas, o grupo traziam cartazes com a frase ‚Äúa sharia era a √ļnica solu√ß√£o para o Mali‚ÄĚ.

Em janeiro de 2013, o conflito no Mali ganhou propor√ß√£o internacional em decorr√™ncia de um sequestro ocorrido em uma refinaria de g√°s no Saara argelino. Ap√≥s a ofensiva militar argelina contra o sequestro, mais de 30 pessoas foram mortas, no dia 19 de janeiro. O militante isl√Ęmico Mokhtar Belmokhtar, foi o respons√°vel pelo atentado. Ele afirmou que o objetivo era exigir o fim da interven√ß√£o francesa no Mali. A Fran√ßa e Gr√£-Bretanha, defenderam a opera√ß√£o militar argelina. ‚ÄúUm pa√≠s como a Arg√©lia teve as respostas que, a meu modo de ver, s√£o as mais adequadas porque n√£o poderiam haver negocia√ß√Ķes‚ÄĚ, disse o presidente socialista franc√™s, Fran√ßois Hollande, sobre a opera√ß√£o que terminou em massacre.

Autoridades francesas confirmaram que centenas de militares isl√Ęmicos foram mortos no norte do pa√≠s, durante uma opera√ß√£o para expulsar grupos denominados pela Fran√ßa e por muitos meios de comunica√ß√£o como islamistas radicais e terroristas. A informa√ß√£o foi confirmada pelo ministro de Defesa Jean Yves Le Drian. Ele disse que os ataquem a√©reos continuam. A Fran√ßa mant√©m cerca de 4 mil militares no Mali. O governo franc√™s anunciou que reduzir√° para 1.000 o n√ļmero de militares franc√™s no Mali, at√© o final do ano. A retirada das tropas come√ßou em abril.

Crise humanit√°ria

Timbuctu

O conflito desencadeia uma crise humanit√°ria no pa√≠s, a ONU auxilia a popula√ß√£o do Mali que procuram abrigo fora do seu pa√≠s. Em alguns pa√≠ses vizinhos ao Mali, foram instalados campos provis√≥rios para abrigar os refugiados. Segundo dados do Alto Comissariado das Na√ß√Ķes Unidas para Refugiados, o conflito gerou mais de 150 mil refugiados e cerca de 200 mil deslocados internos em 2012. Os refugiados na sua grande maioria s√£o tuaregues, e eles t√™m buscados abrigo em Burkina Faso, N√≠ger, Maurit√Ęnia e Arg√©lia, estes pa√≠ses possuem recursos escassos e t√™m sofrido problemas socioecon√īmicos.

Considera√ß√Ķes finais:

A regi√£o vive na pele as consequ√™ncias de fronteiras impostas em fun√ß√£o de interesses imperialistas europeus, resultando em problemas que se arrastam at√© hoje. Diversas na√ß√Ķes foram fracionadas e/ou aglutinadas arbitrariamente sob o mesmo territ√≥rio a partir de hierarquias artificialmente criadas e desigualdades de toda ordem entre os povos. As lutas por independ√™ncia e descoloniza√ß√£o do continente, dado √†s constantes sabotagens que foi submetida, n√£o avan√ßaram a ponto de superar estes problemas, tal como foi pensado por Lumumba, Nkrumah, Diop e Fanon. O resultado disso, em diversos pa√≠ses africanos √© a perman√™ncia de instabilidades constantes.

Para piorar, o continente africano √© muito rico em mat√©ria prima √ļtil √† grande ind√ļstria americana e europeia, e uma vez que n√£o poderia abrir m√£o destes recursos, √© a pr√≥pria Europa e os Estados unidos que fomentam e alimentam estes conflitos de forma a gerir indiretamente o acesso √†s mat√©rias primas.

A interven√ß√£o francesa no conflito est√° longe de ser em prol da popula√ß√£o local, e sim puro interesse econ√īmico na regi√£o, logo a interven√ß√£o tem car√°ter defensivo e protecionista. O fato, √© que todos eles est√£o inseridos em um contexto no qual o Estado n√£o consegue atender minimamente as intensas demandas sociais de sua popula√ß√£o, principalmente as parcelas que vivem mais afastadas da capital. O problema n√£o s√≥ no Mali, mas em outros pa√≠ses africanos s√£o resqu√≠cio do Neocolonialismo, que deixam os pa√≠ses vulner√°veis ao imperialismo e a coopta√ß√£o dos governos, e acabam naufragando-os na pobreza generalizada e na falta de pol√≠ticas p√ļblicas.

 

Referências:

NOVAES, João: História do Mali é marcada por conflitos separatistas desde o início do século XX. Da colonização francesa até a guerra na Líbia, conflitos do passado ajudam a explicar crise atual. Disponível em: <http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/26660/historia+do+mali+e+marcada+por+conflitos+separatistas+desde+o+inicio+do+seculo+xx+.shtml> Acesso em 21 jul. 2013.

OLIVEIRA, Ana Paula Ferraz: Conflito no Mali coloca patrim√īnio da humanidade em risco. Tomada pelas for√ßas rebeldes, regi√£o de Tombuctu abriga 26 bibliotecas e 700 mil manuscritos dos s√©culos 13 a 20 em l√≠nguas √°rabes e africanas. Dispon√≠vel em: <http://www.cartacapital.com.br/cultura/conflito-no-mali-coloca-patrimonio-da-humanidade-em-risco> Acesso em 21 jul. 2013.

FILHO, Pio Netto: Jihadismo e Intervenção Francesa no Mali. Disponível em:< http://mundorama.net/2013/01/22/jihadismo-e-intervencao-francesa-no-mali-por-pio-penna-filho/> Acesso em 24 jul. 2013.

DUARTE, Geraldine Rosas: O conflito no Mali: origens e dimensão internacional. Disponível em: http://pucminasconjuntura.wordpress.com/2013/03/01/o-conflito-no-mali-origens-e-dimensao-internacional/> Acesso em 24 jul.2013.

IBRAHIM, Habibah L: Sharia: Lei Isl√Ęmica (Introdu√ß√£o). Dispon√≠vel em: <http://amulhereoislam.wordpress.com/2011/10/11/sharialei-islamica-introducao/>. Acesso em 27 jul. 2013.

IBGE. Pa√≠ses ‚Äď Mali. Dispon√≠vel em <http://www.ibge.gov.br/paisesat/main.php>. Acesso em 29 fev. 2013.

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Revolta no norte do Mali (2012‚Äďpresente). Dispon√≠vel em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_no_norte_do_Mali_%282012%E2%80%93presente%29 Acesso em 27 jul. 2013.

Conflito no Mali já causou centenas de mortes. As autoridades da França confirmaram que centenas de militantes muçulmanos foram mortos durante a operação para expulsar grupos islamistas radicais do norte do país. Disponível em: <http://www.africa21digital.com/politica/ver/20030701-conflito-no-mali-ja-causou-centenas-de-mortes> Acesso em 28 jul. 2013

Fran√ßa reduzir√° tropas em conflito no Mali. A Fran√ßa anunciou que reduzir√° para 1.000 o n√ļmero de militares que lutam no Mali, at√© o fim do ano. Dispon√≠vel em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2013/03/130328_mali_franca_lk_rn.shtml> Acesso em 29 jul.2013

N√ļmero de mortos na Arg√©lia chega a 80 e pode aumentar. Dispon√≠vel em: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=9&id_noticia=204070> Acesso em 30 jul. 2013