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Domenico Lossurdo

Entrevista realizada no ver√£o de Julho de 2011 em Urbino, It√°lia.
Losurdo n√£o √© mais um divulgador do marxismo entre muitos. √Č um criador. Tal como os materialistas gregos, n√£o desconhece que o objectivo supremo do homem na aventura da vida √© a procura da felicidade poss√≠vel. E sabe tamb√©m que em poucas √©pocas ter√° sido t√£o dif√≠cil como hoje perseguir essa meta. N√£o √© de estranhar que o fil√≥sofo, nessa √Ęnsia de compreender para ensinar, tenha escrito sobre autores t√£o diferentes como Nietzsche, Hegel, Marx e L√©nine. Mas Domenico tem os p√©s bem fincados na terra. A teoria e a pr√°tica s√£o para ele complementares. Consciente dessa interac√ß√£o, o historiador est√°, como intelectual revolucion√°rio, permanentemente envolvido na solidariedade com as grandes causas da humanidade e na luta dos povos contra o imperialismo. Os seus artigos correm mundo na cr√≠tica √†s guerras de agress√£o imperiais contra os povos da Palestina, do Iraque, do Afeganist√£o, da L√≠bia e outros, na den√ļncia da participa√ß√£o do golpe dos EUA nas Honduras, na solidariedade com as FARC colombianas e com o povo iraniano. √Č reconfortante que neste mundo em crise de civiliza√ß√£o haja pensadores revolucion√°rios como Domenico Losurdo. Vai completar 70 anos e preparam-lhe merecidas homenagens em diferentes pa√≠ses. (fonte: Miguel Urbano Rodrigues)

 

 

 

 

Domenico Losurdo: O início com Hegel. Parte 1/12
Contato:
www.domenicolosurdoinfobrasil.blogspot.com

 

Os demais videos podem ser assitidos no nosso Canal  no Youtube

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Heidegger e Nazismo

Saiba mais sobre um dos Papas do irracionalismo pós-moderno e os seus vínculos com o Nazismo. Sua teoria, que  influenciou  diversos pensadores atualmente em voga, está intimamente interligada com a negação filosófica da emancipação humana.

 

Sequência da famosa série da BBC РHuman, All Too Human Рsobre filosofia. Este programa enfoca os aspectos biográficos do filósofo alemão Martin Heidegger: seu caso amoroso com Hannah Arendt, seu envolvimento com o Nazismo, e sua reabilitação como eminente filósofo depois da Segunda Grande Guerra.

 

A Sombra de Heidegger РPor José Pablo Feinmann,

“Com base em Nietzsche, Heidegger nos dizia que a vontade √© luta e que ela, para conservar-se, tinha que crescer sem jamais fazer cessar essa luta. O destino vital da vontade √© crescer. Para ela, crescer n√£o √© conservar-se – √© abominar conservar-se. Crescer √© conquistar e dominar, √© apoderar-se do espa√ßo vital que ela, a vontade, requer para sua expans√£o. Conserva√ß√£o e crescimento definem a vontade de poder. Que, em sua infinita for√ßa vital, sabe que s√≥ crescendo poder√° conservar-se. Como se cresce? Lutando. Somente pela luta se conquista o espa√ßo que a vontade exige, o espa√ßo vital. Donde a palavra luta soar poderosa naquele audit√≥rio febril. Soar nietzscheana Como¬†apenas Heidegger conseguiria fazer Niestzsche soar. Solar luta, conquista, expans√£o, guerra.

 

Chegou o final. Para aquele momento, Heidegger nos reservava uma surpresa erudita, mas feroz. Talvez poucos a tenham compreendido – em toda sua profundidade – ali mesmo. Soou igualmente gloriosa. Soou luta, guerra. “Queremos”, disse, “que nosso povo cumpra sua miss√£o hist√≥rica. Queremos ser n√≥s mesmos. Pois a for√ßa jovem e nova do povo, a qual j√° nos perp√ßassa, assim decidiu. No entanto, s√≥ compreenderemos plenamente o esplendor e a grandeza dessa arrancada quando tornarmos nossa a grande e profunda reflex√£o com que a velha sabedoria grega soube dizer que…” Deteve-se O sil√™ncio ribombava, ensurdecia. […] Todos esper√°vamos algo grande, desmesurado. […] Heidegger disse: “Tudo o que √© grande est√° em meio √† tempestade”. Percebi. Muitos perceberam. Era uma frase de Plat√£o. Ali√°s, da Rep√ļblica. Mas a palavra tempestade n√£o era plat√īnica. N√£o era sequer grega. Era a palavra que a SA escolhera para nome. Por que Heidegger disse Sturm? Plat√£o, eu fui conferir naquela mesma noite, dizia perigo. Dizia: “Tudo o que √© grande est√° em perigo”. Ou “corre o risco de perecer”. Mas n√£o tempestade. Sturm, filho, √© palavra do romantismo e da SA. A Se√ß√£o de Assalto recebeu esse nome desde seu primeiro combate de rua, em Munique, por volta de 1921 […]. R√∂hm e seus homens foram sempre, e sabidamente, a Sturmabteilung. Agora, com a palavra Sturm, Heidegger unira Plat√£o √†s tropas de assalto de R√∂hm. Mais uma vez, o in√≠cio nos dava a injun√ß√£o da grandeza.Era Plat√£o quem exigia que a SA fosse fiel¬†√† grandeza grega e √†¬†grandeza alem√£, as quais ela agora deveria assumir e levar ao triunfo.

 

O início é ainda. Tudo o que é grande está em meio à tempestade.

 

Heidegger (assinalado) entre seus pares das SA
Entre vivas, entre gritos de guerra, de alegria e de entusiasmo, entre hinos e can√ß√Ķes da SA, entre estandartes com su√°sticas agitados pelos ventos da tempestade (restava alguma d√ļvida disso?), entre bra√ßos erguidos que saudavam o F√ľhrer de Freiburg, entre ofensas aos comunistas, aos judeus, aos social-democratas, aos velhos professores que haveriam de ser expulsos, insultados, surrados, entre rugidos de Heil, Hitler! e, por fim, entre as palavras estrondosas, vociferantes, do hino da comunidade nacional, o genial autor de O ser o tempo, fil√≥sofo de nosso s√©culo, se retirou.”

José Pablo Feinmann, A Sombra de Heidegger

extraído do blog: http://caocamargo.blogspot.com.br/2011/11/o-perigo-das-palavras.html