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Fat Soldiers grupo de rap angolano, fala sobre seu novo single/videoclipe intitulado “Resili√™ncia”.

A cena do hip hop/rap angolano est√° marcada por um  grupo intitulado ‚ÄúFat Soldiers‚ÄĚ. ‚ÄúCria‚ÄĚ do bairro Boa Vista, um sub√ļrbio localizado no distrito urbano da Ingombota, Luanda. O grupo √© formado por Soldier V, Timomy e Daniel A.K.A.M.P,  eles come√ßaram com freestyle fruto da influ√™ncia do programa de rap big show cidade, e marcam oficialmente a sua estreia no panorama do rap angolano em 2010 com o lan√ßamento da primeira mixtape, ‚ÄúMentes da Rua‚ÄĚ.

cena da musica “eu me recuso” do Fat Soldiers

As M√ļsicas ‚ÄúEu me recuso‚ÄĚ, ‚ÄúVerdades‚ÄĚ e ‚ÄúBer√ßo de lata‚ÄĚ, do disco ‚ÄúSobreviventes vol. 1(2016)‚ÄĚ, senta o dedo na ferida,  pauta um discurso contra a pobreza e a desigualdade, denunciando as realidades suburbanas, a concentra√ß√£o de riqueza em um dos pa√≠ses com maior crescimento econ√īmico do continente africano, (Souza e Souza 2016).

Neste trabalho participaram Edzila, Nelo Carvalho e Kid Mc que recebeu o prêmio de melhor Mixtape do ano pelo prestigiado concurso Angola Hip Hop Awards.

Eles são conhecidos não só pela letras, Skills e performance mas também pela arte que trazem nos videoclipes fruto de um grande trabalho de equipe.

O √ļltimo videoclipe  lan√ßado(22/04/2019) pelo grupo chama-se ‚ÄúResili√™ncia‚ÄĚ, e como o Vanderson(Sodier V) √© parceiro, acompanho o ‚Äúmesmo ‚Äúmo cara‚ÄĚ nas redes sociais, por isso falou um pouco mais sobre esse √ļltimo ‚Äútrampo‚ÄĚ.  

Vanderson(Soldier V) explica que: o termo resili√™ncia no contexto do single que agora lan√ßamos, traduz o estado de esp√≠rito e a situa√ß√£o social que vivemos nos √ļltimos anos.

flyer da musica resiliencia do Fat Soldiers

Num ambiente de incertezas e escassez dos bens essenciais para sobreviv√™ncia digna do ser humano, urge resistir as atrocidades que nos afligem todos os dias, portanto, afigura-se imperioso continuar a lutar pelo que acreditamos e se “autoregenerar” mesmo quando parece imposs√≠vel alcan√ßar a vit√≥ria.

Outrossim, Resili√™ncia √© tamb√©m tomar a decis√£o certa, a decis√£o de continuar na contra-m√£o  de uma sociedade que subverteu a l√≥gica da moral sob orienta√ß√£o de pol√≠ticos cuja prioridade √© a manuten√ß√£o do poder.

O single vem acompanhado do v√≠deo clipe, e neste sentido, a interpreta√ß√£o do v√≠deo requer uma an√°lise minuciosa das cenas apresentadas para chegar a inten√ß√£o do v√≠deo. Criamos o v√≠deo com cenas que t√™m por tr√°s uma revela√ß√£o, e para chegar a tais revela√ß√Ķes requer-se um esfor√ßo interpretativo.

confira aqui o novo trampo dos manos!!!!


Fat Soldiers. Ate a Vitória Manos
Podes crer, nos teus ouvidos
√Č sempre n√≥s a fazer e Deus a aben√ßoar irm√£o
Até a vitória Niggas

Se ainda estamos em pé
A continuar a fazer
Mano não é só por nós

Fat Soldiers redes sociais

https://www.facebook.com/FatSoldiers/

Referência:SOUZA, Luana Soares de; SOUZA, Martinho Joaquim João. Entrevista com o grupo angolano “Fat Soldiers. Revista Crioula, São Paulo, v. 2, n. 18, p.252-265, 26 dez. 2016. Semestral. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/crioula/article/view/119346/121945>. Acesso em: 21 mar. 2019.

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No 1¬ļ clipe do grupo Conex√£o Diaspora, reuniram 4 MC‚Äôs, 5 idiomas e 2 continentes, na m√ļsica “Conex√Ķes”.

O grupo¬†Conex√£o Diaspora¬†que √© a reuni√£o de 4 MC‚Äôs, 5 idiomas unindo 2 continentes. S√£o Eles:¬†Kunta Kinte(Senegal),¬†Alomia¬†(Col√īmbia),¬†SJota¬†(Brasil) e¬†Bixop¬†(EUA). A uni√£o dos 04 rappers que atrav√©s dessa multidisciplinaridade faz com que o trabalho esteja rico em ritmo, melodias e rimas. Os Mcs trazem¬†consigo suas imparidades que se complementam nessa uni√£o.¬†Tudo isso unido a 1 trompetista, 01 DJ e 02 Backing vocal. Faz com que essa uni√£o multidisciplinar seja potente e marcante.
E dando o ponta p√© inicial nesse trabalho o grupo lan√ßou no √ļltimo m√™s de novembro seu primeiro single intitulado ‚ÄúConex√Ķes‚ÄĚ, m√ļsica que acaba de ganhar um v√≠deo clipe lan√ßado no √ļltimo dia 06/12.

O Show¬†consiste em abordar a necessidade da uni√£o dos Pretos,¬†delineando as ¬†conex√Ķes entre a di√°spora africana na modernidade e os movimentos de protesto que se espalharam por pa√≠ses e regi√Ķes perif√©ricas. O que torna o √°lbum √≠mpar pela multidisciplinaridade dos MCs e de seus trabalhos.¬†O percurso a ser percorrido ao ouvir Conex√£o Diaspora¬†¬†inclui di√°logos, estudos dedicados √†s manifesta√ß√Ķes art√≠sticas e intelectuais da Di√°spora ou a elas relacionada e que tamb√©m se ocupam do mapeamento da produ√ß√£o, art√≠stica, cultural e intelectual Preta.

O Repert√≥rio¬†inicia-se com uma apresenta√ß√£o atrav√©s da linguagem do r√°dio, presente na cultura de todos os pa√≠ses e elemento importante de dissemina√ß√£o da cultura hip hop pelo mundo, e logo depois √© apresentada a ideia de diaspora, da travessia do Atl√Ęntico, a mistura das culturas e a constru√ß√£o de suas particularidades em cada pa√≠s, por√©m todos vindas da mesma raiz, que √© o continente africano. Na sequ√™ncia √© apresentada as principais linhas de conex√Ķes, que √© o hip hop, cantado em 4 tons, mostrando toda a pot√™ncia dessa cultura e de cada um dos Mc‚Äôs, mas como ¬†a vis√£o de que o hip hop n√£o se limita unicamente a uma quest√£o est√©tica.

A Produ√ß√£o Musical √©¬†assinada pelo M√ļsico e Produtor Jonathas Noh que ¬†traz uma mistura cultural de ritmos, melodias e rimas, ¬†tendo como ponto central o hip hop e mesclando com a arte do sampler e arranjos precisos, ritmos como ¬†cumbia, salsa, samba, bossa nova, jazz e blues, estilos musicais todos eles, com suas sementes vindas da √Āfrica para germinar com sua particularidade e diversidade, em cada localidade onde encontra seu paradeiro, criando suas ra√≠zes e crescendo. O fruto √© esse encontro de riquezas, que se transformam com caracter√≠stica afro futuristas em Conex√£o Diaspora.

Produ√ß√£o de Conte√ļdo por entender que o Hip Hop √© agente transformador e que a m√ļsica tem poder educacional, o conex√£o Diaspora √© tamb√©m um aditivo no vi√©s educacional. ¬†√Č um trabalho potente em produ√ß√£o musical e de conte√ļdo.

As faixas perpassa pela história, cultura e literatura. Temos como referencial Abdias do Nascimento, Carlos Zappata, Cheik Diop e Malcon X. Nossas faixas tem rimas em Wolof / Francês representado pelo rapper Kunta, que enriquece e nos ensina através do seu dialeto e musicalidade.

O s√≠mbolo feminino de resist√™ncia e liberdade a est√° presente nas nossas m√ļsicas atrav√©s de ¬†Aline Sittoe diarra,Yacine boubou,Mame Diarra bosso, Mame fa dafa Welle, Rosa Parks e Winnie Mandela, as refer√™ncias utilizada para expressar a for√ßa e magnitude da mulher Preta.¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† Conex√£o Diaspora teve seu trabalho pautado em refer√™ncias liter√°rias, pol√≠ticas e muita pesquisa para que o conte√ļdo a ser desenvolvido em uni√£o com toda a produ√ß√£o musical e imparidade dos MC‚Äôs fizesse desse √°lbum um trabalho repleto de informa√ß√£o e conhecimento.¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬†

A ¬†Produ√ß√£o de conte√ļdo e gest√£o do conhecimento do Conex√£o Diaspora, √© assinada pela Karina Souza, Produtora Cultural ¬†e gestora de conte√ļdo da casa Quebrada Groove.

 A Produtora Quebrada Groove produtora independente oriunda do Capão Redondo tem por objetivo apoiar e difundir os artistas independentes e apoiar toda manifestação social, política e Cultural.  Atuando desde 2012 a Quebrada Groove tem dentro do seu escopo de trabalho o Quebrada Groove convida projeto que já gravaram artistas como: Opaninjé, Dory de Oliveira, Sistah Mari, Finu do Rap e tantos outros nomes da cena do Rap Br.  Em 2018 produz e lança o Conexão Diaspora.

O primeiro single do grupo está disponível em todas as plataformas digitais e em breve novos lançamentos viram por ai!

Elabora√ß√£o de Conte√ļdo: Karina Souza/SJota

Página Conexão Diaspora: https://www.facebook.com/conexaodiaspora
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“Filhos da √Āfrica”, clipe novo do grupo Bat Macumba Samba Reggae

Na segunda-feira dia 12 de novembro, o grupo Bat Macumba Samba Reggae nos apresentou o videoclipe “Filhos da Africa”, atrav√©s do olhar de uma crian√ßa negra, Aina Ribeiro, passa por uma situa√ß√£o de racismo e lembra do per√≠odo escravocrata toda vez que isso acontece, em um momento espec√≠fico o clipe presta homenagem a Luana, cidad√£ ribeir√£opretana assassinada pela PM v√≠tima de racismo institucional. A protagonista conquista autoestima no clipe quando escuta o grupo Bat Macumba Samba Reggae tocando pelas vielas da sua comunidade e se levanta para dan√ßar, quando se mistura ao grupo Aina passa a reconhecer a cultura negra e vivenciar v√°rias esferas da cultura tendo contato com o hip-hop, samba, candombl√©, capoeira e assim se orgulha de sua origem. O clipe tamb√©m faz men√ß√£o e homenageia v√°rios √≠cones da cultura negra Ribeir√£opretana.

O Bat Macumba Samba Reggae, grupo fundado em 2009, traz din√Ęmicas das m√ļsicas afro-baiana e jamaicana. Com composi√ß√Ķes que tem um forte apelo no combate ao racismo, na valoriza√ß√£o da mulher preta, no processo hist√≥rico africano – muito al√©m do negro escravizado, ou seja, elevando a auto-estima do povo negro com fundamentos e contund√™ncias no ritmo envolvente dos tambores.

Por acreditar que a m√ļsica est√° al√©m de ritmo e sonoridade, o grupo Bat Macumba Samba Reggae, de Ribeir√£o Preto-SP, apresenta o seu primeiro √°lbum -intitulado ‚ÄúMEUS ANCESTRAIS‚ÄĚ.

Com influ√™ncias no Afrocentrismo, ideologia cultural e pol√≠tica, baseia-sena centralidade da √Āfrica e africanos. Citando a popula√ß√£o negra da di√°spora, rompe com a hegemonia da cultura ocidental e prop√Ķe um olhar profundo para as cosmovis√Ķes ancestrais do continente m√£e.

O show √© composto por vinhetas muito bem elaboradas que se entrela√ßamaos tambores e √†s composi√ß√Ķes autorais, tendo como destaque a m√ļsica ‚Äú√Āfrica Perdida‚ÄĚ que relata e denuncia de forma clara e objetiva as iniquidades impostas pelo colonizador ao homem negro e √† mulher negra. Fatos que persistem na atualidade, por isso a urg√™ncia deste trabalho, com o intuito de conscientiza√ß√£o.

O grupo atualmente √© formado por: Rudah Felipe (voz, composi√ß√Ķes earranjos), Andrea Mille (voz e surdo e percuss√Ķes), Ariane Mille (voz e contra-surdo), Marcelo Barbosa (voz, concep√ß√£o eletr√īnica e caixa), Amarildo ‚ÄúBob J√ļnior‚ÄĚ Pereira (voz e timbal), Cau√™ Cesar (repinique) .

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EDUCAÇÃO SIGNIFICATIVA

José Evaristo Silvério Netto

(opini√Ķes do autor)

Estava pensando sobre os processos de significa√ß√£o, de identidade e identifica√ß√£o, e refletindo sobre a Educa√ß√£o e a Pedagogia Social. Invariavelmente, comecei a articular estas lucubra√ß√Ķes √†s minhas experi√™ncias quando prestigiando as interven√ß√Ķes do B√° Kimbuta em suas apresenta√ß√Ķes e falas, ou quando prestigiando o coletivo Mahins e as parcerias no lan√ßamento da sua colet√Ęnea de Rap (Sankofa, A‚ÄôS Trinca, Sharylaine, Lenice Moura), e outras experi√™ncias. E √© sobre a articula√ß√£o destes pensamentos e ac√ļmulo acad√™mico sobre Pedagogia com estas experi√™ncias vividas e sentidas que eu pretendo discorrer neste texto.

Qual a import√Ęncia do afeto para um processo educativo? Esta quest√£o √© importante na medida em que reconhecemos que para educar √© necess√°rio sensibilizar os alunos, para que estes identifiquem os conte√ļdos como importantes para a sua vida. Mais ainda, os alunos precisam participar do processo educativo ativamente, construindo o conhecimento junto com a professora (ou o professor). Para a constru√ß√£o do conhecimento muitas informa√ß√Ķes precisam ser trabalhadas, problematizadas, discutidas, informa√ß√Ķes que as professoras (ou os professores) e os alunos trazem. Assim, para que os alunos contribuam para o processo educativo, √© necess√°rio que este seja um processo significativo para a vida deles. Da mesma forma, √© necess√°rio que o processo seja significativo para a vida da professora (ou professor). Estes atores do processo de constru√ß√£o do conhecimento devem, portanto, estar envolvidos profundamente nesta atividade, motivados mediante um l√≥cus de percep√ß√£o de causalidade[i] interno, e n√£o externo.

O processo educativo deve sensibilizar alun@s e professoras (ou professores), acessando suas estruturas do afeto, da motivação, de modo que identifiquem as atividades desenvolvidas como importantes para si mesmos. Daí, a educação passa a emocionar professores e alunos, sensibilizando-os e promovendo uma participação engajada de ambos os atores para a construção de conhecimentos.

Como implementar um processo educativo que seja significativo para @s alun@s e para n√≥s professores? Um processo educativo significativo √©, via de regra, um processo onde nos enxergamos como protagonistas, e cujos valores e c√≥digos socioculturais e identit√°rios que fazem parte das nossas vidas estejam presentes. Esta ideia de educa√ß√£o significativa √© interessante porque rompe com os modelos e tend√™ncias pedag√≥gicas que hierarquizam os conte√ļdos do curr√≠culo, e o pr√≥prio curr√≠culo, entendendo este como um instrumento cristalizado. Embora n√£o fa√ßa parte do discurso da maioria dos professores, √© assim que muitos e muitas procedem no exerc√≠cio da profiss√£o, na escola, junto ao alunado.

√Č necess√°rio, e urgente, desenvolvermos tecnologias de ensino e de aprendizado que deem conta de lidar com as linguagens socioculturais e identit√°rias que fazem sentido para o alunado, que levem em considera√ß√£o o contexto de vida e a hist√≥ria dos alunos, de suas fam√≠lias, assim com da hist√≥ria de sua professora (ou seu professor) e seus familiares. Nesta linha de entendimento e orienta√ß√£o pol√≠tica-pedag√≥gica, entendo que √© importante que a escola e seus protagonistas do processo educativo, cada vez mais se aproximem dos movimentos sociais, promovendo um di√°logo que n√£o perca de vista a consci√™ncia dos pap√©is sociais que ocupam ‚Äď escola (representando o estado, com suas contradi√ß√Ķes) e movimentos sociais (representando o povo organizado, com suas contradi√ß√Ķes). O conflito e as contradi√ß√Ķes postas √† mesa, dentro e durante o processo educativo da/na escola, creio eu, promoveria o que estou nomeando de processo educativo significativo.

A import√Ęncia dos movimentos sociais, e aqui destaco o movimento Hip-Hop, se mostra, por exemplo, na apropria√ß√£o dos sentidos pelas crian√ßas contidos nas letras do Pedagogo Ba Kimbuta quando canta ‚ÄúVoa, poder sentir pra imaginar, imaginar para criar, produzir mas n√£o comprar, dividir √© n√£o vender, socializar, voltar na hist√≥ria, se informar..‚ÄĚ[ii]; ou quando o Pedagogo Robson diz no programa Mano e Minas ‚Äú… a gente tem que agir. Eu acho que o Hip-Hop esta ai para poder usar como arma a m√ļsica, a arte, para poder englobar a molecada, a rapaziada que esta na plateia, que esta entendendo isso. Sacar que o que o Fela Kuti fez √© o que o Nels√£o, o que a rapaziada aqui fez no passado, o que o Lino, o que voc√™, o que as posses… tentar fazer com que essa luta se conecte com alguma coisa que v√° para frente, que vai continuar mantendo a galera viva, primeira coisa √© manter vivo n√©. Por qu√™ como √© que voc√™ vai fazer arte sem estar vivo, certo?[iii]‚ÄĚ.

 

(foto: Coletivo Mahins)

 

O Hip-Hop √© um dos milh√Ķes de exemplos que podem trazer ao processo educativo identidade, sentido e consci√™ncia, para empoderar alun@s e professores. Quando a crian√ßa, geralmente Preta, geralmente moradora de um bairro perif√©rico, escuta um Rap, ela balan√ßa a cabe√ßa para cima e para baixo. Esta ai estabelecido o v√≠nculo indentit√°rio e significativo para uma pedagogia que se pretende social e humanizadora. Isso para falar apenas do Rap, mas s√£o in√ļmeras as express√Ķes do esp√≠rito humano que se mostram fontes importantes de conte√ļdos e c√≥digos identit√°rios e afetivos. O interessante de ouvir e sentir as letras de Educadores Sociais como o Rapper Ba Kimbuta √© que, ao tomarmos consci√™ncia do discurso e da est√©tica das m√ļsicas, rompemos com o modelo condicionado de gosto musical industrializado e capitalista, empreendido pelo processo de apropria√ß√£o privada do conhecimento humano. Este processo esta discutido no texto entitulado Sobre Educa√ß√£o e Apropria√ß√£o Privada do Conhecimento[iv].

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Quando as manifesta√ß√Ķes do esp√≠rito humano que pertencem √† realidade dos alunos se inscrevem no processo educativo como cultura ou linguagem universal, sem ser subvalorizada e destacada como diferente e ex√≥tica, faz humanizar e acessar os alunos, que se sentem contemplados e representados.

(Foto: Ba Kimbuta)


[i] Teoria da Percepção da Causalidade da Motivação

[iv] No link: http://kilombagem.org/sobre-educacao-e-apropriacao-privada-do-conhecimento-primeiras-consideracoes/

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Tenta me catar se for possível РBá Kimbuta

¬†Clip da m√ļsica ‘Tenta me Catar’ do √Ālbum Universo Preto Paralelo

 

Ficha Técnica
Direção РLeko moraes, Patrick (Maçãs Podres) e Thiago Moreira
Produção РTaís Lopes, João Garcia
C√Ęmera – Sebasti√£o Ot√°vio, Leko moraes
Edição РAndréa Souza (Comunidade Audiovisual РColetivo Caco de Tela), Leko Moraes, Thiago Moreira, Patrick (Maçãs Podres)
Roteiro: Ba Kimbuta, Patrick, Thiago Moreira, Leko moraes
Participação Especial РMC Soffia
Realiza√ß√£o – Ax√© Produ√ß√Ķes

 

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Download ‚Äď Universo Preto Paralelo

 

Universo Preto Paralelo √© o nome do primeiro trabalho de B√° Kimbuta. Um √°lbum com uma sonoridade incr√≠vel. Jazz, dub, samba, hip-hop, funk, afrobeat, entre outros sons, se fundem a voz marcante de Ba Kimbuta, servindo de pano de fundo para poesias fortes, que se aproximam do impacto de um soco no est√īmago. Racismo, machismo e luta de classes s√£o temas recorrentes que, com o peso do som, deixam um n√≥ na garganta de quem acredita de que n√£o h√° mais espa√ßo para a luta no Hip-Hop. Nas palavras do pr√≥prio Ba Kimbuta, √© paralelo porque ‚Äúa dimens√£o aqui √© diferente.. √© paralelo porque esconderam de n√≥s a for√ßa do candombl√©, a mandinga da capoeira, o gingado do samba. S√≥ sobrou √°lcool e bebedeira. Esconderam de n√≥s a contribui√ß√£o que a √Āfrica deu ao mundo antes dos Gregos no campo da filosofia, na matem√°tica, na medicina‚Ķ‚ÄĚ

Confere aí:

 

botao-kilombagem-down

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Universo Preto Paralelo

Fruto do hip-hop e da luta negra que conheceu na metade dos anos 1990, com a banda Uafro, B√° Kimbuta usa sua forma√ß√£o como percussionista, compositor e militante para espalhar sua mensagem. ¬†O polivalente MC lan√ßou recentemente o disco ‚ÄúUniverso Preto Paralelo‚ÄĚ, √°lbum que merece aten√ß√£o pela ousadia instrumental e ¬†tem√°tica pol√≠tica. No dia 30 de junho (s√°bado), √†s 21h,¬†B√° Kimbuta apresentar√° as m√ļsicas de seu novo disco no Teatro Clara Nunes, no centro de Diadema (SP). O CHH trocou uma ideia forte com o MC. Abaixo, leia a √≠ntegra da entrevista.

 

Central Hip-Hop (CHH): Bá Kimbuta por Bá Kimbuta…
Ba Kimbuta:¬†B√° Kimbuta √© um homen preto, fruto do movimento hip-hop e negro, que atua nas periferias de S√£o Paulo e ABC enquanto militante, e utiliza a m√ļsica como arma. √Č pai de tr√™s filhos: Kaique, Ayan e Luanda. Est√° em busca do conhecimento e da emancipa√ß√£o humana.

CHH: Pegando essa questão de ser homem preto, quando essa consciência veio à tona?
Ba Kimbuta:¬†Em 1996,¬†iniciei no hip-hop atrav√©s de uma banda chamada Uafro. Nesta √©poca, j√° observava as mazelas que o Estado, o colonialismo e capitalismo tinham deixado como heran√ßa. Percebemos porque os malucos envolvidos com o √°lcool e tr√°fico eram pessoas pretas, as empregadas dom√©sticas eram pretas, quem morava amontoado e de qualquer forma eram os pretos. A√≠, quando montamos a posse NegroAtividades e tivemos contato com as quest√Ķes pol√≠ticas e raciais. S√≥ tivemos a certeza de que era uma quest√£o hist√≥rica e estava ligada a √Āfrica.

CHH: E a Uafro? A construção musical da banda é impactante. Como chegaram a esse formato e por que não saiu um disco?
Ba Kimbuta: Uafro passou por uma transformação musical quando deixamos de fazer no formato DJ e MCs e começamos a introduzir elementos sonoros alternativos, tipo cano de pvc, tocar em latão mesclando cantos africanos…Só podemos ter essa sensibilidade quando nos aproximamos de nossa história. O Robson Dio teve a percepção e um olhar mais profundo sobre nossa história, e precisava ir além dos toca-discos.

O contexto politizado estava ganhando corpo, estávamos conhecendo Malcom X. Na época, as posses eram muito fortes, estavámos cheios de gás e os movimentos sociais ainda não eram ONGs. Estávamos em outro cenario politico: Era foda!!! O disco não saiu porque tivemos pontos de vista diferentes sobre esse aspecto de como trabalhar a informação e ela não virar só um produto. Então deixamos no gelo, mas a Uafro está viva, existe a possibilidade de voltar.

CHH: Ouvindo seu trabalho, percebe-se o teor afrocentrado. √Č vi√°vel ser afroncetrado no rap?
Ba Kimbuta:¬†O disco vai al√©m da quest√£o racial, apesar de ser o foco. Tentei trazer coisas do cotidiano, como a viv√™ncia no albergue, a quest√£o de g√™nero em ‚ÄúMarias‚ÄĚ, por exemplo. Mas a minha hist√≥ria √© essa, n√£o teria que ser diferente por fazer um disco de rap misturado com outras vertentes. Minha vida est√° ligada nessa vertente africana, na quest√£o de como a parada foi organizada pra n√≥s, como se desenrolou nossa sobreviv√™ncia depois da escravid√£o.

Então meu som é isso, mas penso que não podemos nos limitar, temos que nos apropiar de um todo, não ficar só no específico. Temos que discutir economia, que está na mão dos boys, educação, reforma agrária. divisão de terra, a violência contra as mulheres e tudo mais, sem perder o foco no específico.

CHH: Um dos discursos que andam em voga √© este: falar o que voc√™ pensa est√° esgotado, √© estar numa ‚Äúamarra‚ÄĚ que atrasou o rap nacional. O que pensa sobre isso?
Ba Kimbuta: Penso que existe vários equívocos. Se alguém afirmar que não existe mais racismo no Brasil, eu pediria para provar, pediria pra provar porque morremos mais, trabalhamos mais e ganhamos menos. Estamos sendo exterminados pela policia  e trocando tiros entre nós pra adquirir o que a burguesia consome e de uma forma muito mais violenta. Eu falo dessas paradas. Enquanto isso, o governo vende uma ideia de nova classe média e quem compra um carro do ano e uma TV de plasma está enquadrado nesse perfil.

CHH: E o CD ‚ÄúUniverso Preto Paralelo‚ÄĚ? Como foi concebido?
Ba Kimbuta:¬†Na banda Uafro, teve uma √©poca que o Raph√£o Alaafin fez parte e somou demais. Inovou com m√©trica, ideias e rimas. Como ele √© produtor tamb√©m ‚Äď tinha acabado de lan√ßar o EP ‚ÄúAmostra com Um Resultado Satisfat√≥rio‚Ä̬† ‚Äď ele come√ßou por pilha pra gente fazer um disco meu, com participa√ß√Ķes. Ent√£o planejamos reunir umas m√ļsicas e poesias e comecei a gostar da proposta. Era pra ser s√≥ umas cinco faixas, mas foi ganhando corpo e vida. A√≠ vai florindo, nascendo ideias novas, quando vi estava com 18 faixas.

O disco foi gravado no estudio N, com o Nefasto, depois finalizado no est√ļdio Casa, com DJ Crick.¬† ‚ÄúUniverso Preto Paralelo‚ÄĚ traz algumas participa√ß√Ķes que considero importante, como Denna Hill, Robson Dio, o Pr√≥prio Raph√£o, James Banto, GG, do Caos do Sub√ļrbio, e Cristina Silva. N√£o considero um trabalho solo, pois, sozinho, eu n√£o teria conseguido colocar na rua.¬† V√°rias pessoas est√£o envolvidas. Sem elas n√£o teria rolado, como Ax√© Produ√ß√Ķes, Kilombagem, Samba de Terreiro, Usina Preta, F√≥rum de Hip-Hop do ABC e v√°rias pessoas que somam.

CHH: E como est√° sendo a repercuss√£o?
Ba Kimbuta:¬†¬†Estou bem contente. Conseguimos fechar dois lan√ßamentos pesados: um no Quilombaque, em Perus, com um puta ax√© e identifica√ß√£o das pessoas. A capa √© de Leadro Valquer, um poeta, m√ļsico e artista pl√°stico que deu uma contribui√ß√£o monstro, junto com o olhar de Edson Ike que fechou a arte gr√°fica de uma forma fina, cheia de qualidade. As pessoas est√£o reconhecendo isso, por√©m algumas pol√™micas j√° come√ßam a¬† aparecer. Tipo: ser√° que ele quer montar uma Rep√ļblica Preta? O que ele est√° querendo? Com certeza ir√£o aparecer v√°rias cr√≠ticas, tamb√©m acho importante. Estou aberto pra receb√™-las, desde que tenham contexto.

Aqui sempre foi um problema os pretos se afirmarem. Isso incomoda, pois n√£o tem massagem, n√≥s n√£o criamos isso, j√° nascemos nisso. Estamos falando de ter acesso, de comer bem, viver bem, ter qualidade de ensino para nossos filhos, ser respeitado. Se eu optar ser de uma religi√£o de matriz africana, parar de tomar tapa na cara de policial: ele n√£o pede licen√ßa pra entrar na favela, chuta sua porta. Por que n√£o falar, n√£o denunciar? √Č isso, acho que minha arte √© pra isso: formar opini√£o, mas to ligado que inimigo √© de gra√ßa! Sei que isso tem um pre√ßo!

CHH: O que você vê na cena atual que te agrade e desagrada?
Ba Kimbuta:¬†Bem, √© preciso entender¬† o cen√°rio do movimento como um todo. Consigo ver os saraus como extens√£o do movimento, pois est√£o ligados a poesia e, tamb√©m, uma grande parte dos grupos de rap encontra espa√ßo para recitar seus versos e suas¬† letras. Esse espa√ßo possibilita o contato com a literatura. Isso √© cabuloso num pa√≠s onde as pessoas ‚Äď inclusive eu ‚Äď ¬†n√£o s√£o educadas para ler, mas vejo que s√£o v√°rias articula√ß√Ķes e eventos espalhados nas quebradas, incluindo todos os elementos, por√©m a visibilidade √© menor que antes.

As coisas mudaram bastante, a rela√ß√£o com a tecnologia e o virtual √© importante, mas se n√£o tomar cuidado, distancia as pessoas. Tamb√©m precisamos estar mais pr√≥ximos um do outro, essa correria pela sobreviv√™ncia nos afasta bastante. Em rela√ß√£o aos grupos que est√£o na grande m√≠dia, vejo varios √Ęngulos positivos por exemplo:¬† Emicida √© um cara que traz v√°rios questionamentos e ideias de uma forma contundente, n√£o t√£o direto, mas comunica demais. Ele trouxe inova√ß√£o na m√©trica e conseguiu expandir rapidamente.

Não podemos cometer o equívoco em dizer que os caras que estão chegando agora são artistas que estão no corre uma cota, passando os mesmos perreios pra fazer o som chegar. Também não podemos deixar de fazer uma crítica construtiva sobre alguns grupos que estouraram agora: eles não representam mais uma ameaça e ainda cometem a besteira de dizer que estamos ultrapassados  por citar as atrocidades  que o capitalismo nos deixou.

CHH:  O que anda ouvindo?
Ba Kimbuta:¬†Escuto v√°rias vertentes da m√ļsica negra. Gosto de Djavam, Cartola, Ivone lara, Candeia Mestre, escuto bastante MidNite, Erykah Badu, Dead Prez, Morodo, GOG, Vers√£o Popular, Criolo, Emicida, Elen Ol√©ria, Curtis Mayfield,¬† Baden Powell, Jill Scott, Bezerra da Silva, Raph√£o, Qi Alforria, Marechal e ai¬† vai ‚Ķ

CHH: O que pretende fazer depois deste CD?
Ba Kimbuta:¬†¬†Fizemos dois lan√ßamentos bem sucedidos um no Quilombaque, em Perus, e outro no espa√ßo cultural Gambalaia. Temos o lan√ßamento do videoclipe da m√ļsica ‚ÄúTenta me catar‚ÄĚ fechado para o dia 25 de julho. No Sesc Santo Andr√©, onde somos convidados do Sarau da Ademar, atrav√©s de uma irm√£ nossa chamada Lids, que est√° somando com a gente de varias formas. Passando essa fase de lan√ßamentos, pretendemos rodar os saraus em S√£o Paulo, fazer mais um lan√ßamento na Bahia, em outubro, e tem uma possibilidade de irmos para o Haiti, no come√ßo do ano que vem.

CHH: Deixe um recado para os leitores do Central Hip Hop.
Ba Kimbuta:¬†Gostaria de agradecer todas as pessoas envolvidas no projeto que n√£o s√£o poucas. Um salve para a Ax√© Produ√ß√Ķes e ao Quilombagem, que me fortalece. Quero dizer que se falo sobre desigualdade social, racismo, viol√™ncia contra a mulher, e exterm√≠nio de uma juventude preta, √© porque vejo sinto e vivo isso. Nossos motivos pra lutar ainda s√£o os mesmos e n√£o me pe√ßa para amenizar,¬† minha luta √© com causa e coletiva, esse disco n√£o √© solo √© coletivo, solo √© a terra. O foco, o desafio √© se apropriar do conhecimento para fazer uma arte com musicalidade emo√ß√£o e t√©cnica, sem deixar possibilidade de revanche para o opressor!

 

 Confira e faça o Donwload do Cd Universo Preto Paralelo

Fonte; http://bakimbuta.wordpress.com/

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Forum Municipal de Hip hop de S√£o Bernardo do Campo

 

O F√≥rum municipal de hip hop, tem como intuito projetar o hip hop dentro da cidade de S√£o Bernardo do Campo, possibilitar o di√°logo entre artistas e pessoas que fazem parte ou n√£o do movimento Hip-Hop, projetar a√ß√Ķes que debatam e tenham como base a educa√ß√£o, cultura e o entretenimento aliado ao estimulo para pensamento critico sobre o meio que em vivemos.

O Fórum de Hip-Hop de SBC promove quatro atividades bases.

  • Reuni√Ķes ‚Äď √Č nas reuni√Ķes em coletivo que saem todas as propostas para produzirmos, textos e atividades, por meio de debates, que geram reflex√Ķes posteriores sobre o que produzimos. √Č um espa√ßo de encontro aberto a todas e todos, e tem o intuito de sempre agregar mais e mais pessoas.
  • Interven√ß√£o Hip Hop ‚Äď Evento que acontece em car√°ter festivo, onde existe apresenta√ß√£o de grupos de rap, batalha de break, discotecagem de Dj¬īs, Pintura ao vivo com artistas que tamb√©m fazem graffiti e sarau, tudo isso mediado por um Mc residente.
  • Aprendendo com o Hip Hop ‚Äď Oficinas s√≥cio-educacionais que acontecem aos finais de semana em escolas p√ļblicas da periferia. Todas as oficinas s√£o ministradas por praticantes-estudiosos de algum dos 4 elementos do Hip Hop, (Break, Graffiti, Mc e Dj) trazendo assim, um conhecimento geral e espec√≠fico da cultura e do elemento em quest√£o.
  • Sarau do F√≥rum de Hip Hop ‚Äď Promove o encontro de poetas e m√ļsicos, por ser um sarau que atrai maior p√ļblico do Hip-hop √© forte a presen√ßa da m√ļsica que representa esse movimento, a poesia ritmada (rhythm and poetry).