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1. Encontro GT Trabalho – Kilombagem

José Evaristo Silvério Netto

Ontem tivemos nosso primeiro encontro proposto pelo GT Trabalho do coletivo Kilombagem, para a discussão das Particularidades do Capitalismo no Brasil, ao redor do texto de Caio Prado JR entitulado O Sentido da Colonização.

De acordo com o mediador do debate, nosso irm√£o Felipe Choco, o Caio Prado vai ser a pedra fundamental pra que se entenda neste campo de fundamenta√ß√£o da nacionalidade. Neste sentido, o texto O Sentido da Coloniza√ß√£o √© a pedra angular do livro A Forma√ß√£o do Brasil Contempor√Ęneo – Colonia, haja vista que em todo o livro esta inculcado o sentido da coloniza√ß√£o. O maior objetivo da √≥bra √© entender:

  1. Como que se d√° a nacionalidade brasileira;
  2. De que forma o Brasil se agregou, ou esta inserido no mundo.

O Caio Prado portanto, esta dentro deste debate de nação.

O Ant√īnio Candido levantou em uma edi√ß√£o do livro Ra√≠zes do Brasil, escrito por S√©rgio Buarque de Holanda, quais seriam os tr√™s cl√°ssicos da literatura sobre o Brasil, os interpretes do Brasil. Por ele foi reconhecida a tr√≠ade Casa Grande e Senzala de Gilberto Freire, o livro Ra√≠zes do Brasil de S√©rgio Buarque¬†de Holanda, e o terceiro Forma√ß√£o do Brasil Contempor√Ęneo, de autoria do Caio Prado Jr.

Entre estas tr√™s √≥bras h√° importantes diferen√ßas, como salientou nosso mediador Felipe Choco, e neste √© interessante re√ßaltar que o Caio Prado JR. se sobressai em rela√ß√£o aos outros porque ele √© o primeiro que vai tentar abarcar a totalidade compreendendo o Brasil e suas particularidades contatenado com o mundo. J√° os outros dois autores, Gilberto Freire e S√©rgio Buarque de Holanda, v√£o tentar entender as rela√ß√Ķes que se desenvolveram no Brasil, mas dando tanta aten√ß√£o √†s particularidades que perdem a linha mestra de desenvolvimento da na√ß√£o, relacionada com o resto do mundo, perdendo os nexos causais das pr√≥prias particularidades e o sentido da coloniza√ß√£o.

No nosso primeiro encontro, tomamos consci√™ncia destas quest√Ķes, e discutimos mais profundamente sobre a linha mestra da hist√≥ria das na√ß√Ķes europeias a partir do s√©c. XIV e XV, onde naquele continente houve uma mudan√ßa na √≥rdem comercial, com a busca de novas rotas comerciais,ue que antes eram exclusivamente por terra, privilegiando os pa√≠ses centrais do continente.¬†Discutimos atrav√©s do texto e das interven√ß√Ķes do Felipe Choco que com a¬†expans√£o ultramarina, houve um deslocamento da primazia comercial dos pa√≠ses centrais da Europa para os pa√≠ses que formam a fachada oce√Ęnica. Entendemos ent√£o que a busca por rotas comerciais acabou por fazer com que os Europeus chegassem na Am√©rica. Discutimos o que significou o continente americano para estas empresas comerciais √° priori, e em um segundo momento, como foi empreendida a explora√ß√£o dos recursos naturais deste territ√≥rio novo, agora enquanto col√īnia. Debatemos sobre a forma que se deu o povoamento das regi√Ķes temperadas do continente Americano, e das regi√Ķes tropicais e subtropicais. Entendemos a id√©ia de povoamento, que surgiu da demanda dos fins mercantis, onde n√£o bastaria apenas ocupar o continente com feitorias, como foram as ocupa√ß√Ķes no Mediterr√Ęneo, na √Āfrica e na √ćndia, por exemplo. O car√°cter de povoamento nas regi√Ķes tropicais e subtropicais foi mediante a posssibilidade de obten√ß√£o de g√™neros que na Europa faziam falta, e eram artigos de luxo.

(Reunião Kilombagem РGT Trabalho РDiscussão do texto: O Sentido da Colonização [Caio Prado Jr.])

Como termina Caio Prado JR.:

“Se vamos a ess√™ncia da nossa forma√ß√£o, veremos que na realidade nos constitu√≠mos para fornecer a√ßucar, tabaco, alguns outros g√™neros; mais tarde ouro e diamantes; depois algod√£o e em seguida caf√©, para o com√©rcio europeu. Nada mais que isso. E com tal objetivo, objetivo exterior, voltado para fora do pa√≠s e sem aten√ß√£o √†s considera√ß√Ķes que n√£o fossem o interesse daquele com√©rcio, que se organizar√£o a sociedade e a economia brasileiras. Tudo se dispora naquele sentido: a estrutura, bem como as atividades do pa√≠s. Vir√° o branco europeu para especular, realizar um neg√≥cio; inverter√° seus cabedais e recrutar√° a m√£o-de-obra de que precisa: ind√≠genas ou negros importados. Com tais elementos, articulados numa organiza√ß√£o puramente produtora, industrial, se constituir√° a col√īnia brasileira.”