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Claudia Jones: Desconhecida Pan-Africanista, Feminista e Comunista

O Pan-africanismo de Claudia Jones conduziu √† sua defesa para a liberta√ß√£o dos povos do Caribe e da √Āfrica do colonialismo. | Foto: Wikimedia Commons
O Pan-africanismo de Claudia Jones conduziu √† sua defesa para a liberta√ß√£o dos povos do Caribe e da √Āfrica do colonialismo. | Foto: Wikimedia Commons

Traduzido por Rafaela Araujo Santana ‚Äď Grupo Kilombagem

Por Ajamu Nangwaya

Jones utilizou o espaço organizacional do Partido Comunista para avançar na causa do antirracismo, na paz mundial, na descolonização e na luta de classes.

Claudia Jones foi uma revolucion√°ria, cujo ativismo alcan√ßou dois continentes, Am√©rica do Norte e Europa. Claudia Vera Cumberbatch nasceu em 21 de fevereiro de 1915 em Belmont, Trinidad e Tobago, a terra que tem dado origem a importantes pol√≠ticos, como C.L.R. James, Eric Williams, George Padmore e Kwame Ture (anteriormente Stokely Carmichael). Ela e sua fam√≠lia foram for√ßados a migrar para Nova York durante os anos 1922-24, como resultado da dificuldade econ√īmica que eles experimentaram como membros da classe trabalhadora em Trinidad.

Ela adotou o sobrenome “Jones”, como uma medida de prote√ß√£o na realiza√ß√£o de seu trabalho organizado com o Partido Comunista dos EUA (CPUSA). Essa mudan√ßa de nome n√£o foi um incomum dada a histeria anticomunista e persegui√ß√£o dos comunistas nos Estados Unidos. Claudia faleceu na terra de seu ex√≠lio, na Gr√£-Bretanha, em 25 de dezembro de 1964. Curiosamente, o local final de descanso de Jones est√° localizado justamente a esquerda de Karl Marx, no cemit√©rio de Highgate, em Londres.

Ela contribuiu para o trabalho do Partido Comunista dos Estados Unidos – CPUSA como jornalista, editora, l√≠der, te√≥rica, educadora e organizadora de 1936 at√© sua deporta√ß√£o em dezembro de 1955. Ela trabalhou com o jornal do partido Di√°rio Trabalhador, serviu como a editora da Liga da Juventude Comunista (UJC), na Revis√£o Semanal, funcionava como a diretora estadual YCL da educa√ß√£o e presidente do estado, tornou-se um membro pleno da CPUSA em 1945, eleita para o Comit√™ Nacional do CPUSA em 1948, assumiu o papel de Secret√°ria de Comiss√£o da Mulher, CPUSA, e trabalhou em v√°rias fun√ß√Ķes em outras publica√ß√Ķes do partido. Claudia foi presa tr√™s vezes por causa de seu trabalho na CPUSA. Ela foi condenada sob a Lei Smith que visava os l√≠deres do CPUSA e serviu oito meses na pris√£o.

O Professor Errol Henderson da Universidade Estadual da Pensilv√Ęnia captura a relev√Ęncia pol√≠tica da Claudia:

“Ela foi brilhante e incisiva. Ela forneceu ao feminismo componente da an√°lise marxista juntamente com a incisiva incorpora√ß√£o da “cultura negra” de Haywood, no qual ela apoiou e estendeu … uma mente excepcional … e sua deporta√ß√£o para os EUA foi uma grande perda para a luta de liberta√ß√£o aqui, mas como um complemento para o Reino Unido, onde ela fez ainda mais contribui√ß√Ķes “.

Jones utilizou o espa√ßo organizacional do Partido Comunista estadunidense para avan√ßar na causa do antirracismo, na paz mundial, na descoloniza√ß√£o e na luta de classes. Al√©m disso, ela usou suas v√°rias fun√ß√Ķes e recursos do partido comunista para avan√ßar na liberta√ß√£o das mulheres em geral e das mulheres afro-americanos da classe trabalhadora, em particular.

√Č uma grande injusti√ßa da hist√≥ria que o trabalho de Claudia Jones seja pouco conhecido entre os radicais que possam extrair ensinamentos da sua abordagem integrada para a elimina√ß√£o do racismo, capitalismo, patriarcado e imperialismo. Em um per√≠odo como nosso em que a pol√≠tica de identidade assume express√Ķes vulgares, √© fundamental para n√≥s destacar a contribui√ß√£o desta revolucion√°ria cujo ativismo foi guiado por um anticapitalista, exigente anti-opress√£o e orienta√ß√£o pol√≠tica anti-imperialista.

O Professor Carole Boyce Davies, em seu livro “A esquerda de Karl Marx: A vida pol√≠tica da Comunista negra Claudia Jones,” oferece uma raz√£o para a invisibilidade de Claudia:

“O estudo das mulheres negras comunistas permanece um dos mais negligenciados entre verifica√ß√£o contempor√Ęnea de mulheres negras para pelo menos, uma das raz√Ķes que Joy James identifica: O revolucion√°rio sob margem, mais do que qualquer outra forma o feminismo (negro). “Este tipo de neglig√™ncia pela maioria das acad√™micas feministas n√£o √© surpreendente. A maioria destas pesquisadoras burguesas n√£o s√£o socialistas / comunistas e, como tal, n√£o s√£o atra√≠dos para assuntos que est√£o associados com o comunismo.

A continua experiência de classe trabalhadora de Claudia e sua família na sociedade americana ajudou na formação da sua luta de classes, compromissos políticos feministas e antirracistas:

“Estava fora das minhas experi√™ncias de Jim Crow como uma jovem mulher negra, experi√™ncias igualmente nascido da pobreza da classe trabalhadora que me levou a juntar-se √† Uni√£o de Jovens Comunistas e escolher a filosofia da minha vida, a ci√™ncia do marxismo-leninismo – que a filosofia que n√£o s√≥ rejeita ideias racistas, mas √© a ant√≠tese deles. “

Como uma mulher africana da classe trabalhadora, a experi√™ncia vivida de Claudia lhe proporcionou um amplo entendimento do patriarcado. O exemplo mais claro de sua compreens√£o e an√°lise da opress√£o das mulheres africanas est√° presente no artigo ‚ÄúUm fim √† neglig√™ncia dos Problemas da Mulher Negra! ‚ÄĚ. Foi publicado em 1949. Muito antes do desenvolvimento da estrutura anal√≠tica interseccional na d√©cada de 1970 por feministas e l√©sbicas Afro-americanas como expresso na Declara√ß√£o ColetivoRioCombahee, Jones j√° tinha essa abordagem para analisar as m√ļltiplas formas de opress√£o que configura a vida das mulheres afro-americanas da classe trabalhadora.

A preocupa√ß√£o de Jones com a liberta√ß√£o das mulheres focava em mudan√ßas nas condi√ß√Ķes econ√īmicas, sociais e pol√≠ticas desiguais e n√£o a obsess√£o cultural psicol√≥gica encontrada dentro de c√≠rculos pol√≠ticos de identidade vulgares atuais:

“Para o movimento das mulheres progressivas, a mulher negra, que combina em seu estatuto o trabalhador, o Negro, e a mulher, √© o link vital para essa elevada consci√™ncia pol√≠tica. Na medida, al√©m disso, que a causa da mulher negra trabalhadora √© promovida, ela ser√° habilitada para tomar seu lugar leg√≠timo na lideran√ßa do proletariado negro do movimento de liberta√ß√£o nacional, e por sua participa√ß√£o ativa contribuem para toda a classe trabalhadora americana, cuja miss√£o hist√≥rica √© a conquista de uma Am√©rica Socialista – a final e completa garantia da emancipa√ß√£o da mulher “.

O estado capitalista e corpora√ß√Ķes do Norte global explora os recursos e m√£o de obra e dominar as economias e sociedades no Sul global. De acordo com Davies em “A Esquerda de Karl Marx”, “pol√≠tica anti-imperialistas de Claudia ligada √†s lutas locais de pessoas negras e mulheres contra o racismo, e a opress√£o sexista √†s lutas internacionais contra o colonialismo e o imperialismo negros.” O Pan-africanismo de Claudia conduziu para sua defesa por liberdade dos povos do Caribe e da √Āfrica do colonialismo.

Na Gr√£-Bretanha, dois das not√°veis realiza√ß√Ķes de Claudia s√£o a cria√ß√£o do Carnaval de Notting Hill e o Di√°rio das √ćndias Ocidentais. Uma parte do epit√°fio em sua l√°pide diz: “Valente lutadora contra o imperialismo e, o racismo que dedicou sua vida ao progresso do socialismo e a liberta√ß√£o do seu pr√≥prio povo negro.”

Deveria ter acrescentado: “defensora assertiva do feminismo socialista”.

Ajamu Nangwaya, PhD., é um educador, organizador e escritor. Ele é um organizador com a Rede para a Eliminação da Violência Policial

Artigo original dispon√≠vel em: http://www.telesurtv.net/english/opinion/Claudia-Jones-Unknown-Pan-Africanist-Feminist-and-Communist–20160210-0020.html

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Nonagésimo aniversário de Fanon РMASCULINIDADES NEGRAS

NONAG√ČSIMO ANIVERS√ĀRIO DE FANON

O post de hoje apresenta tr√™s artigos que retomam as reflex√Ķes de Fanon para refletir e problematizar os dilemas relacionados ao racismo e a masculinidade negra.

fique rico ou morra tentando

O primeiro, intitulado ¬†O p√™nis sem o falo: algumas reflex√Ķes sobre homens negros, masculinidades e racismo, de Deivison Faustino (Deivison Nkosi), foi publicado na colet√Ęnea Feminismos e masculinidades: novos caminhos para enfrentar a viol√™ncia contra a mulher, organiza√ß√£o Eva Alterman Blay em 2014.

Resumo: O artigo toma as reflex√Ķes de Fanon sobre Eu e o Outro, como chave anal√≠tica entender¬†como a racializa√ß√£o da experi√™ncia negra, se articula, em primeiro lugar, em torno de referenciais reificados de humanidade que apresentam o negro sempre o mais pr√≥ximo poss√≠vel do animal. O homem negro, no caso, √© sempre apresentado como um criado ¬†super-masculino, excessivamente¬†viril, e, ao mesmo tempo, destitu√≠do de poder sobre si. ¬†¬†Em segundo lugar, discute quais os riscos impl√≠citos √† interioriza√ß√£o, por parte do homem negro, desses referenciais reificados. No artigo, o autor discute ainda se ¬†a hetero ou auto hiper-masculiniza√ß√£o do negro teriam alguma rela√ß√£o com altos dados de mortalidade de jovens negros.

Acesse o artigo aqui:¬†O p√™nis sem o falo: algumas reflex√Ķes sobre homens negros, masculinidades e racismo.¬†

Acesse a colet√Ęnea completa sobre g√™nero e masculinidade:¬†Feminismos e masculinidades: novos caminhos para enfrentar a viol√™ncia contra a mulher

 

Cena do filme: O mordomo da Casa Branca – Momento em que o homem (escravizado) ser√° assassinado pelo estuprador de sua mulher.

O segundo artigo, intitulado Blackness: identidades, racismo e masculinidades em bell hooks, de Alan Augusto Moraes Ribeiro, foi apresentado no Seminario Internacional Fazendo Gênero 10, em 2012.

Resumo: Neste artigo, algumas ideias da intelectual, acad√™mica e feminista estadunidense bell hooks aparecem em um recorte anal√≠tico que busca compreender como as categorias ‚ÄúBlackness‚ÄĚ e ‚ÄúBlack Experience‚ÄĚ s√£o mobilizadas na an√°lise que ela desenvolve sobre representa√ß√Ķes em torno das masculinidades negras feitas pela m√≠dia e por setores acad√™micos. Assim, busco compreender tal an√°lise como parte das trocas de saberes diasp√≥ricos nas quais bell hooks figura de modo destacado. Ao localizar sua produ√ß√£o neste movimento, a inten√ß√£o √© realizar um exerc√≠cio de escrita e reflex√£o sobre o modo como racismo √© uma estrutura hegem√īnica presente em v√°rios setores da vida social, como tamb√©m no espa√ßo da produ√ß√£o pol√≠tica da diferen√ßa. √Č aqui que sua cr√≠tica antirracista toma contornos mais sofisticados ao sugerir que neste plano epistemol√≥gico o racismo opera de modo bastante sutil, sobretudo quando procura desmobilizar a legitimidade de saberes e vis√Ķes de mundo constru√≠das coletivamente, explicitamente posicionais.

Acesse o artigo aqui: Blackness: identidades, racismo e masculinidades em bell hooks

 

O terceiro artigo, intitulado Observando uma Masculinidade Subalterna: homens negros em uma “democracia, de Waldemir Rosa, também foi apresentado no Fazendo Gênero, de 2006.

Resumo: O artigo discute a diferenciação de poder inerente à diferença de gênero, de raça e de classe social. O que apresento aqui é um exercício de articulação entre gênero e raça na constituição da masculinidade do homem negro heterossexual em um país racista como o Brasil. A primeira afirmação que se faz aqui é que a sociedade brasileira distribui de forma diferenciada o poder tendo por base critérios de raça e gênero logo, entre homens e mulheres por um lado, e entre brancos e não-brancos por outro e suas possibilidades de acesso / restrição aos mecanismos de poder.

mulher branca homem preto

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=gQxK9VYNXC8

 

 

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I Curso de gênero do Kilombagem

A constru√ß√£o dial√©tica das rela√ß√Ķes sociais de g√™nero

pretas panthers

O curso tem como objetivo possibilitar o debate sobre a desigualdade de g√™nero √† partir das particularidades do racismo e do capitalismo, com as devidas media√ß√Ķes contidas ¬†no desenvolvimento do patriarcado ao longo da hist√≥ria da humanidade.

PROGRAMAÇÃO DO CURSO (DIAS 15 À 17/05)

14/05 (Quarta-feira) РRenata Gonçalves (CANCELADO)

¬†“As determina√ß√Ķes do racismo, do patriarcado e do capitalismo, nas rela√ß√Ķes sociais de g√™nero.”

Por motivo de problemas de sa√ļde a palestrante convidada; Renata Gon√ßalves, n√£o comparecer√° na atividade agendada pra esta quarta. Pedimos a compreens√£o de todos pois fomos avisados ontem de tal impossibilidade de comparecimento n√£o havendo condi√ß√Ķes de garantir palestrante substituto pra este curso.

15/05 (Quinta-feira) – Giselle dos Anjos Santos

¬†“Feminismo ou Feminismos? O feminismo negro e suas interlocu√ß√Ķes.”

Texto Base: Teorizando Sobre G√™nero e Rela√ß√Ķes Racias – Sandra Azeredo

 

16/05 (Sexta-feira) – Deivison Nkosi

¬†“Masculinidade Negra”

Texto Base:¬†“¬†As representa√ß√Ķes do homem negro e suas conseq√ľ√™ncias“.

 Mediação: Bergman de Paula Pereira.

Hor√°rio das palestras: 18h30h as 21h.

17/05 (S√°bado) Encerramento

Roda de Conversa: O poder do macho em debate

Hor√°rio: 11h as 13h30

Interven√ß√Ķes Musicais das 14h √†s 17h

Apresenta√ß√Ķes
Sankofa (rap)
Luana Hansen (rap)
Yzal√ļ (rap)
Apresentação Katiara
Discotecagem com Dj Bia (Sankofa)

 

Local: N√ļcleo de Consci√™ncia Negra da USP

Av. Professor L√ļcio Martins Rodrigues,travessa 04 – bloco 03

Cidade Universit√°ria/ USP – Butant√£ (atr√°s da FEA e do restaurante Sweden)

Como Chegar:

Pegar √īnibus na esta√ß√£o Butant√£ do metr√ī (Linha amarela). √Ēnibus linha: Circular 1 e descer no ponto da FEA (5¬ļ¬ļ ponto dentro da USP) e atravessar o pr√©dio da FEA que sair√° em frente o espa√ßo do N.C.N

Inscri√ß√Ķes Encerradas!!!

Devido ao volume de inscri√ß√Ķes feitas, tivemos que encerrar as inscri√ß√Ķes antes do prazo previsto para que pud√©ssemos garantir a qualidade do mesmo. Pedimos Desculpas antecipadamente para aqueles que por ventura foram prejudicados.

O curso ocorrer√° de forma presencial no N√ļcleo de Consci√™ncia Negra e ser√° garantido a emiss√£o de certificados de participa√ß√£o.

Maiores Informa√ß√Ķes:

kilombagem@kilombagem.org

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Download do Certificado