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Nonagésimo aniversário de Fanon – A ATUALIDADE DE FANON

FRANTZ FANON VIDA E OBRA

Este é o último post dessa série especial sobre Fanon. Se estivesse vivo, Fanon completaria 90 anos amanhã (20 de julho de 2015). Para homenageá-lo, apresentamos dois textos que comentam a sua produção intelectual. O primeiro, refaz a sua trajetória de vida e principais aspectos teóricos defendidos pelo autor e o segundo argumenta pelo que seria a sua atualidade no século XXI.

Nos vemos no curso amanhã!!!


Fanon

O primeiro texto é Frantz Fanon: um itinerário político e intelectual, de Renato Ortiz.

Resumo: O artigo reconstitui histórica e sociologicamente o itinerário político e intelectual do pensador martinicano Frantz Fanon. Inicia com sua inserção no contexto intelectual francês da época, explora como o escritor compreendia a negritude e o racismo, assim como sua politização em meio ao período de des- colonização da década de 1950.

Acesse o artigo aqui:  Frantz Fanon: um itinerário político e intelectual

Não posso respirar
“nos nos revoltamos, simplesmente, por que por muitas razões, não podemos mais respirar”

 

O segundo texto é  Ler Fanon no século XXI, de Immanuel Wallerstein

Resumo: Discute‐se a actualidade do pensamento de Frantz Fanon, em torno de três eixos prin‐ cipais que constituem outros tantos dilemas – o uso da violência, a afirmação da identidade e a luta de classes –, demonstrando como, no tempo presente, estas ques‐ tões continuam a ser decisivas na luta por um sistema‐mundo mais justo e solidário.

Acesse o texto aqui:  Ler Fanon no século XXI


Filme: Concerning violence, (sobre Fanon) com narração de Lauryn Hill

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1. Encontro GT Trabalho – Kilombagem

José Evaristo Silvério Netto

Ontem tivemos nosso primeiro encontro proposto pelo GT Trabalho do coletivo Kilombagem, para a discussão das Particularidades do Capitalismo no Brasil, ao redor do texto de Caio Prado JR entitulado O Sentido da Colonização.

De acordo com o mediador do debate, nosso irmão Felipe Choco, o Caio Prado vai ser a pedra fundamental pra que se entenda neste campo de fundamentação da nacionalidade. Neste sentido, o texto O Sentido da Colonização é a pedra angular do livro A Formação do Brasil Contemporâneo – Colonia, haja vista que em todo o livro esta inculcado o sentido da colonização. O maior objetivo da óbra é entender:

  1. Como que se dá a nacionalidade brasileira;
  2. De que forma o Brasil se agregou, ou esta inserido no mundo.

O Caio Prado portanto, esta dentro deste debate de nação.

O Antônio Candido levantou em uma edição do livro Raízes do Brasil, escrito por Sérgio Buarque de Holanda, quais seriam os três clássicos da literatura sobre o Brasil, os interpretes do Brasil. Por ele foi reconhecida a tríade Casa Grande e Senzala de Gilberto Freire, o livro Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda, e o terceiro Formação do Brasil Contemporâneo, de autoria do Caio Prado Jr.

Entre estas três óbras há importantes diferenças, como salientou nosso mediador Felipe Choco, e neste é interessante reçaltar que o Caio Prado JR. se sobressai em relação aos outros porque ele é o primeiro que vai tentar abarcar a totalidade compreendendo o Brasil e suas particularidades contatenado com o mundo. Já os outros dois autores, Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Holanda, vão tentar entender as relações que se desenvolveram no Brasil, mas dando tanta atenção às particularidades que perdem a linha mestra de desenvolvimento da nação, relacionada com o resto do mundo, perdendo os nexos causais das próprias particularidades e o sentido da colonização.

No nosso primeiro encontro, tomamos consciência destas questões, e discutimos mais profundamente sobre a linha mestra da história das nações europeias a partir do séc. XIV e XV, onde naquele continente houve uma mudança na órdem comercial, com a busca de novas rotas comerciais,ue que antes eram exclusivamente por terra, privilegiando os países centrais do continente. Discutimos através do texto e das intervenções do Felipe Choco que com a expansão ultramarina, houve um deslocamento da primazia comercial dos países centrais da Europa para os países que formam a fachada oceânica. Entendemos então que a busca por rotas comerciais acabou por fazer com que os Europeus chegassem na América. Discutimos o que significou o continente americano para estas empresas comerciais á priori, e em um segundo momento, como foi empreendida a exploração dos recursos naturais deste território novo, agora enquanto colônia. Debatemos sobre a forma que se deu o povoamento das regiões temperadas do continente Americano, e das regiões tropicais e subtropicais. Entendemos a idéia de povoamento, que surgiu da demanda dos fins mercantis, onde não bastaria apenas ocupar o continente com feitorias, como foram as ocupações no Mediterrâneo, na África e na Índia, por exemplo. O carácter de povoamento nas regiões tropicais e subtropicais foi mediante a posssibilidade de obtenção de gêneros que na Europa faziam falta, e eram artigos de luxo.

(Reunião Kilombagem – GT Trabalho – Discussão do texto: O Sentido da Colonização [Caio Prado Jr.])

Como termina Caio Prado JR.:

“Se vamos a essência da nossa formação, veremos que na realidade nos constituímos para fornecer açucar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde ouro e diamantes; depois algodão e em seguida café, para o comércio europeu. Nada mais que isso. E com tal objetivo, objetivo exterior, voltado para fora do país e sem atenção às considerações que não fossem o interesse daquele comércio, que se organizarão a sociedade e a economia brasileiras. Tudo se dispora naquele sentido: a estrutura, bem como as atividades do país. Virá o branco europeu para especular, realizar um negócio; inverterá seus cabedais e recrutará a mão-de-obra de que precisa: indígenas ou negros importados. Com tais elementos, articulados numa organização puramente produtora, industrial, se constituirá a colônia brasileira.”