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NONAG√ČSIMO ANIVERS√ĀRIO DE FANON

Nonagésimo aniversário de Fanon

Neste dia 25 de julho de 2015, Frantz Omar Fanon completaria 90 anos de idade. Até hoje, sua obra é tomada por vertentes teóricas diversas como referencial privilegiado para pensar e intervir nos problemas sociais e raciais que nos rodeiam.  Como homenagem ao autor, mas ao mesmo tempo, apostando em sua contribuição para a realidade atual, retomamos aqui os links de textos de e sobre Fanon.

fanon

Antes disto, retomemos brevemente a sua trajetória:

Como psiquiatra, fil√≥sofo, cientista social e revolucion√°rio, Frantz Fanon √© sem d√ļvida um dos pensadores mais instigantes do s√©culo XX. Sua obra influenciou diversos movimentos pol√≠ticos e te√≥ricos na √Āfrica e Di√°spora Africana e segue reverberando em nossos dias como refer√™ncia obrigat√≥ria nos os estudos culturais e p√≥s-coloniais.

Sua trajetória política e teórica impressiona pela grandiosidade e o seu curto espaço de vida. Nasce em Forte de France, Martinica em 1925 no seio de uma família de classe média e patriota. Em 1944 se alista no exercito francês para lutar contra os alemães na segunda guerra mundial e posteriormente segue para Lyon para estudar medicina e psiquiatria. Neste período foi estudante ativo envolvido com a publicação periódica de um jornal mimeografado.

Em 1950 Frantz Fanon escreve o texto que seria a sua tese de douturado em psiquiatria: Peau noire, masques blancs(Peles Negras, M√°scaras Brancas), mas a tese, por confrontar as correntes hegem√īnicas, foi recusada pela comiss√£o julgadora o obrigando a escrever outra tese no ano seguinte em Lyon com o t√≠tulo de Troubles mentaux et syndromes psychiatriques dans l‚Äôh√©r√©dp-d√©g√©n√©ration-spino-c√©r√©belleuse ‚Äď Um cas de maladie de Friereich avec d√©lire de possession (Problemas mentais e sindromes psiquiatricas em degenera√ß√£o espinocerebelar heredit√°ria ‚Äď Um caso de doen√ßa de Friereich com del√≠rio de posse).

Em 1952 participa de diversos debates universitários e seminários em que se confronta ou converge com os pensadores franceses da época. Neste mesmo ano publica uma série de ensaios sobre a situação do negro na França, escreve um drama sobre os trabalhadores de Lyon (Les Mains parallèles) e publica o texto da sua primeira tese rejeitada: Peau noir, masques blancs (Peles negras, máscaras brancas) livro que marcaria a história dos estudos o racismo.

Neste livro o autor discute os impactos do racismo e do colonialismo na psique (de colonizadores e colonizados) e mostra o quanto as aliena√ß√Ķes coloniais s√£o incorporadas pelos colonizados, mesmo no contexto de elabora√ß√£o do protesto negro.

O ano seguinte é marcado por um casamento e a sua mudança para a Argélia a fim de estudar mais profundamente os problemas enfrentados pelos imigrantes africanos na França. Segundo Oto (2003) estes momento foi fundamental para Fanon compreender os impactos do colonialismo na estrutura psíquica humana:

Ao tentar ampliar suas percep√ß√Ķes sobre o problema dos pacientes em territ√≥rios coloniais, vinculando as enfermidade ao colonialismo, Fanon aceita neste mesmo ano o contrato com o Hospital Blida-Joinville na Arg√©lia. Durante sua resid√™ncia neste local os resultados de suas investiga√ß√Ķes o convenceram das dimens√Ķes assumiam o regime colonial e como este regime desarticula a estrutura ps√≠quica das pessoas.( Oto 2003:219)

O ano seguinte foi marcante para o autor ao assistir o nascimento da revolu√ß√£o argelina e a violenta repress√£o francesa. √Č neste contexto que Fanon renuncia ao seu cargo no Hospital psiqui√°trico para se filiar √† Frente de liberta√ß√£o Nacional ‚Äď FLN (Front de Liberation Nationale) onde contribuir√° ativamente como escritor do jornal El Moudjahid, em T√ļnez.

Os anos seguintes foram marcados por intensa agita√ß√£o pol√≠tica e participa√ß√£o nos f√≥runs internacionais dos movimentos de liberta√ß√£o no continente africano. Em 1959 publica L‚Äôan V de la R√©volution Alg√©rienne, sem publica√ß√£o em portugu√™s, e em 1961 se encontra com J. P. Sartre e S. Beauvoir. Neste mesmo ano, ap√≥s escrever Les damm√©s de la terre, o √°pice de sua atividade pol√≠tica e intelectual seria interrompido por um problema de sa√ļde que levaria a morte.

Boa parte dos textos escritos por Fanon no jornal El Moudjahid foram reunidos por sua esposa e publicados postumamente no livro Pour la révolution africanie (1964), publicado em Portugal apenas em 1980 com o título Em defesa da revolução Africana.

A pesar de sua import√Ęncia para a compreens√£o das rela√ß√Ķes raciais contempor√Ęneas, 50 anos depois de sua morte, a Obra de Frantz Fanon ainda √© pouco estudada no Brasil. Espera-se com esta atividade despertar o interesse da comunidade acad√™mica como um todo para a discuss√£o dos elementos apresentados pelo autor.

Abaixo, você encontra os links para textos diversos DE Fanon e SOBRE Fanon, comentados pelo pesquisador Deivison Nkosi (Professor da UNIFESP e integrante do Grupo KILOMBAGEM)

Veja também a resenha do livro: What Fanon said, de Lewis Gordon (by Deivison Nkosi)

 

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