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O Futuro da Música Depois da Morte do CD

Calma, não sou eu que acredito que o CD está prestes a acabar e creio que o sociológo Sérgio Amadeu e o jornalista cultural Irineu Franco Perpétuo também não estão totalmente convencidos disso apesar de terem dado o título O Futuro da Música Depois da Morte do CD ao livro que organizaram e foi recentemente disponibilizado gratuitamente online em formato PDF segundo licença Creative Commons BY-NC 2.5.

Introdução

Eu não tenho informação exata sobre o que aconteceu com as vendas de máquinas de escrever quando os computadores começaram a se disseminar pelo planeta, mas imagino que seus números contariam uma história muito similar às cifras de negociação de CDs que andaram me caindo nas mãos ultimamente.

Os dados mais recentes da ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Discos) são de 2007 e mostram um encolhimento, quer no valor (­31,2%), quer no número de unidades (­17,2%) de Cds+DVDs comercializados no país. Conforme se pode ser facilmente conferido no site da entidade (http://www.abpd.org.br), o encolhimento vem sendo constante desde 2004: de 66 milhões de unidades vendidas naquele ano, o número se reduziu progressivamente para 52,9 milhões (2005) e 37,7 milhões (2006), até chegar à cifra atual, de 31,3 milhões.

Internacionalmente, os números não são mais auspiciosos para os grandes negociantes de discos. Dados da IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica) mostram que, em 2007, os únicos dentre os 20% principais mercados fonográficos do planeta a crescimento foram Índia (12%) e África do Sul (2%). Líderes, os EUA encolheram 9%; o Reino Unido, em terceiro, diminuiu 13%; na França e na Itália, a redução foi de 17%, e chegou a 20% na Espanha.

O que teria acontecido? Será que, de uma hora para a outra, ternos-iamos tornado todos insensíveis aos encantos de Euterpe e decidimos, subitamente, adotar um estilo de vida sem sons? Ou havernos-íamos subitamente convertido em uma sociedade de puristas, a rejeitar peremptoriamente o som gravado, visto como um simulacro, para nos concentrarmos apenas na “coisa em si”, a performance musical ao vivo?

Bem, talvez não seja nada disso, e estejamos simplesmente vivenciando uma troca de paradigma não na audição, mas na distribuição do som gravado. Fala-se muito no crescimento das vendas de música digital; porém, o que parece estar em questão, aqui, é menos o CD como suporte físico do que sua condição de protagonista e sujeito único da difusão de música no planeta. É nesse sentido que nos soa legítimo falar na “morte” do CD.

Porque talvez não estejamos simplesmente diante de mais um período de substituição de formatos, em que o CD, depois de tomar a primazia do vinil, estaria cedendo seu lugar ao, digamos, MP3. O cenário atual parece consideravelmente mais complexo, colocando em xeque o próprio paradigma de circulação global de bens culturais.

Pois, se, com o CD, digitalizou-se o som gravado, hoje em dia, é todo o acervo cultural da humanidade que se encontra em vias de estar digitalizado, na internet. No livro O Museu Imaginário, publicado em 1947, o escritor francês André Malraux celebra um fato que, para nós, hoje parece banal, mas, naquela época, constituía inovação técnica nada desprezível: o livro de arte, a oferecer a qualquer um, seja ele estudante ou simplesmente um leigo interessado, o acesso a uma gama de obras maior do que o acervo de qualquer museu – e jamais disponível anteriormente na História. Se, no séc. XIX, um gênio como Baudelaire teorizava sobre estética sem jamais ter tido a oportunidade de ver as obras primas de El Greco, de Michelangelo ou de Goya, graças às reproduções presentes nos livros de arte, esses grandes nomes de repente estavam à disposição de todos. Abria-se, assim, um enorme Museu Imaginário, no qual era possível comparar, refletir, confrontar e (suspeito que Malraux só não usou o termo porque ele ainda não existia) remixar as criações que formam o cânone artístico da Humanidade.

Se o livro de Malraux trata apenas das artes plásticas, as ferramentas da cultura digital permitem que se fale de um Museu Imaginário em todas as áreas da criação artística. As novas tecnologias tornam possível o armazenamento, acesso e compartilhamento do Museu Imaginário das artes plásticas, do cinema, da literatura – e da música.

A pergunta é se o acesso a esse museu será franco e irrestrito, ou se os velhos mercadores de CDs irão se converter em seus porteiros, cobrando a quantia que lhes der na telha pelo bilhete de acesso.

Irineu Franco Perpetuo
Sergio Amadeu da Silveira
(Orgs.)

PERPETUO; SILVEIRA – O Futuro Da Musica Depois Da Morte Do CD

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O Futuro da Música Depois da Morte do CD

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Download – Universo Preto Paralelo

 

Universo Preto Paralelo é o nome do primeiro trabalho de Bá Kimbuta. Um álbum com uma sonoridade incrível. Jazz, dub, samba, hip-hop, funk, afrobeat, entre outros sons, se fundem a voz marcante de Ba Kimbuta, servindo de pano de fundo para poesias fortes, que se aproximam do impacto de um soco no estômago. Racismo, machismo e luta de classes são temas recorrentes que, com o peso do som, deixam um nó na garganta de quem acredita de que não há mais espaço para a luta no Hip-Hop. Nas palavras do próprio Ba Kimbuta, é paralelo porque “a dimensão aqui é diferente.. é paralelo porque esconderam de nós a força do candomblé, a mandinga da capoeira, o gingado do samba. Só sobrou álcool e bebedeira. Esconderam de nós a contribuição que a África deu ao mundo antes dos Gregos no campo da filosofia, na matemática, na medicina…”

Confere aí:

 

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Universo Preto Paralelo

Fruto do hip-hop e da luta negra que conheceu na metade dos anos 1990, com a banda Uafro, Bá Kimbuta usa sua formação como percussionista, compositor e militante para espalhar sua mensagem.  O polivalente MC lançou recentemente o disco “Universo Preto Paralelo”, álbum que merece atenção pela ousadia instrumental e  temática política. No dia 30 de junho (sábado), às 21h, Bá Kimbuta apresentará as músicas de seu novo disco no Teatro Clara Nunes, no centro de Diadema (SP). O CHH trocou uma ideia forte com o MC. Abaixo, leia a íntegra da entrevista.

 

Central Hip-Hop (CHH): Bá Kimbuta por Bá Kimbuta…
Ba Kimbuta: Bá Kimbuta é um homen preto, fruto do movimento hip-hop e negro, que atua nas periferias de São Paulo e ABC enquanto militante, e utiliza a música como arma. É pai de três filhos: Kaique, Ayan e Luanda. Está em busca do conhecimento e da emancipação humana.

CHH: Pegando essa questão de ser homem preto, quando essa consciência veio à tona?
Ba Kimbuta: Em 1996iniciei no hip-hop através de uma banda chamada Uafro. Nesta época, já observava as mazelas que o Estado, o colonialismo e capitalismo tinham deixado como herança. Percebemos porque os malucos envolvidos com o álcool e tráfico eram pessoas pretas, as empregadas domésticas eram pretas, quem morava amontoado e de qualquer forma eram os pretos. Aí, quando montamos a posse NegroAtividades e tivemos contato com as questões políticas e raciais. Só tivemos a certeza de que era uma questão histórica e estava ligada a África.

CHH: E a Uafro? A construção musical da banda é impactante. Como chegaram a esse formato e por que não saiu um disco?
Ba Kimbuta: Uafro passou por uma transformação musical quando deixamos de fazer no formato DJ e MCs e começamos a introduzir elementos sonoros alternativos, tipo cano de pvc, tocar em latão mesclando cantos africanos…Só podemos ter essa sensibilidade quando nos aproximamos de nossa história. O Robson Dio teve a percepção e um olhar mais profundo sobre nossa história, e precisava ir além dos toca-discos.

O contexto politizado estava ganhando corpo, estávamos conhecendo Malcom X. Na época, as posses eram muito fortes, estavámos cheios de gás e os movimentos sociais ainda não eram ONGs. Estávamos em outro cenario politico: Era foda!!! O disco não saiu porque tivemos pontos de vista diferentes sobre esse aspecto de como trabalhar a informação e ela não virar só um produto. Então deixamos no gelo, mas a Uafro está viva, existe a possibilidade de voltar.

CHH: Ouvindo seu trabalho, percebe-se o teor afrocentrado. É viável ser afroncetrado no rap?
Ba Kimbuta: O disco vai além da questão racial, apesar de ser o foco. Tentei trazer coisas do cotidiano, como a vivência no albergue, a questão de gênero em “Marias”, por exemplo. Mas a minha história é essa, não teria que ser diferente por fazer um disco de rap misturado com outras vertentes. Minha vida está ligada nessa vertente africana, na questão de como a parada foi organizada pra nós, como se desenrolou nossa sobrevivência depois da escravidão.

Então meu som é isso, mas penso que não podemos nos limitar, temos que nos apropiar de um todo, não ficar só no específico. Temos que discutir economia, que está na mão dos boys, educação, reforma agrária. divisão de terra, a violência contra as mulheres e tudo mais, sem perder o foco no específico.

CHH: Um dos discursos que andam em voga é este: falar o que você pensa está esgotado, é estar numa “amarra” que atrasou o rap nacional. O que pensa sobre isso?
Ba Kimbuta: Penso que existe vários equívocos. Se alguém afirmar que não existe mais racismo no Brasil, eu pediria para provar, pediria pra provar porque morremos mais, trabalhamos mais e ganhamos menos. Estamos sendo exterminados pela policia  e trocando tiros entre nós pra adquirir o que a burguesia consome e de uma forma muito mais violenta. Eu falo dessas paradas. Enquanto isso, o governo vende uma ideia de nova classe média e quem compra um carro do ano e uma TV de plasma está enquadrado nesse perfil.

CHH: E o CD “Universo Preto Paralelo”? Como foi concebido?
Ba Kimbuta: Na banda Uafro, teve uma época que o Raphão Alaafin fez parte e somou demais. Inovou com métrica, ideias e rimas. Como ele é produtor também – tinha acabado de lançar o EP “Amostra com Um Resultado Satisfatório”  – ele começou por pilha pra gente fazer um disco meu, com participações. Então planejamos reunir umas músicas e poesias e comecei a gostar da proposta. Era pra ser só umas cinco faixas, mas foi ganhando corpo e vida. Aí vai florindo, nascendo ideias novas, quando vi estava com 18 faixas.

O disco foi gravado no estudio N, com o Nefasto, depois finalizado no estúdio Casa, com DJ Crick.  “Universo Preto Paralelo” traz algumas participações que considero importante, como Denna Hill, Robson Dio, o Próprio Raphão, James Banto, GG, do Caos do Subúrbio, e Cristina Silva. Não considero um trabalho solo, pois, sozinho, eu não teria conseguido colocar na rua.  Várias pessoas estão envolvidas. Sem elas não teria rolado, como Axé Produções, Kilombagem, Samba de Terreiro, Usina Preta, Fórum de Hip-Hop do ABC e várias pessoas que somam.

CHH: E como está sendo a repercussão?
Ba Kimbuta:  Estou bem contente. Conseguimos fechar dois lançamentos pesados: um no Quilombaque, em Perus, com um puta axé e identificação das pessoas. A capa é de Leadro Valquer, um poeta, músico e artista plástico que deu uma contribuição monstro, junto com o olhar de Edson Ike que fechou a arte gráfica de uma forma fina, cheia de qualidade. As pessoas estão reconhecendo isso, porém algumas polêmicas já começam a  aparecer. Tipo: será que ele quer montar uma República Preta? O que ele está querendo? Com certeza irão aparecer várias críticas, também acho importante. Estou aberto pra recebê-las, desde que tenham contexto.

Aqui sempre foi um problema os pretos se afirmarem. Isso incomoda, pois não tem massagem, nós não criamos isso, já nascemos nisso. Estamos falando de ter acesso, de comer bem, viver bem, ter qualidade de ensino para nossos filhos, ser respeitado. Se eu optar ser de uma religião de matriz africana, parar de tomar tapa na cara de policial: ele não pede licença pra entrar na favela, chuta sua porta. Por que não falar, não denunciar? É isso, acho que minha arte é pra isso: formar opinião, mas to ligado que inimigo é de graça! Sei que isso tem um preço!

CHH: O que você vê na cena atual que te agrade e desagrada?
Ba Kimbuta: Bem, é preciso entender  o cenário do movimento como um todo. Consigo ver os saraus como extensão do movimento, pois estão ligados a poesia e, também, uma grande parte dos grupos de rap encontra espaço para recitar seus versos e suas  letras. Esse espaço possibilita o contato com a literatura. Isso é cabuloso num país onde as pessoas – inclusive eu –  não são educadas para ler, mas vejo que são várias articulações e eventos espalhados nas quebradas, incluindo todos os elementos, porém a visibilidade é menor que antes.

As coisas mudaram bastante, a relação com a tecnologia e o virtual é importante, mas se não tomar cuidado, distancia as pessoas. Também precisamos estar mais próximos um do outro, essa correria pela sobrevivência nos afasta bastante. Em relação aos grupos que estão na grande mídia, vejo varios ângulos positivos por exemplo:  Emicida é um cara que traz vários questionamentos e ideias de uma forma contundente, não tão direto, mas comunica demais. Ele trouxe inovação na métrica e conseguiu expandir rapidamente.

Não podemos cometer o equívoco em dizer que os caras que estão chegando agora são artistas que estão no corre uma cota, passando os mesmos perreios pra fazer o som chegar. Também não podemos deixar de fazer uma crítica construtiva sobre alguns grupos que estouraram agora: eles não representam mais uma ameaça e ainda cometem a besteira de dizer que estamos ultrapassados  por citar as atrocidades  que o capitalismo nos deixou.

CHH:  O que anda ouvindo?
Ba Kimbuta: Escuto várias vertentes da música negra. Gosto de Djavam, Cartola, Ivone lara, Candeia Mestre, escuto bastante MidNite, Erykah Badu, Dead Prez, Morodo, GOG, Versão Popular, Criolo, Emicida, Elen Oléria, Curtis Mayfield,  Baden Powell, Jill Scott, Bezerra da Silva, Raphão, Qi Alforria, Marechal e ai  vai …

CHH: O que pretende fazer depois deste CD?
Ba Kimbuta:  Fizemos dois lançamentos bem sucedidos um no Quilombaque, em Perus, e outro no espaço cultural Gambalaia. Temos o lançamento do videoclipe da música “Tenta me catar” fechado para o dia 25 de julho. No Sesc Santo André, onde somos convidados do Sarau da Ademar, através de uma irmã nossa chamada Lids, que está somando com a gente de varias formas. Passando essa fase de lançamentos, pretendemos rodar os saraus em São Paulo, fazer mais um lançamento na Bahia, em outubro, e tem uma possibilidade de irmos para o Haiti, no começo do ano que vem.

CHH: Deixe um recado para os leitores do Central Hip Hop.
Ba Kimbuta: Gostaria de agradecer todas as pessoas envolvidas no projeto que não são poucas. Um salve para a Axé Produções e ao Quilombagem, que me fortalece. Quero dizer que se falo sobre desigualdade social, racismo, violência contra a mulher, e extermínio de uma juventude preta, é porque vejo sinto e vivo isso. Nossos motivos pra lutar ainda são os mesmos e não me peça para amenizar,  minha luta é com causa e coletiva, esse disco não é solo é coletivo, solo é a terra. O foco, o desafio é se apropriar do conhecimento para fazer uma arte com musicalidade emoção e técnica, sem deixar possibilidade de revanche para o opressor!

 

 Confira e faça o Donwload do Cd Universo Preto Paralelo

Fonte; http://bakimbuta.wordpress.com/

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‘A lei de direito autoral privilegia o intermediário, não o artista’, diz Sérgio Branco

Por @brunogalo e @livia_wachowiak

Sérgio Branco é advogado especializado em propriedade intelectual. Dá aulas na FGV do Rio de Janeiro e recentemente escreveu o livro ‘Direitos autorais’, que trata o conceito de direito autoral e de pirataria desde seus primórdios até os dias de hoje. Sérgio foi nosso vigésimo entrevistado.

* divulgação

Eu tinha um professor que dizia que crise existe quando o velho não existe mais e o novo não existe ainda. E eu fico pensando sobre isso e acho que a gente vive mesmo um momento de crise no direito autoral atual porque as leis que existiam antes não são mais capazes de dar conta de todos problemas que vieram com a internet. Hoje em dia, a lei de direito autoral privilegia o intermediário, não o artista“, disse em entrevista feita por telefone.

“Isso tem sido muito, muito discutido [lei para enquadrar troca de arquivos como crime]. Há quem queira ver no código penal atual, no artigo 184, uma criminalização para este tipo de conduta. Eu acho esse tipo de interpretação absurda porque se a gente entende que compartilhamento de arquivos é uma conduta ilícita no âmbito penal, então o Brasil inteiro está cometendo crime. É absurdo a gente achar que todo mundo que compartilha arquivo merece ser processado criminalmente. Mas, há quem defenda isso”.

Eu acho que a gente está vivendo uma onda de recrudescimento, de tentativa de tornar os direitos autorais mais controlados e não mais flexíveis. É só ver o prazo [de duração dos direitos autorais]: ao longo do século XX, os EUA o aumentou inúmeras vezes. Pela Convenção de Berna , o prazo padrão precisa ser de pelo menos 50 anos depois da morte do autor”. Hoje, o Brasil dá 70 anos, a Comunidade Europeia dá 70, o México dá 100 anos. É regra geral: a vida do autor mais este período, exceto para obras fotográficas e audiovisuais”.

“A Lei de Direitos Autorais de 1973, que vigorou até 1998, permitia uma cópia integral de cada obra. Então quando a gente copiava um LP em fita cassete, podia fazer isso, não tinha problema nenhum. Até 1998 isso foi permitido e não havia maiores questionamentos sobre direito autoral porque a internet não era como é hoje. Era muito menos dinâmica, muito menos comunitária, ou passível de compartilhamento informal. A rede traz o direito autoral para o centro da discussão e a lei dá um passo para trás e proíbe a cópia integral, permitindo só a cópia de pequenos trechos e, paralelamente a isso, a tecnologia permite cópias cada vez melhores, com mais facilidades, cada vez mais baratas. E aí sim o direito autoral se torna importante porque diante da internet todos nós copiamos, modificamos, publicamos, divulgamos nossos textos, nossas fotos, nossos filmes, nossas músicas. O direito autoral, que era um direito marginal, passa a ser um direito central na vida de todo mundo”.

“A internet acaba gerando dois efeitos opostos: como é muito fácil copiar, a sociedade quer ter acesso, mas os titulares de direito querem proteger os produtos cada vez mais. Para isso, eles começam a processar, a ideia de criar uma política do medo, de repressão: processar para dar exemplo. E já se viu que nos EUA não adiantou nada, podia processar quem fosse, as pessoas continuaram baixando música, copiando tudo, não mudou o comportamento da sociedade e acho muito difícil mudar. Acho que o embate vai continuar existindo”.

“Hoje nós, sem dúvida, temos um problema legislativo e também um administrativo, há um problema de modelo de negócio. E mudar uma lei é muito mais difícil que mudar o modelo de negócio. A lei precisa do Congresso disposto a mudar, precisa enfrentar lobby da indústria editorial, cinematográfica, musical, então mudar uma lei é muito difícil. É mais fácil mudar o modelo de negócio. Então, nós tivemos uma crise dos dois lados só que a indústria conseguiria resolver um deles, que é o que está ao alcance dela”.

O direito autoral existe, teoricamente, para financiar o autor, para remunerá-lo e gerar um incentivo para ele continuar criando. O prazo de 70 anos não serve para estimular o autor porque ele terá morrido quando esse período começar a valer. Isso, acaba gerando um direito para os herdeiros, que muitas vezes, é um direito mal utilizado porque enquanto a obra não cai em domínio público ninguém pode fazer uso dela. Se os herdeiros se recusam a republicar a obra, por exemplo, ela fica fora do alcance da sociedade. Então é um prazo absurdo que só interessa aos intermediários e não aos autores. Quando aumentaram o prazo do Mickey (os direitos do ratinho venceriam em 1998 e agora vão até 2023) carregaram junto toda a cultura dos anos 30, que entraria em domínio público”. É que não dá para a lei ser específica e dizer: ‘olha, só o Mickey que não vai cair em domínio público’. A lei é abstrata e aí se carrega toda a cultura e, nisso, vai música que está sendo esquecida, película de filme sendo destruída, vai junto uma série de obras que não têm mais valor econômicos, mas que poderiam ser reaproveitadas em outras obras e isso é retirado da sociedade”.

“A internet fez as pessoas repensarem os direitos autorais. Há uma série de dificuldades na aplicação da lei que não haviam antes. Acho que o Creative Commons é uma das possíveis soluções e não é definitiva porque adere ao CC quem quer. De toda forma, acho que a lei vai continuar existindo, mas acho que é preciso repensá-la. Os direitos autorais não morrem, só devem ser repensados. A discussão em torno da lei sempre foi feita, o direito autoral na antiguidade era um, na época da prensa de Gutemberg teve que mudar, no século XX teve que mudar de novo, e agora no século XXI vai ter que mudar outra vez”.

“[o projeto de lei para desconectar usuários] é um absurdo, isso viola a privacidade do consumidor. E o compartilhamento pode ter usos totalmente lícitos. Também não há nenhum estudo que comprove, terminantemente, que o compartilhamento de arquivos é algo prejudicial. Outro problema, pode existir uma finalidade para aquela cópia: é com fim didático? é para dar aula? é para dar aula de quê forma, para quem? usar em asilo? Esses usos não são previstos pela nossa lei, mas se a gente faz uma interpretação em conjunto com outra, a gente pode chegar a essas conclusões. Alguns usos deveriam ser permitidos, então simplesmente desconectar uma pessoa é infringir direitos que essa pessoa tem”.

Fonte; https://culturanaeradigital.wordpress.com/tag/direito-autoral/

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Mas afinal o que é Software Livre???!!!

Software livre, segundo a definição criada pela Free Software Foundation é qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado, modificado e redistribuído com algumas restrições. A liberdade de tais diretrizes é central ao conceito, o qual se opõe ao conceito de software proprietário, mas não ao software que é vendido almejando lucro (software comercial). A maneira usual de distribuição de software livre é anexar a este uma licença de software livre, e tornar o código fonte do programa disponível.

Acima uma animação em massinha, uma excelente definição sobre Software Livre!

 

Assista mais videos no nosso Canal do Youtube!

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Educação na África: A Fuga de Cérebros

Fui apresentado a esse grande pesquisador/cientista pelo meu amigo Banto Palmarino. Desde então tenho procurado saber um pouco mais sobre sua trajetória e pesquisa, apesar de achar muita coisa sobre ele na net, pouquissima coisa esta em português, tenho a pretensão de traduzir algumas coisas, mas enquanto isso não acontece. Posto aqui uma matéria que achei sobre ele no Portal Educar. Segue;

Para se ter uma idéia da Educação na África, postaremos uma entrevista de Philip Emeagwali, para o Africa Journal, realizada por Maimouna Mills, apresentador da Rádio Voz da América.

EMEAGWALI: A principal causa de brain drain externo é o baixo nível dos salários pagos aos profissionais africanos. A contradição é que gastamos anualmente quatro bilhões de dólares para recrutar e pagar 100.000 expatriados para trabalharem na África, mas falhamos em investir uma quantia proporcional para recrutar os 250.000 profissionais africanos que trabalham fora da África. Profissionais africanos trabalhando em África têm salários consideravelmente menores do que os salários de expatriados com qualificação semelhante.
Temos ainda o brain drain interno que ocorre quando pessoas não são empregadas nos seus campos de experiência e especialização. Por exemplo, muitos oficiais militares são políticos de uniforme e alguns médicos ganham salários suplementares como motoristas de táxi.

Quais são as razões para que as pessoas não retornem aos seus países de origem?

EMEAGWALI: As condições sócio-econômicas tornam difícil que alcancemos nosso potencial. A instabilidade política aumenta as taxas de emigração de profissionais para as nações desenvolvidas.
Muitos profissionais emigraram durante os reinados brutais de Idi Amin, Mobutu e Sani Abacha. A guerra no Sudão entre o norte islâmico e o sul cristão conduziu à emigração de metade dos profissionais sudaneses. Em 1991, um de cada três países africanos era afetado pelos conflitos. Hoje, existem mais refugiados em África do que em qualquer outra região do mundo.

Quais são as razões que levam a que você não regresse ao seu país de origem?

EMEAGWALI: Primeiro, eu tenho uma esposa americana que segue uma carreira acadêmica e um filho de oito anos que estuda numa boa escola. Eu não poderia interromper a carreira de minha esposa e a educação de meu filho.
Depois, eu nunca recebi convites de membros do governo. Algumas pessoas encontraram-me através da Internet e convidaram-me para ir à Nigéria.

Espero até o final do ano poder fazer pelo menos uma viagem à Nigéria.

Quais países são mais afetados pelo brain drain?

EMEAGWALI: Os países que absorvem cérebros são vencedores, enquanto os países que fornecem cérebros são perdedores. Os países receptores incluem os Estados Unidos, a Austrália e a Alemanha. Os países fornecedores de cérebros incluem a Nigéria, a África do Sul e Gana. Só a Nigéria tem 100.000 imigrantes nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, 64% de estrangeiros nascidos na Nigéria com 25 ou mais anos de idade têm ao menos o grau de bacharelado. 43% de estrangeiros que vivem nos Estados Unidos nascidos na África são pelo menos bacharéis. Nigerianos e outros africanos representam os grupos étnicos com maior nível educacional nos Estados Unidos.
As guerras na Etiópia, Sudão, Angola e Zaire contribuíram para o problema do brain drain.

Qual o impacto social do brain drain?

EMEAGWALI: O brain drain torna difícil a criação de uma classe média formada por médicos, engenheiros e outros profissionais. Temos uma sociedade africana dividida em duas classes: uma gigantesca sub-classe formada por pessoas muito pobres, em geral desempregadas, e uma classe formada por poucas pessoas muito ricas que, na maioria das vezes, são oficiais corruptos do governo ou de órgãos militares.
O brain drain permite que surja uma liderança fraca e corrupta. Uma ampla classe média instruída asseguraria que o poder político fosse transferido por meio de votos ao invés de guerras.

Quando os médicos emigram para os Estados Unidos, os pobres são forçados a buscar tratamento médico em curandeiros tradicionais enquanto a elite voa a Londres para seus check-ups de rotina.

Os oficiais do governo da Nigéria usam o dinheiro dos contribuintes para viajar ao exterior para avaliações de saúde rotineiras e para tratamento contra malária. Os check-ups no exterior são uma desgraça nacional e a sua proibição forçaria a Nigéria a recontratar os médicos que emigraram para a Europa.

Qual o impacto económico do brain drain?

EMEAGWALI: Os melhores e mais brilhantes profissionais podem emigrar, deixando para trás os mais fracos e menos imaginativos. Isto significa uma morte lenta para África.
Não podemos alcançar crescimento econômico a longo prazo exportando nossos recursos naturais. Na nova ordem mundial, crescimento econômico é movido por pessoas com conhecimento. Fala-se bastante sobre mitigação da pobreza. Porém, quem vai diminuir a pobreza? Serão os indivíduos mais talentosos que deverão liderar as pessoas, criar riqueza e erradicar a pobreza e a corrupção.

Os profissionais que estão saindo de África incluem aqueles com especialização técnica e habilidades administrativas e empreendedoras. A ausência destes profissionais aumenta a corrupção endêmica e torna mais fácil para os militares derrubarem governos democraticamente eleitos.

África precisa de uma classe média numerosa para construir uma grande base de contribuição de impostos que, em contrapartida, possibilitará a construção de boas escolas e a disponibilização de eletricidade sem interrupções. Os 250.000 profissionais africanos trabalhando em outros continentes aumentarão o tamanho da classe média.

Como você tem contribuído para sua comunidade?

EMEAGWALI: As telecomunicações mudaram o mundo e agora estamos vivendo numa aldeia ou comunidade global. Neste momento, você e eu estamos a usar tecnologia de telefonia e comunicação via satélite para manter uma conversa ao vivo.
Como convidado do Africa Journal posso compartilhar a minha experiência e a minhas visões pessoais consigo e com outros espectadores. Todo os dias, dezenas de pessoas procuram-me através da Internet e escrevem-me para pedir conselhos sobre suas carreiras e objetivos de vida. Além disso, meu site EMEAGWALL.COM é usado em 6.000 escolas e forneço orientação acadêmica a diversos estudantes de cursos primários e secundários.

Os africanos que deixam os seus países para estudar e trabalhar têm a obrigação de regressar e compartilhar os benefícios de sua educação?

EMEAGWALI: Na teoria, somos moralmente obrigados a regressar a Africa. Na prática, um profissional africano não renunciará a um salário de $50.000 por ano para aceitar um emprego de $500 por ano em África. Uma questão mais importante deve ser discutida: quais medidas podem ser tomadas para induzir que os africanos deixem o exterior e voltem aos seus países e o que pode ser feito para encorajar os profissionais na África a permanecerem em sua terra natal.

Como podemos diminuir ou mesmo interromper o brain drain?

EMEAGWALI: Você tem que recrutar os profissionais e retê-los. Nós podemos dar incentivos para recrutamento, como por exemplo, despesas de deslocação, empréstimos para moradia e para lançamento de negócios, salário suplementar para os primeiros anos. Porém, quando o suplemento salarial termina, muitos dos profissionais pegarão nas suas malas e regressarão à Europa e aos Estados Unidos.
Uma solução permanente seria pagar salários competitivos.

Que mudanças gostaria de ver nas políticas governamentais?

EMEAGWALI: Nós poderíamos eliminar as despesas com militares e aumentar gastos com educação, emancipação das mulheres e desenvolvimento das crianças.
Quarenta anos atrás, Fourah Bay College, Makerere University e University of Ibadan costumavam ser as melhores universidades do mundo em desenvolvimento. Hoje, estas universidades estão se despedaçando e tem uma escassez crônica de livros e equipamentos. Greves de alunos e professores criam períodos lectivos irregulares e não é raro que os estudantes demorem cinco ou seis anos para completar um curso de quatro anos.

O problema começou no início dos anos 80, quando muitas nações africanas passaram por programas de ajustes estruturais que implicaram a desvalorização de suas moedas e cortes nos gastos públicos. A desvalorização da moeda restringiu a quantidade de equipamentos e livros que poderiam ser comprados. Além disso, tornou difícil o estudo de ciências, engenharia e medicina no exterior. Um professor universitário que ganhava $1.000 por mês em 1980 hoje ganha $50 por mês e a maioria é forçada a emigrar.

Quando o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional forçaram a Nigéria a reduzir gastos públicos, Ibrahim Babangida cortou o orçamento da educação ao invés de reduzir o orçamento dos militares. Enquanto o salário dos professores deixou de ser pago durante vários meses, a Nigéria estava gastando centenas de milhões de dólares na importação de armas.

Não nos devemos esquecer do investimento na educação básica. A Nigéria precisa aprender com a experiência de Zâmbia. A taxa de analfabetismo entre a população adulta na Nigéria é de 49% enquanto entre a população de Zâmbia, a taxa é de 27%. Contudo, a Nigéria tem muito mais universidades que Zâmbia. A Nigéria deve aprender com Zâmbia e focar esforços em educação de boa qualidade para as massas. Com uma elevada taxa de analfabetismo e milhões de graduados em universidades, a Nigéria acabará com os pés na Idade da Pedra e a cabeça na Idade da Tecnologia de Informação.

Quem é o entrevsiatdo Philip Emeagwali:
“Distinção” podia ser o nome do meio de Philip Emeagwali. Tendo deixado o curso colegial e tendo sido um refugiado de guerra, este nigeriano a viver nos Estados Unidos é hoje a sensação do mundo da super-computação. Ele tem sido chamado de “Bill Gates da África”. Seus antigos colegas do Christ the King College, em Onitsha, lembram-se dele como “Cálculo”. Emeagwali detém inúmeros recordes: processamento mais rápido do mundo com 3.1 biliões de cálculos por segundo, recorde mundial por resolver as maiores equações diferenciais parciais com 8 milhões de grid points; recorde mundial por resolver as maiores equações de previsão de tempo com 128 milhões de grid points; recorde mundial por um inédito modelo de aceleração de computação paralela; descoberta do paradoxo contra-intuitivo do hipercubo; formulação da teoria de modelos de mosaicos para computação paralela; descoberta da quiralidade, dualidade, helicidade, etc. Suas demais façanhas se estenderiam por mais oito páginas. Emeagwali tem recebido os mais importantes prêmios no seu campo de conhecimento, mas diz que o mundo ainda não viu nada. Num período de sete meses, Reuben Abati do “The Guardian” entrevistou Emeagwali, abordando uma diversidade de temas.

Fonte:

Publicado em

Contribuição dos povos africanos para o conhecimento científico e tecnológico universal

O estudo e o acompanhamento do processo histórico da população africana e afro-brasileira é muito mais que uma gratidão aos milhões de mulheres e homens que forneceram as bases culturais e técnicas para a emersão do que hoje chamamos nação brasileira.

Essa atitude se configura em uma ação inteligente de quem deseja para o país a promoção de um desenvolvimento social sustentável. Uma vez que, a essa temática estão associadas questões fundamentais como: o nível de respeito que os brasileiros e brasileiras têm de si mesmos, em face da história de seu país e da capacidade desse povo de promover as
mudanças necessárias para atingirem um maior equilíbrio social e econômico. Com efeito, um sistema educacional que realmente pretende fornecer as bases para esse desenvolvimento precisa possibilitar aos seus estudantes o conhecimento do seu próprio povo, sob pena de não gerar nesses estudantes auto-estima suficiente para fortalecê-los perante os desafios da vida, para a concretização dos empreendimentos para o desenvolvimento social.

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