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Dominguinhos deixará saudades

Nossa história: resistência e existência viva que marcou o mundo. Dominguinhos,  junto a Gonzagão é ancestralidade, modernidade e tradição.  Que as gerações da calça larga e da bombeta não desconsiderem os que vieram antes… Não daremos um passo na caminhada da história sem se apropriar de seu legado… 

 

Assista o Documentario Milagre de Santa Luzia

 •atualizado em 24 de Julho de 2013 às 08h09

Aos 72 anos, músico Dominguinhos morre em São Paulo

Músico, que lutava há mais de seis anos contra um câncer de pulmão, estava internado desde o dia 13 de janeiro na capital paulista

Músico nordestino estava internado no Sírio-Libanês desde o dia 13 de janeiro deste ano Foto: TV Globo / Divulgação
Músico nordestino estava internado no Sírio-Libanês desde o dia 13 de janeiro deste ano
Foto: TV Globo / Divulgação

 

Morreu, nesta terça-feira (23), no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o cantor, instrumentista e compositor José Domingo de Morais, o Dominguinhos, aos 72 anos. O músico lutava há mais de seis anos contra um câncer de pulmão e desde dezembro estava internado com pneumonia e arritmia cardíaca.

Segundo o boletim médico divulgado pelo hospital paulista, Dominguinhos morreu às 18h, em decorrência de complicações infecciosas e cardíacas. Além do problema pulmonar, o músico era diabético.

 O velório será realizado em São Paulo, enquanto o enterro ocorrerá no Recife. Ainda não foram confirmados os locais dos trabalhos.

Dominguinhos foi internado em estado grave no CTI (Centro de Terapia Intensiva) do Hospital Santa Joana, no Recife, no dia 17 de dezembro do ano passado. Pouco menos de um mês depois, em 13 de janeiro, ele foi transferido para o Sírio-Libanês, em São Paulo, a pedido de familiares.

Na época da internação na capital paulista, o tratamento era avaliado de forma positiva, já que ele respondia de forma satisfatória a ele. No dia 9 de julho, no entanto, Dominguinhos piorou e precisou ser transferido às pressas para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital. O estado já era avaliado como grave pelos médicos.

 

Morre Dominguinhos aos 72 anos; lembre trajetria
Morre Dominguinhos aos 72 anos; lembre trajetria

 

Os problemas de saúde já eram sentidos por Dominguinhos muito antes da internação no final do ano passado. Em outra ocasião, em agosto de 2011, o músico cancelou uma série de shows também por conta de seu estado de saúde. Na ocasião, o motivo foi uma falta de ar, consequência de um problema no coração que o obrigou a ser submetido a um cateterismo e a uma angioplastia.

Carreira

José Domingos de Morais, mais conhecido como Dominguinhos, nasceu em Garanhus, no dia 12 de fevereiro de 1941. Instrumentista, cantor e compositor, ele começou a carreira no trio de irmãos Os Três Pinguins, quando tinha sete anos. Em uma das apresentações, o grupo tocou para Luiz Gonzaga, que encantado com a habilidade do menino resolveu apadrinhá-lo. Em 1954, foi para o Rio de Janeiro tentar construir sua carreira.

 Na capital fluminense, ganhou uma sanfona de Gonzagão e formou com Miudinho e Borborema o Trio Nordestino. Em 1957, se casou com sua primeira mulher, Janete, com quem teve dois filhos – Mauro e Madeleine.

 Dez anos depois, em1967, Pedro Sertanejo levou o rapaz para gravar discos de forró como solista. Um ano depois, ele conheceu em uma turnê a cantora Lucinete Ferreira, mais conhecida como Anastácia, que viria a se tornar sua segunda mulher, além de parceira musical em mais de duas centenas de canções de sucesso, como Eu Só Quero Um Xodó, Tenho Sede, Saudade Matadeira e Forró em Petrolina.

 No pós-tropicalismo, firmou parcerias com Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Maria Bethânia. Durante o período, conheceu e se casou com Guadalupe, sua segunda mulher. Com Chico Buarque escreveu Tantas Palavras e Xote da Navegação. Apesar de tantos nomes já famosos, foi com Nando Cordel que fez uma de suas canções mais famosas: De Volta pro Aconchego, que viria a se popularizar na voz de Elba Ramalho.

 Na década de 1970, conheceu em um show de Nara Leão a dançarina Guadalupe Mendonça, que se tornaria sua terceira e última mulher. O casal teve uma filha, a cantora Liv Moraes.

 Em 2002, Dominguinhos se consagrou como vencedor do Grammy Latino, com o álbum Chegando de Mansinho. Quatro anos depois, levou o Prêmio Tim como Melhor Cantor Regional. Em 2010, ganhou o Prêmio Shell de Música. O último álbum do cantor, Yamandu + Dominguinhos, foi lançado em 2008.

Aos 72 anos, morreu nesta terça-feira (23), o músico Dominguinhos, veja fotos da vida e carreira do compositor brasileiro
Foto: AgNews

Discografia

 1964 – Fim de Festa
1965 – Cheinho de Molho
1966 – 13 de Dezembro
1973 – Lamento de Caboclo
1973 – Tudo Azul
1973 – Festa no Sertão
1974 – Dominguinhos e Seu Acordeon
1975 –  Forró de Dominguinhos
1976 – Domingo, Menino Dominguinhos
1977 – Oi, Lá Vou Eu
1978 – Oxente Dominguinhos
1979 – Após Tá Certo
1980 – Quem me Levará Sou Eu
1981 – Querubim
1982 – A Maravilhosa Música Brasileira
1982 – Simplicidade
1982 – Dominguinhos e Sua Sanfona
1983 – Festejo e Alegria
1985 – Isso Aqui Tá Bom Demais
1986 – Gostoso Demais
1987 – Seu Domingos
1988 – É Isso Aí! Simples Como a Vida
1989 – Veredas Nordestinas
1990 – Aqui Tá Ficando Bom
1991 – Dominguinhos é Brasil
1992 – Garanhuns
1993 – O Trinado do Trovão
1994 – Choro Chorado
1994 – Nas Quebradas do Sertão
1995 – Dominguinhos é Tradição
1996 – Pé de Poeira
1997 – Dominguinhos & Convidados Cantam Luiz Gonzaga
1998 – Nas Costas do Brasil
1999 – Você Vai Ver o Que é Bom
2001 – Dominguinhos Ao Vivo
2001 – Lembrando de Você
2002 – Chegando de Mansinho
2004 – Cada un Belisca un Pouco
2005 – Elba Ramalho & Dominguinhos
2006 – Conterrâneos
2007 – Canteiro
2008 – Yamandu + Dominguinhos

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Cantora Lauryn Hill diz estar ‘aproveitando’ seus dias na cadeia

23/07/2013 – 16h45.

A cantora Lauryn Hill, que atualmente cumpre pena de três meses na prisão por evasão fiscal nos Estados Unidos, escreveu uma carta aos fãs em que diz estar “aproveitando” seus dias atrás das grades.

Hill está cumprindo sua pena numa prisão federal em Danbury, no Estado americano de Connecticut. No local, os detentos vivem em dormitórios que se assemelham a um quartel e devem trabalhar na manutenção, na cozinha e no paisagismo da penitenciária.

“Eu aprendi desde cedo a tentar entender as razões e tirar lições de tudo que acontece, incluindo os julgamentos. Embora tenha levado tempo para me adaptar, não posso negar que sou bem tratada aqui e recebo calor humano de pessoas que, por quaisquer circunstâncias, encontraram maneiras únicas de aproveitarem bem seus dias”, escreveu a cantora.

Mike Segar – 6.mai.13/Reuters
A cantora Lauryn Hill deixa tribunal em Newark, Nova Jersey, após ser condenada, em 6 de maio
A cantora Lauryn Hill deixa tribunal em Newark, Nova Jersey, após ser condenada, em 6 de maio

Ela ainda agradeceu as cartas que tem recebido dos fãs diariamente.

“Embora eu não possa responder todos, saibam que leio e aprecio tudo que me mandam.”

Em 2012, Lauryn Hill se declarou culpada por não ter pago um valor equivalente a US$ 1,8 milhão (R$ 3,9 milhões) em impostos entre 2005 e 2007.

No mês passado, a cantora chegou a dizer que sua prisão era “racismo” e escreveu um texto comparando sua situação a dos negros escravizados na época da colonização dos Estados Unidos.

 

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/07/1315431-cantora-lauryn-hill-diz-estar-aproveitando-seus-dias-na-cadeia.shtml

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Porque faremos manifestação na visita do Papa

O Papa Francisco chega hoje ao Brasil.

a cruz e a espada da sociedade ocidental

O seu discurso tem sido de defesa de uma Igreja pobre e para os pobres. Isso é um avanço, mas precisa de coerência prática.

Se de fato o Papa quer uma Igreja que ouça e defenda os pobres precisa posicionar-se sobre os ataques que os mais pobres têm sofrido no país que ele agora visita.

Queremos que o Papa se posicione em relação aos despejos que ameaçam e atingem milhares de famílias por conta das obras da Copa 2014 no Brasil.

Queremos que o Papa se posicione em relação ao extermínio da juventude das periferias pela Polícia Militar em várias partes do país.

Estaremos lá para cobrar esta coerência em relação à defesa dos pobres.

A Manifestação será em APARECIDA DO NORTE (SP)

Quarta-feira (24/7), a partir das 9h30, durante a visita do Papa.

 

MTST

Movimento Periferia Ativa

Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos


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Apelo aos “Cidadãos de Bem”

“Cidadãos de Bem”, ouvintes do Datena e leitores Veja, por um segundo, realmente vejam! Alerta total!!!
O vandalismo está avançando e  a muito já transbordou a capital… há confirmações  de vândalos em outras cidades e estados:

Armados de ideias, solidariedade e força política podem ser extremamente perigosos… Cuidado ao sair de casa, ao acessar a internet, ao desviar a atenção de nossas verdades globalmente consolidadas.

Ouvem-se relatos de que muitos “Cidadãos de bem” que se encontravam orgulhosos de sua escravidão mental têm agora entrado em crise, passando a questionar a ordem natural das coisas… há vandalismo maior que este? A desigualdade é natural; a violência policial na favela é natural; o empilhamento de trabalhadores em latas apertadas de transportar gente é natural! Todo o resto é subversão meu caro!

 
“Cidadãos de Bem”… não deixemos que essas “coisas” saiam do lugar em que elas a muito se encontram… foquemos nossa vidinha na Veja, nas novelas racistas e no jornal pseudo-nacional… torçamos para que esse vandalismo não se espalhe:
Imagine se esses vândalos começam a falar em transporte gratuito e de qualidade; imaginem se esses vândalos denunciarem a violência policial às cortes internacionais exigindo sua desmilitarização; imaginem se eles exigirem impeachment a um governador que a alguns meses atrás promoveu uma matança nas favelas sob a alegação da escalada de violência…

Não, “Cidadãos de Bem”… incriminemos esses meninos, antes que aprendam que a luta coletiva pode mudar o mundo… não permitamos que descubram o seu potencial, pois sempre soubemos que não são apenas os 20 centavos que estão em jogo, mas sim a ORDEM que julgamos natural.

manifestante sendo presa em ato contra aumento da passagem

Grupo KILOMBAGEM

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Apropriação Privada do Conhecimento e outras histórias

José Evaristo Silvério Netto

Nos encontramos em um momento na história da humanidade onde a crise nos setores da sociedade é evidente. O colapso no setor educacional, considerando os aparelhos públicos de escolarização, estão expressos na luta dos professores e demais profissionais da educação por melhores condições de trabalho e de vida. Não só o setor educacional, mas quando pensamos na sociedade como um todo, percebemos vários processos de ruptura da nefanda ordem social.

Protesto dos professores em São Paulo.

Entendo que o capitalismo e o racismo estrangulam as sociedades exploradas do planeta, e nesta conjuntura ampliando e intensificando a exploração e a geração de riquezas para compensar a crise mundial do sistema monetário. A exploração se dá de forma muito ampla e complexa, por meio dos diversos aparelhos de controle social do Estado e das industrias que detêm o controle dos processos políticos e sociais da humanidade. Uma face importante desta exploração se dá através apropriação privada do conhecimento humano, onde a lógica do capital tenta se vestir de leis da natureza, de modo que o senso comum perceba as expressões do racismo e do capitalismo como fatos naturais na história da humanidade. Assim, todos os aparelhos “oficiais” de produção de cultura e conhecimento em alguma medida dialogam com esta lógica, produzindo e reproduzindo o racismo e suas desigualdades, dentro do processo já mencionado acima, descrito por Roberto da Silva, quando discutindo sobre as bases científicas da Pedagogia Social (consultar livro: Pedagogia Social – Roberto da Silva, João Clemente de Souza Neto, Rogério Adolfo de Moura (orgs.). — São Paulo : Expressão e Arte Editora, vol. 1. 2ª edição, 2011).

De certa forma, a Apropriação Privada do Conhecimento trata do modo como as industrias constroem a realidade (a nossa realidade – como uma “matrix”) a partir dos produtos que vendem, de modo a não permitir aos explorados SER (expressão livre do espírito em comunhão com as identidades étnicas e humanas, por exemplo) sem possuir estes produtos. Tão forte é a penetração desta lógica nos nossos espíritos, que mesmo as teorias que problematizam o racismo e a lógica do capital, ainda assim continuamos presos à necessidade de comprar, de possuir estes produtos. A lógica do capital, o racismo, e seus resíduos valorativos e judicativos se imbricam na nossa estrutura afetivo-emocional; orientam a construção da nossa estrutura cognitiva, e tornam-se lócus interno da percepção da causalidade da nossa motivação e ação.

As industrias do setor alimentício forjam a realidade e a verdade que pretendem para nós a partir da manipulação dos nossos sentidos gustativos desde quando nascemos, ou até antes disso, “normatizando” e ajustando-nos para entender a realidade a partir do que oferecem de estímulos, de parâmetros valorativos, e de conhecimento sobre o mundo, transformando-nos finalmente em consumidores vitalícios. Da mesma forma, as industrias do olfato, do tato, da visão e audição, que se apropriam das nossas possibilidades de compreensão da realidade para, uma vez nos fazendo consumidores programados, manterem a lógica da exploração e do poder. Somos vítimas deste processo antes de tomarmos consciência do mundo que nos rodeia, e, talvez por isso seja tão difícil descortinar este esquema do qual somos peças fundamentais. Aqui, os conceitos de REVOLUÇÃO e de EMANCIPAÇÃO têm muita importância, mas sobre estes cabe outro texto, com outra orientação. (Neste texto, busco opinar, dentro das minhas possibilidades, sobre a condição de explorados pelo processo de Apropriação Privada do Conhecimento perpetrada pelas industrias e os aparelhos ideológicos do Estado).

A grande responsável pela sedimentação e consolidação deste processo perverso de Apropriação do Conhecimento pelo Capital, nas figuras das industrias que privatizam os sentidos Humanos, são as mídias televisivas. Estas industrias utilizam predominantemente os estímulos audiovisuais, e a LINGUAGEM (ai cabe outra discussão, sobre o papel da linguagem e da língua para a dominação e colonização), para introjetar a ideologia das elites mundiais de modo a estabelecer o controle social necessário para administrar a miséria e gestão do sistema de exploração. As propagandas, os programas de auditório e de outros gêneros, os programas de noticias, as novelas, os filmes, os desenhos, e outras tantas tecnologias desta industria geram uma gigantesca inércia de introjeção ideológica à serviço da lógica do capital e do racismo, dando ares de verdade universal ao conhecimento forjado desde o nosso nascimento (ou antes) pelos estímulos das industrias do palato, do tato, da audição, da visão e do olfato.

Penso que é necessário uma ruptura profunda do tecido social para gerar uma conjuntura social que seja solo fértil para a organização revolucionária do povo. Segundo Roberto da Silva (2011), houve no Brasil uma ruptura que provocou o processo de redemocratização do país, localizando a constituição de 88 como marco normativo. Porém, o professor afirma que esta Constituição Cidadã não significou uma ruptura de carácter revolucionário. Pelo contrário, representou a volta do Estado de Direito, antes fora interrompido pelo golpe militar de 64.

Abaixo faço uma pequena proposição de algo que ainda quero me apropriar.

Uma vez que o racismo tenha sido o motor do capitalismo, e dadas as demandas atuais gravíssimas – genocídio da juventude negra, redução da maioridade penal, racismo institucional, resistência e descaracterização de políticas de ação afirmativa, desapropriações criminosas de comunidades periféricas, crimes do Estado Brasileiro contra comunidades Quilombolas, entre tantas demandas – acredito que a ruptura do tecido social se dará a partir das desigualdades raciais das classes sociais para uma mudança da ordem estrutural da sociedade. O protagonismo dos explorados no processo de radicalização e endurecimento da luta de emancipação deverá levar em conta um projeto político de sociedade que contemple uma outra estrutura de sociedade, onde será possível inclusive implementar outras tecnologias educacionais e, onde a Lei 10639/03 poderá ser encaminhada na práxis, para além do papel.

Campanha Contra o Genocídio da Juventude Negra

Termino aqui esta opinião, mas sinalizando para o que penso ser um caminho interessante (pretendo escrever sobre isso): que a educação precisa passar por um processo de desconstrução dos seus sustentáculos estruturais historicamente forjados pelas demandas das classe dominante, para que seja possível implantar uma educação social – apoiada na Pedagogia Social – que tenha uma orientação política em acordo com a lei 10639/03, uma perspectiva afrocentrada de análise da realidade, e outras fontes de mudanças construturais para a reconfiguração da mente colonizada que possuímos.

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10 anos de lei 10.639/03: pensamento e ação

Crédito da imagem: Jean Baptiste Debret

Em 2013, 125 anos de abolição formal não foram suficientes para destruir as barreiras forjadas pelo escravismo e pelo racismo permitindo que, assim, as populações negras promovam a continuidade de suas histórias e culturas e o ensinamento de suas visões de mundo. Os espaços de poder não mostram a população negra em sua representatividade: população negra – 51,1% (a saber, 6,9% pretos e 44,2% pardos) (IBGE, 2009).

É comum ouvirmos ainda que o Brasil vive uma democracia racial, tese que já foi devidamente desconstruída por muitos sociólogos, mas que continua sendo propagada em alguns meios com interesses escusos.

Nos principais times de futebol e outros esportes, nos programas de música, vemos que a presença do negro é mais frequente e tolerada do que em outros espaços. Por exemplo, ninguém se incomoda se o craque da Seleção Brasileira for um jogador negro, o Neymar ou o Ronaldinho Gaúcho, por exemplo. Mas algumas pessoas mostram-se desconfortáveis ao se depararem com negros em cargos de liderança em empresas, como advogados, médicos, enfim… São espaços em que a presença negra é menor, dado o processo de racismo e suas implicações na sociedade, mas quando se mostra, incomoda e causa desconfiança a alguns. Há pouco tempo, uma jornalista causou relativa polêmica ao declarar com todas as letras em seu blog que não queria ser atendida por um advogado ou dentista negros, por exemplo, pois haveria a possibilidade de eles terem sido estudantes universitários cotistas, o que, para ela, denota incapacidade. Após a polêmica, a mesma tentou retratar-se e justificar-se.

Ora! Nem as cotas raciais nas universidades terão como consequência a formação de profissionais incompetentes, já que o currículos, os recursos didáticos, a infraestrutura, a avaliação e os docentes serão os mesmos dos outros estudantes não-negros e não-cotistas, correto? E nem há pressuposto para argumentar que o estudante cotista tem menos condições intelectuais de formar-se com o mesmo louvor que os outros, já que o que barra o ingresso igualitário de negros e brancos ao ensino superior não é o aspecto cognitivo, mas o abismo social conseqüente do racismo que, no Brasil, é institucional e, hipocritamente, aceito por grande parcela da população que tem a coragem de considerar a necessidade de ações afirmativas para ter seus direitos garantidos, um privilégio! Ou que as universidades públicas que deixarem de adotar o “mérito” como critério de ingresso terão queda em seu nível de excelência, esquecendo-se que a educação é um direito social e parte do processo de desenvolvimento humano. A escola figura como o espaço institucional responsável pela abordagem pedagógica do conhecimento.

 

“… as práticas educativas que se pretendem iguais para todos acabam sendo as mais discriminatórias. Essa afirmação pode parecer paradoxal, mas, dependendo do discurso e da prática desenvolvida, pode-se incorrer no erro da homogeneização em detrimento do reconhecimento das diferenças” (GOMES, 2001).¹

 

Deste modo, há necessidade de medidas e políticas diferenciadas para que os mesmos direitos sejam garantidos a todos, dadas às distintas trajetórias de vida, muitas vezes, determinadas pela cor da pele.

Algumas ideias elementares precisam estar bem demarcadas, pois são fundamentais para definir a concepção da qual o sujeito parte para a compreensão da realidade:

  • A humanidade e a civilização surgem no continente africano;
  • Os primeiros seres humanos foram negros;
  • A história dos africanos não tem início com a escravidão colonial;
  • Os africanos contribuíram e contribuem para o desenvolvimento humano universal;

·                 A Lei Áurea, assinada em 1888, não significou liberdade plena imediata e a ausência de políticas públicas para inserção do negro na sociedade criou os primeiros marginalizados (uma grande massa de crianças abandonadas, desempregados etc.).

Agora, vamos recuar alguns níveis de ensino e refletir sobre a educação das relações étnico-raciais na escola nas séries iniciais. Muitas (os) professoras (es) até tem a prática de desenvolver trabalhos de combate ao preconceito, à discriminação e ao racismo, porém, há um obstáculo para que esta iniciativa ganhe uma dimensão mais significativa. Muitas dessas ações se dão a partir de projetos individuais para uma classe em um determinado período do ano letivo. Com o término do projeto ou mesmo com a mudança de escola dessa (e) professora (r), todo um trabalho construído se perde (ou vai embora com “aquela (e) iluminada (o)” para outra Unidade Escolar), pois não há iniciativas da gestão da escola para a institucionalização da lei nº 10.639/03, nem envolvimento do restante do corpo docente, até por acreditarem que em sua turma essa proposta não se faz necessária. Por incrível que pareça, há quem acredite que só quem tem alunos negros precisa realizar algum tipo de trabalho sobre igualdade racial ou mesmo que os professores negros é quem devem “levantar essa bandeira”.

A lei veio para estabelecer a obrigatoriedade da temática pela instituição escolar (com o apoio das Secretarias Municipais e Estaduais de Educação), não pelo professor, com o objetivo de trazer a história e a cultura afro-brasileiras e africanas para o cotidiano da escola, não para atividades pontuais como o 13 de maio ou o 20 de novembro.

As crianças, ao serem questionadas em sua espontaneidade sobre o que a África lhe remete, relatam sobre os animais selvagens (girafas, leões e elefantes) ou mesmo a fome e doenças. Ora, onde está a surpresa? Os próprios adultos, professores muitas vezes, trazem em sua subjetividade as mesmas concepções!

Ações individuais não fazem com que a História e a Cultura Afro-Brasileiras e Africanas passem a fazer parte do cotidiano da escola, mas é preciso que a temática chegue ao Projeto Político-Pedagógico das escolas e assim, passe a compor o planejamento e os planos de aula dos docentes.
Concepções distorcidas por parte dos docentes, existem! Falta de informações sobre a lei e as diretrizes curriculares para a educação das relações raciais, também! Assim como também falta um olhar sensível e educado para perceber que no ambiente escolar, mesmo nas classes de Educação Infantil, ocorrem inúmeras situações de preconceito. Sim! Por parte de professores e alunos! Sim! As crianças também reproduzem o preconceito aprendido em seus lares, meios de comunicação e até mesmo nas “inocentes” histórias infantis onde tudo o que é branco é puro e belo, o que é escuro, representa o mal, o feio…
Enfim… é só a pontinha do iceberg…

 

 

¹ Nilma Lino Gomes (UFMG) in CAVALLEIRO, Eliane (org.). Racismo e anti-racismo na educação. Col. Repensando nossa escola. São Paulo: Summus, 2001.

 

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NOTA DO TRIBUNAL POPULAR EM DEFESA DO POVO GUARANI KAIOWÁ DA ALDEIA TAKUARA!‏

Desde o ano passado diversos foram os apelos e denuncias feitas, nada e ninguém ouviu, Governo Federal, Legislativo, STF FUNAI dentro outros, o aviso era claro os Fazendeiros que tem cometido reiterados crimes contra os Guarani Kaiowás no Mato Grosso do Sul, estavam se armando e preparando diversas ações, algumas travestidas de legalidade e outras não.

No começo desse ano, já foram duas mortes diretas, sem que ninguém tomasse nenhuma providência!

A aldeia Takuara, terra aonde nasceu e morreu o Cacique Marcos Veron, por sua importância política , passou a sofrer diversos ataques direto, 3 deles (duas queimadas e uma tentativa de assassinato do Cacique Ládio Veron e mais três lideranças), testemunhados pelo Tribunal Popular e observadores que estiveram em um acampamento na Aldeia Takuara em dezembro(2012) e janeiro(2013), todos comunicados as autoridades que teriam competência para resolver essa situação .

Na semana passada , foi denunciado que Jacinto Honório, arrendou ilegalmete as terras da aldeia Takuara e o suposto arrendatário, foi até a aldeia e ameaçou os moradores e falou que iria derrubar a última reserva florestal da aldeia, a FUNAI falou que nada poderia fazer.

Todas essas denuncias, foram feitas e enviada com cópia para todas as autoridades “competentes”.

Hoje diante de tantos descasos, os Guarani Kaiowá fecharam a entrada da Fazenda Brasília do Sul , que invade as terras da Aldeia Takuara e não sabemos qual o desfecho dessa situação.

Pedimos aos diversxs companheirxs, que nos ajudem nesse momento de mobilização, que traduzam essa nota para as diversas línguas, que façam chegar aos povos do mundo, que o estado brasileiro é genocida e cúmplice do etnocídio que tem acontecido no MS do Sul com os Guarani Kaiowá e não deixemos acontecer o que ocorreu em 2001, quando foi assassinado Cacique Marco Veron .

Gritemos bem forte para que o mundo todo possa ouvir e essa barbárie pare de acontecer. Guarani Kaiowá é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo!


Tribunal Popular: o estado brasileiro no banco dos réus
blog: www.otribunalpopular.wordpress.com

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Rosa Parks e a pedagogia da desobediência

 Quando lutar é a única opção

A história oficial é essencialmente masculina. Nos maiores e mais importantes eventos da humanidade a figura da mulher tem pouco destaque. No entanto, aos poucos, algumas reparações começam a ser feitas porque são inúmeras as protagonistas na história. E o traço comum entre elas é o da desobediência, ou seja, uma teimosia militante contra a ordem vigente e que resultará em rompimento da dita normalidade. Este é o caso da história de Rosa Lee Parks, uma das mais importantes ativistas pelos direitos civis e contra a discriminação racial nos Estados Unidos.

Rosa nasceu em fevereiro de 1913 no estado do Alabama, Estados Unidos, há 100 anos, mas ela mesma diz ter outra data de nascimento: 1º de dezembro de 1955. Mais adiante no texto se entenderá o porquê dessa outra data. Parks teve forte influência do avô, que a ensinou a enfrentar todas as circunstâncias discriminatórias por conta da cor com firme dignidade e jamais aceitar o preconceito como natural. Em sua infância, a lembrança permanente era da Ku Klux Klan, um grupo branco que queimava as casas dos negros e enforcavam os que sobreviviam.

Ainda criança sentiu, na prática, a profunda divisão racial na sociedade norte-americana. Jovem ainda, engaja-se como costureira na Associação Nacional para o Desenvolvimento das Pessoas de Cor (NAACP – sigla em inglês), uma organização de defesa dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Lá conheceu seu marido, Raymond Parks, um mestiço de grande influência naquela associação. Os dois eram voluntários na organização e atuavam na formação e conscientização dos marginalizados e buscavam, com apoio de advogados, atuar na defesa dos negros presos apenas por serem negros.

Em 1º de dezembro de 1955, depois de um dia inteiro de trabalho, principalmente fazendo costuras na associação, estava moída de dor e voltaria para casa de ônibus. Rosa sofria de fortes crises reumáticas e o frio era de rachar. Em sua casa, mãe e marido estavam febris. Mesmo assim, depois de cuidar dos dois, ainda iria naquela noite à igreja Luterana onde rapazes e moças negras a esperavam para receber dela uma espécie de introdução aos direitos civis. Nas reuniões os temas eram vários: solidariedade paroquial, brutalidade patronal, empréstimos abusivos, situação da moradia, saúde, etc.

No Sul dos Estados Unidos existiam as leis Jim Crow, um conjunto de regras segregacionistas entre brancos e negros. Depois de colocar dez centavos na caixa do ônibus perto do motorista, Rosa Parks é obrigada a descer e entrar pela porta traseira. Muitas vezes, os motoristas arrancavam o ônibus e deixavam vários negros a pé e sem dinheiro. Não aconteceu naquele dia 1º de dezembro. No fundo do ônibus existiam apenas dez assentos destinados aos negros. Era a lei. Na frente do veículo só podia sentar os brancos e no meio existia uma “zona de risco”, isto é, havia assentos onde os negros podiam se sentar, mas se chegasse um branco, era obrigado a ceder o lugar.

Quando Rosa entrou no ônibus já não tinha lugar para sentar ao fundo. O porão do navio negreiro estava cheio. Ela precisava sentar-se. Apenas alguns assentos livres na zona de risco e lá ela se sentou. Na segunda parada, mesmo tendo assentos livres para os brancos, alguns deles se dirigiram a zona de risco e o motorista obrigou todos os negros a ceder os lugares. Rosa Parks desobedeceu. Mesmo sendo ameaçada pelo motorista de ir para a cadeia, a costureira manteve-se em seu assento para o espanto de brancos e negros no ônibus. “O senhor quer me prender? Tudo bem”, disse ela bastante calma. Estava farta das humilhações e para ela, a desobediência civil, era a única alternativa.

“Ao dizer ‘não’, completamente desarmada, eu ficava em paz comigo mesma. Não tentava ser uma cidadã-modelo: eu, a quem a lei excluía do direito ao voto, assim como da liberdade de beber água em qualquer bebedouro, de me sentar num lugar mesmo que ele estivesse livre, de usar banheiros públicos, ou seja, de pertencer a um país cujos valores eu não compartilhava. Ao contrário dos humanos, os animais bebiam na mesma fonte, qualquer que fosse a cor de seu pelo”, escreveu Rosa Parks.

Na delegacia, tiraram as impressões digitais da “criminosa”. Ela pediu água, mas o bebedouro era apenas para brancos. Era a primeira vez que tinha sido presa. Na fria, escura e suja cela, Rosa e outras mulheres negras, Chris e Rebecca. As três presas por desobediência a lei branca. Graças a uma mobilização do seu marido e apoio de advogados militantes da causa racial, foi paga uma fiança e Rosa Parks foi libertada na mesma noite, deixando as outras duas mulheres na cadeia. Sua revolta e indignação ganharam corpo com aquele quadro. “Vivia a noite mais agitada de minha vida. A noite da iniciação, onde tudo começou”, dizia ela, que não se esquecia de Chris e Rebecca.

Parks não se contentava mais com ações conciliatórias da NAACP. Era preciso fazer mais. O limite já havia sido ultrapassado. Com alguns amigos, resolveu prestar queixa contra a companhia de ônibus. Um escândalo. Foi duramente criticada pela imprensa. Numa reunião na associação, gritava ameaçando nunca mais pegar ônibus, indo e voltando do trabalho a pé. Em dias, talvez o maior e mais longo boicote (protesto) contra a situação de discriminação racial nos ônibus tomou conta do Alabama. E o ato começou no dia 5 de dezembro, data do julgamento de Rosa, que foi condenada a pagar dez dólares pela infração de ter se recusado a ceder o assento a um branco.

Como numa ação viral impressionante, os negros boicotavam os ônibus. Centenas eram visto andando juntos e pé. Era uma marcha diária de terror para o Estado, além do prejuízo econômico de ônibus quase vazios e escoltados pela polícia. Vale registrar a participação ativa de pastores batistas na luta. Rosa organizava caronas, convoca táxis dirigidos por negros que, por solidariedade, cobraram apenas dez dólares. O movimento crescia e tomava enorme dimensão. Rosa e o marido foram demitidos. Um jovem pastor de 28 anos, Martin Luther King Jr. engajou-se na luta e passa a coordenar o boicote dos ônibus do Alabama.

Mesmo com o desemprego, com grandes necessidades, as intensas ameaças de morte, Rosa Parks se manteve firme na desobediência e no boicote, que abalou a supremacia branca do Sul dos Estados Unidos. O protesto durou um ano e 16 dias e terminou com o fim da abolição total e definitiva da segregação racial nos ônibus do Alabama. Por conta do boicote, Rosa e Raymond foram condenados judicialmente a pagar 800 dólares. Sem mais condições mais de sobrevivência na pequena cidade de Montgomery, eles foram obrigados a se mudar para Michigan. “É hora de nos afastarmos do Alabama. O Sul tem ódio demais do negro”, lembra Rosa Parks.

Poucos sabem, mas quando da marcha de um milhão de pessoas em Washington em 1963, lideradas por Martin Luther King, quem estava nas primeiras fileiras e em destaque era Rosa Parks, que se tornou figura central. Ela morreu em outubro de 2005, aos 92 anos, mas entrou para a história como uma mulher que mostrou ao mundo o papel revolucionário e pedagógico da desobediência, da transgressão e da resistência.

José Cristian Góes

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Instituto cobra cumprimento de lei para educação étnico-racial no STF

Ação será protocolada pelo Instituto de Advocacia Racial e Ambiental contra governo federal e a presidenta Dilma Rousseff por não fiscalizar e exigir a criação de disciplinas sobre o tema

Priscilla Borges – iG Brasília |  – Atualizada às 

 

Após completar uma década de aprovação, a Lei nº 10.639 não conseguiu garantir que o ensino de história e cultura afro-brasileira faça parte dos currículos da educação básica e da formação dos professores do País. O descumprimento das exigências da lei, agora, se tornará tema de ação a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Veja a petição na íntegra

Leia também: História afro-brasileira ainda está distante da sala de aula

O Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) vai protocolar um mandado de segurança no tribunal na manhã desta sexta-feira. Na ação, os representantes do instituto pedem suspensão da abertura de novos cursos de graduação e licenciatura destinados a formar profissionais em educação nas instituições públicas; suspensão de repasse de recursos financeiros reservados aos programas de formação para esse tema e mudanças nos critérios de avaliação dos cursos.

Entre os muitos alvos da ação, estão a presidenta Dilma Rousseff; o ministro, o secretário-executivo e o de Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério da Educação; o presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE); o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep); o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE); o ministro da Controladoria-Geral da União, o procurador federal dos Direitos do Cidadão; reitores de 44 universidades federais e o advogado-Geral da União.

No papel: Só 11% da verba de projetos educacionais para igualdade racial foi usada

“Estamos cobrando judicialmente tudo o que eles não fizeram antes e encaminhamos a ação para o Supremo Tribunal Federal por conta de um ato omissivo da presidenta da República. Todo o trabalho de pesquisa feito pelo Iara mostra que a implementação da lei é um faz de conta”, afirma Humberto Adami, advogado que representa o instituto.

O advogado explica que o Iara fez um levantamento sobre a situação da aplicação da lei nas escolas e universidades. Há projetos isolados sobre o ensino da história e cultura africanas e afro-brasileiras nas escolas; as universidades não têm disciplinas específicas para tratar o tema na formação dos professores – quando há, não é obrigatória – e as verbas destinadas ao financiamento dos programas da área são pouco utilizadas.

Pedidos “esquecidos”

Antes de decidir entrar com a ação no STF, o instituto pediu providências administrativas ao Ministério da Educação, em novembro do ano passado, “propondo representação por descumprimento da obrigatoriedade do estudo da história da África e dos afro-brasileiros, em relação aos órgãos responsáveis pela formação inicial, continuada, controle, fiscalização e avaliação das Políticas Públicas na estrutura da Educação”.

Sem resposta após 60 dias, o mesmo pedido foi feito à presidenta Dilma Rousseff. Adami diz que, baseado no descumprimento da lei, os autores da ação pediam o mesmo que consta agora no processo judicial: suspensão da abertura de novos cursos de graduação que formam professores; reavaliação dos cursos para diminuir os conceitos de qualidade das instituições que não oferecem a disciplina; suspensão de repasse dos recursos financeiros aos programas de formação e punir os responsáveis por não fiscalizar o cumprimento da lei.

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“Com a omissão da presidenta, vamos propor essa ação. Houve muita verba pública destinada à implementação dessa lei. Foram realizados cursinhos, seminários, festas. Mas, de fato, não se modificou a resistência ao conhecimento da cultura afro-brasileira e do estudo da história dos africanos no Brasil”, afirma ele.

Segundo Adami, a lei provocou mudanças nas escolas – mesmo que não tão numerosas – mas não nas universidades. “É difícil cobrar da escola, que muitas vezes consegue fazer medidas pontuais e que dependem do esforço de muitas pessoas, se as universidades que formam estão do mesmo jeito”, avalia.

Para negros: STF julga constitucionais as cotas raciais em universidades

Não existe prazo para que os ministros do STF julguem a ação. Mas, para Adami, discutir o tema na Suprema Corte será de grande valia. Na opinião do advogado, uma geração de jovens está sendo prejudicada com a falta do conteúdo debatida nas salas de aulas da educação básica e das universidades.

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EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO RACIAIS: INTERDISCIPLINARIDADE E TRANSVERSALIDADE.

Por Leila Maria de Oliveira  – Mestre em Educação: Currículo pelo Programa de Pós Graduação da PUC-SP; professora de educação física; e integrante do Grupo KILOMBAGEM.

Texto apresentado como conclusão de Curso Educação, Relações Raciais e Direitos Humanos, promovido pela Ação Educativa.

 

O presente artigo tem como objetivo provocar uma breve reflexão sobre a importância de trasnversalizar a temática da educação para as relações étnico raciais nos currículos da educação básica brasileira.

A temática Educação para as Relações Raciais, ganha escopo depois da promulgação da Lei 10.639/03, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, incluindo no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”; além disso, seu conteúdo altera a LDBEN, acrescida dos arts. 26-A e 79-B, e avança com a elaboração do Parecer CNE/CP nº 03/04.

O Parecer CNE/CP nº 03/04, propõe e define as diretrizes que incluem, nos currículos das instituições de ensino, que atuam nos variados níveis e modalidades da educação brasileira, conteúdos e atividades curriculares relativos à educação das relações étnico-raciais. (OLIVEIRA, 2012)

A expressão Educação para as Relações Raciais, aparece no texto do Parecer CNE/CP nº 03/04, destacando a importante função da escola em criar pedagogias antirracistas, apontando a necessidade de os professores estarem qualificados para

[…] o ensino das diferentes áreas de conhecimentos e, além disso, sensíveis e capazes de direcionar positivamente as relações entre pessoas de diferente pertencimento étnico-racial, no sentido do respeito e da correção de posturas, atitudes, palavras preconceituosas. Daí a necessidade de se insistir e investir para que os professores, além de sólida formação na área específica de atuação, recebam formação que os capacite não só a compreender a importância das questões relacionadas à diversidade étnico-racial, mas a lidar positivamente com elas e, sobretudo criar estratégias pedagógicas que possam auxiliar a reeducá-las, para o ensino das diferentes áreas de conhecimentos e, além disso, sensíveis e capazes de direcionar positivamente as relações entre pessoas de diferente pertencimento étnico-racial, no sentido do respeito e da correção de posturas, atitudes, palavras preconceituosas. Daí a necessidade de se insistir e investir para que os professores, além de sólida formação na área específica de atuação, recebam formação que os capacite não só a compreender a importância das questões relacionadas à diversidade étnicoracial, mas a lidar positivamente com elas e, sobretudo criar estratégias pedagógicas que possam auxiliar a reeducá-las. (BRASIL, 2004, p. 17).

O texto ressalta aspectos importantes, como a necessidade de investimento na formação inicial da área especifica dos professores, como também o incentivo na continuidade da formação para tratar a temática educação para as relações étnico raciais no cotidiano escolar.

O documento fomenta a necessidade de trabalhar a diversidade, não se tratando de substituir uma cultura determinante de raiz europeia por uma de matriz Africana, o que se pretende é valorizar e expandir o “foco dos currículos escolares para a diversidade cultural, racial, social e econômica brasileira.” (BRASIL, 2004, p. 17).

Como bem cita Silva (2005, p. 161), “[…] a Africanidade Brasileira abrange diferentes áreas, não precisam, em termos de programas de ensino, constituir-se numa única disciplina, pois podem estar presentes, em conteúdos e metodologias, nas diferentes disciplinas constitutivas do currículo escolar”.

A abordagem de conteúdos e metodologias que valorizem as relações étnico – raciais, permite e estimula o trabalho conjunto entre dois ou mais campos distintos, em busca de um trabalho interdisciplinar. Para Fazenda (2002, p. 64b), “a atitude interdisciplinar está contida nas pessoas que pensam o projeto educativo.”

A educação interdisciplinar não elimina as disciplinas, ao contrario reorganiza para torná-las comunicativas entre si.  As DCNERER não orienta a criação de uma disciplina nomeada Educação para as Relações Étnico Raciais, porem enfatiza a importância da temática ser trabalhada no âmbito de todo o currículo.

A proposta interdisciplinar estabelece ligações de complementaridade, convergência, interconexões e passagens entre os conhecimentos (Brasil 1999). Por isso é importante reorganizar o currículo, elaborando estratégias para contemplar conteúdos, que enaltecem o processo de ensino aprendizagem e de inserção social.

A sociedade brasileira é constituída pela diversidade, e se o que se busca é respeitar o educando, não se devem segregar culturas, já que as diferenças é tão importante na constituição do sujeito.

Alguns temas, que correspondem a questões presentes na vida cotidiana como orientação sexual e meio ambiente, foram integrados no currículo por meio da transversalidade. Pretende-se que alguns temas integrem as disciplinas convencionais, isso significa que devem ser trabalhados em disciplinas já existentes, relacionando-as às questões da atualidade e que se tornem eixos orientadores no convívio escolar. (MENEZES, 2002)

Ainda que o MEC, já pré-estabeleceu os temas transversal, ressalta a inclusão de outros temas relevantes, e ainda adverte aos professores a mobilizar conteúdos que reflitam nas questões sociais.

Assim, segundo orientação dos PCNs, não se trata de que os professores das diferentes áreas devam “parar” sua programação para trabalhar os temas, mas sim de que explicitem as relações entre ambos e as incluam como conteúdos de sua área, articulando a finalidade do estudo escolar com as questões sociais, possibilitando aos alunos o uso dos conhecimentos escolares em sua vida extra-escolar. Não se trata, portanto, de trabalhá-los paralelamente, mas de trazer para os conteúdos e para a metodologia da área a perspectiva dos temas. Segundo o MEC, caberá aos professores mobilizar tais conteúdos em torno de temáticas escolhidas, de forma que as diversas áreas não representem pontos isolados, mas digam respeito aos diversos aspectos que compõem o exercício da cidadania. (MENEZES, 2002)

O exercício de transversalidade não é somente tarefa do professor que trabalha diretamente com o educando, mas também da gestão que propõe e acompanha o projeto político pedagógico da unidade escolar.

O conteúdo sobre as relações étnico raciais merece uma atenção especial, devido a forma em que foi constituída a sociedade brasileira e as formas de manifestação do racismo. Transversalizar a temática em questão, possibilita a compreensão e a construção da realidade social, mais que isso valoriza a diversidade e integra os então “diferentes”, auto repeitando e respeitando ao outro.

 

Algumas considerações

A intencionalidade deste texto é provocar uma reflexão sobre a Lei nº 10.639/03, efetivada nas DCNERERs, para deixar de ser uma tarefa somente do Movimento Negro, desconsiderando ser uma alternativa, e que seja incorporada no currículo como neutra, assim como outros conteúdos obrigatórios do currículo.

A proposta de transversalidade pode acarretar algumas discussões do ponto de vista conceitual com a concepção de interdisciplinaridade. No entanto as duas apontam para o enredamento do real, e sua relação encadeada pode contribuir na elaboração de projetos onde o resultado esteja voltado para a o dia a dia, para a mudança de atitudes e práticas de todos os envolvidos.

Outro aspecto relevante é que se assume a temática das relações étnico raciais como um trabalho a perpassar todas as disciplinas seja de maneira transversal e ou interdisciplinar, o foco deixa de ser a temática e redirecionando toda atenção no processo de ensino – aprendizagem do aluno (ser social culturalmente construído).

 

Referências Bibliográficas

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Ministério da Educação.Brasília,1999.

______. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 jan. 2003.

______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico- Raciais. Brasília: MEC, 2004.

FAZENDA, I. C. A. (Org.). Dicionário em construção: interdisciplinaridade. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos.”Temas transversais” (verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira – EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2002, http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=60, visitado em 18/12/2012.

OLIVEIRA, L. M. Políticas Públicas do combate ao racismo na proposta curricular da educação física na rede pública estadual de ensino na cidade de Santo André. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2012.

SILVA, P. B. G. Aprendizagem e ensino das africanidades brasileiras. In: MUNANGA, K. (Org.). Superando o racismo na escola. Brasília: Ministério da Educação, 2005. p. 155-172.

 

 

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Comentários:

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> Horário: quinta-feira janeiro 24, 2013 às 2:14 pm

> Nome: Juliana de Souza Ramos

O que você achou do primeiro encontro: Capitalismo e Racismo com Weber Lopes Goes: Não pude comparecer no primeiro encontro.
> No segundo, a fala da professora Teresinha foi muito pertinente, deixando bem claro que os movimentos, sejam eles quais forem, estão conseguindo conquistas parciais, para a emancipação humana de fato, as divisões, um dia, terão que deixar de existir.
> Grupo/Organização: Professora rede pública / mestranda
> O que lhe motivou a fazer este curso?: Sou mestranda em Ciências Sociais, Antropologia pela PUC-SP e minha pesquisa é sobre as mudanças e permanências entre as gerações de alunas, mães e avós das alunas afrobrasileiras na cidade de Diadema.

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> Horário: quarta-feira janeiro 23, 2013 às 3:04 pm

> Nome: Israel Silva Junior
> O que você achou do primeiro encontro: Capitalismo e Racismo com Weber Lopes Goes: Foi bom, educativa e abordou contextos sobre um viés pouco pensado. O “eu” dentro das lutas , evidenciando situações, embora conhecidas mas pouco debatidas, raça, classes, escravidão e capitalismo. O conhecimento do inimigo ou dominador- poderíamos ate usar outro termo-, pois essa palavra utilizada (inimigo), dentro do contexto pode invalidar a proposta do aprender para poder questionar. Contudo o professor teve a sua disposição sensibilidade, transformando a palestra numa agradável aula, onde o tema central “Racismo e Luta de Classes”, desenvolveu-se dentro do programado.
> Minha crítica fica por conta de uma visão que também não deixa de ser pessoal. Sobre vários pontos tratados nos aspectos palestrados, senti opiniões formadas mediante a pessoalidade do Professor Weber, oque o coloca em rota de conflito com vários grupos que estão lutando para conseguir uma maior visibilidade do negro na sociedade brasileira. Lutas essas embasadas nas ancestralidades do povo preto brasileiro, pois traz em pauta ligações étnicas com a identidade africana, por outro lado o questionamento abordado na palestra, nos remete aos estudos de diretrizes verdadeiras, sobre cor, raça, descendência, porem a que considerar-se a formação ambiental desse povo, com características específicas e que mesmo com as várias tentativas vãs de decompô-lo ou explicar, diga se ai o próprio processo da tentativa da eugenia, foi sem êxito. Aqui não se explicou, e a certeza é que nem a realidade do “mito da democracia racial” e nem as tentativas políticas de
> esvaziarem os movimentos que ligam o Brasil na foram capazes de interromper as lutas do povo afrodescendentes, porem o sistema os conservam engessados nas camadas inferiores, limitando ou dificultando seu acesso à status superiores e sob o estigma da cor.
> Outros pontos, de minha discordância pessoal , já que o negro não está apenas focado em seus valores culturais, como arte e religião, diga se com a palavra do palestrante “capoeira”. Olhar o negro brasileiro sem olhar a África, seria desfazer essa trajetória histórica de séculos de escravidão, esquecendo Zumbi dos Palmares e outros valores como Luiza Mahin que ligam os povos negros África/Brasil, no entanto é sabido que os hábitos culturais foram se transformando devido a ambientalização decorrente a vida nos continentes separados. Entendo que a construção da pessoa Weber está valoriza e balizada no conhecimento, adquirido em pesquisas e formação acadêmica, e que sua capacidade ultrapassa limites, e sua visão, merecidamente tem créditos e devemos respeita-la e olha-la para trabalharmos possíveis mudanças no futuro, porem refuto as ideias quanto as lutas de classes e o comportamento sobre raças e a ligação de capital e escravidão, num contexto
> operacional já que após a promulgação das Leis 10.639 e a Lei de Cotas, temos outras metas e isso faz com que as lutas no Brasil, são muito mais do que uma reivindicação cultural, no aspecto folclórico, pois sim, cultura também, já que faz parte da luta que integraliza a “identidade” negra no Brasil, e está inserida num quadro complexo de valores multiculturais, porem as questões são mais abrangentes dentro do social, onde estão estabelecidas as regras puramente racistas do dominador capitalista, com consequências drásticas para o povo afrodescendente, que mesmo tendo ligeiras ascensões, econômicas e culturais, continuam invisíveis. A mídia em todos os seus segmentos tem padrão cultural europeu.
> Agora te pergunto professor, por que vamos ter que padronizarmos nossas atitudes como se fossemos parte cultural europeia?
> Gostaria que vc falasse dos ensinamentos religiosos da África, suas multiplicidades, que estão presentes no Brasil como a mais forte resistência de um povo.
> Falasse dos filósofos africanos, que também tem ligações com o capital.
> Grupo/Organização: Grupo Afrodescendentes
> O que lhe motivou a fazer este curso?: Conhecimento, agora estou precisando de A/C para a faculdade. E também enriquecer meu currículo.
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E você, o que achou do curso? Vamos seguir aqui o debate aqui???

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Encontro 2 – Grupo de Estudos “Particularidades do Capitalismo Brasileiro” – GT Trabalho – Kilombagem

Discussão: A Via Colonial de Entificação do Capitalismo, José Chasin

Na noite do dia 17/01, tivemos nosso 2º encontro do grupo de estudos “Particularidades do Capitalismo Brasileiro”, tendo como foco o texto “A Via Colonial de Entificação do Capitalismo”, de José Chasin (1977), com mediação de Felipe Choco e a participação de Leila, Regina, Deivison, Heraldo, Katiara, Talita, Bergman e Rafaela. O texto faz parte de uma compilação de artigos de Chasin que deu origem ao livro A Miséria Brasileira – 1964 – 1994 – do golpe militar à crise social – Estudos e Edições Ad Hominem, 2000.

O autor discute, dentre outras coisas, o desenvolvimento do capitalismo na Alemanha, na Itália e no Brasil, países que apresentaram formas distintas de chegar ao capitalismo, ou seja, não passaram pela via clássica, como a França, por exemplo, tiveram um desenvolvimento tardio do capitalismo. A Alemanha teve um desenvolvimento tardio do capitalismo, a chamada via prussiana, partindo do passado feudal, mas com reformas ao invés de revolução e, ainda, conciliação do novo e do velho, ao contrário da via clássica em que há ruptura com as formas antigas. Percebe-se um “caráter retardatário e conciliador”, fato que leva à concluir que o Brasil teve a mesma trajetória, isto é, fez sua transição para o capitalismo pela via prussiana.

No entanto, Chasin nos chama a atenção para alguns pontos. Apesar das muitas semelhanças com o processo alemão de capitalismo tardio, o Brasil teve distinções que os aproximava, em alguns aspectos, do caso norte-americano. Dadas às suas especificidades, o autor demonstra que o caso brasileiro culminou em um capitalismo hiper-tardio, com a presença do “caráter retardatário e conciliador do processo alemão”, mas com um “modo particular de se constituir e ser capitalismo”. O latifúndio surge  a partir da empresa colonial e a industrialização, sendo característica da sociedade moderna, desenvolve-se tardiamente e manteve o país na condição de subordinado na economia internacional. Temos, então, a conciliação do velho e do novo, no contexto em que as transformações políticas foram feitas “pelo alto”, com destaque a partir dos anos 1930 (Revolução de 30), com auge em 1956, quando a produção industrial ultrapassa a agrícola em termos de participação na economia nacional, além de concessões e ausência de participação do povo. A produção industrial continuou voltada para o mercado externo – foco nos insumos/matéria-prima – daí, vemos o sentido da colonização, novamente, como apontado por Caio Prado Júnior.

Chasin define, então, como “via colonial” a forma de desenvolvimento do capitalismo no caso brasileiro. Para a burguesia agrária, o ‘novo’ não interessava, então, constitui-se um capital atrófico em que a burguesia nacional é dependente e submissa às demandas externas.

Dada a complexidade do texto, os presentes consideram a possibilidade de retomar a discussão em outro momento.

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‘Quem não pode falar escreve’

Nascido e criado na zona sul, quando pequeno dizia que queria ser engenheiro; o pai achava a profissão bonita, o filho mal conseguiu terminar o segundo colegial, tinha que ajudar nas despesas de casa. Namorou com a mesma menina por dois anos, mas ela não viu futuro – a casa dos pais dele, de dois cômodos, não dava pra subir laje. Somente seis meses depois de terminar o curso, Marcos conseguiu emprego numa contabilidade.

Depois de trabalhar por 23 anos como empregada doméstica a tia de Marcos havia comprado um carro, e graças a Marcos ia deixar de pegar ônibus toda sexta para voltar do serviço, onde passava toda a semana limpando a casa e cozinhando. Marcos seria seu motorista. Em contrapartida, pagou o curso para o sobrinho, e deixava o carro a semana toda com ele. Os vizinhos comentavam que o rapaz, agora andando de social e com o carro, teria um futuro na vida, que finalmente alguém daquela comunidade havia vencido.

Marcos parou naquela sexta-feira no mercadinho. Sempre sorridente, cumprimentou todos e foi comprar uma cera. Deixaria o carro brilhando como a tia gostava, para ir buscá-la.

Entrou no carro com o pacote, ligou na Antena 1, sua rádio preferida, as músicas o deixavam calmo no intenso trânsito. Colocou o cinto de segurança e viu a viatura da Polícia Militar parar. Logo foi pego pelo colarinho e arrastado para fora do carro. Tentou falar, mas a voz do policial militar sobrepôs a sua.

– Ladrão de carro filho da puta.

– O carro é da minha tia –, tentava falar enquanto outro policial jogou ele atrás do carro e pisou em sua cabeça. Marcos olhava para o sapato, estilo social que nem o seu, algo pensado no novo uniforme da PM para dar aspecto de menos hostilidade, como antes tinha a antiga farda e o coturno. Polícia comunitária, um termo bonito, mas o sapato estava na cabeça de Marcos, a mão direita na água suja que descia pelo canto do calçada.

A mãe de Marcos vendo a cena chegou perto e convenceu os policiais, explicando a origem do carro. Marcos se levantou, a cabeça suja de terra, os olhares dos vizinhos. Não teve ódio, nem sequer ficou revoltado. Chegou no seu barraco, olhou para a camisa toda suja, uma das três que tinha para ir trabalhar, ajoelhou em frente à estátua de Nossa Senhora Aparecida e agradeceu por estar vivo.

Três horas depois disso, 15 homens estavam sendo revistados num bar no Jardim Rosana. Os policiais chegaram de repente, miraram os revólveres, nem o dono do bar escapou da revista. Terminaram o enquadro, entraram nas viaturas e disseram:

– Boa noite, fiquem com Deus.

As conversas foram retomadas no bar, um deles falava sobre os ganhadores da Mega Sena, outro falou que ia tomar a saideira, a patroa em casa já devia estar nervosa, um que voltava do banheiro ria dos que haviam sido abordados, dessa ele tinha escapado.

Os minutos se passaram, mais duas cervejas foram pedidas, a conversa agora foi para o Corinthians abalando o Japão. Mais alguns minutos, a rua quieta, só as conversas no bar. Foi quando se fez a matemática perversa, 14 homens encapuzados, olhos arregalados, uma cadeira cai no chão, a vizinha ouve barulhos, deve ser bomba de comemoração. Catorze braços atiram em quem estava dentro do bar, nove são baleados, sete morrem, a conversa acaba. O cheiro de pólvora domina todo o ambiente, o dono do bar se arrasta com um ferimento na perna.

Quando chamei meus amigos no sábado de manhã para encaixotar livros e fazer a pintura na ONG Interferência, não imaginávamos que horas depois estaríamos num cemitério.

O coveiro chega perto do Evandro e diz:

– Você aqui de novo, cara! É a terceira vez que te vejo essa semana.

Evandro fica sem graça, vai comprar uma água, realmente não queria voltar ali, mais um amigo para enterrar.

O muro do lado do bar onde aconteceu a primeira chacina do ano estava pichado. Quem não pode falar escreve. “Unidos venceremos as batalhas da vida”. Versos do rapper que acabou de lançar o primeiro CD, depois de muitos anos de batalha, o mesmo rapaz que tem um avô chamado Lino, uma esposa chamada Raiane, um filho chamado Ryan e uma mãe chamada Lilian.

Um verso de esperança de um jovem que não sabia que por estar num bar sua vida estaria atrelada à primeira chacina do ano.

“Nunca desista nem se sinta inferior, seja forte, seja nobre, um guerreiro lutador”. Letra do grupo de rap do DJ Lah, também presente no bar, o último lugar em que estaria com vida. A pressão pra fazer algo é grande, nem sempre externa, mas o dono da padaria pergunta se não vamos fazer nada, a mãe de um amigo me para na rua e diz:

– Não somos animais, não somos ratos para morrer assim.

O estudante que tem que voltar para casa após 11 da noite não sabe como vai fazer, a mãe fica acordada todos os dias com medo de o filho não regressar; o cozinheiro do restaurante fino trabalha a noite toda, a mulher pediu para ele dormir por lá para evitar o pior. A conversa saiu do meio comum, um enterro cheio de gente igual, sofredora, onde a conversa principal é como vamos sair de casa de hoje em diante.

Pressionar politicamente parecia ser o caminho, mas tal deputado num atende, tal vereador tá de férias, não se convive com quem toma decisões, estão todos longe daqui, quem mora aqui sabe o tamanho do risco, mas muitos também assistiram O Pianista.

Nunca em minha existência aqui tinha visto tantas pessoas comuns revoltadas, esse não é o mesmo País que anunciam na televisão. O que ninguém pensa é que, infelizmente, isso tem mão dupla, porque quem sai pro crime sai mais violento.

O morador de periferia hoje se sente desamparado, tem sua liberdade estrangulada, cerceada. Sem Sesc, centro cultural ou casa de cultura nas favelas, a antessala de estar de todo mundo é o bar.

O cidadão comum que levanta quando é escuro, que cuida do ensino da elite e não tem uma escola de qualidade para seu filho, que faz a comida deles, cuida de sua segurança, e não tem segurança onde mora, não quer morte – nem de farda nem de bombeta.

A segurança individual está em segundo plano perante a morte sistemática de inocentes. Quem vai gritar se as vítimas forem do crime? Quem vai meter a cara? Foram 24 chacinas, e se só algumas das 80 vítimas têm passagem, a tendência é menosprezar o ocorrido, fica legitimado o ato.

A periferia da década de 1980 teve grandes mudanças. No caso das chacinas, o modus operandi mudou. A periferia, com suas casas na maioria de madeira, tinha pavor dos grupos chamados de pés de pato. Hoje, associam essas ocorrências ao único representante do Estado presente aqui, a Polícia Militar. É proposital, oprimir sensação de terror, está dando certo, as mães cabisbaixas, sete enterros, três da mesma rua, o filho chorando na beira do caixão, o repórter que chama a gente no canto:

– Pô, as pessoas acusam a imprensa, mas quando chego nas chacinas, vou fazer a matéria, a primeira coisa é ser abordado. A polícia pede meus documentos. Cara, depois do que aconteceu com o (André) Caramante (repórter policial da Folha de S. Paulo que teve que sair do País após ser ameaçado por simpatizantes da Rota, a tropa de elite da PM paulista) a gente tá com medo também.

Eu entendo o repórter, de uma chacina para outra, da leste pra sul. Olho sua mochila, calça larga, cara de cansado, na faculdade não falaram que ia ser assim.

A solução agora não é só a investigação, mas a emergência é pela não repetição. A questão policial também é cultural, desde a abordagem até o jeito que tratam a comunidade e, por consequência, são tratados.

Quantas vidas podem ser salvas se procurarmos soluções reais, não tapa-buracos. Ajudaria se o discurso não fosse vago, se a certeza da impunidade não fosse tão presente. Um discurso articulado do secretário de Segurança pode ser o início, real empenho na solução das mortes pode brecar algo que pode tomar proporções irreversíveis.

Saímos do Cemitério Jesuíta, calças largas, bonés, frases das letras de rap na camisa, hoje somos o tema das letras, a canção será mais triste quando for ouvida, e quando íamos cruzar a avenida, mais um enquadro, todo mundo na parede.

Um ônibus para, algumas pessoas que estavam no enterro descem, a polícia teme, o povo avança, um dos rappers está sendo revistado, um menino chega perto do policial, olha pro alto, bem nos seus olhos, o policial nota os olhos úmidos, o menino diz.

– Acabamos de vir do enterro, vocês não respeitam nada?

*FERRÉZ, ESCRITOR E ROTEIRISTA, É AUTOR DE CAPÃO PECADO, MANUAL PRÁTICO DO ÓDIO E NINGUÉM É INOCENTE EM SÃO PAULO (OBJETIVA) E DEUS FOI ALMOÇAR (PLANETA)

Para autor de Capão Pecado, as recentes chacinas levam ao limite a situação na periferia paulista: ‘Esse não é o mesmo País que anunciam na televisão’

Fonte; O Estado de São Paulo

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A lei e o ensino – 10 anos de Lei 10.639/03

Crédito da foto: Etiene Martins - Revista Raça Brasil

O enfrentamento da injustiça no sistema educacional brasileiro é um grande desafio. É necessário o planejamento, orientação e acompanhamento das formulações e implementações de políticas educacionais relacionadas às populações afrodescendentes.

A Lei nº 10.639/03 torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras e Africanas nos estabelecimentos de Ensino Fundamental e Médio na rede pública e particular. No entanto, é fundamental que haja maior compreensão do racismo no contexto escolar para a construção de um projeto educacional que propicie a integração social igualitária de todos os brasileiros e brasileiras, independente da cor/raça, gênero, renda, entre outros.

A ausência de reflexão sobre as relações raciais da sociedade brasileira dentro da escola impede a melhoria do relacionamento interpessoal entre os atores que integram o espaço escolar. Esse silêncio contribui para a naturalização do preconceito e/ou discriminação raciais presentes na escola e fora dela.

Em 2013, 125 anos de abolição formal não foram suficientes para destruir as barreiras forjadas pelo escravismo e pelo racismo permitindo que, assim, as populações negras promovam a continuidade de suas histórias e culturas e o ensinamento de suas visões de mundo. Os espaços de poder não mostram a população negra em sua representatividade:

População negra: 51,1% (a saber, 6,9% pretos e 44,2% pardos) (IBGE, 2009)

É comum ouvirmos ainda que o Brasil vive uma democracia racial, tese que já foi devidamente desconstruída por muitos sociólogos, mas que continua sendo propagada em alguns meios com interesses escusos.

Nos principais times de futebol e outros esportes, nos programas de música, vemos que a presença do negro é mais frequente e tolerada do que em outros espaços. Por exemplo, ninguém se incomoda se o craque da Seleção Brasileira for um jogador negro, o Neymar, por exemplo. Mas algumas pessoas mostram-se desconfortáveis ao se depararem com negros em cargos de liderança em empresas, como advogados, médicos, enfim… São espaços em que a presença negra é menor, dado o processo de racismo e suas implicações na sociedade, mas quando se mostra, incomoda e causa desconfiança a alguns.

Há pouco tempo, uma jornalista causou polêmica ao declarar com todas as letras em blog que não queria ser atendida por um advogado negro ou um dentista negro, por exemplo, pois havia a possibilidade de eles terem sido estudantes universitários cotistas, o que, para ela, denota incapacidade.

Ora! Nem as cotas raciais nas universidades terão como consequência a formação de profissionais incompetentes, já que o currículo, os recursos didáticos, a infraestrutura, a avaliação e os professores serão os mesmos dos outros estudantes, não-negros e não-cotistas, correto? E nem há pressuposto para argumentar que o estudante cotista tem menos condições intelectuais de formar-se com o mesmo louvor que os outros, já que o que barra o ingresso igualitário de negros e brancos no ensino superior não é o aspecto cognitivo, mas o abismo social consequente do racismo que, no Brasil, é institucional e, hipocritamente, aceito por grande parcela da população que tem a coragem de considerar a necessidade de ações afirmativas para ter seus direitos garantidos, um privilégio!

Ah! Quanto aos 10 anos de aniversário da Lei 10.639/03… Pouco a comemorar… Lamentavelmente!

Para saber mais, leia:

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras e Africanas. Brasília, 2004: Conselho Nacional de Educação.

_______. Educação Antirracista: caminhos abertos pela Lei Federal nº 10.639/03. Brasília, 2005: Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, Ministério da Educação.

 _______.   Lei Federal n° 10.639/03 in Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 1996.

_______.   Lei Federal n° 11.645/08 in Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 1996.

_______.  Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-Raciais. Brasília, 2006: Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, Ministério da Educação.

CAVALLEIRO, Eliane. Do Silêncio do Lar ao Silêncio Escolar: racismo, preconceito e discriminação na educação infantil. Dissertação de Mestrado da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1998.

CAVALLEIRO, Eliane (org.). Racismo e Antirracismo na Educação: repensando nossa escola. São Paulo, Selo Negro: 2000.

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1. Encontro GT Trabalho – Kilombagem

José Evaristo Silvério Netto

Ontem tivemos nosso primeiro encontro proposto pelo GT Trabalho do coletivo Kilombagem, para a discussão das Particularidades do Capitalismo no Brasil, ao redor do texto de Caio Prado JR entitulado O Sentido da Colonização.

De acordo com o mediador do debate, nosso irmão Felipe Choco, o Caio Prado vai ser a pedra fundamental pra que se entenda neste campo de fundamentação da nacionalidade. Neste sentido, o texto O Sentido da Colonização é a pedra angular do livro A Formação do Brasil Contemporâneo – Colonia, haja vista que em todo o livro esta inculcado o sentido da colonização. O maior objetivo da óbra é entender:

  1. Como que se dá a nacionalidade brasileira;
  2. De que forma o Brasil se agregou, ou esta inserido no mundo.

O Caio Prado portanto, esta dentro deste debate de nação.

O Antônio Candido levantou em uma edição do livro Raízes do Brasil, escrito por Sérgio Buarque de Holanda, quais seriam os três clássicos da literatura sobre o Brasil, os interpretes do Brasil. Por ele foi reconhecida a tríade Casa Grande e Senzala de Gilberto Freire, o livro Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda, e o terceiro Formação do Brasil Contemporâneo, de autoria do Caio Prado Jr.

Entre estas três óbras há importantes diferenças, como salientou nosso mediador Felipe Choco, e neste é interessante reçaltar que o Caio Prado JR. se sobressai em relação aos outros porque ele é o primeiro que vai tentar abarcar a totalidade compreendendo o Brasil e suas particularidades contatenado com o mundo. Já os outros dois autores, Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Holanda, vão tentar entender as relações que se desenvolveram no Brasil, mas dando tanta atenção às particularidades que perdem a linha mestra de desenvolvimento da nação, relacionada com o resto do mundo, perdendo os nexos causais das próprias particularidades e o sentido da colonização.

No nosso primeiro encontro, tomamos consciência destas questões, e discutimos mais profundamente sobre a linha mestra da história das nações europeias a partir do séc. XIV e XV, onde naquele continente houve uma mudança na órdem comercial, com a busca de novas rotas comerciais,ue que antes eram exclusivamente por terra, privilegiando os países centrais do continente. Discutimos através do texto e das intervenções do Felipe Choco que com a expansão ultramarina, houve um deslocamento da primazia comercial dos países centrais da Europa para os países que formam a fachada oceânica. Entendemos então que a busca por rotas comerciais acabou por fazer com que os Europeus chegassem na América. Discutimos o que significou o continente americano para estas empresas comerciais á priori, e em um segundo momento, como foi empreendida a exploração dos recursos naturais deste território novo, agora enquanto colônia. Debatemos sobre a forma que se deu o povoamento das regiões temperadas do continente Americano, e das regiões tropicais e subtropicais. Entendemos a idéia de povoamento, que surgiu da demanda dos fins mercantis, onde não bastaria apenas ocupar o continente com feitorias, como foram as ocupações no Mediterrâneo, na África e na Índia, por exemplo. O carácter de povoamento nas regiões tropicais e subtropicais foi mediante a posssibilidade de obtenção de gêneros que na Europa faziam falta, e eram artigos de luxo.

(Reunião Kilombagem – GT Trabalho – Discussão do texto: O Sentido da Colonização [Caio Prado Jr.])

Como termina Caio Prado JR.:

“Se vamos a essência da nossa formação, veremos que na realidade nos constituímos para fornecer açucar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde ouro e diamantes; depois algodão e em seguida café, para o comércio europeu. Nada mais que isso. E com tal objetivo, objetivo exterior, voltado para fora do país e sem atenção às considerações que não fossem o interesse daquele comércio, que se organizarão a sociedade e a economia brasileiras. Tudo se dispora naquele sentido: a estrutura, bem como as atividades do país. Virá o branco europeu para especular, realizar um negócio; inverterá seus cabedais e recrutará a mão-de-obra de que precisa: indígenas ou negros importados. Com tais elementos, articulados numa organização puramente produtora, industrial, se constituirá a colônia brasileira.”

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II Curso: Pan Africanismo e a esquerda diante da luta de classes

O Grupo KILOMBAGEM  e o Núcleo de Consciência Negra da USP têm a honra de convidar-te para o II Curso : Pan Africanismo e a esqueda duante da luta de classes.

O Curso tem o objetivo de oferecer subsídios históricos e sociológicos para o entendimento das relações entre o racismo e o capitalismo,  bem como as tensões, antagonismos e  convergências entre  a chamada esquerda e o internacionalismo negro.

 

Comente e avalie os encontros aqui!!!

 

 

Baixe aqui os textos para cada os encontros (clique no link em azul)

Atenção!!!

Alteração de ordem na Programação (19hs às 22hs): 

22/01 – O Racismo e a Luta de Classes – Weber Lopes Goes

Textos de apoio:
Origens, modalidades e formas de racismo – Martiniano José da Silva

O racismo como arma de dominação – Clóvis Moura

23/01 A Esquerda: Brasil  e Mundo no Pós-Guerra –  Teresinha Ferrari

Textos de apoio:

 

24/01 Os movimentos de libertação na África e suas influências no Movimento Negro brasileiro – Deivison Mendes Faustino (Deivison Nkosi)

textos de apoio:

A consciência negra e a busca da verdadeira humanidade – Bantu Stephen Biko

O Pan-africanismo e a formação da OUA – Érica Reis de Almeida

 

 

Local: 

Núcleo de Consciência Negra na USP

Av. Professor Lúcio Martins Rodrigues, Travessa  4. Bloco 3, Cidade Universitária – São Paulo – SP

Informações:

nucleodeconsciencianegra@gmail.com

3091`-7746

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Grupo de Estudos: O TRABALHO – Grupo KILOMBAGEM

Particularidades do Capitalismo Brasileiro

O Grupo KILOMBAGEM têm a honra de convidar-te para compor o Grupo de Estudos – O Trabalho, que neste mês de Janeiro se reunirá semanalmente com o tema: “Particularidades do Capitalismo Brasileiro “.

 

LOCAL DO GRUPO DE ESTUDOS:

Local Sindicato dos Metalurgicos do ABC – Centro de Formação Celson Daniel.  Rua João Basso, 231, Centro São Bernardo do Campo – Dúvidas: 96277 1907

 

O Grupo de Estudos será divido em 4 encontros temáticos a serem realizados semanalmente. Em cada encontro será discutido um texto com autores que contribuíram para entendermos as especificidades de nossa formação social. Os textos se encontram no site e podem ser baixados através do links logo abaixo.

Cronograma dos Encontros :

10/01:  O Sentido da Colonização

17/01:  A via colonial de entificação do capitalismo

24/01: Miscigenação e democracia racial: mito e realidade

30/01: Ornitorrinco

Dúvidas

kilombagem@kilombagem.org

Mediação

Felipe Choco

Sociólogo, Pós-graduando em Economia-mundo, Arte e Sociedade – Fundação Santo André

Local:

Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo;

Inicio:

As 19hs

 

Inscrições podem ser feitas através desse formulário:

[contact-form-7 404 "Não encontrado"]

Realização:
Grupo de Estudos O Trabalho – Grupo KILOMBAGEM
Apoio
Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo

 

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O Louco – Gibran

Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu
havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um rapaz no cimo do telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez a minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava a minha face nua, e a minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais as minhas máscaras.

E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram as minhas máscaras!”

Assim tornei-me louco.

E encontrei tanta liberdade como segurança na minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

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O tempo

O tempo, Penso:

É o cimento que na água da vida cria histórias concretas

Alternativas que se alteram a cada escolha

Caminhos que faço ao caminhar

Variáveis constantes…

Desajustantes

Pulsantes

O tempo!

Passivo; cortante…

Desafiante.

A vida é tão instante,

que as vezes nos iludimos acreditando que algum momento é eterno

e vamos percebendo que não é…a cada pequeno acontecimento passado que hoje é só memória;

a cada limite e possibilidade que antes não havia e hoje há.

O tempo

alento

Implacável tirano;

Onipotente!

Tempo sempre presente:

Presente;

Passado ;

Futuro .

Sei que o passado é irreversível;

que não posso controlar o futuro.

Mas sei que o futuro  também depende do que hoje eu fizer.

Depende dos presentes que eu ofereça no presente;

Depende dos presentes e dos ausentes.

Sinto hoje que envelheci um pouco;

e o corpo

que hoje menos vigoroso ganhou um coração menos oco:

Quando pude ver o brilho em coisas que antes pareciam opacas.

O tempo tem passado e hoje não sou mais o mesmo…

E assim tem sido desde o primeiro dia;

O tempo todo!

Tempo…

Sabendo que a poesia não é mais digna da atenção quando toma mais que o tempo de um versinho;

Que temos encurtado cada vez mais o que já era um tempinho;

que quanto mais rápido o tempo do mundo, menos tempo tenho eu;

Encerro o meu tempo indagando ao presente:

– Que tempos são estes que estamos construindo?

Deivison Nkosi – KILOMBAGEM

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MOVIMENTOS LANÇAM MANIFESTO PRÓ COTAS EM SP

Governo de SP e Reitoram tentam golpe contra cotas
 

 

 

 

 

 

 

 

Com apoio de Intelectuais, movimento negro de São Paulo e mais de 120 organizações lançam Manifesto a Favor das Cotas Raciais em SP;

 

Críticas à proposta de Alckmin e das Reitorias de USP, UNESP e UNICAMP dão tom ao documento.

 

Denis de Oliveira, Ricardo Antunes, Ricardo Musse, Maria Benevides, dezenas de professores da USP, UNESP e UNICAMP, partidos e movimentos, inclusive MST, subscrevem manifesto.

 

O Governador Alckmin (PSDB) deve apresentar oficialmente nesta quinta (20/12), a proposta de política de cotas formulada pelas reitorias da USP, UNESP e UNICAMP.

 

A proposta que prevê reserva, porém sem garantia de acesso imediato às vagas. A ideia é entendida como uma afronta à demanda dos movimentos negros e sociais que sempre lutaram por oportunidades e acesso à universidade, para a população negra e pobre.

 

O MANIFESTO A FAVOR DE COTAS RACIAIS EM SAO PAULO, subscrito por 121 entidades e 264 pessoas, entre elas professores da USP, UNESP, UNICAMP e outras universidades públicas e provadas, exige, entre outras coisas, a promoção do diálogo entre governo, reitorias, movimentos negros e movimentos sociais que realmente representam a sociedade civil organizada. Segundo o texto, “A construção das políticas de cotas devem se dar em conjunto com a sociedade civil e os grupos diretamente interessados.” O Manifesto defende ainda o Projeto de Lei 530/04, que garante cotas negros e estudantes de escolas públicas, que tramita na Assembléia Legislativa há mais de 8 anos.
LEIA AQUI O MANIFESTO