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Morre Nehanda Abiodun, ela viveu em Cuba muitos anos como exilada política dos Estados Unidos( é seu termo; o FBI prefere a expressão “fugitiva da justiça dos EUA”).

Nehanda Isoke Abiodun, refugiada em Cuba há mais de 30 anos, morreu em Havana no dia 30 de janeiro, confirmou a Organização do Novo Povo Afrikan(NAPO).

Nehanda Isoke Abiodun

Abiodun – Cheri Laverne Dalton antes de adotar o nome africano – era uma veterana da República da Nova África, uma organização que procurava criar uma nação negra independente no sul dos Estados Unidos.

Ela era suspeita de conspirar com membros do Weather Underground e do Exército de Libertação Negra, autoproclamados revolucionários que cometeram uma série de atentados e seqüestros domésticos nas décadas de 1960 e 1970, no que chamaram de resistência ao governo dos EUA.

Os radicais desses grupos foram acusados ​​de atacar alvos do governo e ajudar outra ativista,  Assata Shakur (conhecida como Joanne Chesimard), a fugir em 1979 de uma prisão estadual de Nova York. Shakur foi condenada pelo assassinato de um policial estadual de Nova Jersey em um tiroteio em 1973. Os grupos apoiaram suas atividades com assaltos à mão armada.

Abiodun foi acusada em 1982 de conspiração, extorsão e outras acusações no roubo de um veículo blindado em 1981, no qual dois policiais e um guarda de segurança foram mortos. Ela foi para o subterrâneo antes de ser processada e nunca foi capturada.

Ela nunca admitiu ter participado dos crimes, mas defendeu os perpetradores. E admitiu que tampouco tinha simpatia pelos policiais que morreram no roubo.

“Eles estavam defendendo as políticas genocidas e opressivas dos Estados Unidos”, disse ela. “Eles eram soldados que estavam em guerra com a gente.”

Mas se eu ajudei ou não a soltar Assata, direi que estou orgulhosa de ser acusada disso. —Nehanda Abiodun

site https://www.mxgm.org

Abiodun viveu na clandestinidade durante a maior parte da década de 1980 e se mudou para Cuba em 1990, onde recebeu asilo político. Lá ela se juntou a dezenas de exilados e refugiados americanos, incluindo Assata Shakur. Também participou da fundação da New Afrikan People’s Organization (NAPO) and an Organizer for the Malcolm X Grassroots Movement (MXGM)( Organização do Novo Povo Afrikan (NAPO) e organizadora do Movimento Malcolm X Grassroots (MXGM).

 

Declaração sobre a transição de Nehanda Isoke Abiodun

site https://www.mxgm.org

O Novo Movimento de Independência Afrikan e o movimento antiimperialista mundial perderam uma poderosa guerreira, companheira e irmã. Nossa companheira, Nehanda Isoke Abiodun, membro fundador da Organização do Novo Povo Afrikan (NAPO) e organizadora do Movimento Malcolm X Grassroots (MXGM), morreu no início da manhã de 30 de janeiro de 2019. Ela estava vivendo no exílio em Havana. Cuba onde residiu por mais de 30 anos representando nossa luta para o povo cubano e a comunidade internacional.

Nehanda vivia entre as pessoas de base em sua pequena comunidade de Havana, organizando, educando e orientando a juventude cubana, bem como dezenas de jovens afro-americanos (afro-americanos) que viajavam a Cuba para fins educacionais; ganhar educação médica; ou simplesmente aprender mais sobre a Revolução Cubana.

Nehanda tornou-se conhecida como a “madrinha” do hip hop cubano por causa de sua influência e incentivo a jovens rappers cubanos e artistas de hip-hop que criavam uma cultura exclusivamente hip-cubana de hip-hop. Ela conectou jovens artistas locais, com o apoio do Capítulo de Nova York do MXGM, a jovens artistas emergentes do Novo Afrikan dos EUA – como Jay Z, Dead Prez, Common, Zayd Malik e Mos Def. Eles foram apresentados à revolução cubana através das Conferências MXGM Black August Hip-Hop.

No espírito de Frantz Fanon e Che Guevara, Nehanda era um verdadeiro antiimperialista e internacionalista que apoiou firmemente seu lar adotivo em Cuba, enquanto defendia de todo coração a luta de libertação nacional de sua própria nação, Nova Afrika, contra o Império colonial dos EUA.  

Mama Nehanda também era uma Nova Afrikan Womanist. Ela foi co-fundadora da Organização das Mulheres de Nova Afrikan, que precedeu a Força Tarefa de Nova Afrikan para Mulheres da NAPO antes do exílio. Em Cuba, organizou três conferências internacionais de mulheres co-patrocinadas pela Federação de Mulheres Cubanas (FMC) e a Força-Tarefa de Mulheres Nova Afrikan (NAWTF). Isso permitiu que as mulheres nacionalistas revolucionárias do Novo Afrikan trocassem idéias e discutissem o apoio mútuo para as lutas das mulheres novas Afrikan e das mulheres cubanas. Ela facilitou o convite da Força-Tarefa das Novas Mulheres Afrikan para ser palestrante em duas conferências internacionais de mulheres em Cuba para representar o movimento de independência de Nova Afrikan e as mulheres de Nova Afrikan.   

site https://www.mxgm.org

Nehanda introduziu a nova cultura revolucionária Afrikan na comunidade internacional de jovens que constantemente fluíam para Cuba. Ela iniciou um jantar anual de agradecimento “anti-imperialista”, convidando expatriados, exilados e pessoas da comunidade. Ela realizou viagens e ensinou aulas de educação política, o que encorajou muitos jovens a apoiar o Novo Movimento de Independência Afrikan e as lutas internacionalistas revolucionárias. Ela também organizou uma celebração anual do Kwanzaa para a comunidade e engajou continuamente representantes internacionais, jornalistas e acadêmicos que visitaram Cuba.  

Mesmo antes de seu exílio, e antes de se tornar um quadro da NAPO e organizadora da MXGM, Mama Nehanda era funcionária do governo do Governo Provisório da República da Nova Afrika (PGRNA) e foi editora do jornal The New Afrikan . A camarada-irmã Nehanda também foi funcionária da Coalizão Nacional dos Direitos Humanos Negros, uma pré-formação para a NAPO e ajudou a organizar a mobilização da NBHRC de 5.000 pessoas às Nações Unidas em novembro de 1979 três dias depois que o Exército de Libertação Negra libertou a irmã Assata Shakur da prisão.

Nehanda foi forçada ao exílio de sua casa depois de ser acusada junto com sua amiga e camarada Dr. Mutulu Shakur por seu suposto envolvimento na libertação de Assata Shakur em 1979, bem como pela expropriação de 1981 de um caminhão Brinks em Nyack, Nova York. O governo dos EUA alega que isso foi feito em apoio às escolas de liberdade, organização política e desenvolvimento de instituições revolucionárias. Apesar de ser forçada à clandestinidade, ela continuou seu trabalho revolucionário e compromisso com o povo novo Afrikan.

Apesar de estar isolada de sua família, ela continuou seu trabalho revolucionário e compromisso com o povo Afrikan. Ela é o melhor exemplo do que Baba Chokwe Lumumba, o falecido presidente do NAPO, ensinou. Ela tinha um grande amor pelo povo porque entendia, como Chokwe disse: “Se você não ama as pessoas, mais cedo você vai trair as pessoas”. Nehanda Isoke Abiodun amava o povo novo Afrikan e serviu a Nova Nação Afrikan para a sua morte.

Viva o espírito revolucionário de Nehanda!

Ainda em pé!

Asè!

[su_highlight]Originalmente publicado no site Declaração sobre a transição de Nehanda Isoke Abiodun [/su_highlight]

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Prêmio Jonathas Salathiel de Psicologia e Relações Raciais

O Racismo no Brasil atravessa as estruturas socais gerando exclusões, desigualdades e injustiças, por isso ações que visem a eliminação do racismo são tão importantes para  chegarmos numa sociedade igualitária, é com essa perspectiva que, nós da organização negra Kilombagem divulgamos:

Prêmio Jonathas Salathiel de Psicologia e Relações Raciais

Via: CRP SP

O CRP SP convida profissionais, estudantes de Psicologia, artistas e grupos de populares difusores da cultura negra, a participarem do Prêmio “Jonathas Salathiel de Psicologia e Relações Raciais“, que tem como finalidade estimular a produção de artigos da área de Psicologia, assim como criações artísticas das mais diversas linguagens (fotografia, imagens, poesias, músicas, etc.) a respeito da violência causada pelo racismo e dar visibilidade para produção em saúde mental e relações raciais.

Jonathas nos fez reconhecer a centralidade da questão racial num projeto comprometido com uma sociedade melhor – porque mais igualitária – em que o combate ao racismo deve ocupar todas as pautas. Sua incansável luta contra todas as formas de discriminação racial, faz ecoar ações propositivas neste conselho de classe e possibilita o lançamento de documentos norteadores sobre os efeitos do racismo para a população negra e também na criação de um grupo de trabalho para pensar as questões raciais, organizado hoje como Núcleo de Relações Etnicorraciais.

O evento, sobretudo, expressa a gratidão da Psicologia no Estado de São Paulo a Jonathas José Salathiel da Silva que foi um grande colaborador, amigo e conselheiro para a construção de uma profissão comprometida com a igualdade racial.

Inscrições e envio dos trabalhos: 13/08/2018 a 28/09/2018
Período de avaliação: Outubro de 2018
Divulgação dos resultados das (os) finalistas na página do Conselho: 01/11/2018
Evento de Premiação: 10/11/2018 – inscreva-se aqui

Saiba mais.

Fonte: CRP SP | www.crpsp.org.br

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Boaventura: o Colonialismo e o século XXI

É hora de declarar incumprida uma das grandes promessas modernas. O homem branco jamais aceitou a igualdade. Novas lutas precisarão impô-la

Por Boaventura de Sousa Santos

 

Para Marielle Franco, in memoriam

O termo alemão Zeitgeist é hoje usado em diferentes línguas para designar o clima cultural, intelectual e moral de uma dada época, literalmente, o espírito do tempo, o conjunto de crenças e de ideias que compõem a especificidade de um período histórico. Na Idade Moderna, dada a persistência da ideia do progresso, uma das maiores dificuldades em captar o espírito de uma dada época reside em identificar as continuidades com épocas anteriores, quase sempre disfarçadas de descontinuidades, inovações, rupturas. E para complicar ainda mais a análise, o que permanece de períodos anteriores é sempre metamorfoseado em algo que simultaneamente o denuncia e dissimula e, por isso, permanece sempre como algo diferente do que foi sem deixar de ser o mesmo. As categorias que usamos para caracterizar uma dada época são demasiado toscas para captar esta complexidade, porque elas próprias são parte do mesmo espírito do tempo que supostamente devem caracterizar a partir de fora. Correm sempre o risco de serem anacrônicas, pelo peso da inércia, ou utópicas, pela leveza da antecipação.

Tenho defendido que vivemos em sociedades capitalistas, coloniais e patriarcais, por referência aos três principais modos de dominação da era moderna: capitalismo, colonialismo e patriarcado ou, mais precisamente, hetero-patriarcado. Nenhuma destas categorias é tão controversa, quer entre os movimentos sociais, quer na comunidade científica, quanto a de colonialismo. Fomos todos tão socializados na ideia de que as lutas de libertação anti-colonial do século XX puseram fim ao colonialismo que é quase uma heresia pensar que afinal o colonialismo não acabou, apenas mudou de forma ou de roupagem, e que a nossa dificuldade é sobretudo a de nomear adequadamente este complexo processo de continuidade e mudança. É certo que os analistas e os políticos mais avisados dos últimos cinquenta anos tiveram a percepção aguda desta complexidade, mas as suas vozes não foram suficientemente fortes para pôr em causa a ideia convencional de que o colonialismo propriamente dito acabara, com exceção de alguns poucos casos, os mais dramáticos sendo possivelmente o Sahara Ocidental, a colônia hispano-marroquina que continua subjugando o povo saharaui e a ocupação da Palestina por Israel. Entre essas vozes, é de salientar a do grande sociólogo mexicano Pablo Gonzalez Casanova com o seu conceito de colonialismo interno para caraterizar a permanência de estruturas de poder colonial nas sociedades que emergiram no século XIX das lutas de independência das antigas colônias americanas da Espanha. E também a voz do grande líder africano, Kwame Nkrumah,  primeiro presidente da República do Gana, com o seu conceito de neocolonialismo para caracterizar o domínio que as antigas potências coloniais continuavam a deter sobre as suas antigas colônias, agora países supostamente independentes.

união política africana(Julius Nyerere, Kwame Nkrumah, W.E.B Dubois, e Jomo kenyatta)

Uma reflexão mais aprofundada dos últimos 60 anos leva-me a concluir que o que quase terminou com os processos de independência do século XX foi uma forma específica de colonialismo, e não o colonialismo como modo de dominação. A forma que quase terminou foi o que se pode designar por colonialismo histórico caracterizado pela ocupação territorial estrangeira. Mas o modo de dominação colonial continuou sob outras formas e, se as considerarmos como tal, o colonialismo está talvez hoje tão vigente e violento como no passado. Para justificar esta asserção é necessário especificar em que consiste o colonialismo enquanto modo de dominação. Colonialismo é todo o modo de dominação assente na degradação ontológica das populações dominadas por razões etno-raciais. Às populações e aos corpos racializados não é reconhecida a mesma dignidade humana que é atribuída aos que os dominam. São populações e corpos que, apesar de todas as declarações universais dos direitos humanos, são existencialmente considerados sub-humanos, seres inferiores na escala do ser, e as suas vidas pouco valor têm para quem os oprime, sendo, por isso, facilmente descartáveis. Foram inicialmente concebidos como parte da paisagem das terras “descobertas” pelos conquistadores, terras que, apesar de habitadas por populações indígenas desde tempos imemoriais, foram consideradas como terras de ninguém, terra nullius. Foram também considerados como objetos de propriedade individual, de que é prova histórica a escravatura. E continuam hoje a ser populações e corpos vítimas do racismo, da xenofobia, da expulsão das suas terras para abrir caminho aos megaprojetos mineiros e agroindustriais e à especulação imobiliária, da violência policial e das milícias paramilitares, do tráfico de pessoas e de órgãos, do trabalho escravo designado eufemisticamente como “trabalho análogo ao trabalho escravo” para satisfazer a hipocrisia  bem-pensante das relações internacionais, da conversão das suas comunidades de rios cristalinos e florestas idílicas em infernos tóxicos de degradação ambiental. Vivem em zonas de sacrifício, a cada momento em risco de se transformarem em zonas de não-ser.

As novas formas de colonialismo são mais insidiosas porque ocorrem no âmago de relações sociais, econômicas e políticas dominadas pelas ideologias do anti-racismo, dos direitos humanos universais, da igualdade de todos perante a lei, da não-discriminação, da igual dignidade dos filhos e filhas de qualquer deus ou deusa. O colonialismo insidioso é gasoso e evanescente, tão invasivo quanto evasivo, em suma, ardiloso. Mas nem por isso engana ou minora o sofrimento de quem é dele vítima na sua vida quotidiana. Floresce em apartheids sociais não institucionais, mesmo que sistemáticos. Tanto ocorre nas ruas como nas casas, nas prisões e nas universidades como nos supermercados e nos batalhões de polícia. Disfarça-se facilmente de outras formas de dominação tais como diferenças de classe e de sexo ou sexualidade mesmo sendo sempre um componente constitutivo delas. Verdadeiramente só é captável em close-ups, instantâneos do dia-a-dia. Em alguns deles, o colonialismo insidioso surge como saudade do colonialismo, como se fosse uma espécie em extinção que tem de ser protegida e multiplicada. Eis alguns desses instantâneos.

Ojos de Sur Caricaturas Cartoons

Primeiro instantâneo. Um dos últimos números de 2017 da respeitável revista científica Third World Quarterly, dedicada aos estudos pós-coloniais, incluía um artigo de autoria de Bruce Gilley, da Universidade Estadual de Portland, intitulado “Em defesa do colonialismo”. Eis o resumo do artigo: “Nos últimos cem anos, o colonialismo ocidental tem sido muito maltratado. É chegada a hora de contestar esta ortodoxia. Considerando realisticamente os respectivos conceitos, o colonialismo ocidental foi, em regra, tanto objetivamente benéfico como subjetivamente legítimo na maior parte dos lugares onde ocorreu. Em geral, os países que abraçaram a sua herança colonial tiveram mais êxito do que aqueles que a desprezaram. A ideologia anti-colonial impôs graves prejuízos aos povos a ela sujeitos e continua a impedir, em muitos lugares, um desenvolvimento sustentado e um encontro produtivo com a modernidade. Há três formas de estados fracos e frágeis recuperarem hoje o colonialismo: reclamando modos coloniais de governação; recolonizando certas áreas; e criando novas colônias ocidentais”. O artigo causou uma indignação geral e quinze membros do conselho editorial da revista demitiram-se. A pressão foi tão grande que o autor acabou por retirar o artigo da versão eletrônica da revista, mas permaneceu na versão já impressa. Foi um sinal dos tempos? Afinal, o artigo fora sujeito a revisão anônima por pares. A controvérsia mostrou que a defesa do colonialismo estava longe de ser um ato isolado de um autor tresloucado.   

A “LIGA DAS GAROTAS ALEMÃS” DE HITLER

Segundo instantâneo. Wall Street Journal de 22 de março passado publicou uma reportagem intitulada “Procura de sêmen americano disparou no Brasil”.  Segundo a jornalista, a importação de sêmen americano por mulheres solteiras e casais de lésbicas brasileiras ricas aumentou extraordinariamente nos últimos sete anos e os perfis dos doadores selecionados mostram a preferência por crianças brancas e com olhos azuis. E acrescenta: “A preferência por dadores brancos reflete uma persistente preocupação com a raça num país em que a classe social e a cor da pele coincidem com grande rigor. Mais de 50% dos brasileiros são negros ou mestiços, uma herança que resultou de o Brasil ter importado dez vezes mais escravos africanos do que os Estados Unidos; foi o último país a abolir a escravatura, em 1888. Os descendentes de colonos e imigrantes brancos – muitos dos quais foram atraídos para o Brasil no final do século XIX e princípio do século XX quando as elites no governo procuraram explicitamente ‘branquear’ a população – controlam a maior parte do poder político e da riqueza do país. Numa sociedade tão racialmente dividida, ter descendência de pele clara é visto muitas vezes como um modo de providenciar às crianças melhores perspectivas, seja um salário mais elevado ou um tratamento policial mais justo”. 

Terceiro instantâneo. Em 24 de março o mais influente jornal da Africa do Sul, Mail & Guardian, publicou uma reportagem intitulada “Genocídio branco: como a grande mentira se espalhou para os Estados Unidos e outros países”. Segundo o jornalista, “O Suidlanders, um grupo sul-africano de extrema direita, tem estabelecido contato com outros grupos extremistas nos Estados Unidos e na Austrália, fabricando uma teoria da conspiração sobre genocídio branco com o objectivo de conseguir apoio internacional para sul-africanos brancos. O grupo, que se auto-descreve como ‘uma iniciativa-plano de emergência’ para preparar uma minoria sul-africana de cristãos protestantes para uma suposta revolução violenta, tem-se relacionado com vários grupos extremistas (alt-right) e seus influentes contatos midiáticos nos Estados Unidos para erguer uma oposição global à alegada perseguição a brancos na África do Sul… Na semana passada, o, ministro australiano dos Assuntos Internos, disse ao Daily Telegraphque estava considerando a concessão de vistos rápidos para agricultores sul-africanos brancos, os quais, alegava o ministro, precisavam de ‘fugir de circunstâncias atrozes’ para ‘um país civilizado’. Segundo o ministro, os ditos agricultores ‘merecem atenção especial’ por causa de ocupação de terras e violência …  Tem também sido dada mais atenção a agricultores sul-africanos brancos na Europa, onde políticos da extrema direita com contatos diretos com a extrema direita (alt-right) nos Estados Unidos têm solicitado ao Parlamento Europeu que intervenha na África do Sul. Agentes políticos contra os refugiados no Reino Unido estão igualmente ligados à causa”.

A grande armadilha do colonialismo insidioso é dar a impressão de um regresso, quando o que regressa nunca deixou de estar.

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Originalmente publicado no site Outras Palavras Boaventura: o Colonialismo e o século XXI-02/04/2018

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Exposição Pretas InCorporações

A mulher preta na arte, entre linguagens, poéticas e militâncias” discute gênero e raça na Estação Cultura em Campinas

A curadora e artista Andrea Mendes reúne em sua nova exposição 12 artistas pretas de Campinas e região com o objetivo de discutir o racismo, a política, o amor, a ancestralidade, as origens, o machismo e o espaço da mulher preta na arte. A exposição representa diversas linguagens, como desenho, fotografia, pintura, poesia, audiovisual, performance e instalação e permanece na entrada principal da Estação Cultura até o dia 10 de dezembro.

Andrea Mendes, Daíse Silva, Francielle Costacurta, Helen Aguiar, Jéssica Paulino, Lubaya Rocha, Marla Rodrigues, Monique dos Santos, Natasha Rodrigues, Brenda Nicole, Thayara Magalhães, Thais Silva e Vick Aisha são as expositoras que, cada uma a seu modo, representaram-se ou a outras mulheres pretas em diversos aspectos da vida cotidiana. Universidade, relações amorosas, familiares, dificuldades na representação e medos de mulheres pretas foram alguns dos temas discutidos com o público de aproximadamente sessenta pessoas que esteve no coquetel de abertura, no dia 19 de novembro, véspera do feriado da Consciência Negra.

Andrea Mendes é arte educadora, artista visual, performer, curadora e militante do movimento negro. Entre os trabalhos, está a curadoria da Exposição Pretitudes no MIS Campinas, em 2016 e a exposição Memórias Históricas do Hip Hop Interior 019, dedicada exclusivamente a contar a história do Movimento Hip-Hop na Região de Campinas. Ela também desenvolve pesquisas sobre raça e gênero.

A convite da Fabiana Ribeiro Curadora do Espaço de Arte da Estação Cultura e com apoio do Núcleo de Consciência Negra Teresa de Benguela da PUC-Campinas, do Ponto de Cultura e Memória Ibaô, do Grupo Kilombagem, da Casa Coletiva Margem31, da CEPIR – Coordenadoria Especial de Promoção da Igualdade Racial e SMPDC – Centro de Referência em Direitos Humanos na Prevenção e Combate ao Racismo, a exposição é um trabalho importante para quem quer compartilhar ou entender o que é ser mulher preta nos dias atuais. Como parte desse grupo, me senti representada ao ver tantas mulheres pretas, com diversas tonalidades, cabelos de diversas texturas, com lutas, angústias e vitórias tão similares, em diferentes narrativas.

Por fim, é gratificante perceber que estamos conquistando esses espaços e, para além disso, estamos juntas, em um verdadeiro Ubuntu: “eu sou porque nós somos.”

Thalyta Martina
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CONFIRA ALGUMAS FOTOS!

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Fotos Crisley Caroline

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Novo clipe de Buia Kalunga tem a pergunta que não quer calar:

Pra Onde Vamos?

Lançado na Web no último dia 14/12, o clipe é uma síntese de algumas de nossas angustias, dúvidas e reflexões no período mais incógnito da política nacional atualmente.

Buia Kalunga é músico, arte educador e membro do Kilombagem , morador de Santo André, costuma trazer em suas letras uma pedrada forte questionando o sistema capitalista e suas formas de opressão, e aqui não foi diferente, “Pra Onde Vamos?” é quase um retrospecto dos acontecimentos políticos de 2016.

Buia Kalunga
Buia Kalunga

Em seu novo clipe “Pra Onde Vamos?”, nos deparamos com um cenário de guerrilha urbana, bem verossímil no que diz respeito à criminalização e perseguição sistemática aos militantes e movimentos sociais nos últimos anos, destacando-se palavras que estão na ordem do dia como a campanha pela libertação de Rafael Braga, preso no tocante as manifestações de Junho de 2013. Há uma mescla de ficção e realidade.

O clipe de tem produção coletiva e foi feito a baixo custo com a ajuda de amigos e familiares. É dirigido por Raoni Gruber e Gleice Neves. A música foi produzida por Buia e Dj Crick (Studio Kasa), e tem como base a canção do saudoso sambista mangueirense Cartola, “Preciso Me Encontrar”.


Quero destacar algo que considerei bem otimista e poético no clipe, a participação especial do Sr. Alexandre, o avô de Buia, um primo legítimo de Maria Bonita, que interpreta um cangaceiro pronto pro que der e vier, num recado fundamental, em tempos de derrotas para a classe trabalhadora (como a aprovação da PEC 55 semana passada), de que só há uma resposta possível pra pergunta “Pra Onde Vamos?”: PRA LUTA!

Parabéns pelo trabalho camarada, seguimos juntos, a kilombagem  continua!

Agora para tudo e ESCUTA O SOM!!!

Buia Kalunga – Pra Onde Vamos? (Clipe Oficial)
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Ciclo de debates: Parlamento, Democracia e Partidos

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A defesa da democracia como resolução pacifica de manutenção da ordem, do progresso, da integração e da garantia de direitos tem sido a fala dos progressistas, dos conservadores, dos liberais nacionalistas e internacionalistas, dos sociais democratas e também do partido dos trabalhadores. Envolto em uma democracia irrestrita o parlamento conduz com maestria um rolo compressor ideológico que comprime cotidianamente a classe trabalhadora.

Para debater sobre essa Democracia tão vivamente reivindicada nessa atual conjuntura, realizaremos rodas de conversa com as professoras Lívia Cotrim e Teresinha Ferrari, com objetivo de trazer um debate sobre eleições/parlamento e o que gira em torno de seus limites e possibilidades. Há possibilidade de mudança via parlamento? Um dialogo que traga os limites e a importância do parlamento. Um dialogo que traga o papel da Democracia na criação e expansão dos estados modernos. E os partidos, qual sua lógica de atuação e intervenção? Os partidos servem para que? E a politica, o que é a politica?

Dia 28 de Julho: Prof. Dra. Teresinha Ferrari

Dia 29 de Julho: Prof. Dra. Lívia Cotrim

Horário: 19h30 as 21h

Local: Centro Cultural Dona Leonor – Rua: San Juan, 121 – Parque das Américas – Mauá