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Apelo internacional √† a√ß√£o: 2¬ļ dia de a√ß√£o anual e solidariedade com aqueles que lutam para acabar com a escravid√£o nas pris√Ķes na Am√©rikkka e em todo o mundo em 19 de junho de 2019

Sauda√ß√Ķes Revolucion√°rias, Irm√£s e Irm√£os!

Uau, como o tempo voa. Quatro anos atr√°s, eu estava na Unidade Pack em Navasota, Texas, quando descobri que a unidade prisional tinha altos n√≠veis de ars√™nico no abastecimento de √°gua! Os opressores da Comiss√£o de Qualidade Ambiental do Texas me chamaram de mentiroso. Os porcos fascistas que operam o Departamento de Injusti√ßa Criminal do Texas retaliaram. Se n√£o fosse pela ajuda m√ļtua e solidariedade de Panagioti Tsolkas e alguns outros dedicados adeptos do mundo livre, a √°gua t√≥xica teria sido ignorada.

Irm√£s e irm√£os, pessoas de cor s√£o desproporcionalmente abrigadas em pris√Ķes por todo o territ√≥rio americano da Amerikkka. Muitas dessas pris√Ķes s√£o atormentadas por √°gua t√≥xica, mofo, radia√ß√£o ou, como no caso de muitas pris√Ķes na Pensilv√Ęnia, est√£o localizadas pr√≥ximas a locais t√≥xicos, como dep√≥sitos de cinzas de carv√£o que contaminam a √°gua e o ar respirados pelo ser humano. seres for√ßosamente alojados nessas pris√Ķes t√≥xicas!

Eu pessoalmente estou chamando para a ação, a fim de encorajar todos que são apaixonados pela abolição de todas as formas de escravidão e servidão involuntária a se unirem em uma ação unificada de solidariedade revolucionária em 19 de junho de 2019 e protestar contra a escravização, degradação e desumanização de prisioneiros americanos e todos os seres humanos em todo o mundo que estão sujeitos a qualquer forma de escravidão ou opressão!

Como muitos de vocês sabem, 19 de junho é o dia em que os negros no Texas celebram a liberdade de seus ancestrais, nossos antepassados, que foram mantidos na ESCRAVIDÃO por aproximadamente dois anos depois que a nação inteira reconheceu a Proclamação da Emancipação. Mas os donos de escravos no Texas ignoraram essa lei federal.

O apelo deste ano √† a√ß√£o tem um significado especial quando os olhos do mundo s√£o treinados no sul do Texas, onde dezenas de milhares de solicitantes de asilo da Am√©rica Central v√™m para os Estados Unidos em busca de ref√ļgio, mas encontraram maus-tratos, abuso, racismo e escravid√£o. O sistema legislativo e de justi√ßa criminal no Texas continua a criar as bases para o racismo institucionalizado e o fanatismo.

Você percebe que o Exército dos EUA teve que entrar em Galveston, Texas, em 1867 e anunciar que a escravidão havia sido abolida?

O estado do Texas estava tão empenhado em manter seus escravos e lucrar com o trabalho escravo que o Exército dos EUA teve que mostrar força para fazer o Texas eliminar a prática da escravidão. Mas ainda está vivo! A escravidão na prisão é algo que está sendo praticado e perpetuado em todos os estados do sindicato e foi codificado pelo mais poderoso documento legal dos Estados Unidos, a Constituição dos EUA.

No Texas, sabemos que estamos sendo explorados, maltratados, degradados e abusados. Muitos prisioneiros no Texas est√£o contentes com o sistema moderno de planta√ß√£o de escravos, que √© gerenciado e operado pelo Departamento de Justi√ßa Criminal do Texas. No entanto, muitos prisioneiros n√£o est√£o contentes; na verdade, eles est√£o frustrados e com raiva. As estrat√©gias utilizadas pelos prisioneiros em outros estados que t√™m condi√ß√Ķes semelhantes ao Texas n√£o se aplicam necessariamente aqui. Mais precisamente, n√£o podemos fazer o que os outros fizeram porque n√£o atingimos o n√≠vel de solidariedade e desenvolvimento pol√≠tico que os presos de outros estados, como a Calif√≥rnia, alcan√ßaram.

Isto n√£o √© para depreciar ou degradar meus companheiros de pris√£o no Texas; Estou apenas afirmando fatos. A greve de fome e paralisa√ß√£o do trabalho na Calif√≥rnia for√ßaram as autoridades penitenci√°rias a reavaliar as pol√≠ticas opressivas que levaram ao tratamento desumano. Muitos seres humanos est√£o presos na Pelican Bay e em v√°rias outras unidades de confinamento solit√°rio na Calif√≥rnia. O confinamento solit√°rio √© uma tortura, seja pelo CDCR(Departamento de Corre√ß√Ķes e Reabilita√ß√£o da Calif√≥rnia) ou pelo TDCJ(Texas Department of Criminal Justice).

A aboli√ß√£o desta forma de puni√ß√£o √© a √ļnica solu√ß√£o correta. A quest√£o que tem atormentado os ativistas dos direitos dos prisioneiros como eu: ‚ÄúQual √© a melhor estrat√©gia para o Texas?‚ÄĚ Como iniciarmos um movimento que ser√° adotado tanto pelos prisioneiros do Texas quanto por suas fam√≠lias? Texas √© um estado orientado para a fam√≠lia. Voc√™ n√£o pode prosseguir com uma iniciativa s√©ria sem incluir membros da fam√≠lia que far√£o lobby na assembl√©ia estadual e falem com a m√≠dia em nome de seus entes queridos. Fiquei muito impressionado com o apoio que o prisioneiro californiano e pelicano Bay Freedom Fighter Sitawa Nantambu Jamaa recebeu de sua irm√£. Toda vez que eu abria a Bay View, l√° estava ela – em protestos, falando para a m√≠dia, legisladores, verdadeiramente impressionantes!

Os principais indiv√≠duos que est√£o sendo enganados s√£o os membros de nossa fam√≠lia. A maioria de n√≥s, prisioneiros, est√° bem ciente das pr√°ticas enganosas perpetradas pelo Conselho de Liberdade Condicional. Suas a√ß√Ķes s√£o promovidas, sancionadas e toleradas pelo Legislativo e pela Junta de Justi√ßa Criminal do Texas.

O modelo de escravo no Texas √© perpetrado pelo que a TDCJ chama de TCI ou Texas Correctional Industries. No papel, o TCI √© criado como uma organiza√ß√£o sem fins lucrativos que fornece habilidades profissionais e treinamento no trabalho para prisioneiros que trabalham em v√°rias f√°bricas e trabalhos industriais leves em todo o Texas. O modelo √© enganoso e o TDCJ gasta muito tempo e recursos, dando ao p√ļblico em geral a impress√£o de que a reabilita√ß√£o √© seu foco.

Funcionários da prisão e legisladores dizem que a TCI está fornecendo habilidades valiosas de trabalho e treinamento de graça. Tudo bem, então, se esse é o caso, por que o Conselho de Liberdade Condicional não reconhece os bons tempos e créditos de tempo de trabalho de todos os prisioneiros do Texas?

Queremos que esses créditos sejam aplicados diretamente em nossas sentenças, para que possamos retornar às nossas famílias e comunidades.

Para aqueles que s√£o bem versados ‚Äč‚Äčna hist√≥ria do Texas, voc√™ saber√° que o Texas foi fundado no preceito da supremacia branca.

O atual governador do Texas, Greg Abbott, concorda com um tipo de pensamento eugênico no qual os negros e pardos são inferiores aos brancos, e esse pensamento justifica nossa atual escravização e tratamento desumano. Alexander Stephens, vice-presidente dos Estados Confederados durante a Guerra Civil dos EUA, descreveu melhor a filosofia dos texanos, como o governador Abbott e Brian Collier, diretor executivo da TDCJ, quando disse em um discurso de 1861:


‚Äú A pedra angular da Confedera√ß√£o repousa sobre a grande verdade de que o negro n√£o √© igual ao homem branco; que a escravid√£o, subordina√ß√£o √† ra√ßa superior, √© sua condi√ß√£o natural e moral ‚ÄĚ.

√Č contra isso que estamos no Texas.

No Texas, como em toda a Am√©rica, a chamada ‚Äúclasse baixa‚ÄĚ negra vem em v√°rias cores, formas, tamanhos e g√™neros. H√° pardos, negros, latinos, asi√°ticos e √°rabes presos dentro das pris√Ķes do Texas. O camarada dos Panteras Negras Fred Hampton ilustrou melhor este ponto quando entrou em um bar branco no final dos anos 60 para recrutar pessoas brancas para participar de mudan√ßas socialistas.

Quero que você entenda exatamente de onde estou vindo, para que não haja confusão. Então, peço-lhe para ler e analisar esta citação do camarada Fred Hampton; vem de um discurso que ele fez em 1969:

‚Äú Temos que enfrentar alguns fatos. Que as massas s√£o pobres, que as massas pertencem ao que voc√™ chama de classe baixa, e quando eu falo sobre as massas, eu estou falando sobre as massas brancas, eu estou falando sobre as massas negras, e as massas marrons e as massas massas amarelas tamb√©m. Temos que encarar o fato de que algumas pessoas dizem que voc√™ luta melhor contra fogo com fogo, mas n√≥s dizemos que voc√™ coloca fogo melhor com √°gua. N√≥s dizemos que voc√™ n√£o combate o racismo com racismo; N√≥s vamos lutar contra o racismo com solidariedade. N√≥s dizemos que voc√™ n√£o luta contra o capitalismo sem o capitalismo negro; voc√™ luta contra o capitalismo com o socialismo ‚ÄĚ.

Esta cita√ß√£o incorpora a teoria, filosofia e pr√°tica revolucion√°ria do Novo Partido Pantera Negra Afrikan, Cap√≠tulo Pris√£o. √Č claro que amamos e respeitamos os negros neozelandeses, mas evitamos esse nacionalismo negro que √© abra√ßado por outros grupos que se fazem passar por panteras. Voc√™ n√£o pode atacar brutalmente um anci√£o neste movimento e dizer que est√° representando os melhores interesses do povo. N√£o! Isso n√£o √© o Pantherismo – mas eu discordo.Vamos ficar no ponto.

Como prisioneiros no Texas, temos que agarrar o touro pelos chifres e assumir o controle do nosso pr√≥prio destino. Os apoiadores do mundo livre n√£o podem fazer isso por n√≥s. Eles podem ajudar, mas, em √ļltima an√°lise, a organiza√ß√£o e o esfor√ßo de base devem ser feitos por n√≥s.

Primeiro, devemos educar nossa família e amigos em referência à natureza do problema. Devemos mostrar a eles o engano e a ilusão desse pagamento imaginário e do sistema fraudulento de bom tempo e crédito no tempo de trabalho.

Na verdade, todos os prisioneiros do Texas t√™m que fazer √© enviar a sua fam√≠lia e amigos uma c√≥pia do seu recibo de tempo. H√° milhares de homens e mulheres presos nas pris√Ķes do Texas. Eles possuem folhas de tempo que mostram claramente porcentagens de cr√©dito acumuladas de tempo fixo, tempo bom e tempo de trabalho que equivalem a 100% de sua senten√ßa atual ou mais!

O Texas construiu um sistema que enfraqueceu e destruiu sistematicamente as cidades do interior e as comunidades urbanas. Essas comunidades foram alvo das entidades estatais e corporativas para gentrificação. Os habitantes dessas comunidades são predominantemente negros e pardos.

Em Houston, no Texas, vimos at√© mesmo um superintendente da escola entrar na ‚Äúa√ß√£o‚ÄĚ. O superintendente da HISD, Terry Grier, fez tudo o que p√īde para enfraquecer as escolas em Houston que atendem aos jovens da cidade de Black e Brown.

E quando voc√™ nega √†s pessoas o acesso adequado a oportunidades de educa√ß√£o de qualidade, voc√™ cria condi√ß√Ķes que os empurram para os bra√ßos do sistema de justi√ßa criminal. O Sr. Grier anunciou sua ren√ļncia. Vamos esperar que Houston escolha um superintendente da HISD que tenha um interesse em nosso sucesso.

Assim, em poucas palavras, o TDCJ e o Conselho de Perd√Ķes e Paroles trabalham em conjunto com os capitalistas para sabotar a autodetermina√ß√£o de certas comunidades de cor. O que isso significa √© um programa n√£o t√£o sutil de controle social.

O que estamos perguntando √© que os prisioneiros do Texas t√™m suas fam√≠lias visitando nossas p√°ginas e websites para ver as informa√ß√Ķes que publicamos l√°, o que explica a quest√£o em termos e linguagem f√°ceis de entender. Temos n√ļmeros de telefone dos principais legisladores do Texas dispon√≠veis.O que estamos propondo √© que os prisioneiros incentivem seus familiares e amigos a contatarem esses legisladores e inst√°-los a elaborar uma legisla√ß√£o que conserte esse sistema fraudulento de escravos.

A linha inferior é esta:

  • Queremos nosso bom tempo e cr√©ditos de tempo de trabalho contados! Pare de nos dizer que voc√™ est√° contando quando voc√™ n√£o est√°.
  • Queremos ser pagos pelo nosso trabalho!
  • Queremos que nosso direito de votar seja restaurado.
  • Pare de falsificar os n√ļmeros do censo das comunidades rurais em que essas pris√Ķes est√£o localizadas, fazendo com que pare√ßam ser cidad√£os quando, na realidade, somos escravos! O Texas est√° ‚Äújogando o sistema‚ÄĚ, fazendo com que as √°reas pare√ßam ter mais constituintes do que realmente t√™m.

Quais os benefícios que recebemos? Nós já vimos esses jogos antes. O Texas adora brincar com mapas de re-distrito e os votos de minorias desfavorecidas.Muitas pessoas não vêem a conexão entre o sistema de plantação de escravos do Texas e a manipulação do voto Рeu o vejo.

A solidariedade é necessária agora!

H√° aproximadamente 150.000 prisioneiros alojados em pris√Ķes do Texas. Se metade de n√≥s puder convencer nossos entes queridos a contatar representantes e senadores do Texas em rela√ß√£o a essa quest√£o, poderemos ter um impacto significativo. Precisamos come√ßar a discutir isso nas salas do dia, no p√°tio de recreio ou enquanto estivermos trabalhando nos campos ou nas f√°bricas.

Voc√™ v√™, camaradas, n√£o estou operando sob nenhuma ilus√£o. Como eu disse no in√≠cio deste ensaio, alguns estar√£o contentes com essa exist√™ncia semelhante √† de um escravo; alguns n√£o estar√£o contentes. Alguns podem dizer ao “chefe”, “Aquele cara Malik est√° mexendo nos problemas de novo, chefe” e, como sempre, os opressores far√£o o que sempre fizeram – me prendem na solit√°ria, me transferem, escrevem como falsos relat√≥rios disciplinares, negar minha liberdade condicional ou tentar convencer alguns membros da tribo de rua equivocados. Eu j√° passei por tudo isso e muito mais. Estou determinado a melhorar nossa condi√ß√£o mesmo que isso me mate. Para aqueles de voc√™s que est√£o doentes e cansados ‚Äč‚Äčde serem escravos, pe√ßo que me ajudem a acabar com a escravid√£o na pris√£o no Texas agora!

Deixo-vos outra citação do camarada Fred Hampton:

Em primeiro lugar, dizemos principalmente que a prioridade dessa luta √© a classe. Que Marx e L√™nin e Che Guevara e Mao Tse-Tung e qualquer outra pessoa que j√° disse ou sabia ou praticou qualquer coisa sobre revolu√ß√£o sempre disseram que uma revolu√ß√£o √© uma luta de classes. Era uma classe – os oprimidos – contra a outra classe, o opressor. E isso tem que ser um fato universal. Aqueles que n√£o admitem isso s√£o aqueles que n√£o querem se envolver em revolu√ß√£o porque sabem que, enquanto estiverem lidando com uma coisa de ra√ßa, nunca estar√£o envolvidos em uma revolu√ß√£o. Eles podem falar sobre n√ļmeros, eles podem te enforcar de muitas maneiras. ‚ÄĚ

Então, o que será, uma vida de servidão involuntária, ajudando a sustentar esse sistema de escravos, ou a liberdade construindo suas comunidades e apoiando suas famílias?

N√£o temos nada a perder a n√£o ser nossas correntes! Os fan√°ticos que operam as pris√Ķes do Texas desejam silenciar minha voz. Eu me recuso a permanecer em sil√™ncio!

Em 19 de junho de 2019, fique conosco! Atreva-se a lutar, ousar vencer, Todo o poder para o povo!

ÔĽŅpelo Camarada Malik, Porta-voz Chefe, Escravo da Pris√£o Final no Movimento do Texas

Keith “Malik” Washington √© co-fundador e porta-voz chefe do Escravid√£o Prisional no Movimento do Texas, membro orgulhoso do Comit√™ Organizador dos Trabalhadores Presos, ativista na campanha Pris√Ķes de Luta contra as Toxicidades e vice-presidente do Pres√≠dio do Novo Partido Pantera Negra Afrikan. Cap√≠tulo. Leia o trabalho de Malik no ComradeMalik.com . Envie ao nosso irm√£o um pouco de amor e luz: Keith “Malik” Washington, 1487958, Unidade McConnell, 3100 S. Emily Dr., Beeville TX 78103.

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Fat Soldiers grupo de rap angolano, fala sobre seu novo single/videoclipe intitulado “Resili√™ncia”.

A cena do hip hop/rap angolano est√° marcada por um  grupo intitulado ‚ÄúFat Soldiers‚ÄĚ. ‚ÄúCria‚ÄĚ do bairro Boa Vista, um sub√ļrbio localizado no distrito urbano da Ingombota, Luanda. O grupo √© formado por Soldier V, Timomy e Daniel A.K.A.M.P,  eles come√ßaram com freestyle fruto da influ√™ncia do programa de rap big show cidade, e marcam oficialmente a sua estreia no panorama do rap angolano em 2010 com o lan√ßamento da primeira mixtape, ‚ÄúMentes da Rua‚ÄĚ.

cena da musica “eu me recuso” do Fat Soldiers

As M√ļsicas ‚ÄúEu me recuso‚ÄĚ, ‚ÄúVerdades‚ÄĚ e ‚ÄúBer√ßo de lata‚ÄĚ, do disco ‚ÄúSobreviventes vol. 1(2016)‚ÄĚ, senta o dedo na ferida,  pauta um discurso contra a pobreza e a desigualdade, denunciando as realidades suburbanas, a concentra√ß√£o de riqueza em um dos pa√≠ses com maior crescimento econ√īmico do continente africano, (Souza e Souza 2016).

Neste trabalho participaram Edzila, Nelo Carvalho e Kid Mc que recebeu o prêmio de melhor Mixtape do ano pelo prestigiado concurso Angola Hip Hop Awards.

Eles são conhecidos não só pela letras, Skills e performance mas também pela arte que trazem nos videoclipes fruto de um grande trabalho de equipe.

O √ļltimo videoclipe  lan√ßado(22/04/2019) pelo grupo chama-se ‚ÄúResili√™ncia‚ÄĚ, e como o Vanderson(Sodier V) √© parceiro, acompanho o ‚Äúmesmo ‚Äúmo cara‚ÄĚ nas redes sociais, por isso falou um pouco mais sobre esse √ļltimo ‚Äútrampo‚ÄĚ.  

Vanderson(Soldier V) explica que: o termo resili√™ncia no contexto do single que agora lan√ßamos, traduz o estado de esp√≠rito e a situa√ß√£o social que vivemos nos √ļltimos anos.

flyer da musica resiliencia do Fat Soldiers

Num ambiente de incertezas e escassez dos bens essenciais para sobreviv√™ncia digna do ser humano, urge resistir as atrocidades que nos afligem todos os dias, portanto, afigura-se imperioso continuar a lutar pelo que acreditamos e se “autoregenerar” mesmo quando parece imposs√≠vel alcan√ßar a vit√≥ria.

Outrossim, Resili√™ncia √© tamb√©m tomar a decis√£o certa, a decis√£o de continuar na contra-m√£o  de uma sociedade que subverteu a l√≥gica da moral sob orienta√ß√£o de pol√≠ticos cuja prioridade √© a manuten√ß√£o do poder.

O single vem acompanhado do v√≠deo clipe, e neste sentido, a interpreta√ß√£o do v√≠deo requer uma an√°lise minuciosa das cenas apresentadas para chegar a inten√ß√£o do v√≠deo. Criamos o v√≠deo com cenas que t√™m por tr√°s uma revela√ß√£o, e para chegar a tais revela√ß√Ķes requer-se um esfor√ßo interpretativo.

confira aqui o novo trampo dos manos!!!!


Fat Soldiers. Ate a Vitória Manos
Podes crer, nos teus ouvidos
√Č sempre n√≥s a fazer e Deus a aben√ßoar irm√£o
Até a vitória Niggas

Se ainda estamos em pé
A continuar a fazer
Mano não é só por nós

Fat Soldiers redes sociais

https://www.facebook.com/FatSoldiers/

Referência:SOUZA, Luana Soares de; SOUZA, Martinho Joaquim João. Entrevista com o grupo angolano “Fat Soldiers. Revista Crioula, São Paulo, v. 2, n. 18, p.252-265, 26 dez. 2016. Semestral. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/crioula/article/view/119346/121945>. Acesso em: 21 mar. 2019.

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Fidel e a universalização da tecnologia da informação em Cuba

 

O presidente da Arg√©lia, Abdelaziz Bouteflika, tinha muitas raz√Ķes para dizer que Fidel viaja para o futuro, retorna e explica isso. Caso contr√°rio, n√£o poderia ser entendido como ele viu o potencial da computa√ß√£o em Cuba.

De acordo com o M.Sc. Melchor Gil Morell durante a Inform√°tica 2018, correu os primeiros anos da Revolu√ß√£o e foi necess√°rio impulsionar a produ√ß√£o de a√ß√ļcar e otimizar o sistema ferrovi√°rio. Fidel imaginou o impacto que o uso de equipamentos de inform√°tica teria e colocou a tarefa de criar o primeiro computador cubano antes da barreira tecnol√≥gica imposta √† ilha.

E muitas das tarefas s√£o complexas: as tarefas de direcionar todo o tr√°fego em uma usina de a√ß√ļcar, o itiner√°rio dos trens, o programa. De tal forma que agora estamos analisando, mesmo tentando produzir um primeiro computador que a cada dia em cada usina de a√ß√ļcar indica qual deve ser o itiner√°rio ideal dos trens “

Somente em 1969, após o encontro com Erwin Roy John, eminência do mundo das neurociências, os primeiros passos são dados para esse esforço. Diante da impossibilidade da transferência tecnológica e do conhecimento imposto pelo bloqueio, o líder da Revolução Cubana cria um grupo de trabalho nesse sentido.

Luís Carrasco e Orlando Ramos

‚ÄúEm 5 de abril de 1969, Fidel conhece Roy Jonh, pai de neuroci√™ncia nos EUA e pede sua colabora√ß√£o para criar o primeiro computador em Cuba, mas as ag√™ncias de intelig√™ncia americanas intercedem e pro√≠bem a transfer√™ncia de tecnologia e conhecimento. Fidel criou ent√£o um grupo de trabalho na faculdade de tecnologias da Universidade de Havana, liderado por Juli√°n Carrasco e dirigido por Orlando Ramos.‚ÄĚ

Gil Morell lembrou que em 18 de abril de 1970 apresentou FID 201 ao Fidel, momento que marcou, segundo o especialista, “o in√≠cio da ind√ļstria eletr√īnica cubana”.

Outro dos momentos que marcaram a rela√ß√£o de Fidel com a tecnologia da informa√ß√£o foi, sem d√ļvida, a cria√ß√£o do Clube do Jovem Computador. “Fidel sempre se interessou pela universaliza√ß√£o da ci√™ncia da computa√ß√£o e, em 1987, o Clube Jovem de Computa√ß√£o e Eletr√īnica nasceu para obter acesso massivo aos jovens”, afirmou.

Inicialmente, 32 jovens clubes foram instalados em todo o país, uma maneira de provar a ideia inicial. Vendo os resultados, esse programa foi promovido até que, pelo menos, houvesse uma instalação por município.

“Esse desafio implica um dom√≠nio, por exemplo, da computa√ß√£o. Voc√™ n√£o pode sobreviver sem esse dom√≠nio da computa√ß√£o, da eletr√īnica, da m√≠dia. Ningu√©m pode imaginar o que significam esses jovens clubes que foram criados em toda a rep√ļblica e onde milhares de jovens aprenderam a usar computadores. Ningu√©m imagina quais os programas que a Revolu√ß√£o fez para introduzir o computador, primeiro nos centros superiores, depois continuar em outros centros, e temos que fazer o mesmo esfor√ßo para lev√°-lo aos n√≠veis totais de ensino ‚ÄĚ.

Melchor Felix Gil Morell concluiu que uma das maiores obras planejadas pelo Comandante em Chefe para contribuir com a informatização da sociedade cubana era a Universidade de Ciências da Informação.

“Fidel, como estrategista fundador, recomendou que a universidade fosse concebida como um centro de novo tipo, de alcance nacional, de caracter√≠sticas at√≠picas e de tarefas concretas no projeto de informatiza√ß√£o da sociedade cubana”.

Analisar o papel do Estado e das pol√≠ticas p√ļblicas no desenvolvimento digital de um pa√≠s

Sobre o papel do Estado e a import√Ęncia de estabelecer pol√≠ticas p√ļblicas para o desenvolvimento digital de uma na√ß√£o, o ex-subsecret√°rio de Telecomunica√ß√Ķes do Chile, Pedro Huichalaf, falou hoje na Inform√°tica 2018.

O advogado explicou como foram os √ļltimos quatro anos de transforma√ß√Ķes no campo da conectividade com a Internet naquele pa√≠s da Am√©rica do Sul, entre os l√≠deres de v√°rias listagens mundiais em termos de velocidade de acesso, penetra√ß√£o, uso de tecnologias e outros aspectos.

Huichalaf insistiu na import√Ęncia das regulamenta√ß√Ķes em torno dessas quest√Ķes e das implica√ß√Ķes dos v√≠nculos entre o setor estatal e as entidades privadas. “O papel do regulador tem a ver com as tecnologias atingir todos os setores, independentemente da localiza√ß√£o geogr√°fica.”

A figura do regulador √© essencial no momento da regulamenta√ß√£o, para projetar o modelo de pol√≠tica p√ļblica, para gerenciar o espectro radioel√©trico, para definir as normas t√©cnicas de regulamenta√ß√£o, disse ele.

Durante sua estada no governo chileno, explicou, eles decidiram transformar o pa√≠s em um centro digital global, planejando pol√≠ticas p√ļblicas de telecomunica√ß√Ķes por meio de trabalho p√ļblico-privado com uma vis√£o de m√©dio a longo prazo.

Com esse objetivo, a estrat√©gia a ser seguida foi focada na redu√ß√£o da brecha digital e na promo√ß√£o da inclus√£o cidad√£; a defesa do usu√°rio de telecomunica√ß√Ķes; o aumento da qualidade do servi√ßo; a promo√ß√£o da concorr√™ncia para o desenvolvimento da sociedade da informa√ß√£o; desenvolvimento de infraestrutura.

Para estes √ļltimos, criaram um plano nacional de infraestrutura de telecomunica√ß√Ķes que inclu√≠a conectividade projetada para o usu√°rio final, que liga todo o pa√≠s e tamb√©m busca alternativas de conectividade do exterior.

O Estado tem então como missão assegurar um acesso equitativo ao serviço e garantir todos os investimentos em todo o território, disse Huichalaf.

Uma rede de pontos de Wi-Fi gratuitos foi estabelecida em todo o pa√≠s. A partir da√≠, foram feitos estudos para avaliar a efici√™ncia dessa pol√≠tica p√ļblica. Depois disso, pelo menos quinze empresas que n√£o tiveram contratos com o Estado, nem receberam subs√≠dios do Estado, passaram a receber um valor pela manuten√ß√£o daquele servi√ßo.

Ele também disse que a fibra óptica foi estendida para as áreas mais ao sul da nação, onde vivem 6% da população. Várias empresas foram premiadas com esse projeto. Isso permitirá que qualquer investimento direto seja mais fácil e levará ao desenvolvimento científico em escala internacional, baseado no Chile, disse ele.

Durante os √ļltimos quatro anos, ele mencionou v√°rios acordos de colabora√ß√£o com v√°rios dos pa√≠ses mais avan√ßados nessas √°reas, como os casos da Coreia do Sul, Jap√£o e China.

No caso do gigante asi√°tico, o elo foi al√©m e chegou-se a um acordo para conectar, via fibra √≥tica, a mais de vinte mil quil√īmetros de dist√Ęncia, o que constituir√° o mais extenso rastreamento de fibra √≥ptica submarina do mundo.

No período em questão, ele disse, também houve um aumento na velocidade da conexão com a internet. No nível latino-americano, o Chile tem as melhores taxas de velocidade média.

Um projeto tamb√©m foi apresentado para criar uma rede de comunica√ß√Ķes estaduais, onde o propriet√°rio √© o Estado e n√£o um privado, embora outras entidades sejam contratadas para o desenvolvimento.

Em rela√ß√£o √† conectividade por meio de telefones celulares, ele explicou que a cada ano o crescimento √© mais explosivo no que diz respeito ao tr√°fego de dados, venda de aparelhos, pe√ßas de reposi√ß√£o t√©cnicas. Ele explicou que um dos efeitos que isso traz √© que “a voz n√£o √© mais um elemento diferenciador”. As pessoas est√£o come√ßando a falar menos nos telefones. O SMS est√° em queda. As pessoas se comunicam pelo WhatsApp, pelo Facebook. √Č por isso que os modelos de neg√≥cios das empresas de telecomunica√ß√Ķes baseadas em voz t√™m seus dias contados. “

Outra medida regulat√≥ria que foi implementada estava relacionada ao fim das chamadas de longa dist√Ęncia em n√≠vel nacional. “O Chile √© t√£o longo que teve v√°rios setores de longa dist√Ęncia, para os quais um valor adicional teve que ser pago, devido ao aluguel das redes”. Ele explicou que as empresas disseram que tinham que cobrar para manter a rede de cobre, que era a base da comunica√ß√£o, mas desde que tudo foi digitalizado, ele n√£o existia e, portanto, eles estavam cobrando por algo inexistente. Agora todas as chamadas no pa√≠s contam como locais.

Em seguida, ele se referiu √† aplica√ß√£o da portabilidade num√©rica, o que implica que, se um usu√°rio decidir mudar de companhia telef√īnica, ele poder√° faz√™-lo sem perder o n√ļmero. Este processo dura apenas 24 horas e n√£o tem custo. “Hoje s√£o mais de 350 mil pessoas que mudam em um m√™s de empresa. Esta √© uma pol√≠tica de promo√ß√£o de direitos de usu√°rio. “

Mais tarde, foi para a portabilidade total do n√ļmero: “se voc√™ tem um n√ļmero, voc√™ pode transform√°-lo em um telefone fixo e, em seguida, um telefone celular. Pode ser usado em qualquer tipo de servi√ßo sempre que voc√™ quiser. “

Perto do final de seu discurso, Huichalaf se referiu ao Sistema de Alerta de Emerg√™ncia (SAE), que, de acordo com seu site oficial, “permitir√° o envio de informa√ß√Ķes para telefones que possuam o selo de compatibilidade. Esta mensagem ser√° emitida em caso de risco de tsunami, terremotos de maior intensidade, erup√ß√Ķes vulc√Ęnicas e inc√™ndios florestais que ameacem as casas. Tal alerta maci√ßo, que ser√£o enviados automaticamente via texto para uma √°rea georreferenciada n√£o ser√£o afetadas pelo congestionamento das redes celulares, como outros canais de frequ√™ncia usada para alcan√ßar o telefone com seguran√ßa”.

Em algum momento, ele comentou, em v√°rias situa√ß√Ķes, nem todos os telefones no Chile tinham a capacidade de receber esse alerta. O Estado ent√£o estabeleceu o regulamento de que todos os telefones vendidos naquele pa√≠s devem incorporar a SAE de maneira obrigat√≥ria.

Eles apresentam nova vers√£o do sistema operacional Nova

Nova versão da distribuição cubana NOVA

Com o lançamento da versão 6.0 do sistema operacional Nova desenvolvido pela Universidade das Ciências Informáticas (UCI), continuou hoje a XVII Feira Internacional Informática 2018, que culminará amanhã no Pabexpo feiras nesta capital.

O Nova foi projetado para atender às necessidades da migração de Cuba para uma plataforma de código aberto como parte do processo de informatização da empresa.

Nova processo de registo apresentação do produto 6. integra Nova e Nova Luz área de trabalho no mesmo sistema, que permite ao cliente escolher qual deles vai ser instalado de acordo com o desempenho de sua equipe.

A nova variante foi completamente renovado ambiente desktop, Office Suite, Picture Manager, File Browser, players de m√ļsica e v√≠deo, navegador web e cliente de mensagens e correio, bem como acess√≥rios e ferramentas para compartilhamento de arquivos.

Tamb√©m introduziu o Portal do Governo Eletr√īnico da Rep√ļblica de Cuba, que responde √† necessidade de simplificar, melhorar, socializar e reduzir os custos dos processos e atividades do sistema p√ļblico.

Durante o dia, o Stand do Grupo de Computa√ß√£o e Comunica√ß√Ķes (GEIC) continuar√° com a apresenta√ß√£o de solu√ß√Ķes e aplica√ß√Ķes para avan√ßar no processo de informatiza√ß√£o da sociedade.

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Publicado originalmente 22, de março, 2018 no site Cubadebate Fidel y la universalización de la informática en Cuba

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Acesse o download NOVA 6.0

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NOTA P√öBLICA DE PESAR E SOLIDARIEDADE A MARIELLE FRANCO

O país acordou num clima de tristeza num cenário de horror nesta quinta-feira dia 15/03/18.
“Precisamos gritar para que todos saibam o est√° acontecendo em Acari nesse momento (…) Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um val√£o. Hoje a pol√≠cia andou pelas ruas amea√ßando os moradores. Acontece desde sempre e com a interven√ß√£o ficou ainda pior” Marielle Franco

O Grupo KILOMBAGEM vem a p√ļblico manifestar seu pesar diante dos b√°rbaros assassinatos ocorridos no Rio de Janeiro em 14/03/2018.
Entre esses assassinatos ocorrido, um em especifico obteve uma atenção nacional e internacional, o da socióloga e vereadora Marielle Franco, executada com 9 tiros no centro do Rio de Janeiro. Ela estava acompanhada de Anderson Pedro Gomes, motorista que também foi alvejado.

Marielle estava exercendo seu primeiro mandato como vereadora, por√©m seu passos v√™m de longe: feminista, negra e ‚Äúcria da Mar√©‚ÄĚ, como se apresentava, tornou-se conhecida pelos movimentos sociais do pa√≠s, devido sua atua√ß√£o na √°rea de Direitos Humanos, nas periferias e combatente de todo tipo de injusti√ßas sociais, na constru√ß√£o de uma nova sociabilidade. Ela havia sido a quinta vereadora mais votada da cidade do Rio de Janeiro.
Na noite da execu√ß√£o, Marielle participava do evento ‚ÄúJovens Negras Movendo as Estruturas‚ÄĚ organizado pela mesma na Lapa.

Uma pergunta que poderia ser feita, neste momento √©: por que esse assassinato , em espec√≠fico, obteve repercuss√£o nacional? A lista de lideran√ßas pol√≠ticas populares assassinadas¬† n√£o para de crescer e os √≠ndices de mortalidade por causa causas externas entre a popula√ß√£o negra permitem falar tranquilamente em projeto de genoc√≠dio da popula√ß√£o negra brasileira. Mas ao contr√°rio do referido caso, o que se tem observado √© um sil√™ncio assustador a respeito desse processo, silencio esse partilhado pelas mais diversas agremia√ß√Ķes do espectro pol√≠tico e ideol√≥gico brasileiro.

Marielle Franco – Por Bianca Foratori

Talvez, a atual visibilidade, seja porque recentemente, a Marielle tenha sido indicada como relatora da Comissão que iria acompanhar a Intervenção (Militar) Federal no Rio, além de denunciar a chacina que levou a morte de jovens por policiais em Acari e de outros bairros pobres do Rio de Janeiro. Outra explicação, pode ser o atual contexto de derrotas e retrocessos nos mais diversos campos. O momento político nos empurra derradeiramente ao precipício e o acontecido pode ter sido o estopim para a percepção do estágio em que chegamos e o estímulo uma discussão ampla sobre a amplitude do racismo e os seus entroncamentos de classe e gênero no Brasil.

O fato é que, há uma disputa de narrativas em torno da morte e alguns setores conservadores (de direita), têm pego carona em nossa indignação para defender exatamente aquilo que Marielle mais criticava: a Militarização das favelas. Há uma armadilha nessa aposta da intervenção (militar) como resposta à corrupção policial no Rio de Janeiro, como se a própria polícia não fosse o que é, exatamente por sua dimensão militarizada.
Do outro lado, h√° uma mobiliza√ß√£o de setores (que vai das fra√ß√Ķes da m√≠dia burguesa √† setores da esquerda institucional) que mesmo sem levar a s√©rio a luta contra o racismo em suas fileiras, t√™m mobilizado as consignas ‚Äúmilitariza√ß√£o‚ÄĚ e/ou ‚Äújuventude negra e pobre das favelas‚ÄĚ para contextualizar o fato, sem contudo, apresentarem uma agenda (a curto, m√©dio e longo prazo) que demonstre um compromisso efetivo com essa agenda e com aqueles que se mobilizam em torno dela. H√° tamb√©m aqueles que, embora reconhe√ßam a centralidade do racismo como explica√ß√£o dos problemas enfrentados por Marielle, ignoram as dimens√Ķes de classe presentes no problema e aproveitam o ocorrido para destilar seu ressentimento com a esquerda (branca, de classe m√©dia, do asfalto, etc).

A √ļnica coisa que une a todos √© a indigna√ß√£o e perplexidade diante de um crime que apresenta fortes ind√≠cios de execu√ß√£o. N√£o esque√ßamos que no domingo, 11/03, Marielle denunciou uma a√ß√£o de PMs do 41¬ļ BPM (Iraj√°) na Favela de Acari. Segundo ela, moradores reclamaram da trucul√™ncia dos policiais durante a abordagem a moradores. Ela compartilhou uma publica√ß√£o em que comenta que os rapazes foram jogados em um val√£o. De acordo com moradores, no √ļltimo s√°bado, os PMs invadiram casas, fotografaram suas identidades e aterrorizaram populares no entorno.
O que nos preocupa, para além da dor irreparável de perder uma guerreira e ser humano singular como foi Marielle, é o dia seguinte à comoção e a disputa em torno das narrativas: Exigimos justiça e investigação imediata do ocorrido, mas quem fará a investigação? A Polícia Militar do Rio de Janeiro: a principal suspeita do ocorrido? A Força Tarefa do exército: aquela denunciada por Marielle como responsável pela intensificação do problema da violência no Rio, e não a solução?

A Marielle merece mais de n√≥s, e vinha nos avisando que as mortes continuar√£o, mesmo que se aponte um indiv√≠duo – bode-expiat√≥rio para a sua morte – a n√£o ser que as nossas apostas se deem em outro lugar: na luta pol√≠tica irrestrita que envolva a mobiliza√ß√£o direta das comunidades – estar com elas, e n√£o apenas escrever notas de rep√ļdio – e sobretudo, articula√ß√£o das lutas de ra√ßa, classe e g√™nero. Uma frente ampla que n√£o aceite mais nenhuma gota de sangue derramada e esteja a altura de repetir a mesma indigna√ß√£o aqui observada a todas/os as/os outras/as Marielle que ainda vir√£o por conta da presen√ßa do ex√©rcito no Rio de Janeiro, da perman√™ncia dessa l√≥gica militarizada das pol√≠cias brasileiras, e da guerra encarni√ßada entre traficantes, mil√≠cias, e Estado no Brasil.
Ou responderemos à altura, ou seremos atropelados pela disputa ideológica e manipuladora em torno de nosso luto.

‚Äú… Quem s√£o essas mulheres negras que est√£o na favela?
Seus filhos, suas perdas, suas lutas, seus trabalhos‚Ķ‚ÄĚ questionava Marielle.
Toda solidariedade às famílias de Marielle e Anderson.
Pelo fim da violência do Estado.
Pelo fim da intervenção militar no RJ
Pelo fim da perseguição de militantes de direitos humanos
Pelo direito de defesa dos direitos
Basta de execução!
#SomosTodosMarielle #MariellePresente

“Isto sempre acontece. Todos os negros que mudam o mundo de alguma forma morrem. Mas eles nunca morrem de maneiras normais, eles sempre morrem de forma violenta.”
Tupac Shakur

Grupo Kilombagem

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Hampton: “√Č uma luta de Classes, porra!”

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Texto Originalmente publicado no Site Nova Cultura 

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O que n√≥s vamos tentar, √© que vamos tentar praguejar e educar. N√≥s estamos felizes de tentar acrescentar mais alguma informa√ß√£o. E isso ser√° algo dif√≠cil de fazer. A irm√£ fez um belo discurso at√© onde eu sei. Chaka, o Vice-Ministro de Informa√ß√£o, esse √© seu trabalho ‚Äď informa√ß√£o. Mas eu vou tentar informar voc√™s tamb√©m.

Uma coisa que Chaka se esqueceu de informar: que irmãos e irmãs não fazem exatamente o mesmo. Nós não pedimos a qualquer irmão para engravidar ou coisa assim. Não pedimos a nenhum dos irmãos para que tenham bebês. Então isso é um pouco diferente também.

Depois que nós terminarmos de falar, para aquelas pessoas entre vocês que não acham que entenderam toda a ideologia exposta aqui até então, e as ideologias que irei expor, nós teremos uma sessão de perguntas e respostas. Para aquelas pessoas que têm seus sentimentos feridos por negros falando sobre armas, nós teremos sessão de choro depois da sessão de perguntas e respostas. E para aquelas pessoas brancas que estão aqui para mostrar algum tipo de grande manifestação de síndrome de culpa, e querem que as pessoas clamem seu amor por elas depois da sessão de choro, se nós tivermos tempo, nós permitiremos a todos vocês ter uma sessão de amor.

Ent√£o agora vamos ao que interessa. Em primeiro lugar, sobre o que algumas pessoas chamam de julgamento. N√≥s o chamamos uma hecatombe, n√≥s o chamamos uma hecatombe. Que se soletra h-e-c-a-t-o-m-b-e. E eu sei que h√° dicion√°rios suficientes circulando por aqui que provavelmente encheriam toda a sala, ent√£o voc√™s podem conferir isso. Isso significa um sacrif√≠cio. Isso geralmente significa um sacrif√≠cio de um animal. Ent√£o n√≥s gostar√≠amos que voc√™s, se voc√™s viessem a gostar de faz√™-lo, se as pessoas perguntarem: ‚Äúvoc√™s j√° estiveram no julgamento‚ÄĚ, contem que voc√™s viram ou ouviram sobre a hecatombe, porque √© isso que ele √©. √Č um sacrif√≠cio p√ļblico. √Č uma situa√ß√£o onde est√£o julgando injustamente, julgam ilegalmente nosso presidente.

N√≥s encaramos isso como uma manifesta√ß√£o de 1969 da Decis√£o de Dred Scott. N√≥s olhamos para o Presidente Bobby como sendo a manifesta√ß√£o de Dred Scott de 1857. E n√≥s olhamos para o Juiz Hoffman como sendo uma manifesta√ß√£o do Juiz Taney em 1857. Porque em 1857 Dred Scott era um negro, um ex-escravo ‚Äď era ainda um escravo, porque n√≥s somos escravos ‚Äď que foi √† corte e evidentemente teve algum tipo de mal-entendido sobre o que ele era na sociedade americana, onde se encaixava.

Fred Hampton
Fred Hampton

Ent√£o ele foi √† Suprema Corte para que o juiz Taney respondesse a ele e tentando esclarecer algumas ideias equivocadas que tivera rodando em volta de sua velha cabe√ßa. E o juiz Taney fez exatamente isso. O juiz Taney explicou muito claramente que, ‚Äúnegro, voc√™ n√£o √© ningu√©m, voc√™ √© uma propriedade, voc√™ √© um escravo. Que os sistemas ‚Äď o sistema legal, o sistema judicial ‚Äď todos os tipos de sistemas que est√£o operando na Am√©rica hoje foram estabelecidos muito antes de voc√™ chegar aqui, irm√£o. Porque n√≥s aliciamos voc√™ para ganhar dinheiro para manter o que n√≥s temos em funcionamento, esses avarentos, gananciosos homens de neg√≥cios, para manter o que n√≥s temos funcionando, e funcionando‚ÄĚ.

E Dred Scott n√£o conseguiu entender isso. Houve uma grande rejei√ß√£o. E naquela √©poca, o juiz Taney fez uma declara√ß√£o que se tornou famosa. E a declara√ß√£o, talvez n√£o nas mesmas palavras; mas atrav√©s de a√ß√Ķes e atrav√©s de pr√°tica social, est√° sendo manifesta agora no novo Edif√≠cio Reigstag em Jackson e Dearborn. Est√° se manifestando atrav√©s do juiz Hoffman dizendo a mesma coisa que o juiz Taney disse em 1857. Quando ele contou a Dred Scott que ‚Äúnegro, um homem preto na Am√©rica n√£o possui nenhum direito que um homem branco seja obrigado a respeitar‚ÄĚ. E essa √© a mesma coisa que o juiz Hoffman est√° contando a nosso presidente todo o dia.

E n√≥s entendemos. Voc√™s sabem, muitas pessoas se irritam com o Partido porque fala sobre a luta de classes. E as pessoas que se irritam com isso s√£o oportunistas, covardes e individualistas e tudo que s√£o √© qualquer coisa menos revolucion√°rios. E usam essas coisas como desculpas para justificar e invocar um √°libi e para bonificar sua falta de participa√ß√£o na luta revolucion√°ria real. Ent√£o dizem, ‚Äúbem, eu n√£o posso entrar no Black Panther Party porque os Panteras est√£o ocupados em trabalhar com radicais do pa√≠s opressor, ou pessoas brancas, ou bonit√Ķes ou o que quer que seja. Eles dizem que isso s√£o algumas das desculpas que eu uso para negar realmente porque n√£o estou na luta‚ÄĚ.

N√≥s temos bastante respostas para essas pessoas. Primeiramente, n√≥s dizemos primariamente que a prioridade dessa luta √© a classe. Que Marx e Lenin, Che e Mao Ts√©-tung e todo o resto que j√° disseram ou conheceu ou praticou alguma coisa sobre revolu√ß√£o, sempre disse que a revolu√ß√£o √© uma luta de classes. Havia uma classe ‚Äď a oprimida ‚Äď e aquela outra classe ‚Äď a opressora. E isso tem de ser um fato universal. Aqueles que n√£o admitem isso s√£o aqueles que n√£o querem se envolver na revolu√ß√£o, porque sabem que enquanto est√£o lidando com coisas raciais, nunca estar√£o envolvidos na revolu√ß√£o. Eles podem falar sobre n√ļmeros, podem pendurar voc√™ em muitos, muitos meios, mas assim que voc√™ come√ßar a falar sobre classe, ent√£o voc√™ tem que come√ßar a falar de armas. E isso √© o que o Partido tinha que fazer.

Quando o Partido começou a falar sobre luta de classes, nós achamos que tínhamos que falar sobre algumas armas. Se nós nunca negamos o fato de que havia racismo na América, mas dissemos que quando você, o subproduto, o que sai do racismo, que o capitalismo vem primeiro e depois vem o racismo. Que quando eles trouxeram escravos até aqui, o fizeram para ganhar dinheiro. Então a primeira ideia a surgir foi que nós queremos ganhar dinheiro, então os escravos vieram com o objetivo de gerar aquele dinheiro. Isso significa que, através de um fato histórico, o racismo tinha que vir do capitalismo. Tinha que ser o capitalismo primeiro e o racismo foi um subproduto daquilo.

Qualquer um que n√£o admita que est√° mostrando atrav√©s da sua n√£o admiss√£o e da sua n√£o participa√ß√£o na luta, s√£o pessoas que falham em estabelecer um compromisso; e a √ļnica coisa que procuram conseguir para eles √© a educa√ß√£o que recebem nessas institui√ß√Ķes ‚Äď educa√ß√£o o suficiente para ensin√°-los alguns √°libis e ensin√°-los que voc√™ tem que ser negro, e voc√™ tem que mudar o seu nome. E isso √© maluco.

O ministro da educa√ß√£o do Partido, Raymond ‚ÄúMasai‚ÄĚ Hewitt, e o Chefe de Gabinete, David Hilliard, h√° pouco voltaram da √Āfrica visitando Eldridge Cleaver. E disseram que os negros l√° nunca usar√£o o tipo de traje que alguns desses tolos africanizados usam por aqui. Eles est√£o usando andrajos ou sen√£o usando nada. E se voc√™s querem se vestir como algumas pessoas africanas, ent√£o voc√™s t√™m que se vestir como os angolanos ou o povo do Mo√ßambique. Esses s√£o povos que est√£o fazendo alguma coisa. Voc√™s precisam se vestir como os povos que est√£o em lutas de liberta√ß√£o. Mas n√£o, voc√™s n√£o querem se tornar africanizados assim, porque assim que voc√™s se vestirem como algu√©m de Angola ou Mo√ßambique, ent√£o depois de voc√™s vestirem o que quer seja que vistam, e isso pode ser qualquer coisa dos andrajos a alguma coisa da quinta Avenida Saks, voc√™s t√™m que colocar algumas bandoleiras e algumas AR-15 e alguns 38; voc√™s t√™m de vestir algumas Smith and Wessons e algumas Colts 45, porque √© isso que est√£o usando em Mo√ßambique. E qualquer negro por aqui dizendo para voc√™s que quando o seu cabelo est√° longo e voc√™s est√£o vestindo um dashiki, e voc√™s tem bubus e todas essas sand√°lias, e todas essas formas de a√ß√£o, ent√£o voc√™s s√£o revolucion√°rios, e qualquer um que n√£o pare√ßa com voc√™s, n√£o o √© ‚Äď aquele homem tem de sair de sua cabe√ßa.

Porque n√≥s sabemos que o poder pol√≠tico n√£o flui da manga de um dashiki. N√≥s sabemos que o poder pol√≠tico nasce da ponta do fuzil. E isso √© verdade. E isso tem que ser verdade. N√≥s sabemos que para sermos capazes de falar sobre o poder, que o que voc√™ tem de ser capaz de falar sobre √© a habilidade de controlar e definir o fen√īmeno e faz√™-lo agir de maneira desejada. Isso significa que se voc√™ n√£o consegue controlar e definir um fen√īmeno e faz√™-lo agir da maneira desejada, ent√£o voc√™ n√£o tem mesmo quaisquer rela√ß√Ķes com o poder, voc√™ n√£o sabe e provavelmente nunca saber√° o que o poder √©. E n√≥s sabemos o que o poder √©, e n√≥s sabemos quem est√° fazendo mal ao povo ‚Äď o inimigo.

E todo mundo quer falar sobre… os costeletas de porco contar√£o a voc√™ em um minuto. ‚ÄúOs porcos n√£o querem que voc√™ fique negro. Eles n√£o querem voc√™ tenha nenhum dos programas de estudos negros. Eles n√£o querem que voc√™ use dashikis. N√£o querem que voc√™ aprenda sobre a terra natal e quais ra√≠zes comer do solo. Eles n√£o querem isso porque assim que voc√™ tiver isso, assim que voc√™ voltar √† cultura do s√©culo XI, voc√™ ficar√° bem‚ÄĚ.

Confira as pessoas que voltaram √† cultura do s√©culo XI. Confira as pessoas que est√£o usando dashikis e bubus e pense que isso vai libert√°-las. Confira todas essas pessoas, perceba onde est√£o localizadas, encontre os endere√ßos dos seus escrit√≥rios, escreva-as uma carta e pergunte-as se no ano passado quantas vezes o escrit√≥rio delas foi atacado. E ent√£o escreva a qualquer Black Panther Party, em qualquer lugar dos Estados Unidos, qualquer um na Babil√īnia, e pergunte-os como muitas vezes os porcos a atacaram. Ent√£o voc√™ vai fazer sua estimativa de ambos, e descobrir√° do que os porcos n√£o gostam. √Č nesse momento que voc√™ descobre do que os porcos n√£o gostam.

Nós fomos atacados três vezes desde junho. Nós sabemos do que os porcos não gostam. Temos pessoas fugindo do país às centenas. Nosso Ministro da defesa está na cadeia, nosso Presidente está na cadeia, nosso Ministro da Informação está exilado, nosso Tesoureiro, o primeiro membro do Partido, está morto. O Vice-Ministro da Defesa e Vice-Ministro da Informação, Alprentice Bunchy Carter, e John Huggins do Sul da Califórnia, assassinados por costeletas de porco, falando sobre um programa BSU. Sabemos do que os porcos não gostam.

N√≥s dissemos que ningu√©m atiraria em um Pantera exceto um porco, porque os Panteras n√£o colocam em risco a ningu√©m exceto os porcos. E se as pessoas disserem a voc√™s que os Pante-ras representam amea√ßas, ent√£o as pergunte que tipo de sentido isso poderia ter, a n√£o ser que seja acordar √†s 5 da manh√£ para alimentar o filho de algu√©m e ent√£o √†s 3 da tarde pegar uma refei√ß√£o. N√≥s n√£o precisamos fazer isso. Que sentido isso faz para n√≥s abrir uma cl√≠nica gratuita onde o √ļnico pr√©-requisito para receber atendimento m√©dico de gra√ßa √© que voc√™ esteja doente. E n√≥s temos estudantes que est√£o dan√ßando por a√≠, falando sobre estarem fazendo algo pela luta, e eu quero saber o que mais voc√™s podem fazer? E voc√™s eu digo todas pessoas de Chicago.

As pessoas estão falando sobre o Partido ter sido cooptado por gente branca. Isso é o que aquele mini-fascista, Stokely Carmichael disse. Ele não é nada mais que um boçal. Até onde eu sei, é um boçal, porque eu venho conhecendo ele faz anos, e isso é tudo que ele pode ser, se seguir por aí atacando o Black Panther Party.

Se n√≥s estamos cooptados por gente branca, ent√£o confira as localiza√ß√Ķes dos nossos escrit√≥rios, nosso programa de caf√© da manh√£, nossa cl√≠nica de sa√ļde gratuita ser√° aberta provavelmente este domingo na 16¬™ com a Springfield. Algu√©m n√£o sabe onde a 16¬™ com Springfield fica? N√£o fica em Winnetka, voc√™ entende. N√£o fica em Dekalb, fica na Babil√īnia. Fica no cora√ß√£o da Babil√īnia, irm√£os e irm√£s.

E aquela cl√≠nica gratuita foi colocada l√° porque sabemos onde est√° o problema. N√≥s sabemos que o povo negro √© o mais oprimido. E se n√≥s n√£o soub√©ssemos disso, ent√£o porque diabos andamos por a√≠ falando sobre a luta de liberta√ß√£o negra ser a vanguarda para a liberta√ß√£o de todas as lutas? Se houver algum dia qualquer liberta√ß√£o na terra natal, se houver qualquer liberta√ß√£o na col√īnia, ent√£o n√≥s seremos libertados pela lideran√ßa do Black Panther Party e a luta de liberta√ß√£o negra. N√≥s n√£o negamos esse fato.

N√≥s n√£o estamos ligados a ningu√©m que n√£o seja um Pantera. N√≥s queremos deixar voc√™s pensando isso, porque n√≥s podemos estar com Fred, eu quero dizer Everett, n√≥s podemos estar com ele. Mas n√≥s n√£o podemos estar com Ron Karenga e LeRoi Jones. N√≥s n√£o podemos. N√≥s n√£o conseguimos ver nenhuma pr√°tica social da parte deles, irm√£os. N√≥s sabemos que ambos possuem nomes mais longos que o meu bra√ßo. E ambos sup√Ķem ser t√£o inteligentes e t√£o espertos. E esse √© o problema agora mesmo.

N√≥s estamos falando sobre a destrui√ß√£o do sistema, e eles t√™m medo de faz√™-lo porque est√£o comprando constantemente propriedades dentro do sistema. E √© meio dif√≠cil queimar na ter√ßa o que voc√™ comprou na segunda. Porque eles s√£o um bando de capitalistas impenitentes. Eles nunca se arrepender√£o. E sabem disso melhor. N√≥s tentamos criar desculpas para eles ‚Äď ‚Äútalvez eles tenham de passar por etapas, Fred‚ÄĚ. N√£o, n√£o √© assim. Porque s√£o muito mais velhos que n√≥s somos. Eu estou com 21. N√≥s somos todos jovens. Ent√£o sobre etapas, eles n√£o chegaram atrav√©s delas. Ron Karenga tem mais graus do que um term√īmetro. Est√° certo, ele tem mais graus do que um term√īmetro e continua a fazer o que est√° fazendo. E como eles enganam voc√™s? Porque pegam os l√≠deres que eles querem. E elevam essas pessoas e as pintam como seus l√≠deres, mas de fato, n√£o s√£o l√≠deres de ningu√©m.

Nós chamamos de apologistas oprimidos. Porque depois de alguma coisa acontecer, todos podem se desculpar por isso. Olhe nos jornais. Agora eles estão desenhando imagens do Presidente acorrentado e amordaçado. Você não sabe que se as notícias da mídia, a imprensa oficial, se movessem antes disso, que poderiam ter parado o surgimento da maré fascista anos atrás. Mas endossaram, se uniram, apoiaram o que os fascistas estavam fazendo naquele momento. E agora isso está se acumulando sobre todo o povo.

E um monte de pessoas pensa agora que suas mãos estão ficando sujas. Nós as chamamos de servos ideológicos do fascismo dos Estados Unidos. E é isso o que são, porque servem ao fascismo ao não fazer nada a respeito até que a lei recaia sobre eles e então se desculparem por isso, se tornam apologéticos. Mas nós dizemos que esta é a mesma imprensa que olhará e acreditará e pensará que é genuíno; a mesma imprensa que nos falou para acreditar que éramos alguém quando de fato não éramos ninguém.

Eu penso que n√£o h√° nada mais importante. Eu penso que o que Malcolm diz √© importante. Agora repensem. Aqueles estudantes estavam rindo de Malcolm. Voc√™s sacaram? Eles estavam rindo de Malcolm. Por qu√™? Regis Debray diz que os revolucion√°rios est√£o no futuro. Aqueles militantes e costeletas de porco e todas essas pessoas, estudantes radicais, est√£o no presente, e que a maioria do resto das pessoas tenta permanecer no passado. √Č por isso que quando surge algu√©m que est√° no futuro muitos de n√≥s n√£o conseguem entend√™-lo. E a mesma coisa que voc√™s n√£o compreendem em Huey P. Newton agora, voc√™s n√£o entenderam em Malcolm quando ele estava vivo. Mas sabemos que quando Malcolm se foi, o po√ßo quase secou. Voc√™s n√£o sentem a falta da √°gua at√© o po√ßo secar, e ele quase secou.

Huey P. Newton tem leitura, e n√£o √© como muitos de n√≥s. Muitos de n√≥s lemos e lemos e lemos, mas n√£o temos nenhuma pr√°tica. N√≥s temos um monte de conhecimento em nossas m√£os, mas nunca o praticamos; e cometemos quaisquer erros e corrigimos aqueles erros para que nos tornemos capazes de fazer alguma coisa propriamente. Ent√£o nos parecemos, como dizemos, com mais graus do que um term√īmetro, mas n√≥s n√£o somos capazes de cruzar a rua e mascar chiclete ao mesmo tempo, porque temos todo aquele conhecimento, mas que nunca foi exercitado, nunca foi praticado. N√≥s nunca testamos como √© que realmente funciona. N√≥s o chamamos isso de test√°-lo com a realidade objetiva. Voc√™s devem ter qualquer tipo de pensamento em sua mente, mas t√™m de testar com o que est√° l√° fora. Voc√™s veem o que eu quero dizer?

Eles nos falam em comprar barras de doce e jogar o doce fora e comer o papel√£o. Eles s√£o as √ļnicas pessoas no mundo, voc√™s compreendem, isso mesmo, que podem vender caixas de gelo para esquim√≥s. Podem vender perucas naturais para negros que j√° tem cabelo natural. E vejam, essa √© a vergonha. Eles conseguem vender para um homem de s√≥ uma perna provavelmente 24 bilhetes para um concurso de chutar o traseiro, que sabe que n√£o tem nada com aquilo. Vejam, essa s√£o as coisas que podem fazer por n√≥s e ent√£o nos mant√™m acreditando que o que est√£o dizendo √© certo, que √© genu√≠no, que √© justificado. N√≥s dizemos que isso √© errado, que √© incorreto, que Malcolm, quando falou para os estudantes, e voc√™s provavelmente escutaram aquela grava√ß√£o, fala a alguns judeus, algumas pessoas lisas, e contou a elas.

Voc√™s podem dizer, ‚Äúbem, da forma como me sinto, as pessoas deveriam ser capazes de andar por a√≠ nuas porque estupro √© amor‚ÄĚ. Isso √© idealismo. Veem o que eu digo? Voc√™s est√£o lidando com metaf√≠sica. Est√£o lidando com subjetividade, porque n√£o a est√£o testando com a realidade objetiva. E o que est√° realmente errado √© que voc√™s n√£o testam. Porque se voc√™s testarem, voc√™s v√£o chegar √† objetividade. Porque t√£o logo voc√™s andem l√° fora, um grande monte de realidade objetiva vomitar√° sobre os seus traseiros e o violar√° com o que quer que voc√™s tenham. Ent√£o sempre que isso acontece, √© quando as pessoas chegam a um monte de ideias erradas. √Č por causa disso que muitos de voc√™s n√£o conseguem entender e concordar com um monte de coisas que n√≥s dizemos. Voc√™s nunca o tentaram.

Voc√™s n√£o sabem se as pessoas apoiam o programa de caf√© da manh√£, porque voc√™s nunca alimentaram ningu√©m. Voc√™s n√£o sabem nada sobre as cl√≠nicas de sa√ļde gratuitas porque nunca perguntaram a ningu√©m. Voc√™s n√£o sabem nada sobre o bem que uma arma faz a voc√™s, porque voc√™s nunca experimentaram uma. E n√≥s dizemos que se nasceram e dizem que n√£o gostam de peras e nunca as provaram, voc√™s t√™m que ser uns mentirosos. Voc√™s n√£o sabem se gostam de peras, mas n√£o podem afirmar que voc√™s n√£o gostam de peras. O √ļnico meio que qualquer um consegue dizer o gosto de pera √© se voc√™s mesmos as provarem. Esse √© o √ļnico jeito. Isso √© realidade objetiva. √Č com isso que o Black Panther Party lida. N√≥s n√£o somos metaf√≠sicos, n√≥s n√£o somos idealistas, n√≥s somos materialistas dial√©ticos. E n√≥s lidamos com o que a realidade √©, gostemos ou n√£o.

Um monte de pessoas n√£o consegue relacionar-se porque tudo o que eles fazem √© amorda√ßado pela forma como as coisas deveriam ser. N√≥s dizemos que isso √© incorreto. Voc√™s olham e veem como as coisas s√£o e ent√£o voc√™s lidam com elas. N√≥s an-damos por a√≠ falando sobre ‚Äún√≥s vamos amar todas as pessoas negras. N√≥s temos um amor incondicional por todas as pessoas negras‚ÄĚ. E voc√™s sabem de uma coisa? Que se Malcolm voltasse, passaria por um milh√£o de homens da Klan para chegar at√© Stokely e perseguiria aos gritos seus malditos traseiros. Voc√™ me ouviu? Eles n√£o permitiriam nenhuma pessoa branca l√°. Mas Malcolm est√° morto. Agora, o que aconteceu? O que tinha a aquele nome bobo, James Whitmore. Ele n√£o fez a pelezinha?

Porque eles tinham nomes com 37 ‚ÄúX‚ÄĚ, 15 ‚ÄúX‚ÄĚ, mais negros do que os negros, e eram capazes de se esgueirar por causa desse potencial ignorante que estes man√≠acos est√£o tentando incitar sobre n√≥s ‚Äď ‚ÄúN√≥s vamos amar todas as pessoas negras porque todo negro √© um homem preto em potencial‚ÄĚ.

O homem que testemunhou contra o Presidente Bobby no julgamento conspirat√≥rio em andamento em Chicago era um homem negro. O homem que enviou o Presidente Bobby a um julgamento em Connecticut √© um homem negro. O homem que assassinou Malcolm X √© um homem negro. O juiz que negou a fian√ßa de Eldridge Cleaver depois de um homem branco ter garantido a ele a fian√ßa ‚Äď um negro que investigou por sua pr√≥pria conta e disse, ‚ÄúNigger, eu n√£o acho que voc√™ deve estar nas ruas‚ÄĚ, era um homem negro, Thurgood Marshall, Thurgood ‚ÄėNot Good‚Äô Mars-hall, aquele que a NAACP colocou l√°. Essa √© uma das coisas sobre as quais sentar e morrer, esperar e chorar nos pegou. Se Thurgood Marshall n√£o estivesse l√°, ent√£o Eldridge Cleaver provavelmente ainda poderia estar aqui com o povo.

Ele √© um negro, um lambe botas, um tonto, um bo√ßal. Voc√™s entendem? Vamos l√°: ‚Äúeu n√£o acho que voc√™ deve estar nas ruas‚ÄĚ. E n√≥s correndo por a√≠ e deixando negros nos contar que n√≥s temos de amar a todas as pessoas negras.

Voc√™s ouviram falar sobre o julgamento conspirat√≥rio no West Side e que eram capazes de vencer, com Doug Andrews e Fat Crawford, quando tiveram o grande inc√™ndio em West Side na manifesta√ß√£o de Martin Luther King? Perguntem a eles! Irm√£os, o que h√° de errado com voc√™s? Perguntem a eles se era um homem branco? N√£o! Porque Doug e eles nos criticam por nossa posi√ß√£o liberal. Chamam de liberal. Ent√£o n√£o deixam ningu√©m entrar na irmandade exceto pessoas negras. Mas eles n√£o sabiam. Algu√©m j√° ouviu falar sobre Glove na parte sul de Chicago? Ele n√£o √© branco. Voc√™s acharam que Buckney era branco? Buckney, est√° pegando todos os seus irm√£os e todas as suas irm√£zinhas e todas as suas priminhas e priminhos e suas filhas, e vai continuar a peg√°-los. E se voc√™s n√£o fizerem nada, ele vai pegar seus filhos e filhas. E um monte de negros est√° indo √† escola agora tentando fazer um nome. N√≥s n√£o escutamos ningu√©m andando por a√≠ e falando ‚Äúeu sou Benedict Arnold III‚ÄĚ porque os filhos de Bene-dict Arnold n√£o querem falar sobre os filhos dele. Voc√™s ouviram pessoas falando sobre poderem ser filhos de Patrick Henry ‚Äď pessoas que se insurgiram e disseram ‚Äúme d√™ liberdade ou me d√™ a morte‚ÄĚ. Ou primas de Paul Revere. Revere disse ‚Äúpegue suas armas, os brit√Ęnicos est√£o chegando‚ÄĚ. Os brit√Ęnicos eram a pol√≠cia.

Huey disse ‚Äúpegue suas armas, os porcos est√£o chegando‚ÄĚ A mesma coisa. Haver√° um monte de Newtons andando por a√≠. Um monte de crian√ßas se chamar√£o Huey P. Newton III. Elas n√£o se chamar√£o de Ooga-Booga ou Karangatang Karenga, ou Mamalama Karenga ‚Äď nada dessa merda. Elas n√£o v√£o se chamar disso. Voc√™s veem, perguntem aos porcos da Calif√≥rnia. Perguntem a eles! Voc√™s est√£o vendo? Passe-me um p√īster deles, irm√£o. Aquele bem ali. Agora se voc√™s pensam que estou mentindo, olhem para isso. Deem uma olhada para isso. Agora todas voc√™s irm√£s aqui, digam-me o que parece melhor ‚Äď um negro andando por a√≠ em uma t√ļnica e uma camisa polo de funcion√°rio, parecendo com Mois√©s, ou bem assim ‚Äď esse √© o visual mais ruim… voc√™s podem pensar, voc√™s devem dizer que s√£o chauvinistas, chauvi-nistas organizacionais voc√™s podem chamar assim. Voc√™s podem me chamar de envolvido no ego do pr√≥prio partido. Mas eu estou envolvido na verdade. E eu acho que a irm√£ pode verificar que esses s√£o os mais ruins. Esses s√£o estrelas de cinema da Babil√īnia, maldi√ß√£o. H√£? Foda-se John Wayne e as todas outras merdas.

Está certo. Mas vocês veem, se vocês olham para aquilo, é como nós ficamos bem. Nós não ligamos se negros usam dashikis. Vocês entendem? Isso não vai significar nada na análise final. Mas nós estamos dizendo que vocês precisam de algumas ferramentas.

Voc√™s j√° tiveram a ocasi√£o de ter um m√©dico chegando √†s suas casas, ou um encanador chegando √†s suas casas? Suponha que um encanador tenha chegado √†s suas casas, ele abriu sua bolsa e tinha estetosc√≥pios e term√īmetros, agulhas hipod√©rmicas e seringas. Voc√™s diriam ‚ÄúVoc√™ veio consertar o encanamento? Irm√£o, voc√™ pegou as ferramentas erradas. Alguma coisa suspeita est√° ocorrendo porque voc√™ nem trouxe as ferramentas apropriadas‚ÄĚ. N√£o √© certo?

Suponha que algu√©m venha entregar seu beb√™ e tivesse ferramentas de encanador? Eu sei que voc√™s, irm√£s, gritariam ‚Äúassassinato sangrento‚ÄĚ. N√£o, mas voc√™s diriam, ‚Äúisso n√£o est√° certo, irm√£o. N√£o podemos aceitar isso. Voc√™ tem que, entende, voc√™ tem de vir mais em uma boa, tem que me mostrar alguma coisa melhor. Voc√™ precisa ter algumas ferramentas que s√£o mais apropriadas para essa ocasi√£o, voc√™ entende, porque eu n√£o tenho quaisquer torneiras vazando ou coisa parecida‚ÄĚ.

Ent√£o quando pessoas chegam √† nossa comunidade com tanques, quando chegam √† Babil√īnia ou a Warsaw, ou o que quer que voc√™s queiram cham√°-lo, como fizeram nos projetos Henry Horner ‚Äď e essa √© uma manifesta√ß√£o, uma manifesta√ß√£o muito clara do que est√° acontecendo na Babil√īnia. Quando fazem aquilo, quando chegam com tanques e aqueles tanques s√£o ferramentas, s√£o ferramentas de guerra, eles est√£o declarando guerra √† comunidade. E se voc√™s, quando eles chegam na comunidade com tanques, chegam com dashikis e nada mais que dashikis, bubus e nada mais do que bubus e sand√°lias, ent√£o voc√™s est√£o no lugar errado e na hora errada e com as pessoas erradas. Seria melhor se voc√™s voltassem para casa, se tivessem que se despir, se tivessem de ficar de traseiro de fora, e colocasse nada mais que um coldre e uma arma e algumas muni√ß√Ķes. Ningu√©m tentar√° voc√™s, entendem, assobiar para voc√™s, ou coisa parecida. Porque isso desaparecer√° a partir do minuto… qualquer tipo de atra√ß√£o sexual que voc√™s tiveram desaparecer√°. Porque eles olhar√£o para o Sr. e a Sra. Colt.45 e Sra. .357 Magnum. E as formas deles s√£o as melhores formas que n√≥s temos na Babil√īnia para lidar com isso. E voc√™s irm√£os segurando uma .357 Magnum em suas m√£os, n√£o h√° nada parecido como sentir uma .357 Magnum, exceto por uma dessas bonitas irm√£s negras. Mas n√≥s precisamos das .357 Magnum tamb√©m. Quando n√≥s sa√≠mos por a√≠, n√≥s seremos capazes de nos proteger. Huey P. Newton emitiu uma ordem muito tempo atr√°s. Foi a Ordem Executiva #3. Dizia que n√≥s precisamos desenhar a linha de demarca√ß√£o. E quando os porcos avan√ßam sobre nossos ber√ßos, n√≥s temos que proteg√™-los com for√ßa armada. Porcos n√£o avan√ßam sobre os ber√ßos dos Panteras. Quando avan√ßam sobre nossos ber√ßos, eles t√™m certeza que os Panteras est√£o fora da cidade. N√≥s tivemos uma situa√ß√£o onde avan√ßaram sobre um ber√ßo dos Panteras e tinham tr√™s helic√≥pteros sobre seu ber√ßo. Eu falo s√©rio. Eu falo s√©rio. Vejam, eles v√™m preparados. Porque sabem que quando est√£o chegando a um ber√ßo dos Panteras que n√≥s podemos falar um monte de ret√≥rica, mas lidamos com o mesmo jarg√£o b√°sico que o povo na Babil√īnia lida. Se precisa de duas pessoas para dan√ßar tango, filho da puta. T√£o logo voc√™ arrombe a porta, eu terei de chut√°-la de volta para voc√™. N√≥s n√£o trancamos nossas portas. N√≥s apenas temos algumas boas armas e as deixamos as malditas portas abertas e quando pessoas chegam l√°, n√≥s colocamos algo que as far√° ir at√© loja de ferragens, comprar uma tranca, fechar a porta, tranc√°-la e te mandar para fora daqui!

N√≥s vamos nos mover t√£o r√°pido quanto for poss√≠vel, nos movermos para pessoas com quest√Ķes e respostas e as pessoas com s√≠ndrome de culpa e as pessoas que se sentem embara√ßadas e envergonhadas e desgra√ßadas. E n√≥s falamos sobre os seus l√≠deres como LeRoi Jones e Mamalama Karangatang Karenga, um careca bazoomie at√© onde sabemos. Isso √© o que ele √©. E n√≥s achamos que se vai continuar a usar dashikis, vai ter que parar de usar cal√ßas. Porque ele fica muito melhor em minissaias. Isso √© tudo que um filho da puta que n√£o tem nenhuma arma precisa na Babil√īnia, e isso √© uma minissaia. E talvez possa se safar de alguma coisa. Porque n√£o vai atirar caminho afora por nada. N√£o lutar√° contra a tenta√ß√£o, mas ele nunca assassinou ningu√©m exceto um membro dos Panteras Negras. D√™ o nome de algu√©m. Defina para mim a √©poca em que o escrit√≥rio de Karangatang foi atacado. A √ļnica √©poca que teve a oportunidade de usar uma arma foi contra Alprentice Bunchy Carter, um revolucion√°rio. Este irm√£o tinha mais poesia revolucion√°ria para um filho da puta do que qualquer outro. Cultura revolucion√°ria. John Huggins. A √ļnica vez em que eles levantaram uma arma foi contra essas pessoas.

Como Huey disse na pris√£o, quando eles levantaram suas m√£os contra Bunchy e quando levantaram suas m√£os contra John, levantaram suas m√£os contra o melhor que a Babil√īnia possui. E voc√™s devem dizer isso. Voc√™s devem sentir em qualquer momento em que um irm√£o revolucion√°rio morre. Voc√™s nunca ouviram falar no Partido sair matando pessoas por a√≠. Voc√™s sacaram o que eu disse? Pensem sobre isso. Eu n√£o vou se quer contar. Voc√™s pensem sobre isso por si mesmos.

N√≥s come√ßamos o Black Panther Party em 1966. Eu vou contar para voc√™s toda a hist√≥ria em um minuto. N√≥s come√ßamos lidando com porcos. Voc√™s acham que n√≥s tem√≠amos alguns ka-rangatangs, alguns est√ļpidos, alguns machos chauvinistas? Eles dizem √†s suas mulheres ‚ÄúAnde atr√°s de mim‚ÄĚ. A √ļnica raz√£o para uma mulher andar atr√°s de um marica como esse √© para ela poder enfiar seu p√© at√© o joelho bem fundo no rabo dele.

N√≥s n√£o precisamos de nenhuma outra cultura a n√£o ser que seja a cultura revolucion√°ria. O que n√≥s queremos dizer com isso √© uma cultura que o libertar√°. Voc√™s ouviram seu oficial de campo falando sobre um inc√™ndio na sala, n√£o ouviram? Com o que voc√™s se preocupam quando voc√™s t√™m um inc√™ndio nessa sala? Voc√™s se preocupam com √°gua ou com fugirem. Voc√™s n√£o se preocupam com nada mais. Se voc√™s dizem ‚ÄúQual sua cultura durante um inc√™ndio?‚ÄĚ ‚Äú√Āgua, essa √© minha cultura, irm√£o, essa √© minha cultura‚ÄĚ. Porque cultura √© uma coisa que te mant√™m. ‚ÄúQual √© sua pol√≠tica?‚ÄĚ Fuga e √°gua. ‚ÄúQual √© sua educa√ß√£o?‚ÄĚ Fuga e √°gua. Quando as pessoas nos perguntam sobre a nossa cultura, n√≥s dizemos que nossa cultura s√£o armas. Nossa cultura √© arte revolucion√°ria, algo assim. E quando voc√™ v√™ aqueles dois irm√£os que pegaram suas armas e sa√≠ram pela Babil√īnia em 66 quando muitos de n√≥s est√°vamos assustados para fazer qualquer coisa exceto nos trancar no arm√°rio e escutar Coltrane ‚Äď e isso √© algo para bater nesse filho da puta. E isso nos deixou ligados e nos fez negros o suficiente para sermos maus. Ent√£o isso nos transformou e nos fez negros o suficiente e n√≥s √©ramos maus. Ent√£o isso nos deixou negros o bastante para sair e lan√ßar uma acusa√ß√£o geral contra o assassinato do resto do povo negro. Negro, voc√™ n√£o √© nenhum pateta. Negro, como √© que seu nome n√£o mudou? Perguntem aos porcos da Calif√≥rnia. Perguntem a eles. ‚ÄúQuem voc√™ teme mais? Ron Mamalama Karenga ou Huey P. Newton, quem recebeu o nome em homenagem a um pol√≠tico mentiroso, e demag√≥gico, Huey P. Long?‚ÄĚ E os porcos n√£o ligam para isso. Porque voc√™s n√£o t√™m que chamar, se sua pistola √© uma Browning, voc√™ n√£o tem que dar a ela um nome africano, porque me acreditem, ela atira da mesma forma. Voc√™s entendem? Atira da mesma forma.

Mudar o seu nome n√£o vai mudar nosso conjunto de compromissos. A √ļnica coisa que vai mudar nosso conjunto de compromissos √© o que nos trouxe a esse conjunto de compromissos. E o que nos trouxe foi o opressor. E ele se define em tr√™s est√°gios, n√≥s os chamamos de ‚Äútr√™s em um‚ÄĚ: gananciosos, avarentos homens de neg√≥cio; pol√≠ticos demag√≥gicos e mentirosos e racistas, porcos fascistas e policiais reacion√°rios. At√© que voc√™s lidem com essas tr√™s coisas, ent√£o seus conjuntos de compromissos permanecer√£o os mesmos. A √ļnica diferen√ßa ser√° que voc√™s ainda estar√£o sob o fascismo, mas ao inv√©s de Fred estar sob o fascismo, eu seria Oogabooga sob o fascismo. Mas eu sentirei a mesma coisa. Ao inv√©s de eu estar indo para a c√Ęmara de g√°s, eu irei para a se√ß√£o africana da c√Ęmara de g√°s. N√≥s estamos t√£o africanizados por aqui que se africanos viessem aqui, voc√™s teriam que dar a eles um cat√°logo para encontrar o que diabos estariam comprando. √Č isso mesmo, voc√™s teriam que dar a eles um cat√°logo para encontrar o que diabos eles estariam comparando. Voc√™s t√™m p√īsteres, fotos e nomes, n√≥s estamos dando nomes √†s coisas e a n√≥s mesmos que eles jamais ouviram. E n√≥s chamamos a n√≥s mesmos africanizados. E isso n√£o √© algo? Voc√™s entendem?

Se voc√™ √© um racista, deixa eu te contar uma coisa. Ou se voc√™ √© um nacionalista reacion√°rio. Brancos praticam isso. V√° para a √Āfrica do Sul e pergunte a eles. V√° em frente. Se voc√™ quer um exemplo de nacionalismo cultural, o melhor que eu posso dar a voc√™ √© Papa Doc Duvalier. No Haiti, todas as pessoas negras, ‚Äún√≥s precisamos de alguma negritude‚ÄĚ. Papa Doc ‚Äď agora, Duvalier ‚Äď disse ‚Äúagora, n√≥s precisamos de alguma negritude. Vamos retirar toda gente branca daqui‚ÄĚ. Retiraram toda a gente branca, e agora est√° oprimindo todo povo negro. Quando a gente negra se queixa disso, ele diz, ‚Äúbem, maldi√ß√£o, do que voc√™s est√£o reclamando agora? Eu sou negro. Eu n√£o posso fazer nada de errado, irm√£o. N√≥s j√° qualificamos isso‚ÄĚ. √Č por isso que esses apologistas como Wesley South v√£o ao ar, praguejando coisas que sofisticam o que a irm√£ estava falando. Falando a respeito, fazendo propaganda, na verdade. Apenas praguejando sobre nada porque s√£o bo√ßais em nossa comunidade permitidos a permanecer nela por conta da cor de suas peles.

Voc√™s t√™m Bobby Seale acorrentado e amorda√ßado no Edif√≠cio Federal. Voc√™s t√™m James e Michael Soto que foram assassinados em dois dias. A prop√≥sito, para todos voc√™s brancos que se afirmam radicais, que afirmam que v√£o apoiar o Partido. N√≥s entramos e estamos dizendo que n√£o h√° melhor, ou mais avan√ßado marxista do que Huey P. Newton. N√£o o presidente Mao Ts√©-tung ou ningu√©m mais. N√≥s estamos dizendo que ao menos que as pessoas mostrem-nos atrav√©s das suas pr√°ticas sociais que se identifiquem com a luta na Babil√īnia, isso quer dizer que n√£o s√£o internacionalistas, n√£o s√£o revolucion√°rios, nem verdadeiramente revolucion√°rios marxista-leninistas. N√≥s olhamos para Kim Il Sung. N√≥s olhamos para o camarada Marechal, Marechal Kim Il Sung da Coreia como se elevando em sua pr√°tica social assim como Mao Ts√©-tung. Se voc√™s conseguem se identificar com isso, legal. Se voc√™s n√£o conseguem se identificar com isso, caiam fora com seus traseiros limpos como fazem as galinhas, voc√™s sacaram? Se voc√™s n√£o conseguem se identificar com isso. E n√≥s estamos dizendo isso para voc√™s.

E voc√™s, filhos da puta, que pensam que s√£o t√£o radicais e que est√£o tentando radicalizar tudo em Washington. E eu n√£o sei o que diabos voc√™s poderiam radicalizar, porque voc√™s n√£o v√£o fazer nada al√©m de andar entre os corpos de dois homens mortos, Lincoln e Washington. E eu sei que v√£o se levantar e obter nenhuma repara√ß√£o. E h√° tanta chance para Nixon dar-lhe alguma repara√ß√£o. Se voc√™s n√£o conseguem 200 mil pessoas para marchar em Washington por algo que est√° acontecendo no Vietn√£, porque diabos voc√™s n√£o conseguem 200 mil pessoas para vir para Jackson e Dearborn, o Edif√≠cio Federal, e marchar pelo Presidente da Babil√īnia, o homem que fez mais pela Babil√īnia, e mais pelo Vietn√£ do que sua marcha de man√≠acos jamais far√°. Porque voc√™s n√£o est√£o fazendo nada por ningu√©m exceto Florsheims e Ste-tsons ou Stacy Adams e ningu√©m mais, porque voc√™s v√£o gastar suas solas ‚Äď suas almas metaf√≠sicas e as solas de seus sapatos. E n√≥s dizemos que se voc√™s n√£o conseguem se identificar com isso, ent√£o fodam-se.

Porque nossa linha tem sido consistente. Conhecemos o marxismo-leninismo. Pessoas que podem n√£o querer se aprofundar, dizem que marxista-leninistas n√£o xingam. Isso √© algo que n√≥s pegamos dos senhores de escravos. N√≥s sabemos que negros que inventaram a palavra filho da puta. N√≥s n√£o est√°vamos fodendo a m√£e de ningu√©m. Era o senhor que fodia as m√£es das pessoas. N√≥s criamos a palavra, voc√™s sacaram? N√≥s nos relacionamos a isso. N√≥s negros marxista-leninistas, e negros marxista-leninistas praguejadores, e continuaremos a praguejar, maldi√ß√£o. Porque √© com isso que nos relacionamos, √© isso que est√° acontecendo na Babil√īnia. Isso √© realidade objetiva. Ningu√©m est√° andando por a√≠ na Babil√īnia jorrando pela boca um monte de besteira acad√™mica, masturba√ß√£o intelectual, pregando diarreia pela boca. N√≥s dizemos para aqueles filhos da puta que se voc√™s querem pegar uma doen√ßa na boca, voc√™s veem e dizem essas merdas em uma comunidade onde os Panteras est√£o, e voc√™s v√£o ganhar uma doen√ßa na boca com certeza. Voc√™s v√£o ganhar um casco na boca, casco de Pantera na boca. Ent√£o se voc√™s radicais n√£o conseguem se identificar com isso, ent√£o fodam-se, porque n√≥s sabemos o que o Presidente Bobby fez pela luta.

E nós sabemos que o povo do Vietnã, elas sabem que a paz, assim como Huey P. Newton contou sobre nosso lema, que nós somos pela abolição da guerra. Nós não queremos guerra, mas entendemos que a guerra só pode ser abolida através da guerra. Que para baixar as armas, fazer um homem se livrar das armas, é necessário pegar uma arma. E vocês, filhos da puta, que estão pela paz no Vietnã, o Black Panther Party é pela vitória do Vietnã. Nós dizemos que eles são agressores, um bando de cães lacaios executores, que são imperialistas. Eles são um bando de belicistas de Wall Street. E devem ser expulsos de lá.

E o √ļnico meio de liberta√ß√£o do povo oprimido no Vietn√£, ou que a liberdade do povo oprimido da Babil√īnia possa ser adquirida, √© que tem de ser fundada com o sangue e os ossos desses porcos e c√£es agressivos que chegam a nossas comunidades como tropas ocupando um territ√≥rio estrangeiro em v√£o no Vietn√£ e lutam e combatem implacavelmente ao povo no Vietn√£ e seu direito de autodetermina√ß√£o. N√≥s n√£o ligamos se algu√©m gosta disso ou n√£o. Essa √© a nossa linha. Essa √© uma linha marxista-leninista. Ela √© consistente. E vai permanecer nesse rumo, esse tem sido o rumo.

Se voc√™s n√£o conseguem que 200 mil pessoas venham se informar sobre Bobby, ent√£o dizemos que voc√™s s√£o contrarrevolucion√°rios. O que voc√™s est√£o fazendo √© pegar algum tipo de uma rota a partir de DeKalb de onde voc√™s estiverem par chegar no Vietn√£ sem sequer passar pelo Henry Horner Projects na parte oeste de Chicago. Isso √© imposs√≠vel. Voc√™s acham que o Vietn√£ √© ruim? Confiram as leis. No Vietn√£ se voc√™ perde um filho te permitem ficar com o outro. Eles dizem ‚Äúaqui, querida m√£e, segure-o, segure-o bem‚ÄĚ. Ele pode ficar em casa, voc√™s entendem. Se voc√™ tem dois por l√° e um morre, eles o embarcar√£o de volta. Eles o embarcar√£o de volta e v√£o tir√°-lo da guerra onde n√£o haver√° nenhuma chance de morrer, porque ‚ÄúSra., essa guerra n√£o vai levar os seus dois filhos‚ÄĚ. E ent√£o voc√™s est√£o marchando nessa guerra cruel em Washington, todos voc√™s radicais, e quanto ao Sr. Soto, que perdeu dois filhos em uma semana? Isso nos prova atrav√©s de fatos hist√≥ricos que a Babil√īnia √© pior que o Vietn√£, precisamos ter alguma morat√≥ria na comunidade negra na Babil√īnia e em todas as comunidades oprimidas.

E Charles Jackson, de Altgeld Gardens. Semana passada, um garoto de 14 anos que estava atirando pedras. Os porcos disseram a ele para parar, e os filhos da puta o balearam e mataram. O assassinaram a sangue frio. E então vocês, filhos da puta, tem a pachorra de vagabundear à Washington, marchando entre dois mortos. O Black Panther Party vai criticar vocês, filhos da puta. Nós vamos criticar vocês abertamente porque nós acreditamos na crítica revolucionária de massas. Nós vamos dizer que vocês estão errados, porque tivemos um monte de críticas direcionadas a nós por foder com você. Ou vocês farão parte do problema ou vão fazer parte da solução. E nós achamos que vocês, filhos da puta, são parte do problema, nós vamos começar a apontar nossas armas para vocês seus malditos.

N√≥s vamos ter algumas perguntas e respostas. N√≥s vamos fazer uma coisa tamb√©m. E essa √© outra coisa fora das vistas que mostra √†s pessoas de onde nos viemos. N√≥s viemos da Babil√īnia. O Black Panther Party funcionou unicamente pelo povo negro. Se voc√™s tiverem uma chance ‚Äď eu n√£o acho que vai ser este domingo, mas n√≥s gravamos nesse domingo e mostramos no pr√≥ximo s√°bado, eu tenho quase certeza. Vai ser gravado nesse domingo e mostrado pr√≥ximo domingo. Haver√° uma grande roda de debate que vai ser sobre ‚ÄúApenas para Negros‚ÄĚ, qualquer um de voc√™s pode conferir a coisa e ver como √©. Ou eu mesmo ou Cha-ka estaremos l√°. N√≥s estaremos apresentando o Black Panther Party. E se voc√™s tiverem uma chance, porque voc√™s n√£o d√£o uma olhada nisso?

E se voc√™s querem fazer algo por mim, n√≥s gostar√≠amos de fazer alguma coisa pelo Presidente Bobby, se voc√™s s√≥ baterem palmas para mim. Isso √© o que chamamos ‚Äď voc√™ n√£o tem que bater palmas t√£o alto ‚Äď √© o que n√≥s chamamos de batida popular. Essa √© uma batida que foi iniciada em 1966 por Huey P. Newton e Bobby Seale. Essa √© uma batida que nunca para porque essa √© a batida que tinham porque sabiam que ela n√£o poderia ser parada. Essa √© a batida que est√° manifesta em voc√™s, o povo. O presidente Bobby Seale diz que enquanto houver o povo negro sempre haver√° o Black Panther Party. Mas eles nunca podem parar o Partido a n√£o ser que parem a batida. Enquanto voc√™s manifestarem a batida, n√≥s nunca poderemos ser parados. Voc√™s acham que a batida √© perigosa? N√≥s sabemos que ela √© perigosa. Porque quando a batida come√ßou na Costa Oeste, o chefe porco de l√°, Mafioso Alioto, disse ao resto de seu povo que o ajudassem com o seu fascismo por l√°, ele disse, ‚Äúescutem a batida desse povo. Ei, eles est√£o batendo muito, r√°pido demais. Por que eles n√£o voltam para casa onde pertencem?‚ÄĚ Quando essa batida come√ßou novembro passado, um ano atr√°s em Chicago, Illinois, na 2350 W. Madison, quando eu e Chaka e Bobby Rush e Che e alguns irm√£o e Jewel nos juntamos e dissemos n√≥s vamos come√ßar um Black Panther Party bem aqui. Porque isso √© parte da Babil√īnia, o Partido existe bem aqui tamb√©m. Que n√≥s podemos estar na escola agora, podemos pensar que estamos no topo da montanha, mas vamos descer at√© o vale, porque o povo est√° no vale, o compromisso est√° no vale, a opress√£o est√° no vale, a agress√£o, a repress√£o, o fascismo, tudo existe no vale. N√£o importa qu√£o bom seja no topo da montanha, n√≥s temos um compromisso, ent√£o n√≥s vamos voltar. N√≥s vamos voltar para o vale.

E quando n√≥s fizemos isso, at√© mesmo Daley e Narahan e o juiz ‚Äď n√≥s o chamamos de ‚ÄėAdolph Hitler‚Äô Hoffman ‚Äď o chefe fascista que conhece a arte de tapista, a arte que Mussolini supunha ter dominado. N√≥s dizemos que Hoffmann √© melhor na arte de tapista do que Mussolini jamais fora, porque sabemos o que √© a arte de tapista √©: a arte do bom timing. E quando n√≥s come√ßamos esta batida, o juiz Hoffman e o Governador Daley e o cabe√ßa de martelo Hanrahan disse, ‚Äúei, escute o povo, √© a batida de Chicago. Politicamente est√£o batendo mesmo muito r√°pido, batendo demais. Porque eles n√£o voltam para casa?‚ÄĚ Para viver com todo o povo negro onde eles pertencem, para viver em dashikis e bubus e ser costelas de porco nacionalistas e nacionalistas culturais. Por que n√£o voltam para casa para pensar que ‚Äúo que voc√™ est√° usando‚ÄĚ vai mudar o que voc√™ √©? Por que n√£o voltam para o ‚Äúpoder pol√≠tico flui da maga de um dashiki?‚ÄĚ E n√≥s dissemos: N√£o! Conquanto que a batida continue, n√≥s continuamos, porque isso nos d√° no Partido um tipo de intoxica√ß√£o, que nos deixa entender. N√≥s somos prolet√°rios revolucion√°rios intoxicados e n√£o podemos ser astronomicamente intimidados.

N√£o se preocupe com o Black Panther Party. Contanto que voc√™ mantenha a batida, n√≥s seguiremos em frente. Se voc√™ acha que n√≥s podemos ser apagados porque assassinaram Bobby Hutton e Alprendice Bunchy Carter e John Huggins, voc√™ est√° errado. E se voc√™ pensa que porque Huey foi preso o Partido vai parar, est√° vendo, voc√™ est√° errado. Se voc√™ acha que porque o Presidente Bobby foi preso o Partido vai parar, est√° vendo, voc√™ est√° errado. Se voc√™ acha que porque podem me prender e pensa que o Partido vai parar, voc√™ pensou errado. Porque eles podem ‚Äúexpulsar‚ÄĚ Eldridge Cleaver pa√≠s afora, voc√™ est√° errado. Porque n√≥s j√° o dissemos antes de sairmos e n√≥s dissemos hoje. Que voc√™ pode prender um revolucion√°rio, mas voc√™ n√£o pode n√£o pode prender a revolu√ß√£o. Voc√™ pode trancafiar um lutador da liberdade como Huey P. Newton, mas voc√™ n√£o pode trancafiar a luta pela liberdade. Voc√™ pode contratar alguns costelas de porco como Mamalama para assassinar Alprentice Bunchy Carter, um libertador, mas voc√™ n√£o pode assassinar a liberta√ß√£o, porque se voc√™s o fizerem, ter√£o perguntas que n√£o respondem, explica√ß√Ķes que n√£o explicam, conclus√Ķes que n√£o concluem.

N√≥s dizemos que se voc√™ ousa lutar, ent√£o voc√™ ousa vencer. Se voc√™ n√£o ousa lutar, voc√™ n√£o merece vencer. N√≥s n√£o ir√≠amos para um ringue com Muhammad Ali e n√£o lutando imaginar√≠amos por que n√≥s perdemos, n√£o √© mesmo? Se voc√™ n√£o luta, ent√£o voc√™ n√£o merece vencer. Se voc√™ n√£o bota para correr esses fascistas, ent√£o voc√™ est√° louco. N√≥s dizemos que n√£o √© mais uma quest√£o de viol√™ncia e n√£o viol√™ncia. N√≥s dizemos que √© uma quest√£o de resist√™ncia ao fascismo ou n√£o exist√™ncia dentro do fascismo. N√≥s dizemos, vamos parar a guerra no Vietn√£. Vamos par√°-la adquirindo a vit√≥ria pelo esp√≠rito de Ho Chi Minh. N√≥s dizemos vamos parar a guerra na Babil√īnia. Vamos iniciar a descentraliza√ß√£o da pol√≠cia.

A √ļnica coisa real √© o povo, porque os porcos mordem a m√£o que os alimenta e eles precisam ser esbofeteados. E como Chaka disse, quando voc√™s os pegam em sua casa, os acertem com alguma coisa. Voc√™s n√£o devem argumentar se atingi-los com uma cadeira ou uma mesa, porque eles est√£o fora de controle desde o in√≠cio. N√≥s dizemos que o opressor ‚Äď o fodido juiz Taney ‚Äď o opressor n√£o tem direitos os quais n√≥s, os oprimidos, sejamos obrigados a seguir.

Se voc√™s tiverem a chance, venham se informar sobre Bobby. Voc√™s deveriam vir se informar sobre Bobby porque Bobby veio e se informou sobre voc√™s. Voc√™s deveriam vir e se informar sobre Bobby porque em 1966, quando n√≥s nem sequer pens√°vamos que √©ramos importantes o suficiente para nos protegermos, Bobby e Huey pegaram suas armas e chegaram √† comunidade. Eles deixaram a universidade. Eles eram estudantes engenheiros em forma√ß√£o, como Bobby, e Huey era um estudante advogado em forma√ß√£o. E o que eles leram, colocaram na pr√°tica. Voc√™s deveriam vir se informar sobre Bobby porque Bobby veio e se informou sobre voc√™s. Eu vou me informar sobre Bobby e se voc√™s tiverem qualquer coisa a dizer voc√™s vir√£o se informar sobre Bobby. Des√ßam at√© Jackson e DearBorn e se informem sobre nosso Presidente, porque ele √© o presidente da Babil√īnia. Ele √© o pai e o fundador do programa de caf√© da manh√£ e das cl√≠nicas de sa√ļde gratuitas, n√£o h√° nada de errado, nada de errado mesmo com isso.

Todo poder ao povo! Poder ao povo do norte de Illinois que vem aqui à Northern Illinois University.

Nós dizemos que precisamos de algumas armas. Não há nada errado com armas em nossa comunidade, há apenas uma má distribuição de armas em nossa comunidade. Por uma razão ou outra, os porcos têm todas as armas. Então todos nós temos de distribuí-las igualmente. Então se veem alguém que tem uma arma e vocês não, então quando vocês saírem vocês devem ter uma. A forma como nós seremos capazes de lidar com as coisas da forma certa. E me lembro de olhar para a TV e achar que não somente os porcos brutalizaram o povo no tempo do velho oeste, tiveram que contratar caçadores para ir caçá-los. Atiravam em alguém sem a intenção de prender. Precisamos de algumas armas. Precisamos de algumas armas. Precisamos de alguma força.

Obrigado.

Eu vou chamar Chaka e a Irmã Joana aqui de volta para lidar com qualquer questão que vocês queiram esclarecer, porque nós temos muito tempo para gastar, e não temos nenhum tempo a desperdiçar.

Como disse a irm√£, ‚Äúo tempo √© curto, vamos aproveitar a oportunidade‚ÄĚ. Obrigado.

Fred Hampton | Discurso na Nothern Illinois University | Novembro de 1969

Tradução de Gabriel Duccini

 

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Texto Originalmente publicado no Site Nova Cultura 

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Nota de apoio

a militantes perseguidos e pela defesa de Rafael Braga Vieira!

 

“Domado eu não vivo, eu não quero seu crime

Ver minha m√£e jogar rosas

Sou cravo, vivi dentre os espinhos treinados com as pragas da horta

Pior que eu já morri tantas antes de você me encher de bala

N√£o marca, nossa alma sorri

Briga √© resistir nesse campo de fardas‚ÄĚ

Rico Dalasam

A estatística tem cor, tem classe social e endereço. Basta!

Basta de criminalização da pobreza e criminalização das lutas sociais!

Vocês sabiam que um estudante negro da Unicamp está sendo perseguido com uma suspensão de dois semestres porque estava defendendo cotas?i

E que um estudante negro universit√°rio da UEMS (Mato Grosso do Sul) est√° sendo processado porque portava um mam√£o durante uma sess√£o C√Ęmara Municipal de Parana√≠ba, no qual se posicionava contr√°rio ao reajuste salarial que concedia aumento para o prefeito, ao vice, aos secret√°rios municipais e vereadores? Al√©m de ter sido agredido por 03 agentes de seguran√ßa p√ļblica do Estado ele agora est√° respondendo um processo por agredir 03 agentes em que cuja arma era uma fruta?

 

 

Pois √©, com Rafael foi o desinfetante e com Welliton Lopesii foi por conta de um mam√£o. Um mam√£o!!!! A agress√£o que ele sofreu foi na √ļltima segunda-feira, 24, e ele estava com um grupo de pessoas que se manifestaram contra esse reajuste aprovado pelo Legislativo na semana passada. O universit√°rio Wellington Aparecido Santos Lopes, de 20 anos, estudante de ci√™ncias sociais da Uems (Universidade Estadual de Mato Groso do Sul) acabou preso pela Pol√≠cia Militar ap√≥s entrar na Casa de Leis com um mam√£o em suas m√£os e ‚Äú…dirigir-se aos vereadores em tom de amea√ßa‚ÄĚ conforme noticiou a m√≠dia local. Ele est√° em liberdade, mas est√° respondendo pelo processo injustamente.

São muitíssimos casos, elegemos alguns, dos quais sabemos o porque da invisibilidade, mas insistimos. Há diversos acontecendo por dia no Brasil, enquanto escrevia, soube de uma prisão arbitrária de um imigrante palestino que protestava na Paulista em um grupo de militantes contra um ato fascista da direita de cunho extremamente xenófobo. Hasan Zarif, que é liderança no movimento palestina para todos. Ele está sendo acompanhado juridicamente. Lutaremos por sua liberdade também. Mas há mais. Muito mais que não aparecem e quando aparecem na grande mídia é pra nos criminalizar.

O M√°rio de Andrade que aos 14 anos foi executado por um sargento reformado da PM de Recife? T√° sabendo? J√° se passaram 09 meses desde o 25 de julho e o governador Paulo C√Ęmera (PSB) n√£o se pronunciou sobre essa execu√ß√£o at√© o momento desta publica√ß√£o.

Durante a greve geral do √ļltimo dia 28 de abril, 21 pessoas foram detidas em SP, mas h√° 03 que continuam presos. S√£o eles; pedreiro Luciano Antonio Firmino, 41, o frentista Juraci Alves dos Santos, 57 anos, e o motorista Ricardo Rodrigues dos Santos, 35. A pris√£o preventiva foi decretada neste domingoiii

Conforme a peti√ß√£o em prol da defesa de Rafael Bragai, ‚ÄúEm janeiro deste ano, a caminho da padaria na favela onde morava, foi novamente preso a partir de um flagrante forjado, de acordo com testemunhas, e acusado de associa√ß√£o e tr√°fico de drogas, mesmo estando sob vigil√Ęncia. Na calada da noite, √†s v√©speras do feriado de 21 de abril, Rafael foi condenado a 11 anos de pris√£o.

A s√©rie de absurdos do caso de Rafael n√£o param por a√≠: o juiz que o condenou levou em considera√ß√£o apenas os depoimentos contradit√≥rios dos policiais que o prenderam. Al√©m disso, foi negado a ele o direito √† ampla defesa: o juiz negou o pedido de acesso √† c√Ęmera da viatura policial que o levou √† delegacia e ao GPS da tornozeleira – provas que poderiam ter mudado o rumo do julgamento e comprovado sua inoc√™ncia. A defesa de Rafael ir√° recorrer da decis√£o, por isso precisamos unir nossas for√ßas e continuar a mobiliza√ß√£o pela liberdade de Rafael e conseguir reverter essa injusti√ßa‚ÄĚ A segunda pris√£o arbitr√°ria de Rafael Braga Vieira (que se encontrava preso h√° 2 anos, sendo o √ļnico preso nas manifesta√ß√Ķes de 2013, porque portava desinfetante!) e recentemente fora condenado h√° 11 anos de pris√£o. At√© quando ser√° crime ser negro no Brasil?

Esses casos s√≥ explicitam o papel das institui√ß√Ķes como o judici√°rio e das pol√≠cias civil e militar atuam nessas terras tupinamb√°s. Rafael teve a mochila implantada com coca√≠na e foi acusado de tr√°fico! Quer dizer que um jovem negro catador de recicl√°veis pode ser preso e ficarmos calados porque ningu√©m policia a pol√≠cia? Porque ele √© pobre e ningu√©m se importa?

Se voc√™ conhece algu√©m que j√° foi forjado com drogas pela pol√≠cia, vamos convidar essas pessoas pra manifestarem sua indigna√ß√£o e solidariedade ao Rafael Braga porque eles s√£o muitos, #SomostodosRafael. A guerra √†s drogas t√™m sido a melhor justificativa do encarceramento em massa no Brasil e temos denunciado essa justificativa enquanto tentativa de naturaliza√ß√£o da pol√≠tica de genoc√≠dio onde forjar n√£o pode continuar sendo uma pr√°tica das institui√ß√Ķes de seguran√ßa p√ļblica e judici√°rio porque sabemos que n√£o √© coincid√™ncia.ii

Rafael n√£o √© o primeiro e exigimos que Hasan Zarif seja o √ļltimo!

                         Os movimentos sociais não se intimidarão! A luta continua até que libertem nossos presos!

Exigimos justiça !!! Basta de racismo! Morte ao Fascismo!

Pela libertação imediata de Rafael Braga e aos militantes do MTST: Luciano, Juraci e Ricardo!

 

Ser preto não é crime! Lutar não é crime!
#LibertemRafaelBraga    #LibertemNossosPresosdaGreveGeral  #SOMOSTODOSWELLITON LOPES! #vidasnegrasimportam SIM! #SolidariedadeaosfamiliaresdeMariaEduarda #SolidariedadeafamíliadeJoãoVictor

#ubuntu #contraogenocídionegroeindigena #contraasreformassangrentasdetemer

Link do evento: https://www.facebook.com/events/156199361580725/?ti=cl

iSeja defensor de Rafael Braga Vieira: http://www.liberdadepararafael.meurio.org.br/

iiQuem policia a polícia? http://ponte.cartacapital.com.br/bancada-da-bala-faz-lobby-pelo-projeto-que-permite-governador-demitir-ouvidor-das-policias/

Ato simult√Ęneo ao ato no Rio de Janeiro, via p√°gina Pela Liberdade de Rafael Braga Vieira (no facebook)

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Quem tem medo de um saber descolonizado? Nota de repudio à revogação do Edital de contratação de professes na UFABC

Mais uma vez, o conservadorismo brasileiro contra-ataca, prejudicando desavergonhadamente, a produ√ß√£o de conhecimento em uma Universidade Federal. O cerceamento do Edital 145/2016, que abria processo seletivo para a contrata√ß√£o de professores pesquisadores das rela√ß√Ķes √©tnico-raciais, √© uma afronta aos interesses da popula√ß√£o brasileira, e principalmente do Grande ABC.

A revoga√ß√£o do referido edital representa n√£o apenas uma ferida √† autonomia universit√°ria, prevista constitucionalmente mas, sobretudo, um perigoso ind√≠cio de que o Governo Federal est√° disposto a ceder as press√Ķes mais mesquinhas e elitistas da direita brasileira. N√£o √© novidade para ningu√©m que as rela√ß√Ķes raciais, constituem-se como um tema da mais alta relev√Ęncia, quando se busca entender verdadeiramente o nosso pa√≠s, que √© t√£o desigual, do ponto de vista s√≥cio-racial, e ao mesmo tempo t√£o diverso, do ponto de vista cultural.

O pensamento descolonizado assusta os articuladores de uma revista que se chama “Veja”, mas CEGA com tantas distor√ß√Ķes; escandaliza os defensores de um movimento proto-fascista chamado “Escola sem partido”, que na verdade defende uma escola sem debate cr√≠tico, voltada √† naturaliza√ß√£o das desigualdades sociais. √Č natural que um Edital voltado √† contrata√ß√£o de professores pesquisadores voltados √†s rela√ß√Ķes raciais assuste os desavisados, estranho, na verdade √© o restante da sociedade aceitar em sil√™ncio a esse e tanto outros abusos que v√™m sendo cometidos no √Ęmbito federal.

N√£o iremos aceitar calados(as)!

Seguem abaixo as notas escritas por profissionais e alunos da Instituição

NOTA DE REP√öDIO

N√≥s, do coletivo Negro Vozes, viemos por meio desta repudiar os tr√Ęmites do Edital de concurso de n√ļmero 145/2016, para contrata√ß√£o de professores para disciplinas da √°rea de Rela√ß√Ķes √Čtnico-Raciais.

Esse processo foi conquistado com muita luta das e dos estudantes, professores e servidores dessa universidade. Para n√≥s, negras e negros da UFABC, o estudo das rela√ß√Ķes √©tnico-raciais √© de suma import√Ęncia para combater o racismo que nos mata todos os dias.
Somos minoria no corpo de pesquisadores brasileiros justamente porque somos minoria nos espa√ßos de forma√ß√£o do ensino superior. √Č preciso reconhecer que o racismo √© um fator estrutural da forma√ß√£o da sociedade brasileira e, a partir da√≠, implementar pol√≠ticas p√ļblicas de revers√£o para essa realidade. Precisamos de jovens, professoras e professores, pesquisadoras e pesquisadores conscientes e aptos para tratar das rela√ß√Ķes √©tnico-raciais dentro das salas de aula, para que a Lei 10.639/2003 sobre o ensino da Hist√≥ria e da Cultura Afro-brasileira e Africana seja implementada com excel√™ncia.

Nesse sentido, consideramos que a autonomia universit√°ria foi ferida a partir do momento que a Reitoria decide unilateralmente retificar um ponto do edital aprovado integralmente pelas inst√Ęncias coletivas competentes, em todas as plen√°rias dos cursos e no ConsEPE. Hoje o ConCECS, aproveitando um evento que aconteceria na universidade realizou uma manobra de colocar em pauta a suspens√£o do referido edital j√° que quem defendia essa pauta n√£o estaria presente.

Não aceitamos a suspensão do edital realizada pelo ConCECS, assim como mais nenhuma alteração no seu corpo. Exigimos que o ConsUni garanta que o processo seguirá até se dar a nomeação dos quatro professores para o concurso, pois não nos omitiremos de exigir e garantir os nossos direitos.

Coletivo Negro Vozes UFABC
18 de julho de 2016

Carta aberta à Comunidade Acadêmica

Carta aberta √† Comunidade Acad√™mica em rela√ß√£o ao Edital 145/2016 (‚Äú4√ó4‚ÄĚ)

Como membros do GT do CECS para o concurso sobre Rela√ß√Ķes √Čtnico-Raciais (Edital 145/2016, www.ufabc.edu.br/index.php‚Ķ) vemos, por meio desta, esclarecer alguns pontos fundamentais a respeito.

O estudo das rela√ß√Ķes √©tnico-raciais √© um campo estabelecido mundialmente, constitu√≠do por uma ampla agenda de pesquisa e diversidade de abordagens.
O estudo das rela√ß√Ķes √©tnico-raciais no Brasil se desenvolveu insatisfatoriamente na academia, como resultado do tipo de racismo vivido no pa√≠s, que se negou a reconhecer sua pr√≥pria exist√™ncia como fator estruturante da sociedade brasileira. Este fato foi refor√ßado ao longo do tempo pela aus√™ncia quase total de pesquisadores(as) negros(as) nas universidades brasileiras.
A import√Ęncia do estudo e do ensino das rela√ß√Ķes √©tnico-raciais no sistema de educa√ß√£o brasileiro foi tardiamente reconhecida pelo Governo Federal na d√©cada passada, come√ßando pela Lei 10.639/2003 sobre o ensino da Hist√≥ria e da Cultura Afro-brasileira e Africana e pela Resolu√ß√£o No. 1 do Conselho Nacional de Educa√ß√£o, que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa√ß√£o das Rela√ß√Ķes √Čtnico-Raciais. Juntamente com leis posteriores, especialmente a Lei 10.645/2008, o processo de reconhecimento tomou corpo no Plano Nacional de Implementa√ß√£o das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educa√ß√£o das Rela√ß√Ķes √Čtnico-raciais, que inter alia exigiu da educa√ß√£o superior um esfor√ßo sistem√°tico para contribuir √† forma√ß√£o de jovens pesquisadores(as), professores(as) e cidad√£os(√£s) conscientes das realidades brasileiras.
A exclus√£o de negros(as) foi tamb√©m reconhecida, resultando, em primeiro lugar, na ado√ß√£o de cotas raciais em universidades federais, prioritariamente em n√≠vel de gradua√ß√£o. Atualmente, cotas raciais s√£o exigidas em cursos de p√≥s-gradua√ß√£o. Adicionalmente, a Lei 12.990/2014 reservou aos(as) negros(as) 20% das vagas em concursos p√ļblicos, o que no caso do ensino superior se traduz na reserva de uma vaga em cada tr√™s, em editais com tr√™s ou mais vagas.
O concurso em quest√£o √© uma das primeiras iniciativas de viabilizar tanto a Lei 12.990, como fazer avan√ßar no Plano Nacional de Implementa√ß√£o, por articular quatro bacharelados das Ci√™ncias Humanas e Sociais Aplicadas (Ci√™ncias Econ√īmicas, Pol√≠ticas P√ļblicas, Planejamento Territorial, e Rela√ß√Ķes Internacionais) na aloca√ß√£o de uma vaga por curso a um esfor√ßo coletivo. O processo amadureceu ao longo de mais de um ano, passando pelas quatro plen√°rias, as quais tamb√©m definiram os pontos da sub√°rea que lhes cabia separadamente. As plen√°rias e seus colegiados s√£o, portanto, respons√°veis pela autoria dos pontos.
O ponto do edital referente ao estudo comparativo de regimes racistas (4.3.1.4), incluindo apartheid, nazismo e sionismo, se refere a um corpo de pesquisa j√° estabelecido e a um dos assuntos que mais preocupou a Assembleia Geral da ONU, resultando na Resolu√ß√£o No. 3379/1975 que tipificou a opress√£o do povo palestino como racismo. A resolu√ß√£o foi anulada em 1991, por√©m o assunto continua a polarizar, como o fez na III Confer√™ncia sobre o Racismo, Xenofobia e Intoler√Ęncias Correlatas, realizada na cidade de Durban em 2001.
O ponto do edital n√£o pressup√Ķe que formas de governo e ideologias s√£o iguais em suas caracter√≠sticas, din√Ęmicas e consequ√™ncias. Ele exige que candidatos tenham dom√≠nio sobre esses estudos comparativos.
√Č poss√≠vel e necess√°rio debater livremente sobre o assunto e a forma como ele foi colocado no edital, por√©m n√£o cabe a uma Reitoria decretar o que √© ou n√£o √© apropriado no estudo das rela√ß√Ķes √©tnico-raciais. Tal interven√ß√£o fere gravemente a liberdade acad√™mica e cria um precedente perigoso.
Quaisquer que sejam as divergências sobre o referido ponto do edital, vale lembrar que é apenas um dos quarenta pontos ali existentes, que versam, em sua grande maioria, sobre à questão étnico-racial da população negra no Brasil.
O concurso em quest√£o √© resultado de reivindica√ß√Ķes hist√≥ricas do povo negro brasileiro por reconhecimento e inclus√£o efetiva na sociedade brasileira. Como tal, deve ser defendido por todos(as) aqueles(as) interessados(as) na forma√ß√£o de um pa√≠s mais justo e democr√°tico. O m√≠nimo que se espera, feita a retifica√ß√£o do referido ponto, √© que se respeite a integridade e a legalidade do concurso.

Sauda√ß√Ķes acad√™micas,

Muryatan Santana Barbosa (BCH/BRI/CECS)
Paris Yeros (BCH/BCE/CECS)

Nota da ADUFABC sobre a retificação do edital 145/2016: a universidade não existe sem autonomia

No √ļltimo dia 13 de julho, a UFABC publicou no Di√°rio Oficial da Uni√£o o edital n¬į160/2016 que, como afirma nota divulgada pela reitoria no mesmo dia, ‚Äúcorrige uma parte do Edital 145/2016 que, de forma inapropriada, tratou no mesmo contexto regimes pol√≠ticos e acontecimentos hist√≥ricos muito diferentes entre si‚ÄĚ.

Como todos acompanhamos, a decis√£o da reitoria de retificar o edital tinha o objetivo de encerrar uma forte pol√™mica envolvendo um dos pontos do referido concurso que mencionava o debate sobre ‚ÄúConex√Ķes da branquidade e dos regimes racistas: apartheid, nazismo, sionismo‚ÄĚ. A rea√ß√£o ao ponto envolveu, al√©m de manifesta√ß√Ķes de parte da imprensa e da comunidade judaica, uma demanda direta do pr√≥prio ministro interino da educa√ß√£o.

A universidade, como qualquer outra institui√ß√£o social, n√£o existe fora da sociedade. Portanto, √© perfeitamente compreens√≠vel ‚Äď e at√© mesmo desej√°vel ‚Äď que seja objeto de questionamentos de for√ßas sociais diversas, de natureza pol√≠tica, econ√īmica, cultural ou religiosa, sobretudo considerando-se a legitimidade e a efic√°cia do conhecimento produzido no seu interior.

Mas se é esperado da sociedade que questione a universidade, é igualmente esperado que esta responda respeitando o princípio da autonomia.

A universidade constituiu-se historicamente como institui√ß√£o lutando contra o poder pol√≠tico e religioso da Igreja, ainda na Idade M√©dia. Da mesma forma, a emerg√™ncia da ci√™ncia moderna no s√©culo XVII √© impens√°vel sem a afirma√ß√£o do ideal da autonomia, materializado no expediente da ‚Äúrevis√£o por pares‚ÄĚ, que reconheceu como princ√≠pio basilar da moderna produ√ß√£o de conhecimento, a ideia de que s√≥ pode julgar a validade de um saber aqueles que sejam capazes, por longo processo de forma√ß√£o, de compreend√™-lo e avali√°-lo.

Foi reafirmando esses princ√≠pios fundamentais, e em resposta aos traumas e retrocessos causados pelas constantes interven√ß√Ķes da ditadura militar no interior da universidade, que a Constitui√ß√£o Federal de 1988 estabeleceu, no seu artigo 207, o princ√≠pio da autonomia universit√°ria, com destaque para a autonomia did√°tico-cient√≠fica.

Reconhecer a autonomia da universidade não significa isentá-la de controle e responsabilidade social, mas significa afirmar que estes se exercerão segundo determinadas regras, inspiradas nesse princípio constitucional.

√Č partindo desta reflex√£o que a diretoria da Associa√ß√£o dos Docentes da UFABC vem por meio desta nota externar a sua profunda preocupa√ß√£o com a forma como o edital 145/2016 foi retificado pela reitoria da UFABC no √ļltimo dia 13. Se havia uma demanda externa, mesmo que de origem pouco qualificada como foi o caso, para que o edital 145 fosse retificado, isso deveria ter sido feito √† luz do princ√≠pio da autonomia e respeitando-se as inst√Ęncias universit√°rias, o que, em nossa opini√£o, exigia que o mesmo fosse reencaminhado de modo oficial para o colegiado respons√°vel pela sua formula√ß√£o, com uma solicita√ß√£o de avalia√ß√£o do questionamento apresentado e de eventuais esclarecimentos e, se este julgasse necess√°rio, de reelabora√ß√£o do referido ponto do edital.

Como se sabe, a discuss√£o sobre racismo, sobretudo nos seus pontos de intersec√ß√£o com a pol√≠tica e a religi√£o, √© assunto que mobiliza paix√Ķes e gera enormes pol√™micas. No entanto, √© fun√ß√£o da universidade formar profissionais capazes de dominar criticamente os debates cient√≠ficos e acad√™micos que alimentam e analisam tais pol√™micas. Ali√°s, √© isso que diz o edital de condi√ß√Ķes gerais de concurso da UFABC (n¬į 96/2013), no seu item 11.3:

‚ÄúA Prova Escrita tem como objetivo avaliar a compet√™ncia do candidato na utiliza√ß√£o de conceitos, t√©cnicas e suas inter-rela√ß√Ķes, de acordo com a √°rea/sub√°rea de conhecimento em exame, bem como avaliar sua capacidade de argumenta√ß√£o e cr√≠tica, dom√≠nio conceitual e vocabul√°rio da √°rea/sub√°rea‚ÄĚ.

A ideia de estabelecer no edital do concurso pontos ao inv√©s de perguntas fechadas pressup√Ķe a capacidade do candidato de argumentar livremente, inclusive de forma cr√≠tica. Assim, qualquer um que conhecesse o edital de condi√ß√Ķes gerais de concurso da UFABC, saberia que, ao contr√°rio do que foi dito, n√£o se esperava um candidato que equiparasse nazismo, sionismo e apartheid, nem que afirmasse o car√°ter racista do sionismo. Parece-nos evidente que o edital esperava, na verdade, um candidato que dominasse criticamente o debate por ele evocado.

Vale notar que a associa√ß√£o entre sionismo e ideologia da branquidade, portanto racismo no sentido sociol√≥gico do termo, √© objeto de um amplo e conceituado debate no campo das ci√™ncias sociais, com desdobramentos muito particulares na √°rea acad√™mica e profissional das rela√ß√Ķes internacionais. Prova disso s√£o os constantes debates e embates travados no √Ęmbito da Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para a defini√ß√£o ou n√£o do sionismo como forma de racismo.

Que a Universidade Federal do ABC forme profissionais que lidem com esse debate de forma dogmática é inaceitável. Assim como é inaceitável que esse debate seja interditado a ponto de não poder ser citado em um edital de concurso, como se ele não fosse objeto de análise crítica e objetiva das ciências sociais.

As ci√™ncias sociais, de todas as √°reas da ci√™ncia moderna, s√£o as que mais dificuldades encontram para afirmar a sua autonomia e isso √© patente nos constantes debates que se travam no espa√ßo p√ļblico da UFABC. Em um momento em que assistimos a uma escalada de radicaliza√ß√£o pol√≠tica e religiosa no mundo todo, a universidade deve lutar para permanecer como espa√ßo livre, cr√≠tico e objetivo de pesquisa e discuss√£o. E isso n√£o pode ser feito sem a preserva√ß√£o do princ√≠pio fundamental e constitucional da autonomia universit√°ria. O precedente aberto pela revis√£o do Edital 145/2016 √©, a nosso ver, perigos√≠ssimo. Editais podem, sim, ser revistos, mas segundo crit√©rios muito bem estabelecidos de respeito √† autonomia universit√°ria e √†s especialidades das diferentes √°reas. Qualquer procedimento que escape a isso, flerta perigosamente com posi√ß√Ķes anticient√≠ficas, anti-intelectuais e anti-modernas.

Diante do exposto, a ADUFABC solicita publicamente √† Reitoria os seguintes esclarecimentos: 1) Como chegou √† Reitoria a demanda de altera√ß√Ķes no edital em quest√£o? 2) Quais raz√Ķes levaram a Reitoria a ignorar as inst√Ęncias devidas, notadamente o colegiado de curso que aprovou e referido edital? 3) Qual resposta a Reitoria pretende dar ao ve√≠culo de imprensa que, de forma agressiva e leviana, denegriu a imagem da UFABC e de seu corpo docente?

Por fim, a ADUFABC √© solid√°ria √† Carta Aberta dos professores Muryatan Barbosa e Paris Yeros, membros do GT respons√°vel pelo referido concurso, e reafirma a import√Ęncia do edital 145/2016, cujo objetivo central √© contratar professores que tenham pleno dom√≠nio do debate acad√™mico-cient√≠fico sobre a quest√£o √©tnico-racial em suas diferentes dimens√Ķes, mas sobretudo no que concerne ao estudo e √† pesquisa do povo negro brasileiro.

S√£o Bernardo do Campo
18 de julho de 2016
ADUFABC

Gest√£o Democracia, Diversidade e Direitos (2016-2018)