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Buia Kalunga – A Cena (part. Ba Kimbuta)

Primeiro clipe do trabalho “solo” de Buia Kalunga, que é também vocalista da banda Ba-Boom e militante do grupo Kilombagem.

O clipe foi produzido por Gata Negra, dirigido por Patrick Monteiro e fotografado por Ana Clara Marques e Gisele Gonçalves.

A música foi produzida no Studio Kasa por Buia e DJ Crick, e conta com a participação especial de Ba Kimbuta.
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CONFIRA!!

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Sem ficção, clipe traz a violência do Estado

Parceria entre Buia Kalunga, Ba Kimbuta e DJ Crick utiliza a internet para lançamento de videoclipe

Está disponível na internet desde a segunda-feira (02/11) o novo videoclipe do músico e ativista Buia Kalunga, em parceria com Ba Kimbuta e DJ Crick. Intitulada A Cena, a música que rendeu a produção faz parte do projeto solo de Buia, que já conta com nove faixas e está em fase de gravação.

O lançamento virtual, realizado no Dia de Finados, não foi à toa, mas como uma referência às vítimas da violência do Estado brasileiro, que assola principalmente jovens negros na periferia.

 

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O primeiro álbum solo de Buia apresenta faixas que trazem forte influência do rap e da música jamaicana, vertente que o artista trabalha em outros projetos, como o grupo Makomba, no qual atua ao lado de um importante parceiro, Ba Kimbuta; e a banda Ba-Boom. Além dessas bandas, o músico também toca na Escola de Samba Palmares de Santo André. Em meio a tantos trabalhos coletivos, é na atuação solo que surge a oportunidade para o trabalho autoral e a expressão de sua inquietude social.

Buia Kalunga é educador e leciona música e literatura na Fundação Casa. Transitando em diversos meios seja através da educação ou da música, a constatação que surge é que a arte é um instrumento fortíssimo de contestação da realidade e suas desigualdades. É isso que inspira as criações de Buia. “Minhas músicas são muito íntimas, falam sobre conflitos internos, mas não só meus, escrevo sobre conflitos da vida urbana: o trânsito, o trabalho, as desigualdades.”

Mesmo diante de temas pesados, o artista acredita que a arte é capaz de trazer leveza. “ A arte tem o poder de nos tornar melhores. Não acredito na arte pela arte, ela é capaz de promover transformação social”, disse Buia, ao acrescentar que a música, sozinha nada pode. “A música tem um potencial revolucionário muito forte, ela expõe realidades, mas a única maneira de transformá-las é com organização e políticas públicas.” E quanto a isso, Buia atua nas duas frentes, música e organização, já que é membro do Kilombagem, coletivo dedicado a debater raça, gênero e classe social. “Não vamos acabar com o racismo enquanto existir capitalismo, são coisas interligadas”, crê.

Vídeo tem brutalidade encenada e real

O clipe de A Cena foi gravado parte em Santo André, parte em São Bernardo. “Algumas casas da minha rua foram desapropriadas por causa das obras do Rodoanel, tiraram os moradores de lá e só ficaram escombros. Esse cenário tem a ver com música.” A produção apresenta referências de cinema, mas é tudo real.

“Assistimos a violência como se fosse um espetáculo, mas a vida não é ficção, tudo é muito banalizado”, afirmou Buia, ao atribuir parte desta banalização à mídia. “A linguagem cinematográfica ficou por conta do Patick Monteiro, e fotografia de Ana Clara Marques e Gisele Gonçalves, e da produtora Gata Preta Produções. Foram usados efeitos futuristas e cenas de violência policial.”

Por: Marina Bastos (marina@abcdmaior.com.br)

Post original; http://www.abcdmaior.com.br/materias/cultura/sem-ficcao-clipe-traz-a-violencia-do-estado

Assista o Clip

 

 

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Curso Kilombagem – Fanon; Vida e Obra, em Campinas

No dia 20 de julho Frantz Fanon completaria 90 anos.

Em reverência à sua trajetória, mas também, interessados/as em discutir a atualidade da sua obra para o entendimento do racismo na sociedade contemporânea, o Grupo Kilombagem oferecerá o Mini-curso Fanon: vida e obra.

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Objetivo

O Mini Curso se propõe a apresentar e discutir o legado político e teórico do autor enfatizando suas contribuições para a compreensão das relações raciais na sociedade contemporânea.

Provocador: Deivison Faustino (Nkosi) – Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCAR e integrante do Grupo KILOMBAGEM

 

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Por que estudar Fanon?

Como psiquiatra, filósofo, cientista social e revolucionário, Frantz Fanon é sem dúvida um dos pensadores mais instigantes do século XX. Sua obra influenciou diversos movimentos políticos e teóricos na África e Diáspora Africana e segue reverberando em nossos dias como referência obrigatória nos os estudos culturais e pós-coloniais.

Sua trajetória política e teórica impressiona pela grandiosidade e o seu curto espaço de vida. Nasce em Forte de France, Martinica em 1925 no seio de uma família de classe média e patriota. Em 1944 se alista no exercito francês para lutar contra os alemães na segunda guerra mundial e posteriormente segue para Lyon para estudar medicina e psiquiatria. Neste período foi estudante ativo envolvido com a publicação periódica de um jornal mimeografado.

Em 1950 Frantz Fanon escreve o texto que seria a sua tese de douturado em psiquiatria: Peau noire, masques blancs(Peles Negras, Máscaras Brancas), mas a tese, por confrontar as correntes hegemônicas, foi recusada pela comissão julgadora o obrigando a escrever outra tese no ano seguinte em Lyon com o título de Troubles mentaux et syndromes psychiatriques dans l’hérédp-dégénération-spino-cérébelleuse – Um cas de maladie de Friereich avec délire de possession (Problemas mentais e sindromes psiquiatricas em degeneração espinocerebelar hereditária – Um caso de doença de Friereich com delírio de posse).

Em 1952 participa de diversos debates universitários e seminários em que se confronta ou converge com os pensadores franceses da época. Neste mesmo ano publica uma série de ensaios sobre a situação do negro na França, escreve um drama sobre os trabalhadores de Lyon (Les Mains parallèles) e publica o texto da sua primeira tese rejeitada: Peau noir, masques blancs (Peles negras, máscaras brancas) livro que marcaria a história dos estudos o racismo.

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Artista: Cena 7

Neste livro o autor discute os impactos do racismo e do colonialismo na psique (de colonizadores e colonizados) e mostra o quanto as alienações coloniais são incorporadas pelos colonizados, mesmo no contexto de elaboração do protesto negro.

O ano seguinte é marcado por um casamento e a sua mudança para a Argélia a fim de estudar mais profundamente os problemas enfrentados pelos imigrantes africanos na França. Segundo Oto (2003) estes momento foi fundamental para Fanon compreender os impactos do colonialismo na estrutura psíquica humana:

Ao tentar ampliar suas percepções sobre o problema dos pacientes em territórios coloniais, vinculando as enfermidade ao colonialismo, Fanon aceita neste mesmo ano o contrato com o Hospital Blida-Joinville na Argélia. Durante sua residência neste local os resultados de suas investigações o convenceram das dimensões assumiam o regime colonial e como este regime desarticula a estrutura psíquica das pessoas.( Oto 2003:219)

O ano seguinte foi marcante para o autor ao assistir o nascimento da revolução argelina e a violenta repressão francesa. É neste contexto que Fanon renuncia ao seu cargo no Hospital psiquiátrico para se filiar à Frente de libertação Nacional – FLN (Front de Liberation Nationale) onde contribuirá ativamente como escritor do jornal El Moudjahid, em Túnez.

Os anos seguintes foram marcados por intensa agitação política e participação nos fóruns internacionais dos movimentos de libertação no continente africano. Em 1959 publica L’an V de la Révolution Algérienne, sem publicação em português, e em 1961 se encontra com J. P. Sartre e S. Beauvoir. Neste mesmo ano, após escrever Les dammés de la terre, o ápice de sua atividade política e intelectual seria interrompido por um problema de saúde que levaria a morte.

Boa parte dos textos escritos por Fanon no jornal El Moudjahid foram reunidos por sua esposa e publicados postumamente no livro Pour la révolution africanie (1964), publicado em Portugal apenas em 1980 com o título Em defesa da revolução Africana.

A pesar de sua importância para a compreensão das relações raciais contemporâneas, 50 anos depois de sua morte, a Obra de Frantz Fanon ainda é pouco estudada no Brasil. Espera-se com esta atividade despertar o interesse da comunidade acadêmica como um todo para a discussão dos elementos apresentados pelo autor.

Programação

Encontro 01 – A alienação colonial (20/07/2015 – 14hs)

  • itinerário político de Frantz Fanon
  • Pele negra, máscaras brancas

(Leitura recomendadaPrefácio de Lewis Gordon – Baixe o arquivo! e  Capitulo V: Experiência vivida do negro – Baixe o arquivo! )

(Obra Completa para baixarPeles Negras Mascaras Brancas – Baixe a obra!)

 

Encontro 02– Racismo e cultura (20/07/2015 – 17:hs)

  • Em defesa da revolução africana
  • Os escritos de El Moudjahid

(Leitura recomendada: Racismo e Cultura – Baixe o arquivo!)

 

Encontro 03– A Argélia se desvela (21/07/2015 – 14hs)

  • Ano V da Revolução Argelina

(Leitura recomendada: Capitulo 1 : A Argélia se quito el velo – Baixe o arquivo!  – em espanhol)

( Obra Completa em espanhol: Sociología de una Revolución – Baixe a obra!)

 

Encontro 04– A libertação nacional (21/07/2015 – 17hs)

  • Os condenados da terra

(Leitura recomendada:  Cap. I Da violência – Baixe o arquivo!)

(Obra Completa: Os Condenados da Terra – Baixe a obra! )

 

 

Como chegar

Local: Casa de Cultura Tainã ( http://www.taina.org.br) Campinas – SP

Rua Inhambu, 645 – Vila Padre Manoel da Nóbrega, Campinas – SP, 13060-280
Quem vem de Onibus
Linhas 241, 24o e 249
perguntar pela Praça dos Trabalhadores ou Pinicão
A Tainã encontra-se dentro da Praça

 

 

 

A REDUÇÃO NÃO É A SOLUÇÃO!!!

 

 

 

 

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DESCULPA PERGUNTAR

Allan da Rosa

Já sentiu desespero, mano?

Aquele do mergulhado em águas claras
Quando veio o redemoinho?
Aquele salvo pelo braço de quem te avisou do buraco,
Unhas seguras na saliência da rocha
Agradecido de frio e de medo
Pequenez e grandeza no fiapo do seu nome…

Já sentiu humilhação, rei?
A que trouxe na cangaia as caixas de fruta
que num podia mexer nem em uma baga
A do chegado na feira e escorraçado
Nos berros, cuspido pra fora
depois do almoço vazio
Quando perguntou se ia receber sua paga?

Já foi cabeçalho da noticia da chacota, camará?
Ao rasgarem seu vestido
com a bença e os aplausos da covardia?

Se encharcou na chuva ácida da vergonha?
Sintonizou a rádio do desprezo
Chiadinha, o dia inteiro da voz de teu pai?

Já sentiu paixão, Ganga?
Das de pintar a chuva?
De errar cada flechada de palha
Usando arco de papel molhado?
E ela passou no vento…
Mesmo vento que ardia no pus
Toda tardezinha?

Já perdeu batalha, mestre?
Depois que bebeu a vitória…
No cálice da arrogância a sua golada.
E com o nariz entupido no arreio
Nao conseguia traduzir, farejar
o que fosse futuro?

Já apertou a mão da hipocrisia, Don?
Suja de perfume…
Já ganhou na bochecha
O lábio farofado de quem te jura de morte
sussurrando na casa vizinha?
De quem envenena a sobremesa
por cima do muro,
Dá gamela em mal querença
de doce pro teu filho
e declara a temporada de estupro
a quem coloca no dedo e no pescoço
o anel branco de simpatia?

Já cozinhou na panela da saudade?
Costurou o calendário,
Pôs no forno a massa lacrimejada
e comeu o pão
o miolo da decepção
quando a andorinha voltou
mascarada de pavão?


 

 

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de Akins Kinte

Daqui a pouco esqueço tudo
Meu sorriso mudo
Teus olhinhos imensos
Meus lábios intensos
Nos teus doces carnudos

Vadio e detento
Atirando a esmo
Volto a ser eu mesmo
Pois agora sou você
Morando aqui dentro

Daqui a pouco o que feria
É o que é, não o que eu queria
Volta a doer
A cura que trouxer
Nas curvas de mulher
Nos olhos de guria
Esse bom
Tem a velha mania
De se perder

Desvairado e bandido
Ferido e perdido
Me matando e desamando
Volto ser eu mesmo
Pois agora sou você
A pro-cura do amor
Me achando

Daqui a pouco e conto as horas
Porque nada é eterno tem prazo
Essa coisa boa que me causa
Que tu diz que é belezura do acaso

Se finda

A tristeza é bem vinda
Brindam em mim desilusão e saudade
Um surdo seco um samba sem nexo
Volto ser eu mesmo
Pois agora sou você
Tamborilando em mim felicidade

Daqui a pouco a desvendar
O mistério profundo da paixão
Tiro minha alma do alto-mar
O mar profundo de teu coração
Fujo. Sem paz
Meu barco volta ao cais
O marujo na contenção

Bêbado remo caminho duro
Me afogando em ilusão
Volto ser eu mesmo
Pois agora sou você
Meu porto mais seguro

Daqui a pouco nesses becos
E na boca de tua noite
Garoto maroto me perco
Sem fazer alarde
Pois agora sou com fé
Pedindo a Olorum
Que esse daqui a pouco
Atrase e seja só mais tarde

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13 DE MAIO

Por Akinks Kinte

A noite iluminada, a lua prateada,

Acompanhava os passos firmes da caminhada.

Adentro a mata batuques, o peito ardido em chamas,

O ódio que inflama nos chama cidade adentro.

Nos olhos dos homens pretos calor e brio,

No peito das crianças um frio,

O coração feito rio, derramava lagrimas feito Nilo.

A mãe com os olhos carentes de asilos,

Secos os doces e quentes mamilos.

O pulso doido no pescoço tranca,

As entranhas, feridas… O pele branca faz,

Num ódio sem fugaz…

A mucama que amamento há tempos atrás.

Sorria ao pensar nos urubus, bicando os olhos azuis.

A ginga os dentes serrados a volta pro lar…

O cântico era toubob fá, toubob fá, toubob fá.

Os tambores findam escravatura,

Encharcando os feitores de susto

Os malungos por de traz dos arbustos

Feito fantasmas da noite

Famintos Findam açoite

Pretos retintos, reluzentes como o luar.

Serenos como o mar,

Abandonaste, deixaste mofa na corrente.

Quem colheu todo algodão de troco

A dor fria do tronco quente

viu flores despetaladas o clã

tem na mente o afã

De incendiar a cidade dos cães

Antes do por da manhã

E deixa para os abutres, as carnes dos ilustres

A fazenda tomada, sinhá horrorizada,

embaraço

caço

chicote que nas costas dos pretos fez morada

ecoa pelos poros, revolta

choros e pele que soa

alforria, quem leiloa?

Em praça publica

ta em suplica

morte dos senhores, liberdade nossa asa

os corpos marcados a ferro em brasa

entoam unika

uruhu

amandla

lábios carnudos suada a canção

13 de maio um dia

nois decretaremos abolição!

 


 

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Conheça o trabalho desse Poeta Periférico – Site Akins Kinte

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Manifesto de Repúdio ao Racismo na PUC Campinas

O racismo é uma violência que mata, adoece, incapacita. É dever de toda instituição educacional não apenas entender mas garantir que o lugar do negro seja dentro da sala de aula como estudantes, professores e pesquisadores. Essa inclusão deve ser quantitativa e prezar pela qualidade, pela promoção de um ambiente seguro onde cada estudante negro possa desenvolver todo seu potencial acadêmico.

Negar o racismo é mais uma estratégia de manutenção do racismo. Num país como o nosso, onde o racismo é um elemento estruturante dessa sociedade, não se pode fechar os olhos para quando atitudes assim acontecem. O dever de uma instituição de ensino é promover o debate, fomentar a discussão e, acima de tudo, não ser conivente com tais práticas. Não pode incorrer em violentar duplamente quem está sendo a vítima.

Necessário e urgente perceber que a população negra vem sendo há séculos violentada e tendo seu acesso à cidadania negado por conta desse sistema ideológico que visa mantê-la à margem da sociedade. Logo, quando uma denúncia é feita, está se combatendo esse sistema e não pessoas. Pessoas que sentem ofendidas com determinadas denúncias são as mesmas que estão sendo privilegiadas há gerações por esse mesmo sistema. Questionar privilégios é o primeiro passo para se combater o racismo.

Como entender que uma instituição universitária que se diz compromissada com valores como solidariedade, compromisso social, pró atividade, responsabilidade com a formação integral da pessoa humana possa aceitar que atitudes racistas sejam repetidas vezes apresentadas por seus alunos? E, diante das denúncias deste racismo, argumentar cinicamente que aqueles que estão sendo denunciados estão se sentido prejudicados? Como essas pessoas podem se dizer ofendidas pelo fato de uma aluna negra denunciar o racismo que sofre? Por que se ofendem com a denúncia e não com o racismo que violenta? Estes são questionamentos necessários para quem diz querer combater esse mal.

Stephanie Ribeiro, mulher, negra, feminista, única estudante de Arquitetura e Urbanismo numa turma com outros 200 não negros teve sua liberdade de expressão cerceada quando seus comentários nas redes sociais sobre o racismo sofrido se tornaram conversas nos corredores da instituição. Logo em seguida, alguém e sentiu confortável o bastante para pixar em seu armário uma frase que em retrospecto parece profética – “Não ligamos para as bostas que você posta no Facebook”. Essa também tem sido a resposta própria PUC Campinas que, além de não verificar as denúncias sobre as violências a que tem sido submetida a estudante e providenciar a devida assistência agora compactua para a promoção do racismo ao retirar a jovem da sala de aula e submetê-la a uma reunião com diretores da instituição, onde foi informada de que Pais, Alunos e Professores estão se sentindo prejudicados por suas denúncias.

Racismo jamais é um mal entendido da parte de quem o sofre, a preocupação destas pessoas e da própria PUC Campinas deveria ser com a existência de tamanha violência dentro da instituição, ao invés de possuírem a necessidade de mascará-lo com o argumento de que somos todos humanos e desta forma tratados da mesma maneira.

Utilizar a desculpa de que somos todos humanos só encoberta a questão do racismo, não se pode invocar o conceito de igualdade abstrata quando na prática, o que se verifica é a desigualdade; a começar pelo número de estudantes negros e negras e do corpo docente. Apenas dizer “somos todos humanos”, é mais uma forma de manutenção de poder e das opressões, porque sabemos que socialmente uns são mais humanos do que outros. Que somos tratados desigualmente.

Negar o racismo é ser conivente com ele. Exigimos que as denúncias feitas sejam averiguadas e que Stephanie Ribeiro tenha salvaguardado seu direito de frequentar a universidade sem ser hostilizada e intimidada.

Repudiamos as atitudes racistas sofridas por Stephanie Ribeiro e consequentemente a inércia da instituição PUC Campinas ao não tomar uma atitude condizente com o enfrentamento do racismo, ser conivente com ele.

Não admitiremos que mais uma vítima seja silenciada, que mais um relato seja deslegitimado e que um crime seja tratado com a naturalidade de um sistema que cerceia direitos e violenta pessoas.  Não aceitaremos que a hegemonia branca atinja e prejudique nosso direito a uma educação digna. Exigimos que as denúncias de racismo sejam apuradas bem como a integridade física e psicológica da aluna seja garantida.

 

São Paulo, 09 de Maio de 2014

 

SUBSCREVEM ESTE DOCUMENTO

 

Blogueiras Negras – blogueirasnegras.org;

FPLP-SP – Fórum de Promotoras Legais Populares de São Paulo;

FME-SP – Fórum Municipal de Educação de São Paulo;

Mapô – Núcleo de Estudos Interdisciplinar em Raça, Gênero e Sexualidade da UNIFESP – Guarulhos;

NNUG – Núcleo Negro UNIFESP Guarulhos;

Coletivo de Mulheres da Baixada Santista;

Moce você é Racista – fb.com/ pages/Moçe-Você-É-Racista/586164718067661;

Gorda e Sapatão – gordaesapatao.com.br;

COEP – Comunidade de Olho na Escola Pública;

Coletivo Meninas Black Power;

Coletiva das Vadias de Campinas;

Machismo Chato de Cada Dia – fb.com/MachismoChatoDeCadaDia;

Blogueiras Feministas ;

APROPUCSP– Associação dos Professores da PUCSP;

Coletivo Revide;

Marcha das Vadias Curitiba;

Núcleo de Consciência Negra na USP;

Coletivo Transfeminismo;

COMULHER – Comunicação Mulher;

Núcleo de Jornalistas Afrobrasileiro do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul;

Coletivo Negrada;

Entre Luma e Frida;

Centro Acadêmico XXXI de Outubro – Escola de Enfermagem da USP;

Juventude da CONEN;

Movimento PARATOD@S/PARATODAS;

Juventude Negra do PT (JN13);

Frente Perspectiva – Mackenzie;

Juventude do PT;

Centro Acadêmico de Psicologia – PUC-Campinas;

Rede de Mulheres em Comunicação;

Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social;

LBL – Liga Brasileira de Lésbicas;

Frente Feminista da UNICAMP;

Coletivo Mulheres Negras;

Secretaria Nacional da Juventude do PT;

Coletivo Até Quando – Direito PUC Campinas;

Movimento RUA Juventude Anticapitalista;

Insurgência;

Campanha Reaja ou Será Morta , Reaja ou Será Morto ;

Quilombo Xis Ação Cultural Comunitária;

Coordenação Nacional da II Marcha Contra o Genocídio do Povo Negro;

CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras;

Kilombagem

 

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Daria um Filme …

Manifesto acerca dos Editais Afirmativos do MinC para a Juventude Negra

#BOICOTARAMMEUFILME

 

 

Nesse momento, gostaríamos de noticiar a finalização de nossos filmes, mas existe um fator real que nos impede, o RACISMO. Ele está por trás da decisão da Justiça Federal do Maranhão, que suspendeu pela segunda vez o edital Curta Afirmativo, desta vez buscando sua nulidade. Nos inscrevemos, fomos selecionados e ganhamos um prêmio que nos é negado por um simples motivo: SOMOS NEGROS.

Somos mais de 89 milhões de jovens(as) negros(as) e pardos segundo o Censo 2010 – IBGE, esse Edital é parte de uma ação promissora que busca instituir uma política afirmativa no campo da cultura e nesse caso no campo do cinema, uma vez que estamos em um País que, também, segundo o IBGE é composto por metade ou mais da metade de sua população de Negros(as) e Pardos. A anulação desse edital significaria negar o direito ao Acesso, a Produção e a Fruição Artística de um grupo majoritário na sociedade, porém minoritário no acesso a recursos no campo da Cultura e mais especificamente no cinema devido a processos históricos.

E é por isso que viemos através desta carta solicitar um imédiato posicionamento Público do MINC/ SAV (Ministério da Cultura – Secretária do Audiovisual), SEPPIR (Secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), Fundação Palmares, SNJ ( Secretária Nacional de Juventude). Como, também, solicitar a assinatura de toda sociedade nessa petição pública que pede a imediata retomada do Edital Curta Afirmativo e a anulação da Ação Popular Processo nº 11.734-81.2013.401.3700, apresentada à Justiça Federal do Maranhão pelo advogado Pedro Leonel Pinto de Carvalho.

Queremos convocar ainda todos os artistas envolvidos nos projetos aprovados e mais entidades ligadas ao Movimento Negro, Movimentos Sociais, Cineclubes, Entidades de Cinema, ABDS, entre outras entidades, para criar uma Pauta Urgente para discutir essa e outras tantas questões importantes para as artes negras.

É preciso destacar que não é somente o Edital Curta Afirmativo que está em jogo, mas sim todas as Ações Afirmativas para o campo da cultura que visam diminuir as diferenças e propiciar uma maior diversidade no acesso, na produção de bens culturais. Esta ação, portanto, pode abrir um precedente perigoso: o impedimento de novas e/ou continuidade de políticas afirmativas na cultura já existentes, especialmente no que tange a inclusão dos negros na cadeia produtiva das artes e outros segmentos da sociedade.


ENTENDA O CASO;


Em novembro de 2012, o MINC juntamente com Funarte, Fundação da Biblioteca Nacional, Secretaria do Audiovisual (SAV), Fundação Palmares, Secretária de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) lançaram alguns editais que premiariam artistas e produtores negros, cujas obras iam de exposições, a filmes, peças de teatro, publicações, livros etc. Foram destinados mais de 9 milhões ao projeto; Veja no Site do Minc.

Em 21 de Maio de 2013, a decisão do juiz federal José Carlos do Vale Madeira – Tribunal Regional Federal 1ª Região/TRF – determinou pela impugnação dos concursos, atendendo tal Ação Popular.

Na época, uma grande luta foi iniciada por diversos setores da sociedade em especial os grupos de artistas negros, produtores negros, movimentos sociais ligados, buscando a derrubada dessa ação popular. Todo o caso foi amplamente noticiado na grande mídia e nos portais especializados. Em outubro de 2013, a ação foi derrubada, dando prosseguimento a seleção dos editais. A autorização para a liberação dos recursos, porém, viria apenas em dezembro. Veja mais no Site do Uol.

Em janeiro de 2014, os proponentes do Edital Curta Afirmativo foram chamados para a contratação dos seus projetos e recebimento dos recursos. A liberação da verba estava prevista para fevereiro/março deste ano. Os contratos foram assinados, as notas de empenho decretadas, as contas bancárias foram abertas, compromissos foram firmados. Mas até o final de março, os recursos ainda não tinham sido depositados nas contas dos ganhadores. Nós, proponentes, começamos a travar uma luta quase que diária com o MinC para agilizar o processo de pagamento. Até que no dia 15 de abril de 2014, recebemos uma notificação que outra Ação Popular havia sido instaurada pela 5ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão. Com autoria do advogado Pedro Leonel Pinto de Carvalho. a medida busca a nulidade do edital. Portanto, o pagamento dos recursos foi suspendido, até o Minc recorrer da decisão.

Diferentemente do que ocorrera na primeira suspensão, contudo, essa nova decisão, até o dia 27 de março, não havia sido noticiada. E ainda paira o silêncio sobre a tramitação da ação e as providências e pronunciamentos do MinC/SAV, Fundação Palmares, SEPPIR e SNJ. Vale ressaltar que outro edital semelhante no campo do teatro é promovido pela Funarte e já teve os recursos liberados. Por que recebemos, então, esse tratamento diferenciado?

O primeiro passo para que essa decisão judicial equivocada seja revertida é que a notícia chegue ao maior número de pessoas. Por isso, pedimos que compartilhem esta carta e assinem.

 

 

curtaafirmativo

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‘Quem não pode falar escreve’

Nascido e criado na zona sul, quando pequeno dizia que queria ser engenheiro; o pai achava a profissão bonita, o filho mal conseguiu terminar o segundo colegial, tinha que ajudar nas despesas de casa. Namorou com a mesma menina por dois anos, mas ela não viu futuro – a casa dos pais dele, de dois cômodos, não dava pra subir laje. Somente seis meses depois de terminar o curso, Marcos conseguiu emprego numa contabilidade.

Depois de trabalhar por 23 anos como empregada doméstica a tia de Marcos havia comprado um carro, e graças a Marcos ia deixar de pegar ônibus toda sexta para voltar do serviço, onde passava toda a semana limpando a casa e cozinhando. Marcos seria seu motorista. Em contrapartida, pagou o curso para o sobrinho, e deixava o carro a semana toda com ele. Os vizinhos comentavam que o rapaz, agora andando de social e com o carro, teria um futuro na vida, que finalmente alguém daquela comunidade havia vencido.

Marcos parou naquela sexta-feira no mercadinho. Sempre sorridente, cumprimentou todos e foi comprar uma cera. Deixaria o carro brilhando como a tia gostava, para ir buscá-la.

Entrou no carro com o pacote, ligou na Antena 1, sua rádio preferida, as músicas o deixavam calmo no intenso trânsito. Colocou o cinto de segurança e viu a viatura da Polícia Militar parar. Logo foi pego pelo colarinho e arrastado para fora do carro. Tentou falar, mas a voz do policial militar sobrepôs a sua.

– Ladrão de carro filho da puta.

– O carro é da minha tia –, tentava falar enquanto outro policial jogou ele atrás do carro e pisou em sua cabeça. Marcos olhava para o sapato, estilo social que nem o seu, algo pensado no novo uniforme da PM para dar aspecto de menos hostilidade, como antes tinha a antiga farda e o coturno. Polícia comunitária, um termo bonito, mas o sapato estava na cabeça de Marcos, a mão direita na água suja que descia pelo canto do calçada.

A mãe de Marcos vendo a cena chegou perto e convenceu os policiais, explicando a origem do carro. Marcos se levantou, a cabeça suja de terra, os olhares dos vizinhos. Não teve ódio, nem sequer ficou revoltado. Chegou no seu barraco, olhou para a camisa toda suja, uma das três que tinha para ir trabalhar, ajoelhou em frente à estátua de Nossa Senhora Aparecida e agradeceu por estar vivo.

Três horas depois disso, 15 homens estavam sendo revistados num bar no Jardim Rosana. Os policiais chegaram de repente, miraram os revólveres, nem o dono do bar escapou da revista. Terminaram o enquadro, entraram nas viaturas e disseram:

– Boa noite, fiquem com Deus.

As conversas foram retomadas no bar, um deles falava sobre os ganhadores da Mega Sena, outro falou que ia tomar a saideira, a patroa em casa já devia estar nervosa, um que voltava do banheiro ria dos que haviam sido abordados, dessa ele tinha escapado.

Os minutos se passaram, mais duas cervejas foram pedidas, a conversa agora foi para o Corinthians abalando o Japão. Mais alguns minutos, a rua quieta, só as conversas no bar. Foi quando se fez a matemática perversa, 14 homens encapuzados, olhos arregalados, uma cadeira cai no chão, a vizinha ouve barulhos, deve ser bomba de comemoração. Catorze braços atiram em quem estava dentro do bar, nove são baleados, sete morrem, a conversa acaba. O cheiro de pólvora domina todo o ambiente, o dono do bar se arrasta com um ferimento na perna.

Quando chamei meus amigos no sábado de manhã para encaixotar livros e fazer a pintura na ONG Interferência, não imaginávamos que horas depois estaríamos num cemitério.

O coveiro chega perto do Evandro e diz:

– Você aqui de novo, cara! É a terceira vez que te vejo essa semana.

Evandro fica sem graça, vai comprar uma água, realmente não queria voltar ali, mais um amigo para enterrar.

O muro do lado do bar onde aconteceu a primeira chacina do ano estava pichado. Quem não pode falar escreve. “Unidos venceremos as batalhas da vida”. Versos do rapper que acabou de lançar o primeiro CD, depois de muitos anos de batalha, o mesmo rapaz que tem um avô chamado Lino, uma esposa chamada Raiane, um filho chamado Ryan e uma mãe chamada Lilian.

Um verso de esperança de um jovem que não sabia que por estar num bar sua vida estaria atrelada à primeira chacina do ano.

“Nunca desista nem se sinta inferior, seja forte, seja nobre, um guerreiro lutador”. Letra do grupo de rap do DJ Lah, também presente no bar, o último lugar em que estaria com vida. A pressão pra fazer algo é grande, nem sempre externa, mas o dono da padaria pergunta se não vamos fazer nada, a mãe de um amigo me para na rua e diz:

– Não somos animais, não somos ratos para morrer assim.

O estudante que tem que voltar para casa após 11 da noite não sabe como vai fazer, a mãe fica acordada todos os dias com medo de o filho não regressar; o cozinheiro do restaurante fino trabalha a noite toda, a mulher pediu para ele dormir por lá para evitar o pior. A conversa saiu do meio comum, um enterro cheio de gente igual, sofredora, onde a conversa principal é como vamos sair de casa de hoje em diante.

Pressionar politicamente parecia ser o caminho, mas tal deputado num atende, tal vereador tá de férias, não se convive com quem toma decisões, estão todos longe daqui, quem mora aqui sabe o tamanho do risco, mas muitos também assistiram O Pianista.

Nunca em minha existência aqui tinha visto tantas pessoas comuns revoltadas, esse não é o mesmo País que anunciam na televisão. O que ninguém pensa é que, infelizmente, isso tem mão dupla, porque quem sai pro crime sai mais violento.

O morador de periferia hoje se sente desamparado, tem sua liberdade estrangulada, cerceada. Sem Sesc, centro cultural ou casa de cultura nas favelas, a antessala de estar de todo mundo é o bar.

O cidadão comum que levanta quando é escuro, que cuida do ensino da elite e não tem uma escola de qualidade para seu filho, que faz a comida deles, cuida de sua segurança, e não tem segurança onde mora, não quer morte – nem de farda nem de bombeta.

A segurança individual está em segundo plano perante a morte sistemática de inocentes. Quem vai gritar se as vítimas forem do crime? Quem vai meter a cara? Foram 24 chacinas, e se só algumas das 80 vítimas têm passagem, a tendência é menosprezar o ocorrido, fica legitimado o ato.

A periferia da década de 1980 teve grandes mudanças. No caso das chacinas, o modus operandi mudou. A periferia, com suas casas na maioria de madeira, tinha pavor dos grupos chamados de pés de pato. Hoje, associam essas ocorrências ao único representante do Estado presente aqui, a Polícia Militar. É proposital, oprimir sensação de terror, está dando certo, as mães cabisbaixas, sete enterros, três da mesma rua, o filho chorando na beira do caixão, o repórter que chama a gente no canto:

– Pô, as pessoas acusam a imprensa, mas quando chego nas chacinas, vou fazer a matéria, a primeira coisa é ser abordado. A polícia pede meus documentos. Cara, depois do que aconteceu com o (André) Caramante (repórter policial da Folha de S. Paulo que teve que sair do País após ser ameaçado por simpatizantes da Rota, a tropa de elite da PM paulista) a gente tá com medo também.

Eu entendo o repórter, de uma chacina para outra, da leste pra sul. Olho sua mochila, calça larga, cara de cansado, na faculdade não falaram que ia ser assim.

A solução agora não é só a investigação, mas a emergência é pela não repetição. A questão policial também é cultural, desde a abordagem até o jeito que tratam a comunidade e, por consequência, são tratados.

Quantas vidas podem ser salvas se procurarmos soluções reais, não tapa-buracos. Ajudaria se o discurso não fosse vago, se a certeza da impunidade não fosse tão presente. Um discurso articulado do secretário de Segurança pode ser o início, real empenho na solução das mortes pode brecar algo que pode tomar proporções irreversíveis.

Saímos do Cemitério Jesuíta, calças largas, bonés, frases das letras de rap na camisa, hoje somos o tema das letras, a canção será mais triste quando for ouvida, e quando íamos cruzar a avenida, mais um enquadro, todo mundo na parede.

Um ônibus para, algumas pessoas que estavam no enterro descem, a polícia teme, o povo avança, um dos rappers está sendo revistado, um menino chega perto do policial, olha pro alto, bem nos seus olhos, o policial nota os olhos úmidos, o menino diz.

– Acabamos de vir do enterro, vocês não respeitam nada?

*FERRÉZ, ESCRITOR E ROTEIRISTA, É AUTOR DE CAPÃO PECADO, MANUAL PRÁTICO DO ÓDIO E NINGUÉM É INOCENTE EM SÃO PAULO (OBJETIVA) E DEUS FOI ALMOÇAR (PLANETA)

Para autor de Capão Pecado, as recentes chacinas levam ao limite a situação na periferia paulista: ‘Esse não é o mesmo País que anunciam na televisão’

Fonte; O Estado de São Paulo

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Africanidades – Núcleo de Pesquisa e Educação para as Relações Raciais

O GT Africanidades surgiu inicialmente como Núcleo de Pesquisa e Educação para as Relações Raciais, em fevereiro de 2011, criado por alguns membros do Grupo Kilombagem, com a participação de outros interessados na promoção de produções teóricas e difusão de conhecimentos referentes à educação das relações raciais visando contribuir para implementação da lei 10.639/03.  No final de 2011, o núcleo e o Kilombagem passaram a ser uma mesma organização com a divisão em três grupos de trabalho, a saber: Trabalho, Arte e Africanidades.

O GT Africanidades, ainda como núcleo de pesquisa do Kilombagem, realizou de maio a agosto de 2011 um curso de formação e capacitação de educadores sociais para a implementação da Lei 10.639/03, com aula inaugural no auditório da Câmara Municipal e mais 14 aulas na Escola Estadual Dr. Américo Brasiliense, ambos no centro de Santo André. Este curso contou com participação de estudantes, professores, militantes, trabalhadores de diferentes áreas e foi ministrado por integrantes do núcleo e alguns professores convidados, trazendo como principais discussões, História Geral da África e do negro no Brasil, a contribuição dos africanos para o desenvolvimento humano universal, racismo, colonialismo e neocolonialismo; as lutas negras no continente africano e na diáspora, cultura negra e resistência social.

O movimento negro tem contribuído para a reflexão sobre as desigualdades raciais no país. O sistema público de ensino por sua vez é apontado como espaço de reprodução destas desigualdades quando se abstém em mergulhar nesta temática, contribuindo para a invisibilidade da cultura negra, da sua contribuição para o processo civilizatório culminando na naturalização do racismo existente. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais (IBGE, 2010), a disparidade entre negros e brancos nos comprova que o racismo produz consequências perversas no que tange à educação, o que se reflete também no mercado de trabalho, na renda e em outros indicadores sociais.

Neste ínterim, a lei federal 10.639/2003 tornou obrigatório, no Ensino Fundamental e Médio, o ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras e Africanas, no entanto, o pequeno espaço destinado a este tema nos círculos acadêmicos inviabiliza sua implementação mesmo passados 9 anos de sua assinatura. Os poucos professores que se apresentam sensibilizados não contam com respaldo institucional para abordarem o tema. Outra dificuldade que o GT identifica é a falta ou o pouco interesse das instituições acadêmicas em capacitar os novos profissionais, e principalmente apoiar pesquisas que tenham como foco as relações raciais.

O resultado disto é que o sistema público de educação, salvo raras e heroicas iniciativas isoladas, ainda está imune às prerrogativas de uma lei criada com o intuito de promover uma educação não racista e inclusiva. O sistema público de ensino ainda segue reproduzindo os mais diversos preconceitos e confusões epistemológicas criadas no contexto da colonização.

Neste itinerário, assumimos a tarefa de potencializarmo-nos individualmente e enquanto grupo para o enfrentamento desta conjuntura, a partir de nossa inserção em espaços considerados estratégicos, como o acadêmico, articulando iniciativas políticas e de apoio ao combate do racismo.

Para este ano de 2012, temos como meta a socialização dos projetos de pesquisa individuais, um ciclo formativo, com os eixos temáticos: África e Africanidade, Racismo e Capitalismo, Cultura Negra e Resistência e Educação e Africanidades e será discutida uma estratégia de devolutiva do curso oferecido em 2011.

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O Trabalho – Grupo de Estudos sobre Economia, política e sociedade

O modo de produção capitalista se aperfeiçoou ao ponto de se tornar insuperável? Não é mais possível uma revolução social? Seremos obrigados a concordar que a história chegou a seu fim?

Para responder a estas e outras perguntas, vimos a necessidade de limpar o terreno da produção teórica atual, impregnada de irracionalismos e vulgarizações de toda ordem, à busca da apreensão, o mais correta possível, da lógica do mundo. Não se trata de estudar por estudar, mas sim, buscar identificar na própria realidade vivida as possibilidades de transformação social que priorizem os trabalhadores e não a lógica macabra do Capital.

Esta empreitada exige grandes esforços e movimentações diversas que vão muito além de um simples grupo de estudos… é a práxis efetivamente transformadora (revolucionária) que se objetiva aqui, mas por hora, mantendo firmes os pés no chão, tal qual um samba de côco, nos propomos a contribuir para a consolidação de um corpo teórico sólido, que ajude a caminharmos (e porque não sambarmos) conscientemente este complexo “terreiro” do “concreto”.

Nessa caminhada, identificamos no debate da Ontologia, ciência essa que vai em busca do por si das coisas – do que o mundo é – , uma excelente norteadora para entendermos as linhas gerais do ser social. Por conseguinte, não é uma tarefa fácil, já que para tal, teremos de percorrer toda história da filosofia, sob o prisma de como os filósofos responderam à questão de como se conhece, apreende, um mundo em constante movimento – transformação.

Porém, não partimos para esse campo de batalha de guarda aberta, ou munidos de um prisma desfocado; mas a partir das contribuições do grande Karl Marx, e de alguns “dragões” semeados e colhidos com o desenrolar da história, como Lenin, Lukacs, Frantz Fanon, Amilcar Cabral, Samora Machel, Angela Davis, Amilton Cardoso, Heleit Safiotti, Clóvis Moura e tantos outros, . Dessa forma, resta-nos parafrasear novamente o mestre Candeia quando o mesmo nos canta: “”Mora na filosofia / “Morô” Maria? / “Morô” Maria?””. Para uma ação revolucionária do conhecimento do mundo.

Este Grupo de Estudos tem como principal objetivo o estudo da sociedade contemporânea a partir da perspectiva do trabalho, e para tal, desenvolve grupos de estudos a respeito dos seguintes temas:

  • Ontologia
  • Capital e Capitalismo
  • Capitalismo, Machismo e Racismo
  • Reestruturação produtiva e Capitalismo contemporâneo
  • Movimentos Sociais
  • Teoria da transição
  • Humanismo X Irracionalismo Pós-moderno
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O Futuro da Música Depois da Morte do CD

Calma, não sou eu que acredito que o CD está prestes a acabar e creio que o sociológo Sérgio Amadeu e o jornalista cultural Irineu Franco Perpétuo também não estão totalmente convencidos disso apesar de terem dado o título O Futuro da Música Depois da Morte do CD ao livro que organizaram e foi recentemente disponibilizado gratuitamente online em formato PDF segundo licença Creative Commons BY-NC 2.5.

Introdução

Eu não tenho informação exata sobre o que aconteceu com as vendas de máquinas de escrever quando os computadores começaram a se disseminar pelo planeta, mas imagino que seus números contariam uma história muito similar às cifras de negociação de CDs que andaram me caindo nas mãos ultimamente.

Os dados mais recentes da ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Discos) são de 2007 e mostram um encolhimento, quer no valor (­31,2%), quer no número de unidades (­17,2%) de Cds+DVDs comercializados no país. Conforme se pode ser facilmente conferido no site da entidade (http://www.abpd.org.br), o encolhimento vem sendo constante desde 2004: de 66 milhões de unidades vendidas naquele ano, o número se reduziu progressivamente para 52,9 milhões (2005) e 37,7 milhões (2006), até chegar à cifra atual, de 31,3 milhões.

Internacionalmente, os números não são mais auspiciosos para os grandes negociantes de discos. Dados da IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica) mostram que, em 2007, os únicos dentre os 20% principais mercados fonográficos do planeta a crescimento foram Índia (12%) e África do Sul (2%). Líderes, os EUA encolheram 9%; o Reino Unido, em terceiro, diminuiu 13%; na França e na Itália, a redução foi de 17%, e chegou a 20% na Espanha.

O que teria acontecido? Será que, de uma hora para a outra, ternos-iamos tornado todos insensíveis aos encantos de Euterpe e decidimos, subitamente, adotar um estilo de vida sem sons? Ou havernos-íamos subitamente convertido em uma sociedade de puristas, a rejeitar peremptoriamente o som gravado, visto como um simulacro, para nos concentrarmos apenas na “coisa em si”, a performance musical ao vivo?

Bem, talvez não seja nada disso, e estejamos simplesmente vivenciando uma troca de paradigma não na audição, mas na distribuição do som gravado. Fala-se muito no crescimento das vendas de música digital; porém, o que parece estar em questão, aqui, é menos o CD como suporte físico do que sua condição de protagonista e sujeito único da difusão de música no planeta. É nesse sentido que nos soa legítimo falar na “morte” do CD.

Porque talvez não estejamos simplesmente diante de mais um período de substituição de formatos, em que o CD, depois de tomar a primazia do vinil, estaria cedendo seu lugar ao, digamos, MP3. O cenário atual parece consideravelmente mais complexo, colocando em xeque o próprio paradigma de circulação global de bens culturais.

Pois, se, com o CD, digitalizou-se o som gravado, hoje em dia, é todo o acervo cultural da humanidade que se encontra em vias de estar digitalizado, na internet. No livro O Museu Imaginário, publicado em 1947, o escritor francês André Malraux celebra um fato que, para nós, hoje parece banal, mas, naquela época, constituía inovação técnica nada desprezível: o livro de arte, a oferecer a qualquer um, seja ele estudante ou simplesmente um leigo interessado, o acesso a uma gama de obras maior do que o acervo de qualquer museu – e jamais disponível anteriormente na História. Se, no séc. XIX, um gênio como Baudelaire teorizava sobre estética sem jamais ter tido a oportunidade de ver as obras primas de El Greco, de Michelangelo ou de Goya, graças às reproduções presentes nos livros de arte, esses grandes nomes de repente estavam à disposição de todos. Abria-se, assim, um enorme Museu Imaginário, no qual era possível comparar, refletir, confrontar e (suspeito que Malraux só não usou o termo porque ele ainda não existia) remixar as criações que formam o cânone artístico da Humanidade.

Se o livro de Malraux trata apenas das artes plásticas, as ferramentas da cultura digital permitem que se fale de um Museu Imaginário em todas as áreas da criação artística. As novas tecnologias tornam possível o armazenamento, acesso e compartilhamento do Museu Imaginário das artes plásticas, do cinema, da literatura – e da música.

A pergunta é se o acesso a esse museu será franco e irrestrito, ou se os velhos mercadores de CDs irão se converter em seus porteiros, cobrando a quantia que lhes der na telha pelo bilhete de acesso.

Irineu Franco Perpetuo
Sergio Amadeu da Silveira
(Orgs.)

PERPETUO; SILVEIRA – O Futuro Da Musica Depois Da Morte Do CD

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O Futuro da Música Depois da Morte do CD

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Download – Universo Preto Paralelo

 

Universo Preto Paralelo é o nome do primeiro trabalho de Bá Kimbuta. Um álbum com uma sonoridade incrível. Jazz, dub, samba, hip-hop, funk, afrobeat, entre outros sons, se fundem a voz marcante de Ba Kimbuta, servindo de pano de fundo para poesias fortes, que se aproximam do impacto de um soco no estômago. Racismo, machismo e luta de classes são temas recorrentes que, com o peso do som, deixam um nó na garganta de quem acredita de que não há mais espaço para a luta no Hip-Hop. Nas palavras do próprio Ba Kimbuta, é paralelo porque “a dimensão aqui é diferente.. é paralelo porque esconderam de nós a força do candomblé, a mandinga da capoeira, o gingado do samba. Só sobrou álcool e bebedeira. Esconderam de nós a contribuição que a África deu ao mundo antes dos Gregos no campo da filosofia, na matemática, na medicina…”

Confere aí:

 

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Universo Preto Paralelo

Fruto do hip-hop e da luta negra que conheceu na metade dos anos 1990, com a banda Uafro, Bá Kimbuta usa sua formação como percussionista, compositor e militante para espalhar sua mensagem.  O polivalente MC lançou recentemente o disco “Universo Preto Paralelo”, álbum que merece atenção pela ousadia instrumental e  temática política. No dia 30 de junho (sábado), às 21h, Bá Kimbuta apresentará as músicas de seu novo disco no Teatro Clara Nunes, no centro de Diadema (SP). O CHH trocou uma ideia forte com o MC. Abaixo, leia a íntegra da entrevista.

 

Central Hip-Hop (CHH): Bá Kimbuta por Bá Kimbuta…
Ba Kimbuta: Bá Kimbuta é um homen preto, fruto do movimento hip-hop e negro, que atua nas periferias de São Paulo e ABC enquanto militante, e utiliza a música como arma. É pai de três filhos: Kaique, Ayan e Luanda. Está em busca do conhecimento e da emancipação humana.

CHH: Pegando essa questão de ser homem preto, quando essa consciência veio à tona?
Ba Kimbuta: Em 1996iniciei no hip-hop através de uma banda chamada Uafro. Nesta época, já observava as mazelas que o Estado, o colonialismo e capitalismo tinham deixado como herança. Percebemos porque os malucos envolvidos com o álcool e tráfico eram pessoas pretas, as empregadas domésticas eram pretas, quem morava amontoado e de qualquer forma eram os pretos. Aí, quando montamos a posse NegroAtividades e tivemos contato com as questões políticas e raciais. Só tivemos a certeza de que era uma questão histórica e estava ligada a África.

CHH: E a Uafro? A construção musical da banda é impactante. Como chegaram a esse formato e por que não saiu um disco?
Ba Kimbuta: Uafro passou por uma transformação musical quando deixamos de fazer no formato DJ e MCs e começamos a introduzir elementos sonoros alternativos, tipo cano de pvc, tocar em latão mesclando cantos africanos…Só podemos ter essa sensibilidade quando nos aproximamos de nossa história. O Robson Dio teve a percepção e um olhar mais profundo sobre nossa história, e precisava ir além dos toca-discos.

O contexto politizado estava ganhando corpo, estávamos conhecendo Malcom X. Na época, as posses eram muito fortes, estavámos cheios de gás e os movimentos sociais ainda não eram ONGs. Estávamos em outro cenario politico: Era foda!!! O disco não saiu porque tivemos pontos de vista diferentes sobre esse aspecto de como trabalhar a informação e ela não virar só um produto. Então deixamos no gelo, mas a Uafro está viva, existe a possibilidade de voltar.

CHH: Ouvindo seu trabalho, percebe-se o teor afrocentrado. É viável ser afroncetrado no rap?
Ba Kimbuta: O disco vai além da questão racial, apesar de ser o foco. Tentei trazer coisas do cotidiano, como a vivência no albergue, a questão de gênero em “Marias”, por exemplo. Mas a minha história é essa, não teria que ser diferente por fazer um disco de rap misturado com outras vertentes. Minha vida está ligada nessa vertente africana, na questão de como a parada foi organizada pra nós, como se desenrolou nossa sobrevivência depois da escravidão.

Então meu som é isso, mas penso que não podemos nos limitar, temos que nos apropiar de um todo, não ficar só no específico. Temos que discutir economia, que está na mão dos boys, educação, reforma agrária. divisão de terra, a violência contra as mulheres e tudo mais, sem perder o foco no específico.

CHH: Um dos discursos que andam em voga é este: falar o que você pensa está esgotado, é estar numa “amarra” que atrasou o rap nacional. O que pensa sobre isso?
Ba Kimbuta: Penso que existe vários equívocos. Se alguém afirmar que não existe mais racismo no Brasil, eu pediria para provar, pediria pra provar porque morremos mais, trabalhamos mais e ganhamos menos. Estamos sendo exterminados pela policia  e trocando tiros entre nós pra adquirir o que a burguesia consome e de uma forma muito mais violenta. Eu falo dessas paradas. Enquanto isso, o governo vende uma ideia de nova classe média e quem compra um carro do ano e uma TV de plasma está enquadrado nesse perfil.

CHH: E o CD “Universo Preto Paralelo”? Como foi concebido?
Ba Kimbuta: Na banda Uafro, teve uma época que o Raphão Alaafin fez parte e somou demais. Inovou com métrica, ideias e rimas. Como ele é produtor também – tinha acabado de lançar o EP “Amostra com Um Resultado Satisfatório”  – ele começou por pilha pra gente fazer um disco meu, com participações. Então planejamos reunir umas músicas e poesias e comecei a gostar da proposta. Era pra ser só umas cinco faixas, mas foi ganhando corpo e vida. Aí vai florindo, nascendo ideias novas, quando vi estava com 18 faixas.

O disco foi gravado no estudio N, com o Nefasto, depois finalizado no estúdio Casa, com DJ Crick.  “Universo Preto Paralelo” traz algumas participações que considero importante, como Denna Hill, Robson Dio, o Próprio Raphão, James Banto, GG, do Caos do Subúrbio, e Cristina Silva. Não considero um trabalho solo, pois, sozinho, eu não teria conseguido colocar na rua.  Várias pessoas estão envolvidas. Sem elas não teria rolado, como Axé Produções, Kilombagem, Samba de Terreiro, Usina Preta, Fórum de Hip-Hop do ABC e várias pessoas que somam.

CHH: E como está sendo a repercussão?
Ba Kimbuta:  Estou bem contente. Conseguimos fechar dois lançamentos pesados: um no Quilombaque, em Perus, com um puta axé e identificação das pessoas. A capa é de Leadro Valquer, um poeta, músico e artista plástico que deu uma contribuição monstro, junto com o olhar de Edson Ike que fechou a arte gráfica de uma forma fina, cheia de qualidade. As pessoas estão reconhecendo isso, porém algumas polêmicas já começam a  aparecer. Tipo: será que ele quer montar uma República Preta? O que ele está querendo? Com certeza irão aparecer várias críticas, também acho importante. Estou aberto pra recebê-las, desde que tenham contexto.

Aqui sempre foi um problema os pretos se afirmarem. Isso incomoda, pois não tem massagem, nós não criamos isso, já nascemos nisso. Estamos falando de ter acesso, de comer bem, viver bem, ter qualidade de ensino para nossos filhos, ser respeitado. Se eu optar ser de uma religião de matriz africana, parar de tomar tapa na cara de policial: ele não pede licença pra entrar na favela, chuta sua porta. Por que não falar, não denunciar? É isso, acho que minha arte é pra isso: formar opinião, mas to ligado que inimigo é de graça! Sei que isso tem um preço!

CHH: O que você vê na cena atual que te agrade e desagrada?
Ba Kimbuta: Bem, é preciso entender  o cenário do movimento como um todo. Consigo ver os saraus como extensão do movimento, pois estão ligados a poesia e, também, uma grande parte dos grupos de rap encontra espaço para recitar seus versos e suas  letras. Esse espaço possibilita o contato com a literatura. Isso é cabuloso num país onde as pessoas – inclusive eu –  não são educadas para ler, mas vejo que são várias articulações e eventos espalhados nas quebradas, incluindo todos os elementos, porém a visibilidade é menor que antes.

As coisas mudaram bastante, a relação com a tecnologia e o virtual é importante, mas se não tomar cuidado, distancia as pessoas. Também precisamos estar mais próximos um do outro, essa correria pela sobrevivência nos afasta bastante. Em relação aos grupos que estão na grande mídia, vejo varios ângulos positivos por exemplo:  Emicida é um cara que traz vários questionamentos e ideias de uma forma contundente, não tão direto, mas comunica demais. Ele trouxe inovação na métrica e conseguiu expandir rapidamente.

Não podemos cometer o equívoco em dizer que os caras que estão chegando agora são artistas que estão no corre uma cota, passando os mesmos perreios pra fazer o som chegar. Também não podemos deixar de fazer uma crítica construtiva sobre alguns grupos que estouraram agora: eles não representam mais uma ameaça e ainda cometem a besteira de dizer que estamos ultrapassados  por citar as atrocidades  que o capitalismo nos deixou.

CHH:  O que anda ouvindo?
Ba Kimbuta: Escuto várias vertentes da música negra. Gosto de Djavam, Cartola, Ivone lara, Candeia Mestre, escuto bastante MidNite, Erykah Badu, Dead Prez, Morodo, GOG, Versão Popular, Criolo, Emicida, Elen Oléria, Curtis Mayfield,  Baden Powell, Jill Scott, Bezerra da Silva, Raphão, Qi Alforria, Marechal e ai  vai …

CHH: O que pretende fazer depois deste CD?
Ba Kimbuta:  Fizemos dois lançamentos bem sucedidos um no Quilombaque, em Perus, e outro no espaço cultural Gambalaia. Temos o lançamento do videoclipe da música “Tenta me catar” fechado para o dia 25 de julho. No Sesc Santo André, onde somos convidados do Sarau da Ademar, através de uma irmã nossa chamada Lids, que está somando com a gente de varias formas. Passando essa fase de lançamentos, pretendemos rodar os saraus em São Paulo, fazer mais um lançamento na Bahia, em outubro, e tem uma possibilidade de irmos para o Haiti, no começo do ano que vem.

CHH: Deixe um recado para os leitores do Central Hip Hop.
Ba Kimbuta: Gostaria de agradecer todas as pessoas envolvidas no projeto que não são poucas. Um salve para a Axé Produções e ao Quilombagem, que me fortalece. Quero dizer que se falo sobre desigualdade social, racismo, violência contra a mulher, e extermínio de uma juventude preta, é porque vejo sinto e vivo isso. Nossos motivos pra lutar ainda são os mesmos e não me peça para amenizar,  minha luta é com causa e coletiva, esse disco não é solo é coletivo, solo é a terra. O foco, o desafio é se apropriar do conhecimento para fazer uma arte com musicalidade emoção e técnica, sem deixar possibilidade de revanche para o opressor!

 

 Confira e faça o Donwload do Cd Universo Preto Paralelo

Fonte; http://bakimbuta.wordpress.com/

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‘A lei de direito autoral privilegia o intermediário, não o artista’, diz Sérgio Branco

Por @brunogalo e @livia_wachowiak

Sérgio Branco é advogado especializado em propriedade intelectual. Dá aulas na FGV do Rio de Janeiro e recentemente escreveu o livro ‘Direitos autorais’, que trata o conceito de direito autoral e de pirataria desde seus primórdios até os dias de hoje. Sérgio foi nosso vigésimo entrevistado.

* divulgação

Eu tinha um professor que dizia que crise existe quando o velho não existe mais e o novo não existe ainda. E eu fico pensando sobre isso e acho que a gente vive mesmo um momento de crise no direito autoral atual porque as leis que existiam antes não são mais capazes de dar conta de todos problemas que vieram com a internet. Hoje em dia, a lei de direito autoral privilegia o intermediário, não o artista“, disse em entrevista feita por telefone.

“Isso tem sido muito, muito discutido [lei para enquadrar troca de arquivos como crime]. Há quem queira ver no código penal atual, no artigo 184, uma criminalização para este tipo de conduta. Eu acho esse tipo de interpretação absurda porque se a gente entende que compartilhamento de arquivos é uma conduta ilícita no âmbito penal, então o Brasil inteiro está cometendo crime. É absurdo a gente achar que todo mundo que compartilha arquivo merece ser processado criminalmente. Mas, há quem defenda isso”.

Eu acho que a gente está vivendo uma onda de recrudescimento, de tentativa de tornar os direitos autorais mais controlados e não mais flexíveis. É só ver o prazo [de duração dos direitos autorais]: ao longo do século XX, os EUA o aumentou inúmeras vezes. Pela Convenção de Berna , o prazo padrão precisa ser de pelo menos 50 anos depois da morte do autor”. Hoje, o Brasil dá 70 anos, a Comunidade Europeia dá 70, o México dá 100 anos. É regra geral: a vida do autor mais este período, exceto para obras fotográficas e audiovisuais”.

“A Lei de Direitos Autorais de 1973, que vigorou até 1998, permitia uma cópia integral de cada obra. Então quando a gente copiava um LP em fita cassete, podia fazer isso, não tinha problema nenhum. Até 1998 isso foi permitido e não havia maiores questionamentos sobre direito autoral porque a internet não era como é hoje. Era muito menos dinâmica, muito menos comunitária, ou passível de compartilhamento informal. A rede traz o direito autoral para o centro da discussão e a lei dá um passo para trás e proíbe a cópia integral, permitindo só a cópia de pequenos trechos e, paralelamente a isso, a tecnologia permite cópias cada vez melhores, com mais facilidades, cada vez mais baratas. E aí sim o direito autoral se torna importante porque diante da internet todos nós copiamos, modificamos, publicamos, divulgamos nossos textos, nossas fotos, nossos filmes, nossas músicas. O direito autoral, que era um direito marginal, passa a ser um direito central na vida de todo mundo”.

“A internet acaba gerando dois efeitos opostos: como é muito fácil copiar, a sociedade quer ter acesso, mas os titulares de direito querem proteger os produtos cada vez mais. Para isso, eles começam a processar, a ideia de criar uma política do medo, de repressão: processar para dar exemplo. E já se viu que nos EUA não adiantou nada, podia processar quem fosse, as pessoas continuaram baixando música, copiando tudo, não mudou o comportamento da sociedade e acho muito difícil mudar. Acho que o embate vai continuar existindo”.

“Hoje nós, sem dúvida, temos um problema legislativo e também um administrativo, há um problema de modelo de negócio. E mudar uma lei é muito mais difícil que mudar o modelo de negócio. A lei precisa do Congresso disposto a mudar, precisa enfrentar lobby da indústria editorial, cinematográfica, musical, então mudar uma lei é muito difícil. É mais fácil mudar o modelo de negócio. Então, nós tivemos uma crise dos dois lados só que a indústria conseguiria resolver um deles, que é o que está ao alcance dela”.

O direito autoral existe, teoricamente, para financiar o autor, para remunerá-lo e gerar um incentivo para ele continuar criando. O prazo de 70 anos não serve para estimular o autor porque ele terá morrido quando esse período começar a valer. Isso, acaba gerando um direito para os herdeiros, que muitas vezes, é um direito mal utilizado porque enquanto a obra não cai em domínio público ninguém pode fazer uso dela. Se os herdeiros se recusam a republicar a obra, por exemplo, ela fica fora do alcance da sociedade. Então é um prazo absurdo que só interessa aos intermediários e não aos autores. Quando aumentaram o prazo do Mickey (os direitos do ratinho venceriam em 1998 e agora vão até 2023) carregaram junto toda a cultura dos anos 30, que entraria em domínio público”. É que não dá para a lei ser específica e dizer: ‘olha, só o Mickey que não vai cair em domínio público’. A lei é abstrata e aí se carrega toda a cultura e, nisso, vai música que está sendo esquecida, película de filme sendo destruída, vai junto uma série de obras que não têm mais valor econômicos, mas que poderiam ser reaproveitadas em outras obras e isso é retirado da sociedade”.

“A internet fez as pessoas repensarem os direitos autorais. Há uma série de dificuldades na aplicação da lei que não haviam antes. Acho que o Creative Commons é uma das possíveis soluções e não é definitiva porque adere ao CC quem quer. De toda forma, acho que a lei vai continuar existindo, mas acho que é preciso repensá-la. Os direitos autorais não morrem, só devem ser repensados. A discussão em torno da lei sempre foi feita, o direito autoral na antiguidade era um, na época da prensa de Gutemberg teve que mudar, no século XX teve que mudar de novo, e agora no século XXI vai ter que mudar outra vez”.

“[o projeto de lei para desconectar usuários] é um absurdo, isso viola a privacidade do consumidor. E o compartilhamento pode ter usos totalmente lícitos. Também não há nenhum estudo que comprove, terminantemente, que o compartilhamento de arquivos é algo prejudicial. Outro problema, pode existir uma finalidade para aquela cópia: é com fim didático? é para dar aula? é para dar aula de quê forma, para quem? usar em asilo? Esses usos não são previstos pela nossa lei, mas se a gente faz uma interpretação em conjunto com outra, a gente pode chegar a essas conclusões. Alguns usos deveriam ser permitidos, então simplesmente desconectar uma pessoa é infringir direitos que essa pessoa tem”.

Fonte; https://culturanaeradigital.wordpress.com/tag/direito-autoral/

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História e Cultura Afrobrasileira

O II Curso Negro KILOMBAGEM, objetiva capacitar professores, educadores, estudantes, pesquisadores, gestores, ativistas, e interessados em geral, para abordagem dos conteúdos propostos pela lei 10.639/03 (atual 11.645/08), que institui a obrigatoriedade da temática de História e Cultura Afro-Brasileira na rede de ensino.

Ementa

As diretrizes curriculares para a implementação da Lei 10.639/03, história geral da África e do negro no Brasil; a contribuição dos africanos para o desenvolvimento humano universal; Racismo, colonialismo e neo-colonialismo; As lutas negras no continente africano e diáspora; cultura negra e resistência social.

Objetivos específicos

 Apresentar estratégias de implementação para a lei 10.639/03 (atual 11.645/08);
 Ampliar conhecimento sobre os conceitos de Raça, Racismo, Preconceito e Cultura Afro-brasileira;
 Discutir as contribuições africanas para o desenvolvimento humano universal;
 Apresentar e discutir os elementos pedagógicos da cultura negra como expressão de resistência social.

Arte: Qual é o seu espaço na vida?

Qual a necessidade da arte na vida das pessoas? Quais os critérios de consideração de uma grande arte? Qual a função da arte dentro do modo de produção capitalista?

Para buscar responder a estas e outras questões, surge o grupo de Artes do Grupo KILOMBAGEM. Composto por trabalhadores de distintos seguimentos, inseridos em manifestações artísticas, a proposta é de que os estudos referentes à arte em geral, auxilie os participantes a terem como norte a produção de grandes obras, dentro dos campos artísticos em que estão inseridos: o rap (e a música em geral), graffiti, teatro, artes plásticas, visuais e poesia. Analisamos que a produção artística atual – na maioria das manifestações – está muito vazia e empobrecedora, descumprindo o caráter histórico educativo, que seria próprio da arte, ajudando os indivíduos a se auto-conhecerem e conhecerem melhor o mundo em que vivemos.

PRINCIPAIS AÇÕES:

  1. Estudos referentes à arte em geral.
  2. Estudos referentes às formas e conteúdos específicos das manifestações artísticas em que estamos inseridos.
  3. Divulgação teórica.
  4. Produção de obras e de atividades artísticas.

Inseridos em mobilizações sociais, o grupo de pesquisa visa influenciar no campo artístico, entendendo-o como uma das formas de apreensão da realidade, e que dessa maneira podemos interferir criticamente na vida dentro das possibilidades atuais, com a perspectiva de uma cultura humana emancipada das amarras do capital.

Objetivo:

Inicialmente a proposta era que fosse um grupo apenas de “artistas”, e que os estudos nos ajudassem a entender e fazer melhor o que já produzimos nos nossos campos específicos, ao entender melhor o campo da arte em geral. As artes produzidas pelos participantes seriam em si a divulgação dos grupos de estudo. Porém, com a proposta atual, o grupo está aberto para quem quiser entender qual é o espaço da arte na vida, por meio das suas técnicas e conteúdos, sejam esses produtores de arte, simpatizantes ou artistas “em potencial”. E como divulgação, passa-se a ter a necessidade de produção de textos sobre os assuntos abordados. Metodologia: Leitura momentânea, em que cada participante lê um parágrafo e o grupo extrai as ideias principais de cada parágrafo, no ato da leitura, contextualizando com o nosso período histórico.

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Mas afinal o que é Software Livre???!!!

Software livre, segundo a definição criada pela Free Software Foundation é qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado, modificado e redistribuído com algumas restrições. A liberdade de tais diretrizes é central ao conceito, o qual se opõe ao conceito de software proprietário, mas não ao software que é vendido almejando lucro (software comercial). A maneira usual de distribuição de software livre é anexar a este uma licença de software livre, e tornar o código fonte do programa disponível.

Acima uma animação em massinha, uma excelente definição sobre Software Livre!

 

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