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Resenha do livro What Fanon said, de Lewis Gordon

O que Fanon disse, afinal? Lewis Gordon e a defesa de uma abordagem fanoniana

Por Deivison Mendes Faustino (Deivison Nkosi) ¬†PLURAL, Revista do Programa de P√≥s‚ÄźGradua√ß√£o em Sociologia da USP, S√£o Paulo, v.22.2, 2015, p.247‚Äź253
O que Fanon disse, afinal?
Essa pergunta norteou a extensa pesquisa do¬†do fil√≥sofo jamaicano Lewis R. Gordon. A obra What Fanon Said: a philosophical introduction to his life and thought (‚ÄúO que Fanon disse: uma introdu√ß√£o filos√≥fica √† vida e obra de Fanon‚ÄĚ), ¬†oferece grandes contribui√ß√Ķes aos estudos sobre a vida e obra de Frantz Fanon. O autor, que tamb√©m √© conhecido pelas publica√ß√Ķes Bad Faith and Anti-black Racism (1995), Fanon and the Crisis of European Man: An Essay on Philosophy and the Human Sciences (1995) e por divulgar a obra fanoniana ao redor do mundo, dessa vez, vem a p√ļblico em 2015, ano que se celebra os 90 anos de Frantz Fanon para apresentar sua reflex√£o, adquirida ao longo de mais de 20 anos de pesquisa.

A partir de uma filosofia radical, que critica as ra√≠zes e os efeitos do racismo global, Lewis Gordon problematiza, de maneira singular, as categorias sujeito, raz√£o, racializa√ß√£o, subalterniza√ß√£o, colonialismo, viol√™ncia, desejo, pr√°xis, etc., abrindo, portanto, um di√°logo cr√≠tico com as principais vertentes te√≥ricas das ci√™ncias sociais contempor√Ęneas e apontando para a possibilidade de um novo humanismo p√≥s-colonial (Nissim-sabat, 2011).

Acesse o resumo na íntegra aqui 

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TESE DE DOUTORADO FANON E OS FANONISMOS NO BRASIL – Deivison Faustino (Nkosi)

Prêmio Capes de Teses Р2016

 

‚ÄúPor que Fanon, Por que agora‚ÄĚ: Frantz Fanon e os fanonismos no Brasil

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos para a obtenção do Título de Doutor em Sociologia.

Autor: Deivison Mendes Faustino (Deivison Nkosi).

A tese recebeu men√ß√£o honrosa do Pr√™mio Capes de Tese 2016 ‚Äď √°rea de Sociologia.

Acesse a Tese na íntegra aqui

Resumo

FAUSTINO, D. M. ‚ÄúPor que Fanon, por que agora?‚ÄĚ: Frantz Fanon e os fanonismos no Brasil. 2015. 252 f. Tese (Doutorado) ‚Äď Programa de P√≥s-Gradua√ß√£o em Sociologia, Universidade Federal de S√£o Carlos, S√£o Carlos, 2015.

Este trabalho discute os diferentes caminhos, usos e apropria√ß√Ķes do pensamento de Frantz Fanon no Brasil a partir da d√©cada de 1950. O estudo se aproxima das proposi√ß√Ķes de Wynter (1999) e Gordon (2015) ao identificar na perspectiva da sociog√™nese o eixo estruturante do estatuto te√≥rico fanoniano, e de Hall (1996) e Sekyi-Otu (1996) ao reconhecer no pensamento do autor a articula√ß√£o aberta e n√£o conclu√≠da de elementos te√≥ricos e pol√≠ticos diversos. A partir dessa constata√ß√£o, argumenta que o legado de Fanon ser√° reivindicado de maneira diversa por vertentes te√≥ricas distintas e, por vezes, conflitantes.

No Brasil, a recep√ß√£o de Fanon ocorreu sob a influ√™ncia do terceiro-mundismo revolucion√°rio, com o foco em Les Damn√©s de la terre., propiciando, tanto aos leitores ligados √† esquerda quanto aos leitores mais afinados com o movimento negro, uma apropria√ß√£o pautada pela polariza√ß√£o entre colonizador e colonizado e pela afirma√ß√£o de uma identidade (nacional ou negra) em contraponto √† coloniza√ß√£o. J√° o per√≠odo contempor√Ęneo, marcado por um crescente interesse nas reflex√Ķes de Fanon, estrutura-se por uma maior diversidade de abordagens e focos te√≥ricos, configurando seis sub-campos: 1. Estudos P√≥s-coloniais e da Di√°spora; 2 Negritude; 3. Decoloniais; 4. Branquitude; 5. Psicologia; 6. Ethos Nacional.

FAUSTINO, D. M. ‚ÄúWhy Fanon, why now?‚ÄĚ: Frantz Fanon and fanonisms in Brazil. 2015. 252 f. Tese (Doutorado) ‚Äď Programa de P√≥s-Gradua√ß√£o em Sociologia, Universidade Federal de S√£o Carlos, S√£o Carlos, 2015.

This paper discusses the different ways, uses and appropriations of the thought of Frantz Fanon in Brazil between the 1950s and the present day. The study approaches Wynter (1999) and Gordon (2015) to identify the perspective of sociogenesis the structural axis of fanoniano theoretical status, and Hall (1996) and Sekyi-Otu (1996) to recognize the author’s thought the open joint and not completed theoretical and various political elements. From this evidence, it argues that the legacy of Fanon is claimed differently by different theoretical aspects, and sometimes conflicting. In Brazil, the reception of Fanon occurred under the influence of the third Worldism revolutionary and its focus on Les Damn√©s de la terre. Providing both the players connected to the left as readers more attuned to the black movement, a guided appropriation the polarization between colonizer and colonized and affirmation of identity (national or black) as opposed to colonization. But the contemporary period, marked by a growing interest in the reflections of Fanon, is structured by a greater diversity of approaches and theoretical focus, setting six sub-fields: 1.Estudos Postcolonial and the Diaspora; 2. Negritude; 3. Decolonial; 4. Whiteness; 5. Psychology; 6. National Ethos.

¬†SUM√ĀRIO

INTRODU√á√ÉO……………………………………………………………………………………………………………. 20

1 A PROP√ďSITO DE FANON: VIDA, OBRA E POL√ćTICA …………………………………………………….. 27

1.1 O CORPO, O HOMEM E SUAS POSI√á√ēES ………………………………………………………………………………………….. 27

1.2 TEORIA E POL√ćTICA DE UM ‚ÄúOX√ćMORO RADICAL‚ÄĚ …………………………………………………………………………. 53

1.2.1 A sociog√™nese do colonialialismo ……………………………………………………………………………………………………… 56

1.2.2 Colonialismo, racismo e racializa√ß√£o ………………………………………………………………………………………………… 59

1.2.3 A luta de liberta√ß√£o ………………………………………………………………………………………………………………………… 75

2 A DISPUTA EM TORNO DE FANON: UMA PRIMEIRA APROXIMAÇÃO 

2.1 OS M√öLTIPLOS FANONISMOS ………………………………………………………………………………………………………… 91

2.2 AS DISPUTAS EM TORNO DE ‚ÄúFANONS‚ÄĚ DISCORDANTES ………………………………………………………………. 96

2.2.1 A virada p√≥s-colonial e a retomada de Fanon…………………………………………………………………………………….. 98

2.2.2 As rea√ß√Ķes e adequa√ß√Ķes √† virada p√≥s-colonial …………………………………………………………………………………. 106

3 FRANTZ FANON E OS FANONISMOS NO BRASIL

3.1 REVISITANDO A RECEP√á√ÉO BRASILEIRA ………………………………………………………………………………………. 123

3.1.1 Fanon, o ativismo negro (brasileiro) do final da d√©cada de 50 e o movimento de Negritude …………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….. 124

3.1.2 A autenticidade nacional √†s esquerdas: Os condenados da terra e a sua morna recep√ß√£o……………………………………………………………………………………………………………………………………………….. 136

3.1.3 O ativismo negro dos anos 1980 e a autenticidade negra: a retirada das m√°scaras brancas ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. 165

3.1.4 Conclus√£o da se√ß√£o ……………………………………………………………………………………………………………………….. 192

3.2 O CRESCENTE INTERESSE POR FANON ……………………………………………………………………………………….. 194

3.2.1 Os estudos p√≥s-coloniais no Brasil e a percep√ß√£o do ‚Äúcolonial‚ÄĚ como discurso ……………………………………. 199

3.2.2 A Negritude atualizada: ………………………………………………………………………………………………………………… 203

3.2.3 O pensamento decolonial e o locus latinoamericano de produ√ß√£o de saber ………………………………………….205

3.2.4 Marxismo e existencialismo: A pr√°xis revolucion√°ria e o humanismo radical ………………………………………207

3.2.5 O Ethos nacional ………………………………………………………………………………………………………………………….. 209

3.2.6 O ISEB e o Cinema Novo……………………………………………………………………………………………………………….. 210

3.2.7 Os estudos sobre Branquitude ……………………………………………………………………………………………………….. 211

3.2.8 A domina√ß√£o ps√≠quica…………………………………………………………………………………………………………………… 211

3.2.9 Conclus√£o da se√ß√£o ………………………………………………………………………………………………………………………. 212

CONCLUS√ÉO ……………………………………………………………………………………………………………. 214

√Č POSS√ćVEL FALAR EM FANON STUDIES NO BRASIL? ………………………………………………………………………. 214

REFER√äNCIAS BIBLIOGR√ĀFICAS………………………………………………………………………………. 222 ANEXOS………………………………………………………………………………………………………………….. 257

ANEXO 1 ‚Äď Excerto Temi del 2o Congresso Mondiale degli scrittori e artisti neri, 1959 ‚Äď Commisions arts (Lista de delegados ao Congresso ‚Äď destaque √† comitiva Brasileira, Faustino, 2015) ……………………………………………… .255

ANEXO II ‚Äď TRABALHOS BRASILEIROS SOBRE FANON POR T√ćTULO, TIPO E ANO DE PUBLICA√á√ÉO ..258

 

Acesse a Tese na íntegra aqui

 

kilombagem-beneditas

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Imagens do Curso Fanon: Vida e Obra

Curso Fanon: Vida e Obra  (Grupo Kilombagem e Casa de Cultura Tainã)

 

Curso Fanon: vida e Obra KILOMBAGEM E TAINÃ

 

 

Agradecemos enormemente pela expressiva participa√ß√£o no curso e pela qualidade do debate ali estabelecido. Esperamos nos ver em breve em outras iniciativas como essa. N√ÉO DEIXE DE RESPONDER AO QUESTION√ĀRIO DE AVALIA√á√ÉO!

Seguem abaixo algumas imagens do Curso (se você tem outras fotos e deseja publica-la aqui, envie-nas para kilombagem@kilombagem.org e adicionaremos a esse post assim que possível).

 

As fotos são do fotógrafo Felipe Choco:

 

 

UBUNTU

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Imagens do Curso Fanon: Vida e Obra

Curso Fanon: Vida e Obra¬†¬†(Grupo Kilombagem e Casa de Cultura Tain√£) Curso Fanon: vida e Obra KILOMBAGEM E TAIN√É Agradecemos enormemente pela participa√ß√£o expressiva participa√ß√£o no curso e pela qualidade do debate ali estabelecido. Esperamos nos ver em breve em outras iniciativas como essa. N√ÉO DEIXE DE RESPONDER AO QUESTION√ĀRIO DE AVALIA√á√ÉO! Seguem abaixo algumas imagens do Curso (se voc√™ tem outras fotos e deseja publica-la aqui, envie-nas para kilombagem@kilombagem.org e adicionaremos a esse post assim que poss√≠vel). ¬† _DSC9402 _DSC9399 _DSC9392 _DSC9390 _DSC9385 _DSC9380 _DSC9378 _DSC9371_DSC9399_DSC9392_DSC9390_DSC9385_DSC9380_DSC9378_DSC9371_DSC9370_DSC9369_DSC9359_DSC9354_DSC9353_DSC9351_DSC9343_DSC9341_DSC9337_DSC9335_DSC9328_DSC9321_DSC9316_DSC9314_DSC9305_DSC9302_DSC9295_DSC9290_DSC9289_DSC9278_DSC9277_DSC9263_DSC9259_DSC9253_DSC9245

Imagens: Felipe Choco
Imagens: Felipe Choco

UBUNTU

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NONAG√ČSIMO ANIVERS√ĀRIO DE FANON

Nonagésimo aniversário de Fanon

Neste dia 25 de julho de 2015, Frantz Omar Fanon completaria 90 anos de idade. Até hoje, sua obra é tomada por vertentes teóricas diversas como referencial privilegiado para pensar e intervir nos problemas sociais e raciais que nos rodeiam.  Como homenagem ao autor, mas ao mesmo tempo, apostando em sua contribuição para a realidade atual, retomamos aqui os links de textos de e sobre Fanon.

fanon

Antes disto, retomemos brevemente a sua trajetória:

Como psiquiatra, fil√≥sofo, cientista social e revolucion√°rio, Frantz Fanon √© sem d√ļvida um dos pensadores mais instigantes do s√©culo XX. Sua obra influenciou diversos movimentos pol√≠ticos e te√≥ricos na √Āfrica e Di√°spora Africana e segue reverberando em nossos dias como refer√™ncia obrigat√≥ria nos os estudos culturais e p√≥s-coloniais.

Sua trajetória política e teórica impressiona pela grandiosidade e o seu curto espaço de vida. Nasce em Forte de France, Martinica em 1925 no seio de uma família de classe média e patriota. Em 1944 se alista no exercito francês para lutar contra os alemães na segunda guerra mundial e posteriormente segue para Lyon para estudar medicina e psiquiatria. Neste período foi estudante ativo envolvido com a publicação periódica de um jornal mimeografado.

Em 1950 Frantz Fanon escreve o texto que seria a sua tese de douturado em psiquiatria: Peau noire, masques blancs(Peles Negras, M√°scaras Brancas), mas a tese, por confrontar as correntes hegem√īnicas, foi recusada pela comiss√£o julgadora o obrigando a escrever outra tese no ano seguinte em Lyon com o t√≠tulo de Troubles mentaux et syndromes psychiatriques dans l‚Äôh√©r√©dp-d√©g√©n√©ration-spino-c√©r√©belleuse ‚Äď Um cas de maladie de Friereich avec d√©lire de possession (Problemas mentais e sindromes psiquiatricas em degenera√ß√£o espinocerebelar heredit√°ria ‚Äď Um caso de doen√ßa de Friereich com del√≠rio de posse).

Em 1952 participa de diversos debates universitários e seminários em que se confronta ou converge com os pensadores franceses da época. Neste mesmo ano publica uma série de ensaios sobre a situação do negro na França, escreve um drama sobre os trabalhadores de Lyon (Les Mains parallèles) e publica o texto da sua primeira tese rejeitada: Peau noir, masques blancs (Peles negras, máscaras brancas) livro que marcaria a história dos estudos o racismo.

Neste livro o autor discute os impactos do racismo e do colonialismo na psique (de colonizadores e colonizados) e mostra o quanto as aliena√ß√Ķes coloniais s√£o incorporadas pelos colonizados, mesmo no contexto de elabora√ß√£o do protesto negro.

O ano seguinte é marcado por um casamento e a sua mudança para a Argélia a fim de estudar mais profundamente os problemas enfrentados pelos imigrantes africanos na França. Segundo Oto (2003) estes momento foi fundamental para Fanon compreender os impactos do colonialismo na estrutura psíquica humana:

Ao tentar ampliar suas percep√ß√Ķes sobre o problema dos pacientes em territ√≥rios coloniais, vinculando as enfermidade ao colonialismo, Fanon aceita neste mesmo ano o contrato com o Hospital Blida-Joinville na Arg√©lia. Durante sua resid√™ncia neste local os resultados de suas investiga√ß√Ķes o convenceram das dimens√Ķes assumiam o regime colonial e como este regime desarticula a estrutura ps√≠quica das pessoas.( Oto 2003:219)

O ano seguinte foi marcante para o autor ao assistir o nascimento da revolu√ß√£o argelina e a violenta repress√£o francesa. √Č neste contexto que Fanon renuncia ao seu cargo no Hospital psiqui√°trico para se filiar √† Frente de liberta√ß√£o Nacional ‚Äď FLN (Front de Liberation Nationale) onde contribuir√° ativamente como escritor do jornal El Moudjahid, em T√ļnez.

Os anos seguintes foram marcados por intensa agita√ß√£o pol√≠tica e participa√ß√£o nos f√≥runs internacionais dos movimentos de liberta√ß√£o no continente africano. Em 1959 publica L‚Äôan V de la R√©volution Alg√©rienne, sem publica√ß√£o em portugu√™s, e em 1961 se encontra com J. P. Sartre e S. Beauvoir. Neste mesmo ano, ap√≥s escrever Les damm√©s de la terre, o √°pice de sua atividade pol√≠tica e intelectual seria interrompido por um problema de sa√ļde que levaria a morte.

Boa parte dos textos escritos por Fanon no jornal El Moudjahid foram reunidos por sua esposa e publicados postumamente no livro Pour la révolution africanie (1964), publicado em Portugal apenas em 1980 com o título Em defesa da revolução Africana.

A pesar de sua import√Ęncia para a compreens√£o das rela√ß√Ķes raciais contempor√Ęneas, 50 anos depois de sua morte, a Obra de Frantz Fanon ainda √© pouco estudada no Brasil. Espera-se com esta atividade despertar o interesse da comunidade acad√™mica como um todo para a discuss√£o dos elementos apresentados pelo autor.

Abaixo, você encontra os links para textos diversos DE Fanon e SOBRE Fanon, comentados pelo pesquisador Deivison Nkosi (Professor da UNIFESP e integrante do Grupo KILOMBAGEM)

Veja também a resenha do livro: What Fanon said, de Lewis Gordon (by Deivison Nkosi)

 

Clique aqui acessar todos os links do site relacionados à Fanon

 

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Nonagésimo aniversário de Fanon РA ATUALIDADE DE FANON

FRANTZ FANON VIDA E OBRA

Este √© o √ļltimo post dessa s√©rie especial sobre Fanon. Se estivesse vivo, Fanon completaria 90 anos amanh√£ (20 de julho de 2015). Para homenage√°-lo, apresentamos dois textos que comentam a sua produ√ß√£o intelectual. O primeiro, refaz a sua trajet√≥ria de vida e principais aspectos te√≥ricos defendidos pelo autor e o segundo argumenta pelo que seria a sua atualidade no s√©culo XXI.

Nos vemos no curso amanh√£!!!


Fanon

O primeiro texto é Frantz Fanon: um itinerário político e intelectual, de Renato Ortiz.

Resumo: O artigo reconstitui histórica e sociologicamente o itinerário político e intelectual do pensador martinicano Frantz Fanon. Inicia com sua inserção no contexto intelectual francês da época, explora como o escritor compreendia a negritude e o racismo, assim como sua politização em meio ao período de des- colonização da década de 1950.

Acesse o artigo aqui:  Frantz Fanon: um itinerário político e intelectual

N√£o posso respirar
“nos nos revoltamos, simplesmente, por que por muitas raz√Ķes, n√£o podemos mais respirar”

 

O segundo texto é  Ler Fanon no século XXI, de Immanuel Wallerstein

Resumo: Discute‚Äźse a actualidade do pensamento de Frantz Fanon, em torno de tr√™s eixos prin‚Äź cipais que constituem outros tantos dilemas ‚Äď o uso da viol√™ncia, a afirma√ß√£o da identidade e a luta de classes ‚Äď, demonstrando como, no tempo presente, estas ques‚Äź t√Ķes continuam a ser decisivas na luta por um sistema‚Äźmundo mais justo e solid√°rio.

Acesse o texto aqui:  Ler Fanon no século XXI


Filme: Concerning violence, (sobre Fanon) com narração de Lauryn Hill

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Nonagésimo aniversário de Fanon РMASCULINIDADES NEGRAS

NONAG√ČSIMO ANIVERS√ĀRIO DE FANON

O post de hoje apresenta tr√™s artigos que retomam as reflex√Ķes de Fanon para refletir e problematizar os dilemas relacionados ao racismo e a masculinidade negra.

fique rico ou morra tentando

O primeiro, intitulado ¬†O p√™nis sem o falo: algumas reflex√Ķes sobre homens negros, masculinidades e racismo, de Deivison Faustino (Deivison Nkosi), foi publicado na colet√Ęnea Feminismos e masculinidades: novos caminhos para enfrentar a viol√™ncia contra a mulher, organiza√ß√£o Eva Alterman Blay em 2014.

Resumo: O artigo toma as reflex√Ķes de Fanon sobre Eu e o Outro, como chave anal√≠tica entender¬†como a racializa√ß√£o da experi√™ncia negra, se articula, em primeiro lugar, em torno de referenciais reificados de humanidade que apresentam o negro sempre o mais pr√≥ximo poss√≠vel do animal. O homem negro, no caso, √© sempre apresentado como um criado ¬†super-masculino, excessivamente¬†viril, e, ao mesmo tempo, destitu√≠do de poder sobre si. ¬†¬†Em segundo lugar, discute quais os riscos impl√≠citos √† interioriza√ß√£o, por parte do homem negro, desses referenciais reificados. No artigo, o autor discute ainda se ¬†a hetero ou auto hiper-masculiniza√ß√£o do negro teriam alguma rela√ß√£o com altos dados de mortalidade de jovens negros.

Acesse o artigo aqui:¬†O p√™nis sem o falo: algumas reflex√Ķes sobre homens negros, masculinidades e racismo.¬†

Acesse a colet√Ęnea completa sobre g√™nero e masculinidade:¬†Feminismos e masculinidades: novos caminhos para enfrentar a viol√™ncia contra a mulher

 

Cena do filme: O mordomo da Casa Branca – Momento em que o homem (escravizado) ser√° assassinado pelo estuprador de sua mulher.

O segundo artigo, intitulado Blackness: identidades, racismo e masculinidades em bell hooks, de Alan Augusto Moraes Ribeiro, foi apresentado no Seminario Internacional Fazendo Gênero 10, em 2012.

Resumo: Neste artigo, algumas ideias da intelectual, acad√™mica e feminista estadunidense bell hooks aparecem em um recorte anal√≠tico que busca compreender como as categorias ‚ÄúBlackness‚ÄĚ e ‚ÄúBlack Experience‚ÄĚ s√£o mobilizadas na an√°lise que ela desenvolve sobre representa√ß√Ķes em torno das masculinidades negras feitas pela m√≠dia e por setores acad√™micos. Assim, busco compreender tal an√°lise como parte das trocas de saberes diasp√≥ricos nas quais bell hooks figura de modo destacado. Ao localizar sua produ√ß√£o neste movimento, a inten√ß√£o √© realizar um exerc√≠cio de escrita e reflex√£o sobre o modo como racismo √© uma estrutura hegem√īnica presente em v√°rios setores da vida social, como tamb√©m no espa√ßo da produ√ß√£o pol√≠tica da diferen√ßa. √Č aqui que sua cr√≠tica antirracista toma contornos mais sofisticados ao sugerir que neste plano epistemol√≥gico o racismo opera de modo bastante sutil, sobretudo quando procura desmobilizar a legitimidade de saberes e vis√Ķes de mundo constru√≠das coletivamente, explicitamente posicionais.

Acesse o artigo aqui: Blackness: identidades, racismo e masculinidades em bell hooks

 

O terceiro artigo, intitulado Observando uma Masculinidade Subalterna: homens negros em uma “democracia, de Waldemir Rosa, também foi apresentado no Fazendo Gênero, de 2006.

Resumo: O artigo discute a diferenciação de poder inerente à diferença de gênero, de raça e de classe social. O que apresento aqui é um exercício de articulação entre gênero e raça na constituição da masculinidade do homem negro heterossexual em um país racista como o Brasil. A primeira afirmação que se faz aqui é que a sociedade brasileira distribui de forma diferenciada o poder tendo por base critérios de raça e gênero logo, entre homens e mulheres por um lado, e entre brancos e não-brancos por outro e suas possibilidades de acesso / restrição aos mecanismos de poder.

mulher branca homem preto

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=gQxK9VYNXC8

 

 

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Nonagésimo aniversário de Fanon РINTERROGANDO A IDENTIDADE NACIONAL

NONAG√ČSIMO ANIVERS√ĀRIO DE FANON

A postagem de hoje se apoia em Fanon para questionar a ‚Äúidentidade nacional‚ÄĚ (brasileira) como espa√ßo homog√™neo ou harm√īnico.

 

Fonte da imagem: http://pedagogiccos.blogspot.com.br/2012/11/dia-nacional-da-consciencia-negra.html
Fonte da imagem: http://pedagogiccos.blogspot.com.br/2012/11/dia-nacional-da-consciencia-negra.html

O artigo Raça e uma nova forma de analisar o imaginário da nossa comunidade nação: Da miscigenação freyreana ao dualismo fanoniano é de Liana Lewis.

Resumo: Este artigo se prop√Ķe analisar como a identidade nacional brasileira tem se constitu√≠do em um campo de batalha acerca da quest√£o racial. Ele se prop√Ķe a investigar duas formas de pensar o conceito de comunidade imaginada de Benedict Anderson a partir da quest√£o racial: a miscigena√ß√£o de Gilberto Freyre e o dualismo branco/negro de Fanon. Partindo da an√°lise dos livros Casa grande e senzala e Pele negra m√°scaras brancas, o texto mostra como o Movimento Negro tem contestado a perspectiva de democracia racial e reivindicado uma pol√≠tica identit√°ria que leva em considera√ß√£o a hierarquiza√ß√£o da vida da popula√ß√£o branca e negra.

Acesse o artigo aqui: Raça e uma nova forma de analisar o imaginário da nossa comunidade nação: Da miscigenação freyreana ao dualismo fanoniano

 

 

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Nonagésimo aniversário de Fanon РAS IDEIAS DE FRANTZ FANON NO BRASIL

CURSO KILOMBAGEM – FANON VIDA E OBRA

Os textos de hoje apresentam o debate a respeito da recepção de Fanon no Brasil. Está presente em ambos a preocupação em mapear os autores que foram influenciados por Fanon: entre eles, Paulo Freire, Glauber Rocha e os intelectuais formuladores da Quilombhoje, como Márcio Barbosa.

OS CONDENADOS DA TERRA

O primeiro, intitulado A recep√ß√£o de Fanon no Brasil e a identidade negra, √© de Ant√īnio S√©rgio Guimar√£es. O seu objetivo √© analisar, a partir de fontes bibliogr√°ficas e testemunhos, como se ¬†deu a recep√ß√£o de Fanon pelo meio intelectual brasileiro, assim como sua influ√™ncia sobre a forma√ß√£o de identidades negras. Enquanto observo uma recep√ß√£o morna, argumento que isso se deveu a tr√™s fatores: primeiro, a especificidade da esquerda latino-americana nos anos 1960; em segundo, uma constitui√ß√£o racial e nacional totalmente oposta a conflitos raciais; e, em terceiro, o n√ļmero reduzido nas universidades brasileiras de professores e pesquisadores negros que abordem a forma√ß√£o da identidade negra ou a afirma√ß√£o de sujeitos racialmente oprimidos.

Acesse o arquivo aqui: A recepção de Fanon no Brasil 

O segundo, intitulado, Frantz Fanon e o ativismo pol√≠tico-cultural negro no Brasil: 1960/1980, √© de ¬†M√°rio Augusto Medeiros da Silva.Em seu artigo, o autor retoma as contribui√ß√Ķes do texto anterior (de Guimar√£es) para em seguida, acrescentar um importante elemento ao debate sobre a recep√ß√£o de Fanon no Brasil, ¬†a saber: o associativismo negro. Em sua pesquisa, que remonta a forma√ß√£o da Associa√ß√£o Cultural do Negro – ACN, na d√©cada de 50, passando pelo surgimento da Quilombhoje, na d√©√ßada de 80, o autor sugere que a chave para entender a recep√ß√£o de Fanon no Brasil est√° mais no ativismo negro do que na academia.

Acesse o arquivo aqui: Frantz Fanon e o ativismo político-cultural negro no Brasil: 1960/1980

 

REAJA OU SER√Ā MORTO, REAJA OU SER√Ā MORTA

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Nonagésimo aniversário de Fanon РA NEGRITUDE RADICAL

FANON VIDA E OBRA

Os textos de hoje problematizam as rela√ß√Ķes¬†entre Fanon e o Movimento de Negritude. Nas reflex√Ķes, s√£o apresentadas uma s√©rie de aspectos que indicariam proximidades e rupturas do autor com essa perspectiva de luta e com o nacionalismo. Assim, classificam classificam-no como express√£o de uma “negritude radical’.

Peau noire, masques blancs

O primeiro artigo √© ¬† A ¬ę√Āfrica (eternamente) renascida¬Ľ. Relendo tr√™s dos ¬ęseus¬Ľ insignes pensadores: L√©opold S√©dar Senghor, Frantz Fanon e Am√≠lcar Cabral , de ¬†Jos√© Carlos Ven√Ęncio

Resumo:¬†Partindo do pressuposto de que a ideia de √Āfrica √©, em muito, devedora do entendimento que os nacionalistas africanos tinham das suas sociedades, discute-se o contributo espec√≠fico de tr√™s nacionalistas, conquanto um deles, Frantz Fanon, n√£o seja de origem africana, mas sim antilhana. O nacionalismo √©, neste contexto, entendido como parte de um movimento mais vasto, o do renascimento africano, ciclicamente evocado pelos l√≠deres africanos e, deste modo, entendido como um movimento de longa dura√ß√£o (longue dur√©e).

Acesse o artigo aqui

 

Negritude

 

O segundo é A construção do nacional: Entre a conciliação de L.S. Senghor e a revolução de Frantz Fanon no Congresso de Artistas e Escritores Negros de 1959, de Gustavo de Andrade Durão

Resumo: Pretende-se realizar um breve debate sobre os projetos de na√ß√£o presentes nos textos de L√©opold S√©dar Senghor e Frantz Fanon, escritores atuantes no ambito colonial da metade do s√©culo XX. Al√©m da import√Ęncia da trajet√≥ria pol√≠tica e intelectual na ambi√™ncia colonial senegalesa e argelina, em especial, estes dois pensadores estavam profundamente inseridos no debate dos estudos liter√°rios, pol√≠ticos e filos√≥ficos produzidos nos grandes centros metropolitanos europeus.

Acesse o artigo aqui!

 

 

CONTRA A REMO√á√ÉO DAS FAM√ćLIAS DA PRAIA DO SOCEGO¬†

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Nonag√©simo anivers√°rio de Fanon – O ANTICOLONIALISMO REVOLUCION√ĀRIO

KILOMBAGEM – NONAG√ČSIMO ANIVERS√ĀRIO DE FANON

O¬†Post de hoje, apresenta tr√™s trabalhos¬†que identificam em Fanon os subs√≠dios para pensar a luta anti-colonial em uma perspectiva revolucion√°ria. O primeiro e o segundo resgatam o contexto hist√≥rico e pol√≠tico que Fanon estava inserido, para pensar em que medida a sua proposta anti-colonial passava pela reorganiza√ß√£o pr√°tica da sociedade via luta pol√≠tica. O terceiro¬†problem√°tiza a import√Ęncia desse debate nos dias atuais, em que a “Revolu√ß√£o” deixou de estar na “ordem do dia”.¬†

Fanon o livro da revolução

O primeiro artigo é Colonialismo, Independência e Revolução em Frantz Fanon, de Danilo Fonseca.

Resumo: Os processos de independências do continente africano e asiático produziram também uma série de intelectuais para problematizar a temporalidade em que viviam. Entre estes intelectuais está Frantz Fanon que refletiu acerca da natureza do sistema colonial do século XX e os diferentes modos para superá-lo. Nesse sentido, o presente artigo busca elaborar conceitos chaves de Fanon, principalmente colonialismo, independência e revolução, obtendo assim, um maior entendimento de um dos mais importantes intelectuais africanos.

Acesse o artigo aqui

 

Protesters pose with a police shield outside the parliament in Ouagadougou on October 30, 2014. Photograph: Issouf Sanogo/AFP/Getty Images
Protesters pose with a police shield outside the parliament in Ouagadougou on October 30, 2014. Photograph: Issouf Sanogo/AFP/Getty Images

O segundo artigo √©¬†O pensamento anticolonial de Frantz Fanon e a Guerra de Independ√™ncia da Arg√©lia, de Walter G√ľnther Rodrigues Lippold.

Resumo: Este artigo trata sobre o pensamento anticolonial na √Āfrica e das conjunturas das quais estas teorias surgem, ou seja, refere-se ao processo de descoloniza√ß√£o africana, mais precisamente ao argelino. Ao contr√°rio das teses euroc√™ntricas que afirmam n√£o haver reflex√£o interna sobre os problemas africanos, existiram v√°rios pensadores que se dedicaram √† an√°lise do seu continente, entre eles Frantz Fanon e Albert Memmi.

Acesse o artigo 

Nem um passo atr√°s
Nem um passo atr√°s

 

 

O terceiro artigo é  Revolucionários em tempos contrarrevolucionários: desenvolvendo a consciência nacional fanoniana no século XXI, de jane Anna Gordon.

Resumo:Fanon n√£o apenas narra a efetividade de uma luta anticolonial no seu texto, mas tamb√©m esbo√ßa os v√°rios desafios, frequentemente dial√©ticos, para se reestruturar uma sociedade de baixo para cima. A caracter√≠stica mais marcante e evidente neste √ļltimo aspecto √© o desenvolvimento do que Fanon sugestivamente denominou de consci√™ncia nacional, cujo significado e cont√≠nua utilidade constituem o foco deste artigo. Apesar de muitas pessoas terem aceitado como realidade as posi√ß√Ķes ideol√≥gicas que serviram de esteio ao neoliberalismo, 2011 come√ßou com um turbilh√£o de insurrei√ß√Ķes, movendo- se contagiosamente pelas regi√Ķes do Norte da √Āfrica onde o Fanon que estudamos pensou, viveu e escreveu. Tunisianos e eg√≠pcios chamaram seus esfor√ßos de revolucion√°rios. O mais extraordin√°rio √© a aparente impossibilidade de combater as normas contrarrevolucion√°rias sem qualquer no√ß√£o de vontade geral ou de consci√™ncia nacional, de exig√™ncias vinculadas √† preserva√ß√£o de uma identidade pol√≠tica discreta menor que o globo, mas que medeia entre formas mais particulares e menores de identidade e sensa√ß√£o de pertencimento a uma comunidade.

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Nonagésimo aniversário de Fanon РDESCOLONIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

CURSO KILOMBAGEM ‚Äď FANON VIDA E OBRA

O¬†Post de hoje, re√ļne os autores que identificam em Fanon os subs√≠dios para presen√ßa do colonialismo na produ√ß√£o de conhecimento e, sobretudo, como empreender saberes descolonizados.

Mate Mesie - Conhecimento

O primeiro texto, de N√°dia Maria Cardoso da Silva apresenta o conceito de “Descoloniza√ß√£o epistemol√≥gica”.

Segundo afirma, o seu interesse no texto foi “apresentar Fanon como um intelectual afro-diasp√≥rico fundamental para entendermos a sociedades contempor√Ęneas estruturadas pelo colonialismo e de import√Ęncia singular e marcante para entendermos o fen√īmeno do colonialismo epistemol√≥gico e sua contribui√ß√£o para o racismo. Mas al√©m disso, quis tamb√©m apresentar Fanon como um intelectual que exercitou a produ√ß√£o de conhecimento descolonizado, desafiando assim a hegemonia do conhecimento eurocentrado. ”

Acesse aqui: DESCOLONIZA√á√ÉO EPISTEMOL√ďGICA A PARTIR DE FRANTZ FANON¬†

 

O segundo texto, de Nelson Maldonado-Torres ¬†busca, a partir de Fanon e Quijano, ¬†examinar a articula√ß√£o entre ra√ßa e espa√ßo na obra de v√°rios pensadores europeus. Centrando-se no projecto de Martin Heidegger de procurar no Ocidente as ra√≠zes, denuncia a cumplicidade desse projecto com uma vis√£o cartogr√°fica impe- rial que cria e separa as cidades dos deuses e as cidades dos danados. O autor identifica concep√ß√Ķes an√°logas noutros pensadores ocidentais, sobretudo em Levinas, Negri, Zizec, Habermas e Derrida. Ao projecto da busca das ra√≠zes, com os seus pressupostos racistas, ele op√Ķe uma vis√£o cr√≠tica, inspirada em Fanon, que sublinha o car√°cter constitutivo da colonialidade e da dana√ß√£o para o projecto da modernidade europeia. O autor conclui com um apelo a uma diversalidade radical e uma geopol√≠tica do conhecimento descolonial.

Acesse aqui: A topologia do Ser e a geopolítica do conhecimento. Modernidade, império e colonialidade 

 

 

HOJE ATOS NACIONAIS CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL  

CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

 

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Nonagésimo aniversário de Fanon РRacismo e sofrimento psíquico

CURSO KILOMBAGEM – FANON VIDA E OBRA

O¬†Post de hoje, re√ļne os autores que identificam em Fanon os subs√≠dios para a consolida√ß√£o de uma psicologia das rela√ß√Ķes raciais.

sofrimento psíquico

Thiago Sapede, em seu artigo intitulado ‚ÄúRacismo e Domina√ß√£o Ps√≠quica em Frantz Fanon‚ÄĚ explora as ideias de Fanon com vista ao entendimento dos reflexos da domina√ß√£o colonial na esfera psicol√≥gica. O autor identifica no m√©todo psicanal√≠tico de Fanon uma responsabiliza√ß√£o dos sujeitos colonizados¬† que os incentiva √† luta anticolonial como cainho para emancipa√ß√£o ps√≠quica (SAPEDE, 2011).

ACESSE O ARQUIVO AQUI

 

J√° Kawahala e Soler (2010), em seu artigo intitulado “Por uma psicologia social antirracista: contribui√ß√Ķes de Frantz Fanon”advogam pela contribui√ß√£o de Fanon √† psicologia social. Em seu artigo refletem sobre o contexto atual brasileiro em que a exist√™ncia do racismo foi oficialmente reconhecida pelo Estado brasileiro para, em seguida, argumentar pela atualidade de Fanon para pensar as rela√ß√Ķes entre sociedade e psiqu√™. Para os autores, as reflex√Ķes de Fanon possibilitam equacionar o quanto a a folcloriza√ß√£o e etigmatiza√ß√£o da cultura negra em uma sociedade racista refletem alteram a subjetividade dos sujeitos negros. Para al√©m deste aspecto, enfatizam a importancia atribu√≠da √† Fanon aos acontecimentos sociais, quando relacionada √† constitui√ß√£o subjetiva dos sujeitos, e por isso, como no caso anterior, apontam a luta pol√≠tica antirracista como ¬†forma de supera√ß√£o dos problemas identificados.

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BOA LEITURA!!!

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Nonagésimo aniversário de Fanon РO NEGRO/AFRICANO E A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO

CURSO KILOMBAGEM – FANON VIDA E OBRA

Os textos de hoje n√£o s√£o de Fanon, mas sim, reflex√Ķes constru√≠das a partir de seu pensamento. O Assunto escolhido √© o Negro/Africano e a produ√ß√£o de conhecimento. Fanon ¬† O primeiro texto √© de Deivison Mendes Faustino (esse que vos escreve sob a alcunha de Deivison Nkosi), ¬†busca denunciar o quanto o racismo¬†n√£o se resume √† inferioriza√ß√£o de tudo que se entende por negro e africano, mas tamb√©m, se manifesta na impossibilidade de pensa-los¬†como sujeitos hist√≥ricos, produtores de conhecimento. O segundo, de Ivo Queiroz e Gilson Queluz, a discuss√£o aponta para um dialogo cr√≠tico¬†com os cl√°ssicos da teoria do reconhecimento, para em seguida, avan√ßar para al√©m da den√ļncia impl√≠cita ao primeiro artigo, de forma a provocar uma reflex√£o sobre as possibilidades de constru√ß√£o de c√≥digos t√©cnicos descolonizados.

Banner do Projeto OGUNTEC: Programa de Estímulo à Ciência para Jovens Negros e Negras РINSTITUTO STEVE BIKO РBA
FAUSTINO, D. M. . A emo√ß√£o √© negra e a raz√£o √© hel√™nica? Considera√ß√Ķes fanonianas sobre a (des)universaliza√ß√£o do. Revista Tecnologia e Sociedade (Online) , v. 1, p. 121-136, 2013
Resumo
Ao apresentar o colonialismo como espinha dorsal da sociabilidade moderna (capitalista) Frantz Fanon exp√Ķe as reifica√ß√Ķes presentes nas representa√ß√Ķes da ‚Äúciviliza√ß√£o ocidental‚ÄĚ como express√£o (universal) do g√™nero humano. Nestas figura√ß√Ķes, insiste o autor, o n√£o-europeu (O ‚Äúoutro‚ÄĚ), quando n√£o √© invisibilizado, √© reconhecido apenas como subcategoria (espec√≠fica), reduzido √†s suas express√Ķes l√ļdico-corp√≥reas, contrapostas √† ci√™ncia, moral e civilidade. Em contraposi√ß√£o a este esquema, o Negro se lan√ßa √† luta por autodetermina√ß√£o e reconhecimento, mas no meio do caminho est√° sujeito a enroscar-se em atraentes armadilhas criadas pelas contradi√ß√Ķes que deseja superar. Este paper seleciona alguns trechos escritos ao longo da vida de Fanon e discute as suas implica√ß√Ķes para o desvelamento da (des)universaliza√ß√£o do negro e a sua desvincula√ß√£o de temas como ci√™ncia e tecnologia.
Imagem: Cheiq Ant Diop em seu laboratório

Presença africana e teoria crítica da tecnologia: reconhecimento, designer tecnológico e códigos técnicos

Queiroz, Ivo, E Queluz, Gilson. “Presen√ßa africana e teoria cr√≠tica da tecnologia: reconhecimento, designer tecnol√≥gico e c√≥digos t√©cnicos”. ¬†Simp√≥sios Nacionais de Tecnologia e Sociedade (2011): n. p√°g. Web. 2 Jul. 2015
Resumo
Este trabalho desdobra-se a partir a partir da audi√™ncia desta quest√£o: haveria alguma conex√£o poss√≠vel entre o conceito de reconhecimento, levantado por Frantz Fanon, em Pele negra m√°scaras brancas e debatido na sociologia contempor√Ęnea e uma participa√ß√£o efetiva do povo negro na tecnologia subversivamente democratizada? O arrazoado sobre este problema contempla as teorias do reconhecimento, a partir da formula√ß√£o de Hegel, no livro Fenomenologia do esp√≠rito, da viol√™ncia, conforme sistematiza√ß√£o de Marcelo Perine e do design t√©cnico, via Enrique Dussel e Andrew Feenberg. Deste √ļltimo, contempla-se tamb√©m a teoria dos c√≥digos t√©cnicos. A inten√ß√£o do racioc√≠nio √© argumentar que o design tecnol√≥gico e os c√≥digos t√©cnicos estabelecidos para a tecnologia e a educa√ß√£o tecnol√≥gica praticam viol√™ncia contra o negro ao n√£o reconhec√™-lo e o deixando por sua pr√≥pria conta.

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Nonagésimo aniversário de Fanon РOS CONDENADOS DA TERRA

CURSO KILOMBAGEM ‚Äď FANON VIDA E OBRA

Reflex√Ķes retiradas¬†do artigo: FAUSTINO, D. M. . Colonialismo, racismo e luta de classes: a atualidade de Frantz Fanon. In: V Simp√≥sio Internacional Lutas Sociais na Am√©rica Latina, 2013. Anais do V Simp√≥sio Internacional Lutas Sociais na Am√©rica Latina, 2013. p. 216-232. (n√£o deixe de citar suas fontes quando compartilhar!!!)

O Texto de hoje √© o mais famoso do que lido¬†Os Condenados da Terra, escrito por Fanon em 1961. O livro, cercado de curiosidades e pol√™micas, √© comentado por diversos pensadores em todo o mundo. O t√≠tulo original do livro, Les damn√©s de la terre, ¬†foi inspirado na primeira estrofe de¬†L’INTERNATIONALE,¬†hino ¬†do movimento comunista internacional:

Debout! l’√Ęme du prol√©taire

(De pé! ó alma do proletário)

Travailleurs, groupons-nous enfin.

(Trabalhadores, agrupemo-nos finalmente)

Debout! les damnés de la terre!

(Levante-se! os miser√°veis da terra!)

Debout! les forçats de la faim!

(Levante-se! condenados de fome!)

Pour vaincre la mis√®re et l’ombre

(Para superar a pobreza e a sombra)

Foule esclave, debout ! debout!

(Multidão de escravos, de pé! de pé!)

C’est nous le droit, c’est nous le nombre:

(Este √© o nosso direito, o nosso n√ļmero)

Nous qui n’√©tions rien, soyons tout

(Nós, que não eram nada, sejamos tudo)

Mas para ele, diferentemente do que propunha o movimento comunista franc√™s, a aposta para a supera√ß√£o radical da situa√ß√£o colonial n√£o estaria no proletariado (industrial) – quase ausente nas col√īnias, e quando presente, na maioria das vezes, ¬† comprometido com a manuten√ß√£o da ordem colonial. Os Damn√©s, de que ele fala e apostou todas as cartas – estes que na sociedade colonial n√£o eram nada –¬†deveriam ser encontrados entre √†queles que realmente n√£o tinham nada a perder – “a n√£o ser os seus grilh√Ķes”.

De pé ó vítimas da fome
De pé ó vítimas da fome

Fanon sempre foi um ser humano intenso: com 25 anos já havia escrito Pele negra, máscaras brancas e com 29 havia se tornado chefe do hospital psiquiatra em Blida, Argélia. Agora, aos 36, já se encontrava entre os principais articuladores do pan-africanismo internacional junto à Frente de Libertação da Argélia.

Em dezembro de 1960, depois de circular por v√°rias partes do continente africano fomentando a necessidade de expandir as Guerras de Liberta√ß√£o, Fanon inicia a escrita de um livro que problematizaria a rela√ß√£o entre¬†revolu√ß√£o argelina e¬†outros povos do Continente. No entanto, para a sua surpresa e no auge de sua atua√ß√£o pol√≠tica, √© diagnosticado √© com leucemia ‚Äď uma doen√ßa maligna nos gl√≥bulos brancos – , e constata, mediante aos est√°gios da medicina na √©poca, que lhe restava pouco tempo de vida.

Diante do fato de que seu corpo definhava, optou por alterar o curso da escrita que empreendia, direcionando-a para o que, sabidamente, seria o seu √ļltimo texto. √Č neste contexto, lutando contra o pr√≥prio rel√≥gio biol√≥gico. que ele escrever√° em quest√£o de meses o famoso Os Condenados da terra. Enquanto escrevia o livro e revisava os trechos, chegou a voar para It√°lia a fim de encontrar Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, para encomendar a Sartre o Pref√°cio do seu livro.

Tr√°gico √© que at√© hoje, se considerarmos a presen√ßa incontest√°vel do racismo na sociedade contempor√Ęnea, que o Pref√°cio de Sartre – embora tenha contribu√≠do para popularizar o texto no contexto internacional ‚Äď tenha se tornado mais famoso que o pr√≥prio livro. No pref√°cio, Sartre, inteligentemente, destaca a viol√™ncia, objetivando, chamar a aten√ß√£o dos europeus para a sua hipocrisia e culpa diante de todo sofrimento vivido fora da Europa.

Entretanto, lamentavelmente, muitos críticos importantes das Ciências Sociais destilaram duras críticas à Fanon, sem ter, contudo, avançado na leitura para além das páginas escritas por Sartre. Ocorre que o livro é muito mais complexo do que o Prefácio pretendeu ser, e a leitura que não o tome por completo está fadada à uma apreensão pobre e até distorcida.

O livro trata, entre outros assuntos, dos conflitos impl√≠citos ao colonialismo e √† luta anticolonial. Alerta que a viol√™ncia √© parte fundante da sociedade colonial, estando presente em todas as suas express√Ķes materiais e simb√≥licas. Constata ainda que a supera√ß√£o da l√≥gica colonial s√≥ seria vi√°vel naquelas situa√ß√Ķes em que os colonizados empreendessem for√ßa material proporcionalmente capaz de abalas as for√ßas sociais a ponto de fazer surgir um homem novo:

A descoloniza√ß√£o se prop√Ķe a mudar a ordem do mundo, √©, como se v√™, um programa de desordem abosoluta(…)√© um processo hist√≥rico: isto √©, ela s√≥ pode ser compreendida, s√≥ tem inteligibilidade, s√≥ se torna transl√ļcida para si mesma na exata medida em que discerne o movimento historicizante que lhe d√° forma e conte√ļdo. A descoloniza√ß√£o √© o encontro de duas for√ßas congenitamente antag√īnicas, que t√™m precisamente a sua origem nessa esp√©cie de substancializa√ß√£o que a situa√ß√£o colonial excreta e alimenta. (…) a descoloniza√ß√£o √© verdadeiramente a cria√ß√£o de homens novos. Mas essa cria√ß√£o n√£o recebe a sua legitimidade de nenhuma pot√™ncia sobrenatural: a ‚Äúcoisa‚ÄĚ colonizada se torna homem no processo mesmo pelo qual ela se liberta. (Fanon)

Em um di√°logo constante com os movimentos internacionais ligados ao panafricanismo e ao terceiro-mundismo, Frantz Fanon alerta que mesmo na √Āfrica, o processo de revolu√ß√£o nacional n√£o podem ignorar as especificidades de entifica√ß√£o da capitalismo, a composi√ß√£o das diferentes de classes sociais e seus interesses. Os pa√≠ses coloniais seriam economicamente atrasados e subdesenvolvidos a partir da rela√ß√£o hist√≥rica com suas metr√≥poles sanguessugas.

Esta realidade relegaria √†s col√īnias uma produ√ß√£o de bens prim√°rios voltados √† exporta√ß√£o; uma classe oper√°ria insipiente; um campesinato pauperizado e analfabeto e uma burguesia local subordinada √† interesses externos. Estas burguesias, forjadas no processo colonial, mesmo quando apoiem a independ√™ncia, tendem a trair sua ‚Äúvoca√ß√£o‚ÄĚ de classe ‚Äď como se assistiu nos s√©culos anteriores na Europa ‚Äď e n√£o assumirem a frente do processo produtivo de forma a acumular o excedente de produ√ß√£o no pr√≥prio pa√≠s. Abrindo brecha, assim, ao neocolonialismo.

No cap√≠tulo III “Desventuras da consci√™ncia nacional” Fanon antecipa que a supera√ß√£o do colonialismo n√£o depende apenas da elei√ß√£o de lideres africanos, mas sim, da reorganiza√ß√£o das rela√ß√Ķes de produ√ß√£o, orientada para e com o povo. Do contr√°rio, todo o esfor√ßo dos movimentos de liberta√ß√£o se veriam afogados no neocolonialismo:

Essa burguesia que se afasta cada vez mais do povo em geral nem consegue arrancar do Ocidente concess√Ķes espetaculares: investimentos interessantes para a economia do pa√≠s, instala√ß√Ķes de certas ind√ļstrias. Em contrapartida, as f√°bricas de montagem se multiplicam, consagrando assim o tipo neocolonialista no qual se debate a economia nacional. Assim, n√£o se deve dizer que a burguesia nacional retarda a evolu√ß√£o do pa√≠s, que lhe faz perder tempo ou que ele pode conduzir a na√ß√£o para caminhos sem sa√≠da. Efetivamente, a fase burguesa na hist√≥ria dos pa√≠ses subdesenvolvidos √© uma fase in√ļtil. Quando essa casta for suprimida, devorada por suas pr√≥prias contradi√ß√Ķes, n√≥s percebemos que nada aconteceu depois da independ√™ncia, que √© preciso retomar tudo, partir outra vez do zero. A reconvers√£o n√£o ser√° operada no n√≠vel das estruturas instaladas pela burguesia durante o seu reino, pois essa casta n√£o fez outra coisa sen√£o tomar, sem mudan√ßa, a heran√ßa da economia, de pensamento e das institui√ß√Ķes coloniais .(FANON).

Em seu di√°logo com o Movimento de¬†Negritude, afirma que essa perspectiva √© ‚Äúa ant√≠tese afetiva, sen√£o l√≥gica, desse insulto que o homem branco fazia √° humanidade‚ÄĚ. E completa: ‚ÄúEssa negritude lan√ßada contra o desprezo do branco se revelou, em certos setores, como o √ļnico fator capaz de derrubar interdi√ß√Ķes e maldi√ß√Ķes‚ÄĚ. No entanto, essa contraposi√ß√£o, historicamente necess√°ria, levou o movimento a um impasse: ‚Äú √† afirma√ß√£o incondicional da cultura europeia sucedeu a afirma√ß√£o incondicional da cultura africana‚ÄĚ .

Entretanto, se¬†o colonialismo definiu como essencialmente negro a emo√ß√£o, o corpo, a virilidade, ludicidade, mas, sobretudo, classificou hierarquicamente estes elementos como inferiores, frente √† n√£o menos fetichizada (e ilus√≥ria) imagem criada para o Europeu ‚Äď Raz√£o, civiliza√ß√£o, cultura, universalidade -, o movimento de negritude, sem romper com estes fetichismos, apenas inverteu os polos da hierarquia, passando a considerar como positivo √†quilo que o colonialismo classificou como inferior.

Assim a inoc√™ncia, musicalidade, o ritmo ‚Äúnato‚ÄĚ do africano, passam a ser afirmados pelos movimentos anti-racistas como elementos essencialmente africanos, mas agora, vistos como superiores e desej√°veis frente √† frieza tecnicista ocidental (SENGHOR, 1939). As ‚Äúalmas da gente negra‚ÄĚpassam a ser classificadas como ess√™ncias metaf√≠sicas, ou no m√≠nimo hist√≥ricas, que precisariam ser resgatas e afirmadas para que o negro se reencontre consigo pr√≥prio.

Para Fanon, est√° a√≠ uma armadilha que o movimento de negritude ‚Äď e talvez o conjunto do movimento negro contempor√Ęneo – corria o risco de ficar preso. Esta ‚Äúess√™ncia negra‚ÄĚ que se busca “restaurar” ou “libertar”, √©, para ele, uma inven√ß√£o do racismo colonial a servi√ßo da desumaniza√ß√£o do africano e aceit√°-la, portanto,¬†implicaria na n√£o rejei√ß√£o dos pressupostos que sustentam o colonialismo.

Para ele, os seres humanos s√£o o que fazem e como fazem, e por isso, a prioridade¬†na preserva√ß√£o ¬†ou resgate cultural corre o risco de¬†inverter a ordem de prioridade do mundo, tomando o secund√°rio como prim√°rio, ¬†na medida em que valoriza o produto em detrimento do produtor. Esta postura antropologicizadora, inicialmente leg√≠tima, poderia segundo Fanon levar os movimentos anti-racistas a alguns impasses perigosos, tais como: “meter todos os negros no mesmo saco”; buscar por um passado glorioso em detrimento de uma realidade objetivamente desumanizadora; valorizar acriticamente e de forma¬†apaixonada¬†a‚Äútudo que for africano‚ÄĚ (ou aquilo que se convencionou nomear como africano) e ao mesmo tempo,, negar¬†de forma quase religiosa a¬†tudo que for ‚Äúocidental‚ÄĚ; aceitar o¬†pressuposto racista de que a cultura negra √© est√°tica e fechada, portanto morta.

Para Fanon seria necess√°rio ir al√©m da ‚Äď e n√£o se limitar √† – afirma√ß√£o das especificidades culturais (historicamente negadas). Para ele, n√£o √© a cultura ¬†que deve resistir mas sim as pessoas que a produzem, a partir de seus referenciais simb√≥licos sempre em transforma√ß√£o. √Č certo que o colonialismo nega ao colonizado a possibilidade de entifica√ß√£o de uma cultura aut√™ntica, e por isto, a emancipa√ß√£o cultural, passaria pela emancipa√ß√£o das pessoas que produzem e se produzem a partir dela. √Č o colonialismo em seu ato negador e reificador que atribui uma aus√™ncia de movimento hist√≥rico √† cultura colonizada, engessando-a em cat√°logos antropol√≥gicos, vendo-as e tratando-as como elementos mortos…

Agir pelo resgate de uma pretensa cultura passada, originalmente negada √© secundarizar a emancipa√ß√£o dos indiv√≠duos produtores da cultura. √Č o combate pelo fim mim material, cultural e epist√™mico do colonialismo ‚Äď e Fanon n√£o nega a import√Ęncia da afirma√ß√£o cultural neste processo ‚Äď que pode promover o surgimento de uma cultura aut√™ntica. Ao inv√©s de se lan√ßar apaixonadamente sobre uma cultura engessada pelo colonialismo, ‚Äúo dito combatente, o colonizado, depois de tentar perder-se no povo, com o povo, vai, ao contr√°rio, sacudir o povo. Ao inv√©s de privilegiar a letargia do povo, ele se transforma em despertador do povo‚ÄĚ (FANON, 2010:256).

REAJA
Imagem: Militantes da Campanha Reaja ou ser√° morto, Reaja ou ser√° morta – Bahia – Br

O livro – que tr√°s ainda uma an√°lise sobre os impactos subjetivos da tortura e uma an√°lise cr√≠tica a respeito dos limites do √≥dio para a luta pol√≠tica ‚Äď foi recebido com amor e √≥dio em todas as partes do mundo. Dos movimentos terceiro-mundistas e a esquerda revolucion√°ria nos pa√≠ses da Am√©rica Latina aos intelectuais articuladores do IRA, ETA e a Revolu√ß√£o Aiatol√° no Iran; das propostas de Amilcar Cabral e Sankara √†s reflex√Ķes e a√ß√Ķes pr√°ticas de √āngela Davis e o movimento Black Power, oserva-se a influ√™ncia expl√≠cita de Os condenados da Terra.

*

Desiludido, e abalado com o definhamento do pr√≥prio corpo, Fanon cede √† insist√™ncia de amigos e familiares para tentar um tratamento nos EUA. Ele j√° havia recusado essa possibilidade anteriormente, afirmando que n√£o iria para um pa√≠s de linchadores, mas agora, j√° debilitado, permite-se √† uma √ļlitma tentatica. Ao sexto dia de dezembro de 1961, ainda com 36 anos – e algumas semans depois de ter recebido os primeiros exemplares de Os condenados da terra -, Frantz Omar Fanon morre em um quarto de hospital em Washington.

H√° rumores n√£o partilhados pela fam√≠lia de que a CIA ‚Äď que se envolveu no traslado de Fanon aos Estados Unidos – teria contribu√≠do para sua morte, mas essa desconfian√ßa nunca foi comprovada. O fato √© que, dal√≠ em diante, o nome de Fanon seguiria vivo, alimentando a experan√ßa no futuro, em qualquer lugar que haja injusti√ßa.

 

Frantz Fanon

Para quem tiver coragem: Boa leitura!!!!

Livro pdf na íntegra

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Nonagésimo aniversário de Fanon РA REVOLUÇÃO ARGELINA

CURSO KILOMBAGEM – FANON VIDA E OBRA

O texto de hoje √© Ano Cinco da Revolu√ß√£o Argelina (Sociologie d‚Äôune revolution: L‚Äô an V de La R√©volution Alg√©rienne). O texto foi escrito em 1959 por Fanon com objetivo de divulgar suas observa√ß√Ķes a respeito do processo revolucion√°rio em curso, e ao mesmo tempo, oferecer ao povo argelino e √† comunidade internacional uma ‚Äúcontra-propaganda‚ÄĚ aos meios de comunica√ß√£o franceses.

Sociologie d’une r√©volution: L’ an V de la R√©volution alg√©riene

O livro (que infelizmente AINDA n√£o disp√Ķe de tradu√ß√£o para a l√≠ngua portuguesa) √© uma verdadeira etnografia do processo revolucion√°rio e oferece uma abordagem privilegiada para o entendimento das posi√ß√Ķes pol√≠ticas e te√≥ricas de Fanon.

A esta altura, as lutas pela libertação da Argélia já haviam completado cinco anos, e diante dela, Fanon pode observar e descrever detalhadamente, em primeiro lugar, o processo de mobilização social em curso, observando os seus limites e possibilidades para a formação de subjetividades descolonizadas, e, em segundo lugar, as formas de reação que o colonialismo lança mão para evitar desfazer-se das estruturas de poder.

Violenta repressão francesa  à marcha de argelinos contra o colonialismo
Violenta repressão francesa à marcha de argelinos contra o colonialismo

Em rela√ß√£o ao primeiro aspecto, Fanon responde positivamente √†s suspeitas que ele mesmo havia levantado em outro lugar: ‚Äú√© o branco cria o negro, mas √© o negro que cria a negritude‚ÄĚ. Isto significa, para ele, que a luta de liberta√ß√£o √© o momento em que a coisa colonizada se torna humana: das mudan√ßas nas rela√ß√Ķes de g√™nero a partir da introdu√ß√£o das mulheres √†s frentes de batalha aos dilemas enfrentados quando se pensa as rela√ß√Ķes entre a tradi√ß√£o e a tecnologia, em todos, √© a luta (revolucion√°ria) que tem o poder de atribuir novos significados √† vida e elevar o condenado √† posi√ß√£o de sujeito da hist√≥ria.

O ponto que incomoda no texto ‚Äď e “justifica” sua imediata proibi√ß√£o na Fran√ßa da √©poca ‚Äď √© que nele, n√£o haveria outra escolha para os povos colonizados que n√£o fosse a via revolucion√°ria. E assim, diante √† queda da Fran√ßa colonialista que ¬†j√° se anunciava como breve , Fanon anunciava o nascimento de um novo ser humano. Como afirma na introdu√ß√£o do referido livro:

A na√ß√£o argelina j√° n√£o est√° em um para√≠so futuro. N√£o √© o produto da imagina√ß√£o e fantasias. Ela est√° no centro do novo homem argelino. Existe uma nova natureza do homem argelino, uma nova dimens√£o √† sua exist√™ncia. A tese de que os homens est√£o mudando no mesmo momento em que mudar o mundo, nunca foi mais evidente do que na Arg√©lia. Este confronto est√° reformulando n√£o s√≥ a consci√™ncia que o homem tem de si mesmo, a ideia que ele tem de seus ex-governantes ou do mundo, finalmente ao seu alcance. Esta luta em diferentes n√≠veis renova os s√≠mbolos, mitos, cren√ßas, emo√ß√Ķes de povo. N√≥s ajudamos na Arg√©lia para um rein√≠cio humano. […] O colonialismo perde o jogo na Arg√©lia, enquanto os argelinos ganham. Este povo, perdido para a hist√≥ria […) pessoas analfabetas que escreveram as p√°ginas mais belas e mais comoventes da luta pela liberdade (Fanon, 1968)

Contam os seus biografos antes da publica√ß√£o do livro, os editores da Maspero procuram Aim√© Cesaire e Albert Memmi para prefacia-lo, mas ao que se sabe, ambos recusam. Antes de ser proibido pela Fran√ßa, o livro circulou amplamente pela √Āfrica franc√≥fona.

Um ponto bastante discutido, e que lembra os linchamentos¬†(SEMPRE DE NEGROS) no Brasil √© viol√™ncia colonial como estrat√©gia para manter os colonizados em seu lugar de coisa. No caso, Fanon problematiza a tortura e o assassinato violento de quem ousa confrontar os lugares reservados pelo colonialismo. O filme Batalha de Argel √© bastante elucidativo da viol√™ncia francesa, mas tamb√©m, de como os nacionalistas argelinos responderam a ela. √Č poss√≠vel afirmar que o filme √© melhor entendido quando se l√™ este livro e o livro por sua vez, melhor entendido quando se assiste o filme:

 

Outro ponto interessante no livro √© que a Cultura e da Identidade n√£o s√£o pensadas de uma forma fixa/essencial e nem aut√īnoma ao processo de luta, √© a partir da a√ß√£o das pessoas ativas na hist√≥ria que os s√≠mbolos adquirem novos significados. No primeiro cap√≠tulo ‚ÄúA Arg√©lia se desvela‚ÄĚ, o autor observa como a repress√£o ao v√©u utilizado pelas mulheres ‚Äď muito comum em muitas comunidades isl√Ęmicas, e ainda reprimido na Fran√ßa contempor√Ęnea ‚Äď levou √† ressignifica√ß√£o deste adorno na Arg√©lia.

Diante do ato racista franc√™s em estigmatizar o v√©u; a preserva√ß√£o dessa tradi√ß√£o passou a representar um confronto aos interesses assimilacionistas franceses, e nesse sentido, o seu incentivo pelas for√ßas rebeldes era subversivo. Fanon explica que nesse momento, como tentativa de desestabilisar os pressupostos culturais da rebeldia, a Fran√ßa colonialista lan√ßou m√£o inclusive do discurso feminista – que ela ¬†sempre desprezou ‚Äď para “denunciar” a opress√£o da mulher em suas indumentarias ‚Äúpatriarcais‚ÄĚ e ‚Äúrepressivas‚ÄĚ.

A batalha do véu

Num segundo momento, a partir introdu√ß√£o das mulheres no front de batalha, as mulheres guerrilheiras passaram a retirar o v√©u ‚Äď ou utiliz√°-lo convinientemente ‚Äď de forma a enganar e surpreender o inimigo colonialista. Estes atos, por si, al√©m de possibilitar um contato com espa√ßos que at√© ent√£o eram exclusivamente masculinos, possibilitou uma ressiginifica√ß√£o da rela√ß√£o dessas pessoas com a tradi√ß√£o, com os homens e consigo pr√≥prias.

O ponto que Fanon destaca aqui √© que o compromisso revolucion√°rio que se estabeleeu n√£o foi com o resgate ou com a repeti√ß√£o da tradi√ß√£o ‚Äď em um movimento de retorno √† origens ‚Äúverdadeiramente‚ÄĚ essenciais ‚Äď mas sim, o compromisso com as pessoas, vivas e ativas que, exatamente por serem sujeitos hist√≥ricos, podem ressignificar os valores que os informam.

Em 1962 a Arg√©lia conquista a sua independ√™ncia, mas os acontecimentos posteriores, foram exatamente na contram√£o dessa perspectiva defendida por Fanon e os outros membros laicos da Frente de Liberta√ß√£o Nacional. De todo modo, o livro transcende os limites geogr√°ficos da Arg√©lia e levanta importantes questionamentos e reflex√Ķes a respeito de um processo popular revolucion√°rio.

A quem se dispor a encarar o ‚Äúespanhol‚ÄĚ: boa leitura:

SOCIOLOGIA DE UMA REVOLUÇÃO 

 

AGENDA DE MOBILIZAÇÃO CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL 

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Nonagésimo aniversário de Fanon РCultura e luta

O texto de hoje √© “Fundamento Rec√≠procos da Cultura Nacional e das Lutas de Liberta√ß√£o”, escrito para a confer√™ncia de Fanon ao II Congresso de Artistas e Escritores Negros, realizado em Roma no ano de 1959 pela revista Pr√©sence Africaine.

Com seus 150 participantes Рentre eles dois brasileiros Рe a adoção do idioma francês como língua oficial, o II Congresso não foi tão frequentado como o primeiro que havia contado com a presença de 600 pessoas, em 1956. À esta altura, Fanon já era internacionalmente conhecido e sua presença destacou-se entre os participantes.

 

√Č verdade, por√©m que a sua posi√ß√£o era dissonante √†s perspectivas defendidas pelos demais participantes. Alione Diop, por exemplo[1], diante √† presen√ßa do Papa Jo√£o XXIII no evento, defendeu a Negritude como express√£o de um g√™nio negro que precisa se des-ocidentalizar sem, contudo, abrir m√£o dos presentes do ocidente, a saber, o cristianismo. No mesmo caminho, Jean Price-Mars, embaixador do Haiti em Par√≠s, retomou a paleontologia e a pr√©-hist√≥ria para afirmar o car√°ter melanod√©rmico dos primeiros seres humanos e Cheik Anta Diop, no mesmo caminho, apresentou sua tese sobre a negritude dos antigos eg√≠pcios e a influ√™ncia desta civiliza√ß√£o na cultura grega. Hamadou Hampat√© B√°, por outro lado, falou das import√Ęncia das cren√ßas africanas tradicionais, retomando inclusive os estudos sobre a filosofia Bantu, de Placide Temples. E Senghor defendeu a cultura como esp√≠rito de uma civiliza√ß√£o que precisa ser preservada diante das for√ßas assimilacionistas.

Fanon, entretanto, organicamente ligado aos movimentos de liberta√ß√£o, ier√° defender em sua fala que a ‚Äúcondi√ß√£o de exist√™ncia da cultura √© pois a liberta√ß√£o nacional, o renascimento do Estado‚ÄĚ (FANON, 2010:280). Isso significava que, para ele, o caminho que deveria ser adotado pelos intelectuais presentes n√£o deveria se resumir ao enaltecimento da cultura e origem africana ‚Äď sistematicamente negada pelo julgo colonial ‚Äď mas, sim, e principalmente, o engajamento dos artistas e intelectuais de cultura junto ao povo colonizado e seus saberes de forma a construir com eles uma praxis pol√≠tica (revolucion√°ria) de transforma√ß√£o das condi√ß√Ķes concretas de exist√™ncia.

Fora desse movimento pr√°tico-sens√≠vel, para ele, restariam apenas duas op√ß√Ķes ao intelectual de cultura: adorar √† cultura do colonizador, legitimando-a enganosamente como a √ļnica verdadeiramente v√°lida ‚Äď contribuindo assim para disseminar preconceitos em rela√ß√£o √† cultura aut√≥ctone ‚Äď ou, por outro lado, lan√ßar-se apaixonadamente √† cultura dos povos colonizados, cultura essa ‚Äúzumbificada‚ÄĚ, ‚Äúsubstancializada‚ÄĚ, ‚Äúsolidificada‚ÄĚ e ‚Äúesterilizada‚ÄĚ pelo colonialismo.

Esta segunda op√ß√£o – que para Fanon seria partilhada pelos intelectuais da negritude – foi alvo de duras cr√≠ticas ao longo deste e de outros textos escritos pelo autor. √Č o colonialismo que est√° interessado no culto √† uma cultura est√°tica e catalog√°vel pelas institui√ß√Ķes antropol√≥gicas da metr√≥polis. √Ä luta de liberta√ß√£o, interessaria, portanto, n√£o o fechamento da no√ß√£o de cultura em um movimento de eterno retorno, mas, pelo contr√°rio, o encontro √† uma no√ß√£o viva e din√Ęmica de cultura que a relacione, inclusive, com os contextos em que emerge.

O contexto em questão é o colonial e a cultura, nesse quadro, será sempre restringida por forças que impedem o seu verdadeiro florecer. Por esta razão, argumenta, qualquer tentativa de resgate ou valorização da cultura que se exima de confrontar, ao mesmo tempo, as bases sob o qual o colonialismo se estrutura, acaba se limitando a um movimento estéril.PanAfrican   Por isso, a posição de Fanon estava mais alinhada com a de Ahmed Sekou Touré, da Guiné Conacry:

Para participar na revolu√ß√£o africana n√£o basta escrever uma can√ß√£o revolucion√°ria, √© preciso forjar a revolu√ß√£o junto com o povo. E se n√≥s a forjarmos junto com o povo, as can√ß√Ķes surgir√£o por si mesmas e delas mesmas.

 

Boa leitura!!!

Acesse o texto:

 

[1] Alione Diop foi líder do periódico Présence Africaine e principal articulador do movimento de negritude juntamente com Césaire, Senghor e Damás.

 

N√£o vai pra grupo: Diga n√£o!!!

 

MOBILIZAÇÃO CONTRA A REDUÇÃO DA IDADE PENAL 

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Nonagésimo aniversário de Fanon РA esquerda francesa e a revolução argelina

Como parte do CURSO FRANTZ FANON VIDA E OBRA, falaremos hoje sobre os escritos de Fanon para o Jornal El Moudjahid e de sua relação com a Esquerda francesa.

Capa do livro: Pour la révolution africaine

Em 1956, ao retornar do I Congresso de Escritores e Artistas Negros, Fanon depara-se com uma tens√£o social ainda maior, provocada pelo acirramento das contradi√ß√Ķes b√©licas na Arg√©lia. A tens√£o colocou Fanon em uma situa√ß√£o desconfort√°vel: de um lado, como diretor de um hospital p√ļblico, recebia os torturadores franceses que ficavam atordoados com o sofrimento que infringiam aos Nativos, e do outro, atendia sigilosamente os guerrilheiros v√≠timas da tortura (GIBSON, 2011). √Č neste contexto que Fanon escreve: ‚ÄúH√° longos meses que a minha consci√™ncia √© palco de debates imperdo√°veis. E a conclus√£o que chego √© a vontade de n√£o desesperar do homem, isto √©, de mim pr√≥prio‚ÄĚ (FANON, 1980:59).

O desfecho do acirramento político, mas também do envolvimento de Fanon com a Frente de libertação da Argélia, resultou em uma carta de demissão, escrita por ele para denunciar a desumanidade do colonialismo francês e a impossibilidade de tratar o sofrimento psíquico em um ambiente social (colonial) produtor de loucura. A resposta do Governo colonial francês na Argélia foi a sua expulsão oficial.

Fanon com Omar Oussedik, ao centro, responsável pela FLN na Tunísia

A partir da√≠, Fanon ruma para Tun√≠sia e se integra oficialmente √†s fileiras da FLN. Na Tun√≠sia, continua trabalhando como pesquisador e psiquiatra cl√≠nico, mas paralelo a isso, assume a fun√ß√£o de embaixador do Governo Provis√≥rio da Rep√ļblica Argelina (GPRA) nos pa√≠ses da √Āfrica subsaariana e se torna, ao mesmo tempo, correspondente do peri√≥dico El Moudjahid. Uma tradu√ß√£o poss√≠vel do √°rabe argelino para o portugu√™s seria ‚Äúguerreiro santo‚ÄĚ ou ‚Äúguerreiro de f√©‚ÄĚ. O tom religioso do nome escolhido para o jornal buscava dialogar com o imagin√°rio isl√Ęmico da maioria da popula√ß√£o argelina, mas a fac√ß√£o pol√≠tica da FLN (a essa altura, nomeada GPRA) ao qual Fanon estava relacionado alejava uma revolu√ß√£o social de cunho secular, ao contr√°rio do que ocorrer√° na Arg√©lia ap√≥s a independ√™ncia.

Os artigos escritos por Fanon neste jornal foram posteriormente reunidos a outros escritos e publicados no livro Pour La révolution africaine Рécrits politiques-. François Maspero. 1964 por Josie Fanon, sua esposa. Há uma versão traduzida para o português de Portugal por Isabel Pascoal: Em defesa da Revolução Africana. In: Fanon (1980).

 

√ďrg√£o de divulga√ß√£o da Frente de liberta√ß√£o Nacional da Arg√©lia

O texto aqui divulgado √© ‚ÄúOs intelectuais e os democratas franceses perante a Revolu√ß√£o Argelina‚ÄĚ escrito em 1957. Nele, pode-se perceber o debate de Fanon com a esquerda e os setores mais democr√°ticos da Fran√ßa, seja intelectuais, art√≠sticos ou pol√≠ticos. Para entender a posi√ß√£o de Fanon no artigo √© importante lembrar que a resposta francesa ao √† luta de liberta√ß√£o foi uma das mais violentas de todas as registradas. Isso levou a luta rapidamente a dimens√Ķes sangrentas, pautadas por estrat√©gias de guerrilhas e terrorismo contra a popula√ß√£o francesa que ocupava os territ√≥rios argelinos.

A cr√≠tica de Fanon, √© que os intelectuais de esquerda, em um gesto que relembra o ‚Äúsomos todos Maj√ļ‚ÄĚ, limitavam-se a escrever notas de rep√ļdio √† viol√™ncia colonial, sem com isso, mobilizar consequentemente o conjunto de suas for√ßas e influ√™ncia para fazer frente √†s atrocidades cometidas pela administra√ß√£o colonial.

Essa postura ambigua da esquerda francesa levou Fanon a problematizar a exclusividade da ‚Äúclasse‚ÄĚ para a luta anticolonial, j√° que o proletariado franc√™s ‚Äď seja o que vivia na Fran√ßa, seja o que vivia na Arg√©lia ‚Äď beneficiava-se de privil√©gios reais e simb√≥licos permitidos pela explora√ß√£o colonial Segundo ele, ‚Äúna Arg√©lia, como em qualquer col√īnia, o opressor estrangeiro op√Ķe-se ao aut√≥ctone como limite de sua dignidade, e define-se como contesta√ß√£o irredut√≠vel da exist√™ncia nacional‚ÄĚ.

Ao contr√°rio do que se pode imaginar, para ele, essa posi√ß√£o n√£o refuta a necessidade de pensar a dimens√£o de ‚Äúclasse‚ÄĚ no interior das lutas de liberta√ß√£o no continente africano, mas sim, a necessidade de entender a suas particularidades nas col√īnias, onde o trabalhador franc√™s, mesmo que explorado, assume nas col√īnias a posi√ß√£o de ‚Äúocupante‚ÄĚ (invasor) e atuar√°, quase sempre, lament√°velmente, na perspectiva de manter seus privil√©gios.

Apesar da dura cr√≠tica √† essa esquerda (colonial), a posi√ß√£o de Fanon n√£o vai no sentido de uma ruptura radical com ela, mas, em primeiro lugar, na elucida√ß√£o dos seus limites concretos (Gourmet) – poderia-se dizer em refer√™ncia √† posturas ainda presentes no que tange aos v√≠nculos da esquerda com a supremacia branca/europeia – , e em segundo lugar, no apelo √† que essa for√ßa pol√≠tica ‚Äď que mesmo limitada n√£o deve ser despresada ‚Äď ‚Äúsupere as contradi√ß√Ķes (gurm√™s) que esterilizam suas posi√ß√Ķes‚ÄĚ e apoiem ‚Äúsem reserva‚ÄĚo esfor√ßo de descoloniza√ß√£o empreendidos pelos principais ‚Äúcondenados da terra‚ÄĚ.

Ao que tudo indica, quando se pensa a postura ‚Äď ou o sil√™ncio e a omiss√£o ‚Äď da esquerda brasileira diante do sistem√°tico assassinato de pretos/as, ou quando mesmo a sua mais agressiva manifesta√ß√£o de apoio se limita a uma notinha no cantinho de um jornal, v√™-se que o texto √© bastante atual.

À quem interessar, boa leitura:

Os intelectuais e os democratas franceses perante à revolução argelina РFanon (1957)

 

 

Ato Contra o Golpe de Cunha РContra Redução 
Terça | 07 de Julho | 17h30 | Masp
Evento no Face: goo.gl/RoQM3p
—–
Ato Contra a Redução e Celebração dos 25 anos do ECA
Segunda | 13 de julho | Pra√ßa da S√© –¬†

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Nonagésimo aniversário de Fanon РRacismo e Cultura

O texto de hoje é Racismo e cultura, elaborado por Fanon para a sua conferência no I Congresso de Escritores e Artistas Negros, em Paris. O texto também será abordado no Curso Fanon

Artista Michel Cena 7

O encontro foi realizado em 1956, quando Fanon, que nasceu na Martinica, já atuava como médico psiquiatra em Blida na Argélia. Essa informação é importante porque na Argélia da época, iniciava-se um amplo processo de mobilização popular e protestos contra o colonialismo francês. Esta mobilização foi recebida com muita violência pela França colonialista, e com isso, o clima político do país ficava cada vez mais tenso.

A esse momento, Fanon já mantinha contato com os integrantes da Frente de libertação Nacional da Argélia e com o Movimento de Negritude francês, liderado por Alaine Diop, Aimé Cesaire, Leon Damás, Leopold Senghor e outros.

A relação de Fanon com o Movimento de Negritude sempre gerou muitas polêmicas entre os estudiosos de seu pensamento. Para uns, ele comporia uma ala mais radical da negritude que buscou ir além da sua dimensão cultural, para outros, a sua crítica apontavam para uma ruptura.

O fato é que a presença de Fanon ao Congresso, contribuiu tanto para que as suas ideias ficassem conhecidas internacionalmente  quanto para que ele estabelecesse contato com outros intelectuais africanos que identificavam nas vias revolucionárias, o caminho para a descolonização do continente. Entre esses intelectuais, destacam-seJacques Rabemananjara e Mario de Andrade, que anos depois, se tornaria o principal articulador da independência angolana.

O Congresso de Escritores e Artistas Negros foi organizado pela Revista Présence Africaine, coordenada por Alaine Diop, e contou com a participação de mais de 600 pessoas de diversas nacionalidade. Um fato pouco comentado, é que havia um brasileiro nesse encontro.

I Congresso de Escritores Negros - KILOMBAGEM

A comunica√ß√£o de Fanon para o Congresso resultou no famoso texto Racismo e Cultura, publicado em seguida pela Revista Pr√©sence Africaine e , posteriormente em 1964 na colet√Ęnea de textos Pour la r√©volution africaine. Ficam n√≠tidas ao longo da comunica√ß√£o algumas de suas diferencas em rela√ß√£o ao movimento de negritude, e a sua preocupa√ß√£o em apontar os nexos entre economia, cultura e subjetividade na an√°lise da situa√ß√£o colonial.

Para al√©m disso, destaca-se na comunica√ß√£o a preocupa√ß√£o de Fanon com o car√°ter mutante do racismo. Para ele, o antigo racismo “cient√≠fico” – baseado em argumentos biol√≥gicos ¬†– j√° estava sendo questionado pelos pr√≥prios √≥rg√£os de poder que dele se beneficiaram. Em seu lugar, desenvolvia-se novas formas de racismo, que apesar de baseadas na anterior, passavam a identificar na culturais elementos de sustenta√ß√£o. Essa muta√ß√£o, para Fanon n√£o representava um avan√ßo para a luta antirracista, mas sim, a capacidade do racismo se adequar √† novas necessidades e contextos, sem com isso deixar de ser um elemento de manuten√ß√£o de poder e privil√©gios.

O texto é um clássico, e leitura obrigatória para entender o pensamento de Fanon.

Você pode acessá-lo aqui

Boa leitura!!!

 

Para os desavisados: 18 raz√Ķes para dizer n√£o √† redu√ß√£o da idade penal no Brasil¬†

 

Emancipate yourself from mental slavery:

Dizzy!!!!!!!!!!!!!!!!

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Nonagésimo aniversário de Fanon РPele Negra

Por Deivison Nkosi

No dia 20 de julho Frantz Fanon completaria 90 anos. Em rever√™ncia √† sua trajet√≥ria, mas tamb√©m, interessados/as em discutir a atualidade da sua obra para o entendimento do racismo na sociedade contempor√Ęnea, o Grupo Kilombagem divulgar√°, at√© o dia que seria o seu anivers√°rio, uma s√©rie de¬†links com textos do (ou sobre) o autor.

O texto de hoje é Pele negra, máscaras brancas, publicado pela primeira vez em 1952, na França, quando Fanon tinha 27 anos.

Como se sabe, o texto foi escrito dois anos antes, como o nome “Ensaios sobre a aliena√ß√£o do negro”, para ser apresentado √† banca de avalia√ß√£o do curso de medicina psiqui√°trica, em Lyon. Mas o seu orientador n√£o aprovou manuscrito por destoar da abordagem¬†positivista ent√£o vigente. Na √©poca, eles¬†exigiam¬†uma psiquiatria que buscasse nas dimens√Ķes¬† f√≠sico-biol√≥gicas a explica√ß√£o para os fen√īmenos ps√≠quicos.

Em resposta, como ainda é comum nas universidades em todo o mundo (colonizado), Fanon escreveu (empoças semanas)  outra dissertação, agora intitulada Transtornos mentias e síndrome psiquiátricas em degeneração spino-cerebral-hereditária: Um caso de doença de Friedeirich com delírio de possessão (Lion, 1951). Apesar do título e do enquadramento do trabalho, Fanon seguiu defendendo a necessidade de conhecer o contexto social e a cultura dos pacientes, como forma de facilitar o tratamento.

Em Pele negra, máscaras brancas, (primeiro texto a ser abordado em nosso Curso, na casa Tainã, a partir do dia 20), encontramos um conjunto complexo de temas preocupados em entender a colonização, os seus impactos culturais e psíquicos sobre o colonizado (e também o colonizador), e os apontamentos esboçados pelo o autor para fazer face à esses problemas.

Quem ousar se entregar à leitura, se deparará com várias vozes em diálogo e conflito em busca incessante por pensar a si e o outro no mundo colonizado (como o nosso), pois, para ele, a solução só poderá ser encontrada se estivermos dispostos a descer aos verdadeiros infernos da existência humana, questionando inclusive, os limites, armadilhas (mas também possibilidades) implícitos à luta.

Por isso finaliza o livro dizendo:

Ao fim desse trabalho, gostaríamos que as pessoas sintam, como nós, a dimensão aberta da consciência.

Minha √ļltima prece:

√Ē meu corpo, fa√ßa sempre de mim um homem que questiona!

 

Baixe aqui o livro completo!!!

Boa leitura!!!